Montfort Associação Cultural

27 de janeiro de 2005

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Correções sobre a Renovação Carismática

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: anonimo
  • Localizaçao: – Brasil

“Li o artigo sobre renovação carismatica, que esta no endereço: http://www.montfort.org.br/perguntas/rcc.html.
Venho por meio desta esclarecê-los sobre algumas informacoes erradas publicadas ali, em relação a renovação carismática católica, sendo que vocês um veículo de comunicação de massa, não pode deixar de verificar e corrigí-los:
1. A renovação carismática nasceu na Igreja Católica Apostólica Romana. Em Atos dos Apóstolos capítulo 2, os apóstolos recebem a efusão no Espírito Santo e a partir daí começam a evangelizar. São Pedro (1 Papa, instituído pelo próprio Jesus), vai até o povo, discursa, onde cada um o ouvia em sua língua materna (então ele falava em línguas) e converteu muitas pessoas ali. Logo, o primeiro ato da Igreja de Jesus, após sua assenção ao Céu, foi através do Espírito Santo.
2. Todos os dons e carismas usados hoje na renovação, já haviam sido inspirados nas primeiras comunidades Cristãs. Lendo a segunda carta de S. Paulo aos Coríntios, S Paulo instrui os membros daquela comunidade, de como eles deveriam usas os dons.
3. Se vocês puderem se informar melhor, a renovação carismática católica, é um movimento que esta sucitando vocações para sacerdócio e vida religiosa consagrada, em todos os seguimentos. Sendo, ainda, que todos os que começam a participar do movimento começam a ter uma participação mais ativa e profunda das celebrações e sacramentos da Igreja. Então sua afirmação sobre a renovação: ” Com efeito, se o homem pudesse receber o Espírito Santo na forma como o afirmam os carismáticos, a pessoa ficaria sem precisar de sacramentos. Também não seria mais necessário o clero, porque cada um se relacionaria diretamente com Deus. ” é de total responsabilidade do editor deste site. Mesmo porque como foi o Espírito Santo que criou a Igreja (com sua hierarquia e sacramentos) e é este que nos efunde também, como poderia esse Espirito nos separar ?
4. Quanto a afirmação “fé sem razão” , convido-os a adquirir um livro da Comunidade Canção Nova (que é interiamente Carismática) que se chama “Fé e Ciência”, do Prof Felipe Aquino. Este livro os ajudará a ver que não vemos a Fé sem a razão, pois ambas vem de Deus. Em relação aos ” livros esses nos quais abundam os erros doutrinários, especialmente teses gnósticas”, gostaria de salientar que a Frente Nacional da Escola Paulo Apostolo, conta com muitos teólogos da Igreja, que até então, não verificaram nada de errado.
Alem de tudo o que citei acima, o movimento conta com o apoio do proprio Papa João Paulo II e da CNBB.

 

Agradeço sua carta, que procura alertar-nos sobre o que dissemos a respeito da Renovação Carismática. Com prazer iremos adquirir e estudar o livro que o senhor nos recomendou, e, caso estejamos errados, não titubearemos em retratar o que dissemos.
Pedimos, porém, que o senhor também procure verificar o que informamos. Estaremos prontos a conversar com o senhor, visando o esclarecimento da verdade.

Uma primeira observação que lhe fazemos é que o senhor incorre em grande erro histórico quando diz que a renovação carismática nasceu no dia de Pentecostes. Até o nome de Re – novação indica que ela confessa ser o reinício de algo que foi interrompido. Logo, ela não nasceu no dia de Pentecostes. Só pretende ser a cotinuação ou a retomada do que aconteceu em Pentecostes.
Ora, o que aconteceu no dia de Pentecostes foi exatamente o contrário do que acontece hoje com a RCC. No Pentecostes, o senhor diz bem, São Pedro falava uma língua só e cada um entendia o que ele dizia em sua própria língua. Na RCC, cada um fala uma língua que ninguém entende. O que acontece na RCC mais se parece, então, com o que aconteceu na torre de Babel, onde cada um falava uma língua e ninguém mais se entendia.

Como o senhor deveria saber, o movimento carismático teve origem em seitas protestantes. Foi no século XVII que os hereges Pietistas difundiram a crença de que era possível receber o Espírito Santo, e falavam em línguas que ninguém entendia. O Padre Booz, na Baviera, imitou o movimento carismático dos Erweckten ( Despertados) de caráter Pietista e foi , por isso, condenado pela Igreja.

No século passado, durante a expansão americana para o Far West, os protestantes yankees difundiram a prática de invocar o Espírito Santo. Ficavam entao possuídos — diziam eles pelo Espírito Santo — e falavam línguas que ninguém entendia.

Foi isso o que estudantes universitários católicos começaram a imitar neste século, dando início ao atual movimento carismático. ( Leia o que informa S. Falvo no livro “A Hora do Espírito Santo”, edições Paulinas São Paulo 1986, p.31). Estas informações podem ser encontradas e conferidas em muitos livros, mesmo dos carismáticos.

Que o movimento carismático atual entre os católicos é a continuação do movimento pentecostal protestante é reconhecido por muitos autores carismáticos. Veja, por exemplo, o que se lê no livro Os Carismas de R. Laurentin, E. Dussel, L. Boros e C. Duquoc, editado pela Vozes em 1970, na página 16:
“Damos por suposta uma continuidade entre neopentecostalismo católico e pentecostalismo protestante dos anos 1900, bem como entre este e o “revivalismo” americano do século XIX. Essa continuidade é verificável e declarada ( embora relativizada na declaração)”

Portanto, a RCC não começou no Pentecostes, e sim nas seitas protestantes, e, como elas, produz o mesmo efeito que Babel.

Os carismáticos alegam que recebem e possuem os mesmos carismas que o Espírito Santo difundiu em larga escala no nício do Cristianismo. Entretanto, já no tempo de São Paulo houve abusos e ilusões com falsos carismas de línguas. Por isso São Paulo, na I carta aos Coríntios, previne os cristãos de que “o Reino de Deus não consiste em palavras, mas na virtude”( I Cor. IV, 20)

O mesmo São Paulo confirma esta idéia, pouco depois, na mesma Primeira Carta aos Coríntios, quando adverte: “”Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como um bronze que soa , ou como um címbalo que tine. E ainda que eu tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e tivesse toda a fé, até o ponto de transportar montes, se não tivesse caridade, não sou nada “( I Cor. XIII, 1 – 2) .

Leia esta carta do Apóstolo e o senhor lá encontrará palavras que parecem ser dirigidas exatamente aos carismáticos atuais. Por exemplo :
“Assim pois, irmãos, se eu for ter convosco falando em diversas línguas, de que vos aproveitarei eu, se não vos falar ou com revelação, ou com ciência, ou com profecia, ou com doutrina ? ” (I Cor. XIV,6).

Assim também , o que adia`nta aos carismáticos falar em línguas que ninguém entende, se não transmitem essas línguas a doutrina correta ? E se o senhor quiser verificar o que dissemos de erros muito graves de doutrina em livros carismáticos, basta ler as obras de S. Falvo editadas pelas Edições Paulinas ( noutra carta ao senhor as comentarei, se Deus quiser).

Os carismáticos atuais se arrogam possuir o carisma das línguas sem compreender o que dizem. Cabe então a eles outra advertência de São Paulo, que escreveu : “”Assim também, se falando uma língua, não fizerdes um discurso bem inteligível, como se entenderá o que dizeis? Falareis ao vento. ” ( I cor. XIV, 9).

Quanto ao surgimento de vocações religiosas entre os carismáticos, se existirem, que Deus as abençoe. Mas, pelo que leio do senhor, parece-me que o senhor é novato na RCC. Esse movimento já tem algumas décadas e não produziu ainda o repovoamento dos seminários e dos conventos. Produziu, sim, agitação e cerimônias caóticas, missas com danças espantosas e frenesi, nas quais muitas vezes há verdadeiras profanações, infelizmente.

Finalmente, o senhor lembra que o Papa João Paulo II elogiou a RCC. Isto é importante, mas não decisivo. Também São Pio X, Papa e Santo canonizado, elogiou o movimento do Sillon, ajudando esse movimento a crescer. Anos depois, ele mesmo condenou o Sillon na Carta “Notre charge apostolique”confessando quie o Sillon o enganara com suas aparentes virtudes.

Agradeço-lhe a indicação do livro do Professor Felipe Aquino intitulado “Fé e Ciência”que vamos adquirir e analisar.
Oportunamente voltaremos a manter contato com o senhor, para analisar alguns graves erros de doutrina encontrados em livros pentecostais ligados a RCC, visando elucidar pessoas de boa vontade que foram iludidas por esse movimento, sempre tendo em vista a compreensão da verdade católica na caridade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Entrementes, nos subscrevemos
In Corde Jesu semper
Orlando Fedeli.

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