Montfort Associação Cultural

10 de maio de 2012

Download PDF

Continua a guerra na Academia Pro Vida

A disputa sobre a necessidade, para a Academia Pontifícia Pro Vida, de seguir a doutrina católica em matéria de moral já vem de alguns anos atrás.
 
Todos se lembram do horrível caso do aborto de gêmeos da menina do Recife, o qual o bispo Dom José Cardoso Sobrinho tentou evitar e foi nisso desautorizado por Dom Fisichella, na época presidente da Academia, através de um artigo no Osservatore Romano. A atitude desse último foi um choque para grande parte dos setenta cientistas católicos renomados, que compõe a Academia criada por João Paulo II. Por falta de tempo e vontade de brigar, apenas um grupo de cientistas insistiu até o fim em pedir a saída de Dom Fisichella, num longo percurso que os levou a escrever até ao Papa. Fisichella foi “promovido/removido” para a Nova Evangelização e lá espera seu barrete cardinalício – e vai esperar em vão, segundo afirmam fontes vaticanas! Já o excelente presidente anterior é agora o Cardeal Sgreccia, feito no último Consistório, infelizmente já octogenário…
 
A batalha que se seguiu ao cancelamento do Congresso sobre Células Tronco, que reuniria conhecidos cientistas defensores e práticos da pesquisa com cobaias-embriões humanos, levou a uma ruptura entre alguns importantes membros leigos da Academia e seus oficiais vaticanos. Ruptura que teria levado até a um pedido de renúncia de seu presidente, o bispo oriundo do Opus Dei, Dom Ignacio Carrasco de Paula.
 
Abaixo algo da argumentação do Doutor Josef Seifert (mais pode ser visto aqui) e – muito mais grave do que a acusação! – a defesa dos funcionários vaticanos da Academia.
 
Salve Maria!
Comentário Lucia Zucchi
Texto Vatican Insider
Tradução Montfort
 
 

Grupo de membros da Pontifícia Academia da Vida critica iniciativas da própria Academia

Andres Alvarez Beltramo

Cidade do Vaticano

 

Professor Josef Seifert, da Academia Pontificia Pro Vida

 

 Um grupo de destacados membros da Academia Pontifícia para a Vida (PAV) declararam revolta. Eles acusam a cúpula desse organismo da Santa Sé de “traição sistemática” aos valores cristãos e de colaborar com programas que seguem uma agenda contrária aos ensinamentos da Igreja. Eles estão dispostos a levar seu protesto ao mais alto nível, porque afirmam que esta é uma situação de “extrema gravidade”.

 Mas na PAV consideram os críticos como uma “pequena minoria” que, com suas ações, dificultariam à agência cumprir sua missão, conforme relatado pelo Vatican Insider.

 

 

Um dos detratores é Professor Josef Seifert, presidente do Senado da Academia Internacional de Filosofia no Principado de Liechtenstein. Em 10 de abril último enviou uma longa carta ao presidente da academia, o Opus Dei Bispo Ignacio Carrasco de Paula, no qual ele expressou seu “profundo sentimento de tristeza” e uma “enorme preocupação” sobre o “grande perigo” que Academia perder o seu “pleno e puro compromisso com a verdade.”

 

Para Seifert, o PAV viveu o “pior dia de sua história”, em 24 de fevereiro passado, quando teve lugar em Roma uma conferência para abordar as questões de fecundação e tratamento da infertilidade. E apoia suas palavras em oito razões.

 

Segundo o professor a maioria das apresentações feitas naquele dia, cinco de um total de sete, não só dispensou qualquer explicação relacionada à moral católica, mas referiu-se apenas a métodos como a pílula, inseminação artificial e fertilização in vitro. E explicou que os juízos éticos dos cinco expositores “foram um ataque direto ao ensinamento da Igreja e à verdade.”

 

“Os jornalistas que publicarem esta conferência ou uma publicação da Academia sobre estas apresentações, o que espero que nunca aconteça, difundirão exatamente o oposto à doutrina da Igreja, como algo que foi promovido pela nossa Academia. A imagem externa da mesma e da Igreja foi gravemente ferido e danificado por este evento”, afirmou.

 

 Mercedes Arzu Wilson se uniu a essas queixas. Ela é a presidente da Fundação para a Família das Américas e da Organização Mundial da Família, também membro da Academia Pontifícia pro Vida, e expressa sua insatisfação em declarações à Agência Católica de Informação.

 

A crise interna na Academia já teve consequências palpáveis, como o cancelamento do Congresso Internacional sobre Pesquisa com Células Tronco, que seria realizado entre 25 e 28 de Abril, no Vaticano. De acordo com a versão oficial,  a reunião tinha sido cancelada por falta de fundos, o fato é que sua organização nunca foi isenta de controvérsias.

 

Os mesmos críticos da conferência sobre a infertilidade se opuseram ao Congresso sobre células-tronco, argumentando que, entre os oradores desta segunda iniciativa, estavam incluidos proeminentes promotores e praticantes do uso de células embrionárias para a pesquisa, defensores inclusive da clonagem humana. Todas esssas questões contrárias aos ensinamentos da Igreja.

Programado nesses termos, o Congresso provocou uma acesa polêmica dentro da Cúria Romana, cujo resultado natural, foi seu cancelamento “por ordens superiores”. Essa determinação teria irritado alguns oficiais da Academia e provocado uma ruptura definitiva com os críticos. Uma situação que, longe de ter evitado a crise, a aprofundou.

Sendo assim os acadêmicos indignados querem expressar sua inquietação ao próprio  Papa Bento XVI e seus principais assessores. E eles estão se preparando para denunciar que as más alianças promovidas dentro desse Conselho Pontifício do Vaticano correm o risco de “destruir o ensinamento da Igreja, e mais precisamente de João Paulo II, sobre a vida, amor, sexualidade humana e da família”.

 

La Academia para la Vida paralizada por una minoría

Las últimas actividades organizadas por el dicasterio vaticano han sido “saboteadas” por sus mismos miembros

Alessandro Speciale
Roma
Vatican Insider
 
 
Una «pequeña minoría» de miembros de la Pontificia Academia para la Vida (PAV) critica desde hace algunos años todas las iniciativas para dialogar con el mundo científico y de la investigación; además ha dificultado la propia misión del “think tank” bioético de la Santa Sede. Es lo que revelan algunas declaraciones hechas a Vatican Insider por fuentes internas de la Academia, que pidieron el anonimato porque no están autorizdas para hablar de estos temas.
 
 
Una serie de polémicas culminaron recientemente con la petición de la renuncia del presidente de la Academia, monseñor Ignacio Carrasco de Paula, por parte del profesor Josef Seifert, y con una protesta que están preparando algunos miembros del dicasterio y que pretenden llevarla a los niveles más altos del Vaticano.
 
 
Las actividades que ha organizado la Academia han acabado siendo blanco de algunos de sus miembros: en febrero, una conferencia sobre los tratamientos de la infertilidad fue criticada porque habría presentado posturas que no siguen la doctrina católica; un mes después, la Pontificia Academia para la Vida canceló una conferencia científica internacional dedicada a la investigación con células estaminales adultas. La explicación “oficial” fue que no había suficiente dinero para llevar a cabo el evento, pero llegaba después de duras críticas de parte de algunos sectores del movimiento “pro-vida”. Pero los problemas ya habían surgido mucho antes, por ejemplo cuando fue publicado un artículo del entonces presidente, monseñor Rino Fisichella, sobre el aborto de una niña violada en Brasil, o de una polémica sobre los transplantes y sobre la definición de “muerte cerebral”.
 
 
Según las fuentes, se trata de un grupo pequeño de activistas pro-vida que nunca han buscado un diálogo con la cúpula de la Academia y que siempre han preferido dirigirse a la prensa o denunciar las actividades de la Academia a las «autoridades superiores».
 
 
«Son personas que actúan en la oscuridad, apenas se hace cualquier cosa se dirigen a las autoridades superiores», denuncia un importante miembro de la Academia. «Nunca hemos recibido nada oficial de estas personas. Hemos recibido solo comunicaciones públicas. No nos han escrito para pedirnos aclaraciones», explicó otra persona que trabaja en el dicasterio y que conoce muy bien la cuestión. Monseñor Carrasco de Paula, el presidente, escribió a los “críticos” para tratar de entablar un diálogo con ellos.
 
 
Según las fuentes, los problemas nacen de una incomprensión de fondo sobre la naturaleza de la Pontificia Academia para la Vida. «¿Se trata de una Academia, con su autonomía y su libertad de cátedra, y con la posibilidad de invitar a personas con las que no se está de acuerdo, o una especie de “súper movimiento pro-life”?» Los estatutos de la Pav, según la fuente, garantizan su autonomía: «Si somos una Academia, también podemos equivocarnos; no, si nuestra labor es solo la de afirmar la doctrina católica».
 
 
Las posturas oficiales de la Academia, subrayó un exponente de la cúpula de la institución, «hay que buscarlas en nuestras publicaciones», no en lo que afirman los relatores enviados a intervenir en los eventos de la Pav.
 
 
La situación se ha vuelto mucho más completa, por lo que indican las fuentes, por el hecho de que la «Congregación para la Doctrina de la Fe tiende a considerarnos una extensión suya en campo bioético».
 
 
Otra fuente de la Pav subraya que ahora tendrán que ser las autoridades vaticanas, desde el Papa hasta la Secretaría de Estado (pasando por la Congregación para la Doctrina de la Fe), las que aclaren esta «ambigüedad» sobre la naturaleza y la función de la Academia.
 
 
«Nosotros –indica otra fuente– siempre hemos defendido la vida, desde su concepción hasta su muerte natural, y seguimos haciéndolo. Hacemos el mismo trabajo que estos “pro-life”, que tienen buenas intenciones, pero es necesario el diálogo y además hacen afirmaciones sin fundamento. Siempre estamos abiertos al diálogo con todos, nuestra labor es una llamada al diálogo con la ciencia. Incluso San Pablo fue al Aerópago de Atenas y habló con los paganos y con los no creyentes».
 
 
Desde la Academia subrayan que la decisión de haber cancelado la conferencia científica sobre las estaminales adultas (contrariamente a lo afirmado por el prof. Seifert) se tomó con autonomía absoluta, a pesar del desacuerdo de los demás organizadores (la Fundación Jerome Lejeune de París y la Federación Internacional de als Asociaciones de los Médicos Católicos), pero también indicaron que es difícil decir si el evento será nuevamente organizado en un futuro.
En cuanto a la petición de que renuncien los dirigentes de la Academia, «ninguna reacción, la cuestión la deben afrontar los superiores”.
 
 

TAGS

Publicações relacionadas

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais