Montfort Associação Cultural

18 de agosto de 2010

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Criação da luz

Autor: Fábio Vanini

  • Consulente: Antonio Almi de Oliveira
  • Localizaçao: Nova Santa Helena – MT – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Servidor Publico
  • Religião: Protestante

Irmão, estou cursando engenharia civil, e na aula de ecologia o professor colocou duvida no texto biblico de genesis 1, em relação a obra da criação, dizendo ele que Deus fez a Luz no 1º dia e o Sol somente no 4º dia, dizendo ele que nesta parte a Biblia se contradiz, como a luz surgiu no 1º dia e o sol só no 4º.
Fiquei preocupado e disse a ele que a Luz do 1º dia pode não ser o mesmo sol, e fiquei de pesquisar para levar á sala a resposta sobre esta questao.
Por favor me ajude

A Paz do Senhor

Toninho

Prezado Antonio, salve Maria!
 
            Agradeço-lhe a confiança, pois, apesar de ser protestante, confiou a explicação dessa aparente contradição bíblica aos católicos, pois somente na Igreja Católica está Pedro, a quem Cristo deu as chaves do Reino dos Céus. No entanto, irmãos na fé são somente os que têm Deus por Pai, Maria por mãe e um único Credo por sinal de unidade.
            Com relação ao que nos foi questionado: detectar uma aparente contradição entre dois versículos da Bíblia e utilizá-la para desautorizar ou desmoralizar os escritos sagrados é próprio de professores ateus e vaidosos, que supõem, com muita malícia e pouca sensatez, que isso nunca foi reparado ou resolvido em dois mil anos de exegese, santos doutores e sábios cristãos.
            Evidentemente, não se trata de uma contradição. É uma maneira, sim, do hagiógrafo peneirar os muitos incautos leitores da letra – pois “a letra mata”.
            No primeiro dia da criação, Deus fez a luz. No quarto dia, Deus criou um astro que emana luz, pois a contém. Ora, a luz, enquanto ser, não vem somente do sol, mas é um componente do sol enquanto astro luminoso. Sabendo-se que é necessário que os componentes existam antes do ser composto, conclui-se que a luz deva existir antes do sol.
            Portanto, no primeiro dia Deus criou a luz enquanto ser. Curiosamente, os cientistas dizem que o Big-bang foi uma explosão de luz.
            Mas deve-se ir mais além. Há uma aparente contradição ainda maior, que seu atrevido professor não alcançou. Como poderia Deus ter criado a luz no primeiro dia, o sol somente no quarto dia e, desde o inicio da criação, já serem contados os dias, que são unidades de tempo baseadas exatamente numa relação entre a Terra e o Sol?
            Primeiramente, na narração do Gênesis, lê-se que, após separar as trevas da luz, a luz foi chamada “dia” (Gn, I,4-5). Portanto, O “dia” precede a unidade de tempo de 24 horas, assim como há nomes diversos para as várias unidades de medida de distancia (metro, polegada, etc). Mais ainda, o “dia” equivale à luz, que torna tudo claro, que permite a distinção dos seres, outrora escuros pelas trevas da ignorância e da indistinção. Ora, é na manhã do dia que os objetos tornam-se distintos, antes obscuros pela escuridão da ausência do dia. Quando Deus separou a luz das trevas, fez uma distinção conceitual, como uma manhã de ensinamentos, distinguindo os palavras, esclarecendo nossa inteligencia. Portanto, saímos de uma tarde, do lusco-fusco da ignorância, para entrarmos na manhã do conhecimento: primeiro dia, que é o inicio, no tempo e na ordem ontológica, da sabedoria.
            No segundo dia, Deus separou as águas entre si e águas do firmamento. Novas distinções, novos esclarecimento, nova manhã: segundo dia de conhecimento. E assim vai…
            Isso explica uma terceira aparente contradição. Por que o dia contado começa na tarde e termina na manhã? A razão disso está no fato de que não se trata de um dia de 24 horas, mas um dia de claridade intelectual, quando se passa da ignorância para o conhecimento, pois Deus criou tudo “no princípio” (Gn I,1) e “no principio era o verbo” (Jo I,1), isto é, Deus criou tudo em seu Verbo, que é a Sua Sabedoria. Logo, toda a criação vem da Sabedoria de Deus e é cheia de verdades para iluminar a inteligência do homem, que, para compreender, faz distinções.
            No quarto dia, Deus criou “luzeiros” que seriam sinais para distinguir o dia da noite e marcar os tempos. Logo, o “dia” de 24 horas é uma unidade de tempo baseada numa relação entre o Sol e a Terra, análoga ao “dia”, que é a luz, criada no primeiro dia do tempo da criação.
 
            Logo, o Universo não foi criado em seis dias de 24 horas, como interpretam muitos protestantes.
 
            Espero poder ter ajudado.
 
            No Coração de Maria Santíssima,
            Fabio Vanini.

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