Montfort Associação Cultural

14 de janeiro de 2005

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Contradições na Bíblia (Bem Absoluto e Bem Relativo)

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Vobiscum
  • Localizaçao: – Brasil
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Religião: Outras – escreva abaixo

Religião: Deísmo

Gostaria de elogiar a equipe montfort e seu presidente, porque se trata de gente corajosa que afirma sua fé sem demagogias pseudo-democratizantes e pensa filosoficamente com coerência interna. Admiro a capacidade que vejo no senhor Orlando; jamais pensei que católicos pudessem ter tal valor intelectual. Como ele seria um céptico valoroso, se o fosse…

Isso se manifestou claramente quando sr. Orlando se manifestou em um e-mail dizendo que não há contradições na Bíblia e que ela é o único livro verdadeiro.

Apresento então problemas para ele: O mesmo autor sagrado no mesmo livro promove uma contradição : Sb 11,23-26 x Sb 14,9. Na primeira passagem o autor diz que deus ama (e perdoa) a TODOS, não importando que pecado( impiedade) tenham. Na segunda, diz que Deus ODEIA o impio e que o CASTIGA junto com sua IMPIEDADE, como um rei severo.

Há mesmo um problema teológico além da contradição, que é o do ser perfeitíssimo odiar. Não pode haver ódio em Deus se ele é agape e misericórdia em ato puro e se seu ser e sua vontade são imutáveis. Ódio é imperfeição e movimento.

Bem, mesmo assim, ad argumentandum tantum, ou ele odeia o ímpio, ou ele ama a todos, ou castiga o impio, ou a todos perdoa….Como o senhor encara agora o seu livro sagrado ???

Esse livro da sabedoria é racista e justifica o extermínio, inclusive das crianças cananéias, pelas abominações que seus pais cometiam, em todo capítulo 12. Destaco os seguintes epítetos atribuídos ao povo cananeu em Sb 12,10-11, em oposição às qualidades de Israel : são um povo de má origem, de malícia CONGÊNITA e desde a ORIGEM uma raça MALDITA. A malícia congênita não pode ser o pecado original, porque ela é claramente posta pelo texto em oposição a Israel, insinuando que Israel não tenha essa malícia congênita dos cananneus. Ora, Israel tinha pecado original, então não se trata de pecado original aqui, mas de uma maldição natural de uma raça inferior. Isso é confirmado pela explicação que diz que os cananeus são malditos desde a origem, ou seja, naturalmente malditos. Ora, isso é pouco cristão…

Também em Sb 12 são elencadas uma série de atrocidades que os cananeus teriam cometido. O senhor como historiador arguto sabe que a arqueologia inocenta os cananeus daquelas acusações, mas elas só cabem a outros povos da Antiguidade, de influencia helênica, e, não aos cananeus.

Bem, em um só livro de sua Bíblia, vejo uma contradição em um espaço de dois capítulos, pregação do racismo, sem provas e com calúnias contra um povo inocente das imputações listadas.

Ou seu deus é mentiroso, ou é o demônio autor da Bíblia…

Como estou entusiasmado, proponho outras dificuldades para o senhor: O livro dos números diz que o maná era insípido, sem sabor. Já o livro da sabedoria diz que o maná era “o alimento de todo sabor”. Ora, ou tem sabor ou não tem… Como salvar o seu deus dessa ???

Vou arrepiar seus cabelos agora: No NT , compare o que diz Lucas sobre o comportamento dos ladrões crucificados e o que dizem os outros evangelistas.

Escancarada incongruência ! Enquanto lucas conta aquela lenda de que um ladrão elogiava Jesus, os outros evangelistas dizem que Jesus foi insultado pelos dois ladrões, fazendo crer que os dois foram para o inferno, enquanto Lucas diz que um foi para o céu.

Isso tudo sem falar no grão de mostarda…O senhor sabia que existem grãos menores???

Pois é , seu deus não sabe…

Diante de todas evidências, como o senhor continua a defender que não há contradições na Bíblia???? Será por paixão…Nunca é tarde para saber da verdade!!!

Resumo então o que o senhor deverá enfrentar para me derrotar:

1) Sb 11,23-26 x Sb 14,9
2) Racismo e calúnias de Sb 12
3) narrativas contraditórias sobre a crucificação dos ladrões
4) ignorância botânica de Deus.

Não creio que o senhor saia dessa ainda católico, mas convido-o a publicar sua derrota em montfort para beneficiar os cristãos mais ignorantes. Se o senhor me surpreender vencendo essa batalha, vou mandar mais alguns trunfos, que não estão em minha manga, mas em sua própria Bíblia. Estes foram escritos para que os senhores creiam que ela é falsa.

“O obscurantismo aprisiona, mas a verdade liberta. Luzes sobre vós e vosso cérebro.”
“In claris cessat interpretatio”.

Vobiscum

Prezado “Vobiscum”
salve Maria !

Você me elogia e desafia. E me fala como um deista, concluindo sua carta como um freqüentador de lojas, pois que você me deseja: ” Luzes sobre vós e vosso cérebro.”

Voltaire e Goethe não diriam diferentemente…

O desafio, eu aceito. O elogio repilo, porque contraria todo o teor de sua missiva.

Aliás, você é um desafiador que oculta seu nome, e esconde de onde é.

E atira pedras na religião católica, ocultando-se no anonimato.

Que coragem escondida é a sua, desafiador desconhecido ?

Reparo também que você só cita a Sagrada Escritura, dando as passagens no caso do livro da Sabedoria. E também não cita as fontes arqueológicas que alega a favor dos cananeus, afirmando que elas provam que tais crimes “só cabem a outros povos da Antiguidade, de influencia helênica, e, não aos cananeus”.

Que fontes arqueológicas são essas? Que povos influenciados pelos gregos cometeram tais crimes?

Percebe-se também, ao que diz, que sua formação intelectual –  além de pouco… correta – é também deficiente. Vê-se bem que você é um universitário que pouco conhece a Bíblia e a História. Talvez conheça melhor arqueologia helenística…

Você já começa mal sua carta ao afirmar que eu disse que a Bíblia é “o único livro verdadeiro”.

Nunca disse isso. Afirmei e reafirmo que a bíblia é o único livro religioso que contém a verdadeira revelação divina.

Livros verdadeiros há muitos, meu caro. E que este seu primeiro erro de exposição de sua parte, comece a lhe abrir os seus pretensiosos olhos.

E seu desafio pretensioso de que não haveria resposta para seus pseudo dilemas irretorquíveis, só comprovam sua presunção intelectual e a sua ignorância doutrinária.

Vamos então a seu primeiro dilema “irrespondível” e “insolúvel” que seria o seguinte: como Deus afirma na Sagrada Escritura que ama e perdoa e depois que odeia e castiga.

Posso ajudar seu dilemazinho presunçoso?

Acrescento a seu dileminha e a seu sofisma a passagem em que Deus diz:

“Eu aos que amo, repreendo e castigo” (Apoc.III, 19; Prov III, 11; Heb XII,5).

Meu caro “vobiscum”, cum vobis reside a ignorância do que seja amar e odiar, como também que é perdoar e que é castigar, em Deus.

Para começar a iluminar sua mente, lembro-lhe um fato: normalmente quem castiga os filhos são os pais e não os vizinhos. E são nossos pais que nos castigam exatamente porque eles nos amam.

Começou a perceber em que trevas se encontra aqueles que vivem nas trevas das “luzes”?

Acrescento-lhe algo mais, extraído de São Tomás de Aquino.

Amar é querer bem. Ora, existem dois tipos de bem:

1 - O Bem Absoluto, que é Deus.

2 - Os bens relativos, que são todas as coisas boas, mas das quais se pode fazer mau uso. Exemplos de bens relativos são a vida, a inteligência, saúde, riquezas, prazer, êxito, prestígio, etc, coisas todas que podemos usar bem ou mal.

Daí existirem dois amores:

1 - O amor absoluto que consiste em desejar a outrem Deus, a salvação eterna, o céu, a virtude.

2 – O amor relativo que consiste em desejar a outrem os bens relativos.

Por sua vez, odiar é querer mal a outrem, isto é, que ele perca um bem.

Repare, meu caro desafiador escondido, que não afirmo que odiar é querer o mal no sentido que o mal seja algo substancial, já que o mal é carência de um bem que deveria existir, ou falta da ordem devida.

Mal não é substantivo. Não há coisas ontologicamente más, como explicara Santo Agostinho ao refutar os erros do maniqueísmo, hoje dominante.

Daí decorrem dois ódios:

1 – O ódio absoluto que consiste em querer que o outro perca Deus, isto é, perca o céu ou a virtude que leva ao céu.

2 – O ódio relativo, que é o desejo que outrem perca um bem relativo.

Esse dois amores e esses dois ódios podem se combinar da seguinte forma:

I – Querer para os outros bem Absoluto e, juntamente, os bens relativos Isto é ter pelo outro Amor Absoluto (Deus, o céu, a virtude) e Amor relativo ( Vida saúde, riquezas, prazer, êxito, ordenadamente ao Bem Absoluto), conjuntamente, é amar perfeitamente.

II – Desejar a outrem o Bem Absoluto (Deus, o céu, a virtude) junto com o ódio relativo (perda de um bem relativo: morte, doença, dor, pobreza, etc) a fim de que o próximo não perca a Deus, o Bem Absoluto, isto é também virtuoso.

É este amor absoluto com ódio relativo que exerce a mãe de uma criança que castiga, batendo em sua mão, por ter roubado um doce, sem pagar, no supermercado. Ela faz um ato de ódio relativo (faz doer a mão do filho) com amor absoluto, porque deseja para ele a virtude da honestidade, o céu , Deus.

Por isso, o Rei Davi diz que odiou os inimigos de Deus com ódio perfeito, isto é, com amor absoluto, desejando-lhes a salvação eterna, e com ódio relativo, castigando-os, ao tirar-lhes algum bem relativo.

E é assim que Deus nos tem sempre um Amor Absoluto, pois Deus quer que todos se salvem, que todos tenham a vida eterna no céu, e nos tem ódio relativo, ordenado ao Bem Absoluto, quando nos castiga com doenças, fracasso, dores. E mesmo a morte, porque a vida física não é o bem absoluto. Mais do que a vida física vale a vida eterna, o Céu. Por isso, no primeiro mandamento se ordena que amemos a Deus sobre todas as coisas, mesmo mais que a vida natural. Portanto, não há contradição alguma em amar absolutamente e castigar, isto é odiar relativamente, visando o bem maior.

Branca de Castela, mãe de São Luís, dizia-lhe que preferia vê-lo morto, ou leproso, do que pecador. Ela tinha por seu filho amor absoluto com ódio relativo.

III – Querer para alguém o bem relativo (Amor Relativo), mesmo com a perda do Bem Absoluto (Deus) é pecado, pois inverte a ordem dos bens. E isso é pecado. Por exemplo, um pai que deseja para o filho riqueza, mesmo na condição de perder a Deus – deseja que o filho fique rico, mesmo roubando – esse pai tem ódio absoluto pelo filho, ainda que tenha também por ele amor relativo. E isso é desejar o mal. Esse é um ódio pecaminoso, porque coloca o bem menor e relativo acima do Bem Maior e Absoluto. Esse amor é pecaminoso, mau.

“Madame” Letízia, a mãe de Napoleão, queria para ele o Poder e riquezas, dizendo-lhe; Meu filho, aproveita enquanto puder, porque vai durar pouco”. Desse modo , ela manifestava por ele, amor relativo e ódio absoluto. E isso era pecado.

IV – Querer para alguém a perda do Bem Absoluto e, ao mesmo tempo, a perda dos bens relativos, isso é odiar absolutamente e relativamente.

Deus, então, pode muito bem dizer que ama a todos, porque quer a salvação de todos, tendo por todos Amor Absoluto, e, ao mesmo tempo, afirma que odeia e castiga, porque castiga para corrigir, e odeia com ódio relativo.

Amar Absolutamente e odiar relativamente não são atos contraditórios mas podem ser muito bem ordenados entre si. Portanto, o Ser perfeitíssimo pode odiar e ser misericordioso. Aliás, não existe amor sem ódio. Quem ama a verdade detesta a mentira, quem ama a virtude detesta o pecado, que ama o doce detesta o amargo etc. E tendo Deus amor infinito ao Bem, Ele só pode ter ódio infinito ao mal, exatamente por ser perfeitíssimo.

Ficaram assim “iluminadas” as trevas de sua ignorância, ó desafiador valentemente oculto atrás do balcão de sua loja?

Passo, então, para o seu segundo dilema contraditório.

Você diz que a Sagrada Escritura considera os cananeus:

“Destaco os seguintes epítetos atribuídos ao povo cananeu em Sab. 12,10-11, em oposição às qualidades de Israel : são um povo de má origem, de malícia CONGÊNITA e desde a ORIGEM uma raça MALDITA. A malícia congênita não pode ser o pecado original, porque ela é claramente posta pelo texto em oposição a Israel, insinuando que Israel não tenha essa malícia congênita dos cananeus. Ora, Israel tinha pecado original, então não se trata de pecado original aqui, mas de uma maldição natural de uma raça inferior. Isso é confirmado pela explicação que diz que os cananeus são malditos desde a origem, ou seja, naturalmente malditos. Ora, isso é pouco cristão…” (Coloquei em negrito as palavras em que você fundamenta seu raciocínio para considerar que Deus era “racista”).

Ora, sua exposição dessa questão salta palavras que anulam completamente o que você diz.

Porque, se os cananeus fossem naturalmente maus, como você entende, como se explica que Deus profere, nesse mesmo trecho, as seguintes palavras que você não citou:

“Mas castigando-os pouco a pouco, davas-lhes a oportunidade de se arrependerem, embora não ignorasse que sua nação (“natio”, no texto latino) é má, que a malícia lhes é natural, e que os seus sentimentos jamais mudariam. Porque sua geração era maldita desde o princípio, nem era por temor de alguém que te mostravas indulgente com os seus pecados” (Sab. XII, 10-11).

Ora, se Deus lhes dava oportunidade para se arrependerem, era porque eles tinham possibilidade de mudar de comportamento. Logo, não se pode entender que sua natureza fosse então substancialmente, essencialmente má. Aliás, não existe uma coisa essencialmente má.

E se Deus os tinha como raça maldita, como poderia ser indulgente com eles?

Se os tinha como essencialmente maus, como diz a Sagrada Escritura que Deus os castigava pouco a pouco para que mudassem de atitude e comportamento ?

“Por isso castigas pouco a pouco os que se desencaminham, adverte-os das faltas que cometem e os exortas, para que, deixada a malícia, creiam em ti, Senhor” (Sab. XII 2).

Por que você omitiu essa passagem ?

Deus não considerava os cananeus como uma raça essencialmente má – como você entende e afirma – pois era indulgente com eles. Quando se diz que sua geração desde o princípio foi má significa que desde a primeira geração eles cometeram pecados abomináveis que Deus cita: feitiços, infanticídio e antropofagia (Sab. XII, 4-5). (Crimes que você nega que os cananeus cometessem, e os atribui mais aos helenos).

Omitindo as partes do texto em que se mostra que Deus procurou converter os cananeus, você torce o significado do que diz a Sagrada Escritura, para que Deus apareça como cruel, injusto e racista, como se pudesse existir uma raça essencialmente má. O que se afirma no texto é que cada nação, cada raça e cada homem têm, em sua natureza, tendências más, para determinados pecados, e não que a própria natureza deles seja má.

Assim você, omitindo partes do texto para forçar que se aceite a sua interpretação da Escritura, revelou uma tendência intelectualmente má. Mas isto não significa que sua natureza seja má em si mesma. Tanto que lhe escrevo para tentar mudar sua atitude e convertê-lo.

Este segundo argumento seu, tentando fazer a Sagrada Escritura dizer o que ela não disse, só comprovou sua falta de correção intelectual.

Você, como “historiador arguto” afirma que: “Também em Sb. 12 são elencadas uma série de atrocidades que os cananeus teriam cometido. O senhor como historiador arguto sabe que a arqueologia inocenta os cananeus daquelas acusações, mas elas só cabem a outros povos da Antiguidade, de influencia helênica, e, não aos cananeus”.

E de que documento histórico, de que fonte “arqueológica” você retirou a sua “argúcia”?

Desconfio que seja apenas de algum site anti católico da Internet. Daí você dizer que tem outros trunfos sob sua manga…

E dizendo isso você confessa ser mau jogador. Porque só jogadores pouco corretos guardam cartas escondidas na manga. Além de se esconder, você esconde cartas…

Como você é leal !

E por que a Sagrada Escritura não é, para você, documento histórico a ser levado em conta?

Sua “boa vontade” é só para documentos contrários à revelação divina?

É isso que se chama imparcialidade histórica?

Insultante e blasfemamente, você indaga e argumenta: “Ou seu deus é mentiroso, ou é o demônio autor da Bíblia…” O Autor da Sagrada Escritura não salta palavras, e nem força e retorce os textos como você faz.

Se eu lhe perguntasse argumentando: ou você é mentiroso ou que você é um demônio, você gritaria que eu estaria o ultrajando. Mas você ultrajar a Deus é lícito?

E você argumenta com o maná que seria insípido e, ao mesmo tempo teria todo o sabor.

O que é mais fácil fazer: alimentar um povo numeroso com o maná durante muitos anos, ou dar a esse maná, conforme o desejo e o paladar de cada um sabor que ele queria?

Você é incapaz de compreender. O maná era pão que descia do céu.

O maná era símbolo da Eucaristia, na qual você não crê, e por isso não compreende o maná.

A hóstia consagrada também é “pão” que desceu do céu. Nela há apenas os acidentes de pão: cor, sabor, aspecto, etc. Entretanto, nela se contém todos os sabores, isto é todas as virtudes, cada um recebendo a graça que mas precisa.

E como você recusa que o maná era insípido e, ao mesmo tempo, cada um que o comia sentia o gosto que queria, se você como “iluminado” muito provavelmente afirma que a realidade é compreendida por cada sujeito diferentemente, e , por isso a verdade seria subjetiva ?

O subjetivismo é um pseudo milagre mais inacreditável que a multiplicidade de sabores que cada pessoa encontrava no maná. Entretanto, o mundo moderno crê nessa mentira do subjetivismo e do relativismo.

E com sua interpretação falsa da narrativa da Paixão você não me faz arrepiar os cabelos. Meu caro, sei bem que a malícia humana não tem limites. Não me surpreende então que a sua maldade procure retorcer toda narrativa santa, porque você lê procurando torcer o que lê.

São Lucas narra, de fato, que um dos ladrões crucificados com Cristo se converteu – você se esqueceu de citar o capítulo e os versículos de São Lucas ( XXIII,39-44) – e que São Marcos afirma “Também os que tinham sido crucificados com Ele o insultavam” ( Mc. XV, 32) sem falar da conversão do bom ladrão.

E você vê nisso uma contradição de arrepiar os cabelos.

De arrepiar os cabelos é sua falta de compreensão e sua falta de boa fé.

O fato de São Marcos dizer que os ladrões insultavam a Cristo, e São Lucas narra que o bom ladrão se converteu não tem contradição nenhuma.

Poderia mito bem ser que os dois ladrões, a princípio O insulavam, e que depois, um deles se arrependeu. Essa é a explicação mais provável e clara na qual sua cegueira e má vontade querem ver contradição.

Finalmente a questão da ignorância “botânica” de Cristo, afirmando que a semente de mostarda e “a menor de todas as sementes, mas, depois de ter crescido, é maior de todas as hortaliças” (Mt. XIII,32) – (De novo, você não citou a passagem. Será que você leu alguma vez a Sagrada Escritura ?) Acho que você só arranjou esse estupendo argumento na Internet, porque já me disseram essa tolice.

E sua sabedoria botânica, conhece o que é hortaliça?

Eu confesso minha absoluta ignorância botânica e hortaliceira.

E creio bem que os judeus do tempo de Cristo não tinham a sua estupenda formação botânica e lógica universitária – ainda que incompleta, mas já iluminada…

De modo que, para esses judeus para os quais Cristo contava a parábola da semente de mostarda, muito possivelmente, para eles a semente de mostarda era a menor semente que conheciam. Se fosse assim, Cristo usou apenas um argumento ad hominem, sem pretender dar-lhes um curso de botânica hortaliceira, ó sapientíssimo e eminentíssimo hortaliceiro e ignorantíssimo exegeta!

Concluo então que, apesar de toda a sua presunçosa esperança de me convencer da ignorância de Deus e dos erros da Bíblia, só encontrei em sua carta ilogicidade, ignorância e presunção, escondidos numa pseudo sabedoria de hortaliça..

Por isso também—e não só por isso, é claro – continuo Católico Apostólico Romano, porque fora do catolicismo, entre deístas universitários muito incompletos só encontrei má fé e má vontade.

E quanto aos trunfos que você mantém escondidos em sua manga, dispenso conhecê-los. Já conheci você, jogador mascarado que esconde cartas na manga, e que apaga e torce os sinais das cartas que coloca na mesa.

Passe bem

Orlando Fedeli

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