Montfort Associação Cultural

17 de novembro de 2005

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Convencimento da Verdade

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Fabrício Brandão
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Estudante

Caros Professor Orlando e outros

Primeiramente quero explicar que, apesar de não conhecê-lo, chamo-lhe caro professor pois vejo que o senhor é uma pessoa rara e eu tenho aprendido muito com o seu trabalho e com o trabalho da equipe deste sítio (Armellini, Libório, etc.)
Eu admiro, muito, a franqueza, racionalidade, logicidade e até uma certa aspereza com as quais o senhor defende sua fé. Isto nos passa muita convicção e legitimidade de sua parte. Tenho a impressão de que o senhor sabe dosar de forma equilibrada dureza e brandura, repreensão e elogio, típico de um verdadeiro preceptor, um mestre que não só diz o que tem de ser feito, mas que faz o que diz. O senhor me passa também a imagem de um cavaleiro medieval, defensor da Cristandade, um vassalo cujo suserano é o próprio Papa. Lembro-me aqui da passagem de II Timóteo 2,15 “procura apresentar-se a Deus, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.”
Leio muito o conteúdo deste sítio, e como ainda não aufiro renda, não tenho contribuído para a manutenção do mesmo.
Antes de escrever o objeto propriamente dito desta carta peço-lhe desculpas caso me alongue muito no decorrer da mesma.
Gostaria de relatar-lhe sucintamente a história da minha religiosidade.
Após o meu nascimento, fui batizado na Igreja Católica, a igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na pracinha do bairro do Grajaú, zona norte da cidade do Rio de Janeiro. A partir deste dia, nunca mais retornei à Igreja Católica (meus pais não eram católicos praticantes, eram “católicos”).
Pouco antes de se separarem, minha mãe converteu-se em protestante e conseqüentemente eu também passei a ser protestante. Eu tinha 4 anos de idade.
Hoje são ao todo 19 anos de protestantismo e confesso que há, realmente, nele, sinceridade de coração em servir a Deus, mas, talvez, da forma errada. Não digo de conteúdo pois para mim, a moral que vale para católicos deve valer para protestantes pois advém de normas de conduta pessoal e social tiradas, suficientemente, do Novo Testamento, o qual contém o mesmo cânon, tanto na Bíblia católica quanto na Bíblia traduzida por João Ferreira de Almeida. Mas, como às vezes o vício de forma contamina todo o ato…(por favor professor, corrija-me se eu estiver errado)
Durante 18 anos desses 19, fui informado de que a Igreja Católica era idólatra, adorava Maria e estátuas, orava em favor dos mortos, que o Papa introduziu livros não inspirados na Bíblia e tudo o mais que é argüido nas cartas enviadas a este sítio.
Ocorre que, eu comecei a comparar o que estava escrito nas páginas sagradas da Bíblia com a doutrina seguida na minha igreja e notei o seguinte: coisas que estavam determinadas, claramente, nas Sagradas Escrituras não eram exercitadas ou eram de maneira secundária; coisas que não estavam claramente determinadas eram exercitadas com prioridade. Porém, o fato de saber se algo está claro ou não nas Escrituras, já é em si mesmo um ato de interpreta-las. Então passei a questionar não só a doutrina da minha igreja mas também a interpretação que lhe davam. Vi que por causa da interpretação, cada igreja evangélica tinha a sua própria doutrina (eu pesquisei e visitei outras denominações). Com isso, principiei a fazer-me (sozinho) diversos questionamentos, entre os quais:

Por que cada denominação tem sua própria “doutrina”? A Bíblia admite várias leituras? Ou a doutrina de Cristo é uma só?
Por que razão quando pertenço a uma determinada denominação e digo que vou apenas visitar outra (também evangélica) sinto uma certa resistência? Por que quando se ouve falar que um irmão saiu de nossa congregação e foi para outra, comenta-se: “o que importa não é a denominação e sim continuar no caminho de Deus” mas o que se sente na verdade é um sectarismo latente em cada denominação? Logo, vê-se a hipocrisia do comentário que se faz.

As distinções entre as denominações protestantes variam de pequenas diferenças até grandes pressupostos de fé e verdade divina.

Foi, então, navegando pela Rede, através de sítios sobre religião, que encontrei alguns sítios católicos. “Devorei” a parte de apologética deles e observei que os argumentos pró-católicos eram coerentes em detrimento do protestantismo: sola scriptura x Tradição, sola fide x o valor das obras para salvação, purgatório, Primado de Pedro, infalibilidade, etc. Conheci por derradeiro a Associação Cultural Montfort.

Desde então passei a estudar mais a Fé Católica, li alguns pontos do Novo Catecismo, em especial, o que fala sobre os Sacramentos e instantaneamente passei a amá-los e a crer no valor deles. Eu os entendi e, conseqüentemente, cri neles (intelligo ud credam). Hoje enxergo o valor da Eucaristia (transubstanciação), a beleza da Confissão, da Penitência, da Extrema-Unção. Tenho vontade de tornar-me católico de verdade, porém deparo-me com algumas questões: por observar pessoas católicas em geral, percebo que o senhor é bem diferente dos católicos que eu conheço ou com quem conversei. Parece que o senhor conserva os verdadeiros valores da Igreja que são imutáveis. Li em algumas cartas sua afirmação de que o Concílio Vaticano II trouxe mais problemas para a Igreja do que verdades. E que o Papa João Paulo II teria afirmado conter aquele concílio apenas “idéias” e não dogmas. O senhor também aconselhara um leitor a ler o Catecismo Tridentino pois este seria a melhor expressão do Catolicismo. Disse ainda que padres realmente consagrados e compromissados com o Papa são raros hoje. Daí pergunto: em que lugar aqui no Rio de Janeiro posso beber da verdadeira fonte? Que editora publica o antigo Catecismo de Trento? Com que padre eu posso conversar? Em que documentos da Igreja encontram-se os erros modernistas e relativistas do Vaticano II para que eu tome o cuidado de não aprender errado ou até mesmo para que possa evita-los agora, num primeiro momento. O senhor conhece alguma igreja aqui na cidade do Rio em que se celebra a missa em latim? Eu anotei os documentos pontifícios que o senhor indicou ao leitor na carta “Orientação para Estudo”. Em relação ao modernismo e relativismo religioso atual, como era o Papa João Paulo II e como é o Cardeal Ratzinger ? O que o Papa Bento XVI pensa sobre o Concílio Vaticano II ?

Agradeço-lhe desde já a sua atenção,

Fabricio

Muito prezado Fabrício,
salve Maria!
 
    Agradeço sua palavras sobre o meu apostolado e sobre o modo de fazê-lo. Deus lhe pague.
    Claro que o fato de você me considerar seu professor só me honra e que o tomo eu também como meu aluno virtual, desejando o quanto antes vir a conhecê-lo pessoalmente.
    Ao tratar de sua conversão, em sua carta brilha a sinceridade com que sua alma busca a verdade revelada por Deus, e ensinada por sua única Igreja, que é a Católica Apostólica Romana.
    Rezo a Deus que o ilumine com sua graça fazendo com que compreenda cada vez melhor a verdade da Igreja. E dou graças a Deus que o conduziu admiravelmente até o ponto de reconhecer e amar os Sacramentos. Deus a ninguém abandona. Sua carta e o que você narra de sua vida o comprovam.
    Você deve ter lido em São Paulo que “é necessário que venham heresias“, mas ái daqueles que as promovem. Hoje, vivemos num tempo de heresias. De Lutero veio o liberalismo subjetivista, e deste, o Modernismo.
    Para bem conhecer o Modernismo, recomendo-lhe que leia com muita atenção a encíclica Pascendi de São Pio X.
    Indo ao Rio, ou vindo você a São Paulo, lhe darei aulas sobre a Gnose, Romantismo e Modernismo. No site você encontrará algo sobre esses temas.
    O melhor Catecismo é o do Concílio de Trento, chamado também de Catecismo Romano, por exprimir a verdade ensinada pelo Papa, Bispo de Roma a quem Cristo confiou o pastoreio de suas ovelhas.
    Que Nossa Senhora o guarde sempre, é o que lhe deseja este que se rejubila em ser tido como seu professor,
 
in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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