Montfort Associação Cultural

30 de agosto de 2006

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Conversão e confissão

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Rafael Valore
  • Idade: 26
  • Localizaçao: Curitiba – PR – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Estudante
  • Religião: Católica

Prezado Professor Orlando Fedeli e Caríssimos Irmãos Da Montfort
Que o Senhor os abençoe até a milésima geração

    É muita satisfação me dirigir a vós. Eu sou Rafael Valore, tenho 26 anos, faço curso de Licenciatura em música, na Faculdade de Artes do Paraná. Moro em Curitiba, uma cidade bem  idólatra aliás. Minha religião é um “caso à parte”. Passeei e flertei com tantas torpezas, que minhas entranhas embrulham…Quão longe fiquei do Cristo…
    Hmm…Nossa, como começar? Achei este site por acaso.Comecei a ler, sem saber ao certo  se era protestante, novaera, conspiracionista, gnóstico, como a maioria que existe na  internet. Cada dia eu lia um pouco. Já devo ter lido uns trinta artigos, de todos os assuntos.
    À medida que lia, me deparava com algo conhecido, que eu já tinha aprendido; mas que de tanta exposição à novaera meu corpo sozinho fez questão de esquecer. E esse “algo” que me referi era o ensinamento do Cristo: as aulas que tive de catecismo. Era a sã doutrina que cauterizou quando apostatei. Muita música e televisão quando garoto. Já tinha perdido o meu discernimento, eu constato agora, que relembro as palavras do Cristo na sua totalidade.

    Vejam bem, nunca reneguei Cristo, mas vejo agora que estava selecionando o que me era conveniente acreditar.Me achando cristão, sem tomar parte na boa obra.
    E me esquecia de Deus, cada vez mais distante. Mas estou lembrando. Lá no fundo eu sei que  Deus é meu amigo. Este mundo de hoje vê a Deus de tão longe…Mas algo começou a mudar. 
    
    Na ocasião, não pecebia a gravidade da minha atitute. Mas com o passar dos meses, e tendo a graça de receber de volta a minha razão, noto agora minha atitude equivocada em todos os momentos, e só me resta pedir perdão à Deus. Ao olhar friamente pra minha atitude,como pude nutrir ódio (até  pelos sacerdotes), o que nem me é próprio, entendi o quão longe tinha ido do Cristo.
    Essa constatação me assustou profundamente, pois de alguma forma eu sei que ainda não estou convertido, e que é pra ontem. E nesse momento, no auge da apostasia, Deus subitamente me mostrou os senhores. Difícil tratar da minha conversão por carta, eu penso.
    Estou a tantos anos longe da Igreja que nem me lembro mais quantos…Um dos príncípios falsos de Satanás é de que todos são apóstatas, e não há quem siga o Cristo …
    E os senhores tiveram papel fundamental aqui…À medida que lia as missivas, via ali  os princípios que joguei fora um dia, e que já estavam todos distorcidos nas minhas  concepções. Aprendi então como me tornara “tolerante”. E como vivi aproveitando os prazeres da juventude, fruto da concepção errada e modernista de pecado.
    Eis que apostatei.
    E a minha mente se tornou preguiçosa em extremo. Mas não é mais como se nunca tivesse  ouvido a Palavra do Senhor, agora que a lembrei. Como eu pude esquecer o Cristo, e tudo que me fora avisado sobre falsas doutrinas? E veio tudo junto num turbilhão, finalizando com  as considerações de São Paulo em Hebreus de que é impossível (muito difícil, espero) para
o apóstata voltar à fé.
    Eu tinha mais sete Demônios para alimentar…E mais sete, e mais  sete, pra cada falsa conversão. A minha vontade se virou pra outro lado. Cansei da apostasia.
    Acho agora que só fui cristão mesmo quando era garoto. Ainda não me converti, mas posso agora discernir vários erros meus. Graças a alguns testemunhos da Verdade. Não sabem o  bem que me fizeram, senhores. Obrigado por testemunhar o Cristo.
    Eis que Um insistente  (graças!) e muitíssimo misericordioso Cristo bate novamente. E desta vez estou louco pra abrir, embora não saiba como. Mas sei o que eu quero agora. Melhor anos de guerra  com Cristo que um segundo de paz com Satanás. Mas não sei nem em que paróquia devo ir.
    Devo ser batizado e crismado tudo novamente ou uma mudança de proceder bastará?
    Perdoem minha ignorância, mas não sei mesmo.
    Enquanto isso tremo e sacudo a cadeira de emoção a cada conversão, a cada esclarecimento, certo de que neste cantinho à parte da internet (verdadeiro veículo de proliferação de torpezas) eu encontrei os verdadeiros servos do Senhor.
    Desde então, acho que minha fé está voltando, porque no meio da aula na faculdade,  eu me pego pregando, e repetindo as refutações que aprendi aqui, por conta das quais, é claro,só recebo risinhos dos alunos e vilipêndios de professores. Mas ao duelar com a filosofia, com a sociologia e todas outras disciplinas utilizando-me de vossas refutações e esclarecimentos, no fim,só obtenho o silêncio.Já tinha me acostumado ao  relativismo, e respeitar tanto a opinião dos outros, mas agora que não suporto nem ficar calado, algo não me permite, e tenho visto que com facilidade posso agora refutar Nietzsche, ou o Evolucionismo. Nisto há em mim também uma perigosa dose de vaidade, mas eu quero me gloriar no Senhor, e não em mim mesmo.
    Peço, não; imploro, auxílio; para começar a ter parte na boa obra, seja o que preciso for.
    Esta missiva está bem longa, e terminarei com umas questões (se houver alguma utilidade podem publicar).

    É claro que estão acostumados a questões, e nesta matéria não desapontarei.
    Por favor, o que faço eu?

    Minha profissão é tocar rock, e também outros ritmos dos quais muito embora eu tenha retirado toda agressividade e lascívia em minhas composições próprias, pensando assim anteriormente que não se ofendia ao Senhor, sou obrigado a concordar na condenação do rock (ou mais própriamente de toda arte laica), que não junta, mas espalha. Mas todos os outros ritmos também podem ser obscenos, o que restringiria o trabalho do cristão a músicas de louvor. Por gentileza gostaria de saber se é esse o caso. Posso, por exemplo, tocar músicas laicas, e ao tocar uma música que em algum ponto fere a doutrina, explicar à audiência o ponto de erro?
    

    Agradeço muitíssimo o tempo tomado dos servos do Senhor. Perdoem minhas frivolidades.
    Por favor me informem como posso contribuir, todas as formas; e se houver como me associar nutro profundo interesse.Eu não recebo ainda, mas tenciono pagar o dízimo à Igreja como é da Lei, assim que for assalariado.
    Que se dilatem os dias e as graças desses de quem ouço a doutrina do Senhor.
    Afetuosamente, de seu mais novo e entusiasmado aluno,

Rafael Valore

Muito prezado Rafael, meu caríssimo novo aluno,
Salve Maria.
 
     Que alegria sua carta me deu!
     Que alegria receber um novo aluno que vem de tão longe!
     Que felicidade constatar que a misericórdia de Deus a ninguém falta!
     Sua carta é realmente comovente, e fará muito bem sendo publicada, tanto ela deixa patente a misericórdia de Deus que nos procura, mesmo quando fugimos para bem longe dEle.
     Graças sejam dadas a Deus por sua conversão.
     E me apresso a lhe dizer que você não precisa ser batizado ou crismado de novo. Esses sacramentos só se recebem uma vez, e nunca são revogados, ou apagados, por nossos erros.
     Em seu caso, basta uma confissão bem feita, para regularizar tudo em sua vida.
     Estava eu para ir a Curitiba dar palestras sobre liberalismo e romantismo. Pensava ir o quanto antes. Agora, conhecendo o seu problema, faço questão de ir ainda mais cedo do que eu pensava. Não vejo a hora de conhecê-lo pessoalmente, para dar-lhe meu abraço de irmão em Cristo. Um abraço de alegria por sua conversão.
     Enquanto não posso ir pessoalmente ajudá-lo, coloco-o sob a guarda de Nossa Senhora, pedindo a Ela que o proteja de todo mal, e que Ela lhe alcance as graças de que você mais precisa agora. 
     Nossa Senhora, que guarda tudo o que colocamos sob sua materna proteção, há de bem guardá-lo. Porque Ela é boa. Ela é muito boa. Ela é sempre muito boa.
    É sob a guarda dessa boa Mãe que o coloco, dizendo em prece a Nossa Senhora: “Posuimus Te custodem”. “Guarda esse moço!”
    Tenha pois, confiança. Tenha muita confiança em Deus, que é tão bondoso.
    Verei se posso ir a Curitiba, levando comigo algum aluno meu que seja músico profissional, para ajudá-lo.
    Creio que você deverá aproveitar seus dotes musicais e utilizá-los para melhor servir a Deus Nosso Senhor.
    Veremos como se poderá fazer isso, do modo mais perfeito e mais fácil para você.
    Que alegria ao ler sua carta! Que alegria receber um novo aluno, e que vem de tão longe!
    Deus seja louvado! Porque, neste dia, um filho voltou a Cristo, nosso Redentor e nosso Pai!

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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