Montfort Associação Cultural

23 de novembro de 2004

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Controle de natalidade no casamento

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Clarisse
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Religião: Católica

Estudei minha vida inteira em um Colégio de freiras espanholas e elas sempre me ensinaram que a Igreja Católica só admite o uso da tabelinha para controle de natalidade pelo casal. Nenhum outro método anti-natural seria aceito.

Ocorre que meu namorado me disse que tenho que ter quantos filhos Deus quer e que não poderia me valer da tabelinha. Ora, nos dias de hoje em que a mulher é chamada a contribuir igualmente para o orçamento familiar e com o alto custo de vida, como cuidar e prover uma família de 10 filhos nos dias de hoje e ainda ter que trabalhar oito horas por dia? Por que fazer uso da tabelinha que é um metodo natural seria errado? Quero amar meus filhos e poder educá-los de forma igual, dando a eles as mesmas condições e oportunidades. Quero estar presente na educação formal e religiosa deles e não vejo porque diminuir as chances de engravidar, sem deixar de cumprir com o dever de coabitação, macula a minha fé católica.

Aguardo uma resposta.

Obrigada.

Muito prezada Clarisse, salve Maria !

Esse é um assunto delicado, do qual só poderei tratar de modo genérico. Os casos mais particulares e mais delicados só podem ser tratados por um prudente e sábio sacerdote.

Falando, pois, de modo genérico, chamo a sua atenção sobre as palavras do novo ritual do Matrimônio, que em boa hora foram colocadas pela Igreja, ao perguntar aos nubentes, na cerimônia matrimonial: “Estais dispostos a aceitar todos os filhos que Deus lhes mandar?”.

Ao que os noivos devem responder : “Sim“.

Portanto, a Igreja exige que, os que se casam, assumam o compromisso de aceitar todos os filhos que Deus lhes mandar.

Portanto, seu noivo tem razão. As freiras de seu colégio a ensinaram mal, e erradamente.

Há também, no novo ritual do Matrimônio, certas palavras que os nubentes devem dizer: que aceitam o cônjuge na pobreza ou na riqueza, tanto quanto na saúde como na doença.

Portanto, ninguém deve casar-se, pensando em ser rico a todo custo.

Se Deus lhes der riqueza, muito bem. Que Ele os ajude a não embriagar-se com a comodidade e com a riqueza que embriagam mais que o vinho. Se Deus lhes der pobreza, muito bem. Que na pobreza lhes dê conformidade, paciência e felicidade, pois não é na riqueza que está a felicidade.

Conheci um verso que cantava a felicidade de dois noivos tão pobres, mas tão felizes, que faziam brindes com os copos cheios de água.

E conheci noivos bem pobres, que eram felizes, e são felizes, brindando com copos de água.Como conheci cônjuges ricos, mas tão infelizes, que ao brindar publicamente com champagne, tinham a alma em pranto, e o coração cheio de ódio.

Lembre-se que Nosso Senhor disse:

“Não vos preocupeis com o que haveis de comer e de vestir. São os pagãos que pensam nisso” (Mt VI, 25 e 32).

É claro que, lendo isto, muitos católicos — e infelizmente muitos padres — dirão que isso é uma loucura. E dizendo isso, eles blasfemam contra Cristo, e se proclamam realmente pagãos.

Portanto, prezada Clarisse, não seja pagã, preocupando-se com o que haverá de comer e de vestir, se você tiver muitos filhos. Deus, que os dará a você e a seu futuro esposo, esse mesmo Deus é que os sustenta e sustentará.

É comum que uma mulher que tenha muitos filhos, viva muito. Como é normal que quem tem muitos filhos, Deus escolha entre eles sacerdotes e religiosos.

Hoje, há mais casas para vender alimentos a cães e gatos do que farmácias. E há mais animais de estimação do que filhos, quando Cristo nos alertou que Não se deve dar aos cães o alimento destinado aos filhos” (Marc VII, 27).

Que Deus Nosso Senhor lhes dê muitos filhos, a coragem de tê-los, e a felicidade por tê-los tido, é o que lhes desejo de toda a alma

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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