Montfort Associação Cultural

19 de junho de 2007

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Contexto histórico do Concílio Vaticano II

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Rudolpho Wagner Filho
  • Localizaçao: Maceió – AL – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Funcionário Público
  • Religião: Católica

Caríssimo Profº Orlando Fedeli,

Salve a Virgem de Guadalupe, Imperatriz de Todas as Américas!

Acabo de ler um desastroso comentário do Revmo. Côn. Henrique Soares, aqui de Maceió, sobre o site Montfort. Conheço o Côn. Henrique de longos anos, e posso afirmar que é um padre estudioso, zeloso (um dos poucos que usa batina) e celebra com piedade, o qual tenho em grande estima. Porém, em seu blog, ele comete um equívoco em relação a “Missa de Sempre”, dizendo-a de São Pio V. A Missa, ele sabe muito mais do que eu, não é de São Pio V. Não sou teólogo. Apenas um pobre leigo. Entretanto, sei que a Missa é de Deus, o Filho se oferece ao Pai em favor dos homens (resumidamente). Acrescenta o Pe. Henrique que “Nunca passou pela cabeça do Papa São Pio V que o missal por ele aprovado fosse eterno, perpétuo e irretocável!” Em primeiro lugar, a Missa dita de São Pio V remonta aos tempos apostólicos e foi enriquecida ao longo dos tempos; ao invés, a Missa dita de Paulo VI foi brutalmente empobrecida de forma brusca. Não sou eu quem o diz, é o próprio Joseph Ratzinger ainda cardeal (vide o excelente artigo À MARGEM DA POLÊMICA RENOVADA SOBRE O MISSAL DE PAULO VI que coloco adiante). Talvez o Revmo. Pe. Henrique não tenha lido a Bula Quo Primum Tempore. Nem o trabalho do Pe. Raymond Dulac. Ora, há uma diferença brutal entre os dois missais. Quem tem um pequeno conhecimento disso sabe perfeitamente que as palavras do OFERTÓRIO são absolutamente distintas nos dois missais. Também na consagração há diferença; basta ver o MYSTERIUM FIDEI; e outras diferenças. Além do que, São Pio V apenas canonizou a Missa, que já era daquela forma celebrada, a fim de que fosse evitada toda confusão em relação à ceia protestante de Lutero.

Paulo VI, com seu afã de um ecumenismo torto, sem conversão, é que tentou aproximar a Missa com a ceia protestante. Os abusos decorrentes dessa “reforma” de Paulo VI são tão evidentes
que até cachorro tem comungado hoje em dia; ao contrário, a Missa de Sempre não dá uma minúscula abertura aos abusos.

Todos sabem (ou deveriam saber) que o Missal de Paulo VI foi elaborado por Mons. Bugnini (provadamente maçom – vide lista de Mino Pecorelli).

Que fique bem claro que não estou questionando a validade da Missa dita de Paulo VI ou Missa Nova , pois, na falta da Missa de Sempre, assisto-a, não tenho escolha.

Segue abaixo o texto acerca da Montfort. Como foi publicado em um blog, tomei a liberdade de aqui reproduzi-lo.

“19/04/2007
Montfort… Não é tão católico quanto gostaria de ser!

Caros Visitantes, várias pessoas têm perguntado sobre as idéias e opiniões do site Montfort. Trata-se de um site católico, de pessoas que, penso, sejam sinceras.

No entanto, as idéias expressas nesse site não são expressão do sentir da Igreja. Há nele alguns graves problemas teológicos, que podem levar a uma deturpação da fé católica e chegar mesmo a uma ruptura com a Igreja.

Eis alguns pontos, entre outros:

1. Uma triste confusão entre Tradição e tradicionalismo, que termina por motivar um apego a formas e expressões do catolicismo que não são normativas nem obrigatórias nos dias atuais.

2. Alguns documentos do Magistério da Igreja são lidos de modo fundamentalista, fora do contexto histórico que lhes deram origem. O resultado é uma teologia torta, fechada e que em muito pouco exprime a genuína fé católica.

3. Há uma clara tendência de desvalorizar e menosprezar o Concílio Vaticano II. Isto é absolutamente inadmissível! O Concílio tem tanta autoridade quanto os concílios anteriores. Não se pode responder aos exageros “progressistas” da interpretação conciliar com os exageros “tradicionalistas” e integristas! Não se deve ser mais papista que o Papa! Um bom católico estará sempre em sincera comunhão com o Papa – e os papas Beato João XXIII, Servo de Deus Paulo VI, Servo de Deus João Paulo I, Servo de Deus João Paulo II Magno e Bento XVI sempre defenderam o Vaticano II na sua integridade e procuram coibir os excessos que possam existir na interpretação do Concílio. Combater o Vaticano II é colocar-se em choque com o Magistério papal e com o Colégio Episcopal, que são assistidos pelo Espírito Santo. Eis aqui um perigoso caminho que peca por presunção de ter mais discernimento que os legítimos pastores da Igreja, a quem o prometeu sua assistência! Toda vez que isso aconteceu, terminou-se numa triste heresia e em doloroso cisma…

4. Há um endeusamento da Missa de São Pio V que é errado, fora de contexto e trai a grande tradição litúrgica da Igreja. A Igreja tem, teve e terá sempre o direito e o dever de modificar seus ritos, de acordo com as circunstâncias e o discernimento da legítima autoridade apostólica, desde que não fira a essência mesma da estrutura sacramental. Nunca passou pela cabeça do Papa São Pio V que o missal por ele aprovado fosse eterno, perpétuo e irretocável! Isso é totalmente descabido e contrário à grande Tradição da Igreja! Nem os ritos primitivos, praticados pelos Apóstolos, tiveram essa pretensão de irretocabilidade! Essa idéia vem deu ma leitura que peca gravemente no seu método hermenêutico… Aqui acontece o que acontece com os protestantes fundamentalistas quando lêem a Bíblia! É verdade que tem havido graves distorções na liturgia no Brasil e no mundo, mas não se corrige tais problemas com soluções erradas e artificiais. Notem os meus leitores que o Papa Bento XVI é um amigo da Missa de São Pio V, mas não cai nos exageros dos tradicionalistas nem em desautoriza em nada o Concílio Vaticano II e o Missal de Paulo VI, tão legítimo quanto o trindentino.

Não duvido da boa fé desse irmãos do site Montfort e admiro seu desejo de transmitir a fé católica, mas lamento muito que confundam a fé da Igreja com uma determinada mentalidade, estreitando o frescor do Evangelho e desconhecendo que a Igreja é o Povo de Deus reunido como Corpo de Cristo e feito Templo do Espírito Santo peregrinando na história “entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus” até a Pátria eterna. Não se pode confundir a sensibilidade da Igreja em determinada época com a sensibilidade que deve perdurar para sempre…

Sugiro, portanto, aos meus caros Visitantes, muita prudência ao visitar o referido site, sabendo que estão entrando em contato com opiniões de um grupo que não está em plena sintonia com o sentimento da Igreja e de seus pastores, correndo, assim, o risco de afastarem-se da plena comunhão com a Igreja… O que ali houver de bom, aproveitem; o que tiver gosto de um tradicionalismo que se afasta do sentir do Papa e do Colégio Episcopal, evitem e não sigam…

Escrito por Pe. Henrique às 22h51″

EXTRAÍDO DE:
http://costa_hs.blog.uol.com.br/

Agora o excelente artigo retro mencionado.

“À MARGEM DA POLÊMICA RENOVADA SOBRE
O MISSAL DE PAULO VI

A revista paulina para “agentes de pastoral” (Vita pastorale, no. 6/1997), na rubrica Cartas recebidas, publica uma carta (verdadeira?) dum leitor alarmado, que pede à revista paulina uma “resposta tranqüilizadora” a respeito das declarações do cardeal Ratzinger na sua autobiografia (Minha vida — pp. 105-115) “sobre o trágico erro cometido por Paulo VI com a interdição do uso do Missa de Pio V e a aprovação do “novo” Missa que teria rompido com a tradição litúrgica da Igreja”

Rinaldo Falsini o.f.m. (conselheiro da Congregação para o Culto Divino) escreve, entre outras coisas: “Paulo VI teve de abolir o uso do Missal de Pio V [...], reduzido a um filete d´água quase seco, incapaz de dessedentar e de nutrir a fé e a piedade do povo cristão” (QUE ABSURDO!).

O Ordo Missae, chamado de Missa de São Pio V, um filete de água quase seco? E que dizer então do mini-Ordo de Paulo VI? E por qual mágica o rito de São Pio V se tornaria “incapaz de dessedentar e de nutrir a fé e a piedade do povo cristão”, após ter dessedentado e nutrido notavelmente, durante séculos e séculos, inclusive os Santos hoje canonizados? Porque o Missal dito de São Pio V não é absolutamente de São Pio V: é o rito romano tradicional, ou seja, a Missa tal qual foi substancialmente celebrada em Roma desde os tempos apostólicos, mesmo se foi lentamente enriquecida (e não bruscamente empobrecida) de ritos e orações (v. Enciclopédia Cattolica verbete Missa col. 792 seg.).

O cardeal Ratzinger, por outro lado, explica bem na sua autobiografia: “eu ficava estupefato pela interdição do antigo missal, no momento que “jamais se tinha verificado uma coisa semelhante em toda a história da liturgia. Deram a impressão de que tudo isto era absolutamente normal. O missal precedente tinha sido composto por Pio V em 1570, em seguida ao Concílio de Trento; era portanto normal que, após quatrocentos anos e um novo Concílio, um novo papa publicasse um novo Missal. Mas a verdade histórica é diferente. Pio V se limitara a fazer elaborar de novo o missal romano então em uso, como no decurso da vida da história isto havia sempre sucedido no transcorrer os séculos. E muitos dos seus sucessores, do mesmo modo que ele, tinham elaborado novamente este missal, sem jamais opor um missal a um outro. Tratava-se sempre dum processo contínuo, a continuidade nunca era destruída. Um missal de Pio que teria sido criado por ele não existe. Há somente nova elaboração ordenada por ele, como fase dum longo processo de crescimento histórico.

“O fato novo, após o concílio de Trento, foi de outra natureza: a irrupção da reforma protestante se fez, sobretudo, sob a modalidade de “reformas” litúrgicas [...] tão bem que os limites entre o que era ainda católico e o que não, eram freqüentemente difíceis de definir. Nesta situação de confusão, tornada possível pela ausência de normas litúrgicas e pelo pluralismo litúrgico herdado da Idade Média, o Papa decidiu que o Missale Romanum, o texto litúrgico da cidade de Roma, enquanto certamente católico, devia ser introduzido em toda a parte onde não se pudesse apelar para uma liturgia que remontasse pelo menos a dois séculos antes. Lá onde isto se verificava, se podia manter a liturgia precedente, dado que o seu caráter católico podia ser considerado como certo”. (J. Ratzinger, La mia vitta – “Minha vida” – pp. 111-112, os negritos são nossos).

Portanto, São Pio V não fez nada mais do que estender a todo o Ocidente a Missa romana tradicional como barreira contra o protestantismo. Mas Falsini (Vita Pastorale) escreve: “Pio V aboliu todos os Missais que não datavam de 200 anos. Paulo VI teve de [sic] abolir o uso do Missal de Pio V, tanto mais por ser totalmente inadequado às finalidades pastorais do Concílio e ainda porque o conteúdo do Eucológio [exato! somente o conteúdo] e a estrutura [somente o esqueleto] da celebração se fundam no novo”. A comparação entre São Pio V e Paulo VI não subsiste.

Paulo VI “teve de” abolir o rito romano tradicional porque as autodenominadas finalidades “pastorais” do Concílio não se referiam, como deveriam, aos católicos, mas aos… protestantes. Sem oposição ao Breve exame crítico dos cardeais Ottaviani e Bacci (vide “carta Otavianni e Bacci) , que denunciaram no Novus Ordo de Paulo VI um “impressionante afastamento da teologia católica da Santa Missa”, citaremos aqui uma fonte ainda mais autorizada e insuspeita: “A oração da Igreja não deve ser um estorvo para ninguém” escrevia no Osservatore Romano de 19 de maio de 1965 Mons. Bugnini (note bem esse nome  prelado maçom, vide lista de Mino Pecorelli), e, como se não fosse inevitável que a “oração da Igreja” choque aqueles que não têm a fé da Igreja, ele continuava dizendo ser portanto necessário “remover todas as pedras que pudessem constituir mesmo uma sombra de risco de obstáculo ou [até] de desagrado para os nossos irmãos separados” (maior absurdo não há!,, a Santa Missa é católica ou protestante?). E o Osservatore Romano de 13 de outubro de 1967 anunciava com satisfação que a operação poderia ser considerada como bem sucedida; “a reforma litúrgica deu um passo notável para a frente [sic!] e houve uma aproximação das formas da Igreja luterana” (é inegável a aproximação da Missa Nova com a ceia protestante!). Portanto, a comparação de Falsini não é válida; São Pio V aboliu, não o rito romano tradicional, mas todos os outros ritos que não remontavam a 200 anos e ele os aboliu por estarem poluídos de protestantismo, ou ao menos suspeitos de infiltrações protestantes, estendendo a todo o Ocidente o Missal Romano, porque “certamente católico”. Paulo VI, ao contrário, aboliu o rito romano tradicional, e o fez porque este era muito católico, promulgando um novo missal protestantizado. A DIFERENÇA NÃO É PEQUENA.

A seguir, que Paulo VI tenha realmente abolido o uso do Missal de Pio V, fica ainda por demonstrar, como também cabe totalmente demonstrar se ele tinha o direito de abolir o rito mais venerável da Igreja latina (vide Bula Quo Primum Tempore), e isto sem outro motivo que o de agradar aos protestantes.

Na constituição Missale Romanum de Paulo VI, de fato, não se lê a fórmula solene abrogatória e imperativa que se lê na Quo Primum de São Pio V (v. Sim Sim Não Não, ano I, no. 9, p. 5), mas simplesmente:

“Ad extremum ex iis quae hactenus de novo Missali Romano exposuimus quiddam nunc cogere et efficere placet” que mesmo um aluno aplicado do liceu, ajudado por um bom dicionário, é capaz de traduzir: “Enfim, do que expusemos até agora sobre o novo Missal nos apraz tirar algumas conclusões”.

“Falsários” interessados (cf. uma carta do conhecido latinista prof. Heitor Paratore a Luís Salleron) apressaram-se entretanto a traduzir muito livremente: “Enfim queremos dar força de lei [sic] ao [sic] que expusemos até agora sobre o novo Missal Romano” (e assim de maneira mais ou menos equivalente em todas as outras línguas); tradução que absolutamente não corresponde ao texto latino (v. Sì Sì No No ano II, no. 4, p. 2 Uma notinha filológica à margem de algumas traduções da “Missale Romanum” de Paulo VI).

De resto, ficou tão pouco claro que Paulo VI, ao promulgar o Novus Ordo, tenha abolido o uso do Missal de São Pio V, que chegaram interpelações à Santa Sé do mundo inteiro sobre esse assunto, como atesta um dos principais artífices do Novus Ordo Missae, Mons. Aníbal Bugnini em La riforma liturgica (CLV – Edizioni Liturgiche, Roma, 1983).

É ainda mais duvidoso que Paulo VI tivesse o direito de abolir um rito essencialmente de origem apostólica, e isto sem outro motivo além do de agradar aos protestantes (BÁRBARO!). Na Santa Igreja de Deus, menos ainda que alhures, o direito não se identifica com o arbítrio. Donde a questão posta por um perito em liturgia (não “lefebvrista”) Mons. Klaus Gamber, diretor, na época (1979) do Instituto das Ciências Litúrgicas de Ratisbona e membro honorário da Academia Pontificia Litúrgica de Roma: “O Papa tem o direito de mudar um rito que remonta à Tradição Apostólica?” (A reforma da Liturgia Romana – antecedentes e problemática). A história — escreve ele — nos diz que JAMAIS qualquer papa o fez: “as mudanças efetuadas no Missal Romano, no decurso de quase 1400 anos não afetaram o rito da Missa: tratou-se, pelo contrário, apenas de um enriquecimento com o acréscimo de Festas, Próprios de Missas e de simples orações” (ibid). E hoje o cardeal Ratzinger lhe faz eco: “jamais se verificou uma coisa semelhante em toda a história da liturgia” (La mia vita cit).

Para encontrar algo de semelhante à “reforma litúrgica” de Paulo VI, deve-se sair do domínio católico e, então, encontrar um precedente, certamente não honroso para o papa Montini, na “reforma litúrgica” de Lutero, que “destruiu a Missa romana, conservando algumas formas exteriores”, inclusive o canto gregoriano (K. Gamber, loc. cit). Mesmo se “o conteúdo” e o esqueleto — perdão! — “a estrutura” do rito romano tradicional estivessem “fundidos” no novo, isto não seria bastante: “Não basta que algumas partes do antigo Missal se tenham transferido para o novo — já escrevera Mons. Gamber — [...] para que se possa falar de continuidade do Rito romano” (op. cit). E hoje o cardeal Ratzinger lhe faz eco: com a “reforma litúrgica” de Paulo VI “acontece alguma coisa a mais” do que uma simples “revisão” do Missal precedente: “desfizeram em pedaços o antigo edifício, e se construiu um outro, mesmo se foi com o material de que se fizera o antigo edifício e utilizando a planta precedente” (La mia vita, p. 112). Estamos assim felizes com poder estar nisto de acordo com o cardeal Prefeito da Congregação da Fé (à época deste escrito).

É certo que Suarez, com outros insignes teólogos, entre os quais Caetano, dá como exemplo de papa cismático um papa que chega “ao ponto de mudar todos os Ritos da Igreja consolidados pela tradição apostólica”: “si vellet omnes ecclesiasticas caeremonias apostolica traditione evertere” (De Charitate disput. 12, 1). Portanto Suarez, com os outros insignes teólogos, não reconhece ao papa esta autoridade que Paulo VI, na sua obstinação “ecumênica”, se atribuiu assim tão facilmente. E, como quer que seja, é certo que a autoridade do papa, como acima de qualquer outra autoridade na Igreja, existe para edificar e não para demolir.

Gorgonius

“Se se compreendesse o valor de uma Santa Missa, se andaria até o fim do mundo para assistir a ela”
— Santa Maria Madalena Postel”

EXTRAÍDO DE:
http://www.permanencia.org.br/SimSimNaoNao/062/art2.htm

Caro amigo, velho amigo,

vai longa esta missiva, perdoe-me. Reze por mim e pelos meus em suas orações quotidianas. Se possível, peça a Virgem Santíssima que interceda em favor deste pobre pecador que muito o estima.

O vento sopra fortemente,
a casa está edificada sobre a Rocha!
Não cairá!

Finalizando, devo dizer-lhe com audácia: o Vaticano II, este furacão da apostasia, deixou, não provas, mas evidências da crise abissal em que está mergulhada a Igreja nestes últimos tempos, que o digam boffs e bettos. Que o digam as missas afros; as missas crioulas; as missas dos vaqueiros; as missas dos acrobatas; as missas carismáticas. Que o digam os jonas, os zecas, os marcelos. Que o digam todos os que enrolam a língua pretensamente brincando de anjos. Que o digam os milhares de padres que trocaram o ministério pelas mulheres. Que o digam as muitas freiras que se envergonham de usar hábito. Que o digam os padres que apóiam e incetivam as invasões de terra. Que o digam os seminários eivados de modernismo e homossexuais. Que o digam os clérigos pedófilos. Que o diga o padre que foi pego com um garoto de programa e fumando maconha. Que o digam as “Católicas pelo Direito de Decidir”. Que o digam etc. etc. e tantos etc.

E ainda me dirão que o Vaticano II, a “porta da esperança” que permitiu a entrada de tudo isso, não foi o responsável por esta triste página da história da Igreja. Simplesmente evocar sua “autoridade”
pastoral é querer dar um ponto final, sem argumentações probantes, a uma discussão imensamente profunda; é hermetizar a Verdade.

Apenas uma pergunta: Por que será (não me refiro ao Côn. Henrique) que tanto temem a Missa de São Pio V? Eis a chave.

Confirmo, caro profº, minha adesão, não à Montfort -apesar de tê-la também em grande estima, mas à Igreja de Sempre, pela qual quero viver e, se Deus o permitir, morrer!

Combatamos pela Fé, semper!

Santo Atanásio, ora pro nobis!

Rudolpho Wagner Filho.

P.S.: Aguardamos ansiosamente sua vinda a Maceió.
Carlos Alberto e André mandam-lhe um forte abraço.

Muito prezado Rudolpho,
Salve Maria.
 
    Muito obrigado pelo envio do artigo de Cônego Henrique Soares.
    Ainda bem que esse reverendo Cônego Henrique, reconhece, pelo menos, a sinceridade da Montfort.
    Que Deus o pague por isso.
    Pena que ele não tenha visto que recuso dizer-me tradicionalista, e que critico esse adjetivo, pois repito continuamente que sou CATÓLICO APOSTÓLICO ROMANO sem qualquer outro adjetivo.
    Tradicionalismo é palavra ambígua.
    Conheço uns dez significados diferentes dessa palavra e quase todos bem maus, desde o tardicionalismo de Bonetty e Josephh de Maistre até o da TFP, passando pela FSSPX, que acaba de me atacar.
    Conheço também o que é a Tradição católica tão repudiada, hoje, pelos seguidores do Concílio Vaticano II.
   
    Diz Cônego Henrique no número 2 de seu artigo:

Alguns documentos do Magistério da Igreja são lidos de modo fundamentalista, fora do contexto histórico que lhes deram origem”.

    Ora, Bento XVI, há pouco ainda, criticou aqueles que acusam os católicos fiéis como fundamentalistas…
   
    Quanto ao contexto histórico que deu origem ao Concílio Vaticano II, seria preciso que Cônego Henrique conhecesse os acordos de Metz, feitos com a União Soviética em 1962, em nome de João XXIII e assinados pelo Cardeal Tisserand, para permitir a vinda de representantes ortodoxos ao Concílio Vaticano II. Viria o Coronel do serviço secreto soviético, o Arcebispo Nikodim. 
    Cônego Henrique deveria conhecer também o acordo assinado pelo Cardeal Bea, em nome de Paulo VI, com a B´nai Brith, e os acordos feitos com a Maçonaria, por causa da ameaça à Igreja, caso ela não se democratizasse.
    Logo mais publicarei um trabalho sobre o Concílio Vaticano II e a Maçonaria…
    Nesse taabalho se poderão ler alguns textos “interessantes” de Dom Estevão Bettencourt, que foi perito do Vaticano II, e muito possivelmente ex confrade de Cônego Henrique, que, segundo soube, teria sido monge beneditino no São Bento do Rio de Janeiro.
    Ainda sobre o contexto histórico do Concílio Vaticano II, gostaria de conversar com Cônego Henrique para ver o que ele conhece da organização secreta dos neo modernistas que manipularam este Concílio. Quem sabe Dom Estevão lhe tenha dado alguma informação sobre isso.
    Recomendaria a ele que lesse o livro The Rhine flows into the Tiber, do Padre Wiltgen, — que não era tradicionalista — mostrando a conspiração que causou o Concílio Vaticano II, assim como as trapaças feitas lá, para aprovar os seus textos ambíguos cheirando à heresia desse Concílio pastoral.
    Todo esse contexto histórico, Cônego Henrique certamente poderia ter conhecido, mas espero que desconheça.
    Cônego Henrique escreveu: 

O Concílio tem tanta autoridade quanto os concílios anteriores”.


    Isso é falso. 
    O Concílio de Trento e o Vaticano I (Primeiro) foram promulgados com infalibilidade.
    O Papa Paulo VI, ao aprovar o Concílio Vaticano II, reconheceu que nele não estava implicada a infalibilidade. 
    O Vaticano II foi um Concílio oficial, mas não infalível.
    Foi pastoral.
    O Vaticano II não teve pois o mesmo grau de autoridade que Trento ou o Vaticano I (Primeiro)..
   
    Quanto a criticar o Vaticano II, o próprio Bento XVI aprovou a fundação do Instituto do Bom Pastor, dando-lhe como fins rezar só a Missa de sempre, e criticar o Vaticano II.
    Logo o Concílio Vaticano II é criticável.
    Que Cônego Henrique leia o que escrevi ao Instituto Paulo VI de Brescia.
 
    É fácil descartar argumentos de outrem, dizendo que João Paulo II é Magno, quando a Igreja não lhe deu esse título.
    E heresias claras as há entre os defensores do Concílio Vaticano II.
   
    Como há erros doutrinários graves defendidos até por Cônego Henrique…

    Por exemplo, soube que Cônego Henrique segue a linha modernista da evolução. Consta-me que ele prega que houve vários casais, no início do mundo, e que, num determinado momento, Deus infundiu a sua Imagem e Semelhança, num deles…
    Será verdade que Cônego Henrique defende o poligenismo?
    Se defende, ele está em erro fundamentalista darwiniano. E esse erro é grave e condenado.
    A tese do poligenismo foi defendida também por Dom Estevão Bettencourt, mas foi condenada por Pio XII na encíclica Humani Generis escrita contra os neo modernistas.   

    Quanto à Escatologia, soube que Cônego Henrique segue a opinião do modernista Blanck, sobre a ressurreição imediata após a morte, visto que não há tempo em Deus. Daí ele desdenhar da resposta que Nossa Senhora de Fátima teria dado, à vidente Lucia, a respeito da sorte de uma mulher já morta: “ela estará no purgatório até o fim do mundo”.
    Para Cônego Henique, Nossa Senhora saberia bem pouco de Teologia!…
   
    E, como você bem enumerou, meu caro Rudolpho, basta ver os frutos péssimos do Concílio Vaticano II e o caos doutrinário que ele causou, para compreender como esse concílio foi mau, como sua árvore é má.

    No número 4 de seu artigo, Cônego Henrique fala de “endeusamento” da Missa de sempre.
    Endeusar é idolatrar.
    Desafio Cônego Henrique a provar que haja endeusamento idolátrico da Missa de sempre.
    O que é adorado na Missa de sempre é Cristo, realmente presente na hóstia consagrada.
    Mas não creio que Cônego Henrique negue a presença real de Cristo na Hóstia, como o fazerm tantos sacerdotes defensores do Concílio Vaticano II e da Missa Nova de Paulo VI e Bugnini. 
    Claro que  ficaria dificil para Cônego Henrique “endeusar” a missa Nova de Paulo VI, que permite as conhecidas e repetidas profanações da sagrada Hóstia.
    Claro que Cônego Henrique desconhece que Bento XVI declarou que a Missa Nova de Monsenhor Bugnini foi fabricada e permitiu a anarquia litúrgica que é bem conhecida nas igrejas de todo o mundo, portanto incluindo o Brasil.
    Claro que Cônego Henrique desconhece que o Cardeal Ratzinger elogiou o livro de Monsenhor Klaus Gamber que chamou a Missa de Paulo VI de “câncer“. Claro que ele desconhece que Bento XVI está executando o plano proposto por Monsenhor Gamber para restaurar a Missa de sempre.
    Claro que Cônego Henrique desconhece que a expressão “Povo de Deus” para designar a Igreja foi criticada pelo Cardeal Ratzinger em um de seus livros.
   
    Portanto, quem não está em plena sintonia com tudo o que a Igreja sempre ensinou, é Cônego Henrique.
    Graças a Deus, esse sacerdote afirma “Não duvido da boa fé desse irmãos do site Montfort e admiro seu desejo de transmitir a fé católica”.
    Que Deus o recompense pelo menos por reconhecer isso.
    E que Deus lhe abra os olhos, antes de tudo, para repudiar seus erros, e que o faça conhecer – realmente – o que ele chama de contexto histórico do Concílio Vaticano II, sobre o qual ele manifesta tantas ilusões..
   
In Corde Jesu, semper, 
Orlando Fedeli

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