Montfort Associação Cultural

24 de agosto de 2005

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Criacionismo não é ciência, é religião

Autor: Fábio Vanini

  • Consulente: Miguel
  • Localizaçao: Porto – Portugal

O criacionismo tem a ver com crença religiosa e nada a ver com a ciência. O que desejam é um mundo beato de adoradores da sua religião, e para isso usam o criacionismo como se fosse ciência, porque assim têm a autoridade da ciência do seu lado. Mas o criacionismo corrompe a ciência, corrompe a teoria da evolução de todas as maneiras.
Bom, esta é a minha sincera opinião. Por tudo o que tenho lido.

Porquê eu acho isto? Porque a evolução que os criacionistas atacam nada tem a ver com a evolução dos Biólogos. Vcs têm a mania de usar o argumento da entropia e concluem ás avessas. Na verdade a consequência da segunda lei da termodinâmica é uma aumento da estruturação material do Universo. Existe dissipação de energia calorífica que aumenta sempre a entropia global, mas existem Leis implacáveis que provocam agregação da matéria enquanto o universo esfria. E assim surgem galáxias, estrelas, planetas, cristais de gelo, e todo o tipo de formações espontâneas de complexos, e vida.

Outro espantalho é a seleção natural. Dizem vcs que a seleção natural não é criativa, tudo o que faz é eliminar. Isso é falso. A seleção natural é criativa. A seleção natural permite a acumulação de mutações favoráveis que podem depois ser recombinadas de várias formas em gerações sucessivas. É aqui que reside o grande poder e criatividade da seleção natural na evolução.

O Registo Fossil é outra coisa bastante esclarecedora. Mas parece que vcs pretendem que tem de existir uma espécie de filme da evolução em fósseis. Mas o processo de fossilização é raro. Mesmo assim é revelador o que temos. Especialmente a transição de formas simiescas para o ser humano. E depois o registo fossil é coerente. Vcs não vão encontrar fosseis hominideos em estratos de dinissauros e vice-versa.

A coerência que existe entre as arvores anatómicas e as árvores genética, que mostra as mesmas relações deparentesco. A Unidade Bioquímica e genética da vida, a distribuição biogeográfica das espécies (o exemplo das espécies em anel, que demonstram categoricamente como as espécies não são essências mas coisas que evoluem para outras espécies reprodutivamente isoladas). Também isto mostra a força da ideia da evolução.

Outra coisa é a deturpação do que a ciência é. Parece que para vcs a provas têm de ser palpáveis. Mas em ciência há evidências directas, indirectas e depois temos as inferências. Desde que a inferências sejam coerentes e logicamente consistente, elas são ciêntíficas. A Macroevgolução, por exemplo, é uma inferência da microevolução. E esta inferência é suportada até por fenómenos de especiação observados directamente. Estou a referir-me a casos de poliploidia observados em Plantas e alguns insectos. Portanto a ideia de que as espécies são imutáveis é absolutamente falsa, já que se fizeram observações directas de uma espécie se transformar noutra (como já referi no exemplo da Poliploidia).

Prezado Miguel, salve Maria!

É uma alegria poder responder a uma consulta vinda de tão longe.

Porém, é uma tristeza saber que as mesmas bobagens que se repete por aqui, são faladas no velho mundo.

Reparo que sua carta traz um pouco mais de pensamento que as cartas que costumo receber. Contudo, há sofismas do mesmo modo, senão os mesmos, além das extrapolações indevidas.

Em primeiro lugar, é necessário que se saiba que nós católicos atacamos a teoria da Evolução porque ela leva a erros contra a fé, mas também porque não condiz com a realidade dos eventos observados na natureza. Eventos naturais mensuráveis – por si sós – não podem jamais ser objetos do estudo da evolução. É necessário somar ao evento o princípio do processo evolutivo, para então se chegar a uma explicação evolutiva. Isso se chama petição de princípio.

Você nos diz que a dissipação de energia no Universo leva à estruturação material deste. Isso não é verdade. Há, certamente, acomodação material em
estruturas – às vezes – complexas, mas a formação de estruturas frágeis ou instáveis não é uma tendência do universo. Isso é óbvio. Não há  possibilidade alguma de um complexo protéico, com toda sua instabilidade e especificidade, aparecer apenas por rearranjo molecular ou reações exotérmicas naturais. Fazer a analogia entre a formação das galáxias e a formação de nucleotídeos é uma incongruência.

Aliás, se há dissipação de energia no universo é porque em algum momento toda a energia encontrava-se concentrada. E de onde veio essa energia toda? Todo efeito tem que ter uma causa.

Quanto à seleção natural, como o próprio nome diz, ela seleciona, não gera. Se houvesse realmente a faculdade de se recombinar mutações até a geração de um novo ser, ela não deveria receber esse nome. A seleção natural seleciona indivíduos e não genes. É a falácia do “gene egoísta”, do selecionista Dawkins que atribui tanta importância à seleção natural como uma força evolutiva. E, no entanto, os neutralistas não encontraram essa seleção positiva que querem os selecionistas, mas uma seleção negativa e eliminadora de variabilidade. Já ouviu falar no “vigor do híbrido”?

Além disso, os selecionistas têm o hábito de atribuir a esta “força evolutiva” um fator de progresso. Porém, só poderia haver seleção natural com efeitos
evolutivos se houvesse de fato um freqüência de mutações viáveis proporcionada. Entretanto, essa freqüência não ocorre nunca. Ao contrário, ela opera
contra a teoria da Evolução. Mais uma vez, os fatos estão contra Darwin. Quem é anticientífico aqui? 

Nunca alegamos que seria necessário haver registro de todos os eventos evolutivos para que se provasse algo. Seria necessário haver fósseis intermediários, apenas. Estes é que não existem. Fóssil intermediário é aquele resultante de um indivíduo que não era nem um ser nem outro e que apresentaria caracteres de transição evidentes. Para isso, temos que considerar que as espécies são entidades taxonômicas reais e não apenas
operacionais. E quem diz isso são os próprios evolucionistas, como Eliot Sober, apenas reafirmando uma verdade há muito conhecida.

Mas, voltando aos fósseis intermediários, eles não existem, pois nunca houve transição. Não há como um ser ter um osso que não é nem mandíbula nem ouvido. Isso não pode ser nunca adaptativo. Registros fósseis há muitos. Certamente não há registros de fósseis humanos em camadas de dinossauros, pois eles não viveram juntos. Mas todos os registros são de espécies fechadas. Mesmo entre os homens e símios. Leia um pouco sobre os fósseis humanos e símios em outros artigos deste site.

Em se tratando de árvores filogenéticas, é natural que haja semelhanças entre a anatomia e os genes. O que não há são ramos. Ligar indivíduos por parentesco, construir clados, é mais uma extrapolação indevida dos evolucionistas. As árvores são baseadas em matrizes de caracteres e na escolha de grupos externos arbitrários, tidos por derivados ou primitivos de acordo com uma opinião mais ou menos consensual entre os evolucionistas. Eis aí o clássico pensamento redundante, a tautologia evolucionista. Este grupo é derivado porque aquele é primitivo. O primitivo, por sua vez é assim, baseado em outro que é derivado. E assim se vai, de evolução em evolução, de lugar nenhum a nenhum lugar.

E o criacionismo é anticientífico…

Anticientífica é uma teoria que constrói seu núcleo, seu cerne, sobre um terreno como que furtado. Quero, com isso, dizer que as evidências que um evolucionista utiliza para fundamentar sua ideologia não são apropriadas para isso. É como se fazer um bolo de morango valendo-se de abacaxis. E que abacaxis. A chamada “micro-evolução”, que nada mais é do que uma variação acidental intra-específica ao longo de gerações, passa a ser o alimento único da “macro-evolução”, que são alterações formais que geram especiação. E para que a evolução seja tragável, inclui-se a unidade “micro” e “macro”, como se fossem apenas dimensões numa escala, enquanto que se trata, respectivamente, de variação e transformação, envolvendo variedades e formas.

A poliploidia em plantas e insetos, a que você atribui por especiação, na verdade não passa de eventos de variação intraespecífica. Há que se considerar aí que não vale em absoluto o conceito biológico de espécie, proposto por Mayr. Não é à toa que já foram propostos outros conceitos, uma vez que o
conceito biológico é falho.

Se eu descrevo uma população A como espécie A, distinta da população B, descrita como espécie B e, em algum momento, elas se mostram intercambiáveis, mesmo que raramente, isso não prova a evolução, não há especiação evidente.

Recentemente, pesquisadores verificaram que algumas espécies de moscas do gênero Rhagoletis seriam tão semelhantes que, quando se cruzavam, geravam um híbrido com atributos de uma nova espécie (“Folha de São Paulo”, 28/07/05). Ora, a notícia diz que as espécies são “praticamente idênticas”, diferindo apenas no comportamento. Portanto, não é possível se afirmar com total segurança que são, de fato, espécies distintas. No entanto, o desejo de se ver comprovada a Evolução é tanto, que a primeira coisa que se conclui é que esses eventos podem ser comuns na natureza e a especiação por hibridização um evento freqüente. 

Inferências? Ou má fé?

É por essas e outras que o Evolucionismo está, aos poucos, caindo em descrédito, mesmo nos meios acadêmicos, sobrevivendo apenas como um fantasma prestes a assombrar quem negar sua existência. O evolucionista tem medo de fazer uma afirmação contrária à teoria. Medo do quê? De que Deus exista e seja seu criador?

Do evolucionismo, livrai-nos Jesus,
Fábio Vanini

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