Montfort Associação Cultural

1 de setembro de 2004

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Confusa defesa do rock e do subjetivismo

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marco Antonio
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Religião: Católica

Aos que lerem esta carta, minhas gratificações.

Antes de tudo, gostaria de explicar meu ponto de vista sobre o que é a arte. A arte para mim é a expressão máxima do ser humano. É a maneira que encontramos de mostrar ao mundo (e até de explicar para nós mesmos) aquilo que sentimos (exteriormente e internamente) e pensamos. Chamo a isso não apenas de arte, mas a alma da arte. A arte em si, para minha pessoa, é a união dessa alma com sua forma.

A arte está sempre em revolução, (não evolução, se assim fosse haveria sempre uma arte inferior à outra) Ela contesta aquilo que considera ultrapassado ao seu tempo e funda uma nova arte, inovando na forma e trazendo de volta aquilo que chamei de alma da arte.

Agora falando precisamente do Rock. Ela surge como a musica de uma nova era. De uma nova sociedade. Nasce de um modo ingênuo, nos anos 50 para se tornar a alma dos grandes movimentos revolucionários sim, como o movimento hippie. O Rock vem para abalar todas as estruturas do que foi proposto outrora. Bach, Bethoven, Mozart e etc…foram gênios, mas tiveram seu tempo. Estão no passado. A humanidade se renova, a arte se renova.

Jogar a ideologia religiosa nas musicas é que é o grande perigo. Marx dizia que a religião é o Ópio do Povo. Eu não sou marxista, mas existem casos em que a religião funciona assim, como em muitos segmentos de religiões fundamentalistas. Há qual não escapa nem a católica.

Usar de métodos puramente dogmáticos não passa de fundamentalismo. Quem é o dono da verdade? Vocês? Eu? Deus? O Demônio? Quem pode garantir isso?

Quem pode me provar a existência de Deus e do Diabo? Do Céu e do Inferno? São crenças, não passam de crenças que podem estar muito além da nossa capacidade ou não. Não me tenham como ateu, acredito em Deus e em Cristo. Mas não nesse Cristo e nesse Deus que taxa de acordo com sua vontade aquilo que é profano e o que é sagrado, se é que taxa.

Acredito em Cristo, em Deus e no Homem. Alegar que a razão de uma banda vender milhões de discos, lotar shows e ter uma legião de fãs é obra de Satanás, é jogar a capacidade humana no lixo.

Que todos sejam livres para ouvir Rock e Musica clássica. Adorar a Deus e o Diabo.

Marco Antonio

Prezado Marco Antonio, salve Maria.

Que confusão em sua carta! E que confusão ela revela existir em sua cabeça !

Pois assim como sua carta revela a confusão que reina em sua alma, assim a arte revela o que vai na alma do artista.

Arte é a reta razão no fazer. O objetivo da arte é alcançar e manifestar a beleza.

Beleza, conforme a definiu Santo Alberto Magno, é “o resplendor da forma na proporção da matéria”. Ou, conforme São Tomás de Aquino, “belo é o bem claramente conhecido”.

Assim como as ciências, a Arte tem leis que devem ser obedecidas.

A Arte é sempre uma Filosofia posta em símbolos. Todas as leis da Arte são objetivas. Assim, também a beleza é algo objetivo, que não depende da opinião do sujeito.

Para explicar-lhe bem tudo isso, deveria dar-lhe um curso de Estética, que não cabe numa resposta a uma simples carta, para responder a uma mensagem confusíssima.

Prova dessa confusão de seu pensamento está na frase sua: “A arte em si, para minha pessoa, é a união dessa alma com sua forma”. Que quer dizer isso?

Não tente explicar, porque isso não tem sentido.

Depois de perambular pela arte e pela música — para defender o rock — você acaba aportando, como nau que perdeu o rumo, no oceano da Teologia dando trombadas em todos os arrecifes que nele existem.

Veja o que você confusa e contraditoriamente escreveu, enfileirando absurdos, uns atrás dos outros:

Não me tenham como ateu, acredito em Deus e em Cristo”
“Acredito em Cristo, em Deus e no Homem”

“Que todos sejam livres para ouvir Rock e Musica clássica. Adorar a Deus e o Diabo”.

E depois dessa bagunça de pensamentos desencontrados e caóticos, você me manda um supremo argumento: O rock seria excelente porque vende milhões de discos, hoje:

“Alegar que a razão de uma banda vender milhões de discos, lotar shows e ter uma legião de fãs é obra de Satanás, é jogar a capacidade humana no lixo”. Pois lendo a sua carta quase concordo com você, quanto a situação da capacidade humana.

Queria lembrar-lhe porém que Deus nos ensinou, na Sagrada Escritura, que “Stultorum numerus infinitus est” (O número dos estultos é infinito). O que explica — em parte pelo menos – o êxito de vendas dos discos de rock.

Que Deus, neste Natal lhe conceda ter mais ordem no seu pensamento.

In Corde Jesu semper,
Orlando Fedeli.

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