Montfort Associação Cultural

22 de novembro de 2004

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Condenação da usura e do lucro

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Mário
  • Idade: 23
  • Localizaçao: Porto Velho – RO – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

A paz esteja contigo!

Caríssimo Professor Orlando Fedeli e toda sua equipe, eu vos escrevo para que me esclareçam a seguinte situação: a Igreja do período feudal condenava a usura, os juros e o lucro, impedindo assim o avanço do processo de acumulação de capital. Com o surgimento do Comunismo (marxismo; leninismo; stalinismo) de forma enérgica a Igreja se apressou em condena-lo. Quanto ao capitalismo qual a posição da Igreja frente a ele?

“De ore tuo te judico” (Lc. XIX, 22)

Muito prezado Mário, salve Maria!

A cobrança de juros foi proibida pela Igreja, na Idade Média, porque naquela época, como não havia inflação, e a moeda era estável, não havia razão para cobrar juros.

Naquele tempo, quem pedia dinheiro emprestado era sempre quem precisava dele para atender a uma necessidade premente: destruição das lavouras, doenças, incêndios, etc. Não se pedia dinheiro emprestado para fazer negócios financeiros. Não se usava o dinheiro como meio para ganhar mais dinheiro. Por essas razões, cobrar juros era sempre uma exploração de uma desgraça alheia. E como não havia inflação, o dinheiro emprestado, ao ser devolvido, depois de certo tempo, não perdera nenhum valor. Continuava com o mesmo poder de aquisição. Cobrar juros então, era iníquo.

No final da Idade Média, tendo mudado as circunstâncias históricas, aparecendo a inflação, surgindo os Bancos, começou-se a usar o dinheiro como um meio para ganhar mais dinheiro, e não para atender aos efeitos de uma desgraça. O dinheiro emprestado, caso fosse devolvido depois de certo tempo, exatamente na mesma quantidade, já não seria possível comprar com ele as mesmas coisas que se comprariam, com ele, no tempo do empréstimo. Daí, nasceu a legitimidade de cobrar juros, o que a Igreja sabiamente aprovou.

Não é verdade que a Igreja, hoje, condena os juros. O que é condenável é a cobrança de juros exorbitantes, o que se chama hoje de usura, e que é crime.

O capitalismo é o liberalismo na economia. A Igreja condena o Liberalismo. No capitalismo, ainda se conservam certos direitos naturais, como a propriedade particular, que é um direito natural, que a Igreja sempre defendeu e sempre defenderá, e a liberdade de trabalho, a livre iniciativa, que também é um direito natural: cada um, pessoalmente, trabalha no que quer, quando quer, e quanto quiser.

A Igreja condena dois pontos no capitalismo:

1) A separação entre economia e moral.

Para o capitalismo liberal, desde que se tenha lucro, nada importa a moral. O que é um absurdo e um pecado, pois o fim bom não permite o uso de meios maus para obter o lucro bom.

2) A livre concorrência absoluta e sem freio, que leva à eliminação de pequenos comerciantes, destruindo a concorrência.

Quanto ao socialismo, a Igreja sempre o condenou. Pio XI ensinou que socialismo e catolicismo são termos contraditórios, e que ninguém pode ser católico e socialista, ao mesmo tempo. (Cfr. Pio XI, Encíclica Quadragésimo Anno).

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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