Montfort Associação Cultural

23 de agosto de 2013

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Críticas ao Congresso Montfort

Na minha opinião a grande palestra foi a do padre Paul Aulagnier, braço direito do mons. Lefevre.

  • Consulente: X
  • Enviada em: 13 de agosto de 2013

Salve Maria!

Sou X e participei do Congresso Montfort, muito bom por sinal. A pedido do Sr. Alberto estou enviando algumas críticas de ‘católicos” sobre o Congresso… e também um “print” de um deles.
PAZ E BEM.

Este é o comentário do Seminarista Vinicius Farias da Arquidiocese Militar:

Gostaria de tecer alguns comentários sobre o congresso tradicionalista que começou ontem: a tão esperada e polêmica crítica à RCC e à TL ficou diluída por conta da falta de foco.

Eram temas muito vastos, passíveis de críticas bem mais interessantes do que as que foram feitas (ex.: subjetivismo da RCC e marxismo na TL). Na minha opinião a grande palestra foi a do padre Paul Aulagnier, braço direito do mons. Lefevre. Sem falar invalidar o caráter salvífico da missa nova, criticou alguns pontos interessantes como a perda do mistério, a retirada dos termos “Misterium Fidei” da consagração, a tradução “Por todos” em vez de “Por muitos”, etc. Ele terminou falando sobre a proibição do papa à celebração da missa antiga pelos Franciscanos da Imaculada. Concluiu com a pergunta: “Seria o papa Francisco a favor ou contra a celebração desse rito?”. O mais legal foi o comentário de um dos seminaristas que me acompanhavam: “meu filho, o papa Francisco está se lixando para essas picuinhas…ele quer é quer é cuidar dos pobres e beijar as crianças”…rs

Saí do congresso com a impressão de que a missa nova precisa realmente de correções pontuais que com o tempo o Espírito Santo fará por meio da Igreja, mas isso não nos leva a concluir que correções pontuais não precisassem ser feitos na missa antiga. O clima estava surpreendentemente bom para o ambiente tradicionalista e o Coffee Break estava ótimo. Valeu a noite!

ESTE É DE UM EX “ARAUTO” :

Queria saber quais os erros de Dr. Plinio…
Permanecer em comunhao com Roma?
Ter expulsado um “sabugo” da TFP?
Estas foram as razoes dele ter rompido relacoes com Mons. Lefebvre e Dom Mayer, assim rompendo com as instituicoes por eles fundadas…
Engracado né?
Antes das sagracoes, Dom Lefebvre vinha ao Brasil para visitar a TFP no Brasil e fazer cingressos para os socios da entidade (tenho fotos raras de Mons. Lefebvre com Plinio no Brasil) , Plinio era pregador de retiros para os padres de Campos (seguidores de Dom Mayer), depois da resposta dada a Dom Mayer: “contra Roma eu nao vou”, Plinio passou a ser herege???
Kkkkk
Dom Mayer entao se junta com o “fedelho” e comeca combater Plinio, belo motivo…
Afff

Prezado amigo,
salve Maria,

Inicialmente quero agradecer o elogio que você faz ao Congresso.

Estou de pleno acordo com o seminarista Vinicius, em que a palestra do Padre Aulagnier sobre a Missa foi muito melhor que a minha sobre a RCC e a Teologia da Libertação.

Entretanto, ele se queixa de falta de foco. Ora, o foco da palestra foi claro: condenar a TL como pessimista e marxista e a RCC como otimista e romântica, ambas negando a realidade. Creio que ele quisesse dizer que os assuntos poderiam ter sido abordados com maior profundidade… Se realmente foi esta a intenção, também aqui lhe dou razão. Uma hora e meia de duração para a palestra é pouco para tratar do assunto. Se Deus quiser, em outros artigos e vídeo aulas poderemos nos aprofundar.

Em todo o caso, fiquei contente porque o seminarista Vinicius critica a RCC. Dou o tempo gasto no congresso por bem empregado ao fazer um seminarista atacar publicamente um movimento que tanto prejudica a Igreja. Lamento apenas que o seminarista talvez estivesse cansado durante a minha palestra, e poderá não ter concentrado a sua atenção, pois as críticas que ele propõe à TL e a RCC foram exatamente as que eu fiz.

Devo agradecer ainda por ele reconhecer que o clima estava bom. Não sei que tipo de ambiente ele costuma frequentar para se surpreender, pois o clima deste Congresso foi muito semelhante ao dos anteriores: muita alegria, muito respeito à Igreja e ao Papa – e ao clero! , muito estudo e fidelidade ao que a Igreja sempre ensinou.

Os leitores do site e aqueles que assistiram à minha palestra no Congresso devem estar surpresos como estou cordato. Mas infelizmente há, ainda, o que comentar.

Acredito que seria útil para o seminarista Vinicius refazer suas aulas de lógica no seminário. Vejamos a crítica que ele apresenta à Missa Nova, em relação com a Missa Antiga:

“a missa nova precisa realmente de correções pontuais que com o tempo o Espírito Santo fará por meio da Igreja, mas isso não nos leva a concluir que correções pontuais não precisassem ser feitos na missa antiga”.

A frase é um verdadeiro primor de incoerência. Ele parece justificar os erros que admite na Missa Nova afirmando que também há erros na Missa Antiga. É difícil entender o raciocínio do seminarista, se é que ele existe. Aparentemente, para ele, a Igreja sempre teria feito a Missa de forma equivocada e, por isso, não seria de surpreender que a Missa Nova contivesse erros.

Se for assim, gostaria de recomendar ao seminarista Vinicius que estude um pouco de História da Igreja e de Teologia, especificamente o Concílio de Trento. No capítulo 9, nos cânones 1 a 9, que tratam do sacrifício da Missa, ele encontrará anátemas que mostram como a sua afirmação é no mínimo temerária. Vejamos apenas uma delas:

“Can 6. Se alguém disser que o cânon da Missa contém erros e, portanto, deve ser ab-rogado: seja anátema” (DENZINGER 1756).

Pior é ver a alegria do seminarista Vinicius com a afirmação de outro seminarista de que o Papa não dá importância à questão da Missa e se preocupa somente com os pobres. Atribuir maior importância aos pobres do que à Missa seria supor que Cristo fez mal em instituir a Eucaristia, na véspera da Paixão, ao invés de fornecer a Ceia Pascal aos necessitados de Jerusalém. Mas, como o Papa tem insistido, fazer caridade sem pregar a Cristo é transformar a Igreja em uma ONG. Creio que seria melhor para o seminarista mudar seu pensamento ou concluir sua formação no Greenpeace.

Terminada a fase doce da carta, passemos para o ex-arauto.

É realmente inacreditável a capacidade que a “turma” de Monsenhor João Clá tem de mentir. Acredito até que o autor deste post tenha sido enganado pelos Arautos mais velhos. Dizia-se de Monsenhor João Clá – dentro da TFP – que ele ficava vermelho quando falava a verdade, de tal modo ele era conhecido por não ter escrúpulo em mentir.

A verdadeira história da saída de Dom Mayer da TFP é o oposto do que foi inventado pelo ex-arauto.

O rompimento de Dom Mayer com a TFP começou em uma discussão por cartas, com Plinio, fundador da mesma, na qual Dom Mayer condenou a permanência do Santíssimo Sacramento nas capelas da TFP, sem autorização das autoridades eclesiásticas.

Plinio, alegando um “estado de necessidade”, se permitia romper todas as regras canônicas. Nomear “ministros da Eucaristia” que distribuíam a comunhão para os membros da TFP, principalmente aqueles que viviam em conventos clandestinos chamados êremos, fazia com que eles pudessem comungar sem tem sair do lugar onde moravam, a fim de não se contaminarem com o mundo. João Clá, atual Monsenhor, era um desses habitantes dos conventos clandestinos, e igualmente “ministro da Eucaristia”.

Plinio sempre desprezou tudo que era da Igreja, mas nunca teve coragem de afirmar publicamente seu sede-vacantismo. Entretanto, de fato agia como se o Papa não tivesse qualquer autoridade. Mais ainda, nos círculos mais internos da seita da TFP, acreditava-se numa espécie de “eclesio-vacantismo”.

Com a justificativa de tal “eclesio-vacantismo”, Plínio e seus discípulos podiam mentir, e praticar todos os atos necessários para o que consideravam ser o bem da TFP. Alegava Plínio que a Igreja de fato não mais existia, restando apenas uma “estrutura”. O Espírito Santo por isso estaria repousando nele e, desta forma, ele não estaria mais submetido a qualquer lei.

Contra as capelas, os ministros de eucaristia e os conventos clandestinos foi que Dom Mayer se opôs. Como Plinio não aceitou suas críticas, ele retirou seu apoio à TFP. A afirmação, portanto, de que o rompimento se deu porque Dom Mayer ficara contra Roma é pura demência.

A mesma linha de loucura é afirmar uma aproximação entre Dom Lefebvre e a TFP. Bastar ler a história da TFP, no livro publicado pela própria entidade com o título “Meio século de epopeia anticomunista” – aliás, título muito modesto não acha? O verdadeiro título deveria ser “Meio século de enrolação”. Nas páginas 385 e 386 deste livro, fala-se do relacionamento com Monsenhor Lefebvre: duas conferências e um encontro no Rio de Janeiro com um membro da TFP. Nada mais. Plínio, no caso da Fraternidade São Pio X, ficava “em cima do muro”, pois não queria desagradar nem aos simpatizantes de Dom Lefebvre, dos quais recebia doações, nem ao clero no Brasil, com quem preferia manter boas relações.

Mas o delírio chega ao ápice quando se afirma que Plinio pregou retiros para os Padres de Campos. Plínio não era padre e, portanto, Dom Mayer jamais permitiria que ele o fizesse. Ademais, Plínio não conhecia doutrina católica. Ele nunca estudou seriamente coisa alguma pois, como se dizia profeta inerrante (ou seja, aquele que não erra nunca), ele não tinha necessidade de ler ou estudar já que tudo o que dissesse estaria correto.

Quanto ao Professor Orlando Fedeli, foi ele quem decidiu sair da TFP, devido à recusa de Plínio em condenar as heréticas visões de Ana Catarina Emmerich, visões gnósticas (parece que sempre voltamos ao mesmo tema!) que, entre outras coisas, condenam o casamento – bem ao gosto do pessoal da TFP!

O Professor usou seu estudo de doutorado sobre Catarina Emmerich para provar quão absurda era a ideia de que Plínio era inerrante. Plínio sempre elogiou muito Catarina Emnerich, havia dado muitas reuniões para os membros da TFP tecendo largos elogios aos textos da gnóstica vidente. “Como então fica minha inerrância diante destas heresias?” perguntou Plinio ao Professor, após este ter lhe apontado os inúmeros erros nas visões. Com o ataque e as provas contra Catarina Emmerich, a inerrância de Plínio estava acabada. Por isto, Plínio não podia permitir que ela fosse condenada.

Naquela ocasião, o Professor ainda não conhecia a Sempre Viva, a seita secreta da TFP, cujos membros se consagravam como escravos a Plinio. Entre eles estava João Clá, que usava o nome de Plínio Fernando. Foi após seu rompimento com a TFP que um antigo membro da seita revelou ao Professor Orlando sua existência.

Por último, quanto aos comentários que você enviou que parecem ser de um Facebook. As ditas redes sociais existem para entreter em pessoas isoladas uma das outras uma ilusão de interação e de amizade pessoal. Assim, apesar de existirem alguns membros favoráveis a nós, esses muitas vezes têm mais preocupação em descrever seus sentimentos do que em agir em favor da Igreja. De maneira geral, predominam os palpites sem qualquer profundidade ou relevância e se tratam todos os assuntos com a extrema superficialidade de uma conversa de barzinho. Por isto, a agitação que eles fazem em matéria religiosa poderia ser definida como muita conversa e pouca ação.

Infelizmente toda essa atividade virtual, muitas vezes atrás de um estranho anonimato, prolifera no chamado mundo tradicionalista. O Professor Orlando costumava definir o sede-vacantista como um desempregado que joga fora seu tempo ocioso na internet…

Alberto Zucchi

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