Montfort Associação Cultural

27 de janeiro de 2010

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Concílio Vaticano II: destinado para o mal

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marco Antonio
  • Localizaçao: Belo horizonte – MG – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Aministrador
  • Religião: Católica

Prezado Professor, paz e bem!

Leio com atenção suas críticas ao Concílio Vaticano II, e cada vez mais me convenço de que a Igreja Católica de hoje, mais se assemelha ao que há de pior no protestantismo, que são as seitas pentecostais e neo pentecostais.

Principalmente o que vemos na TV Canção Nova , aquelas missas -shows, celebradas pelos seus seus padres-shows. (Inclusive ontem eu vi uma faixa na rua, anunciando a presença do Padre Fábio de Melo, ai pensei, deve ser na Igreja do Carmo, porque a faixa estava próxima da igreja, mas não, era na casa de shows e espetáculos, dos Irmãos Maristas , que agora se chama Chevrolet hall. O correto seria ver o padre na Igreja , mas não, será numa casa de shows , como pode isto?).

Mas não é sobre isto que eu estou escrevendo para o senhor.

Eu nasci em 1980, portanto não conheci a Igreja Católica que meus pais chegaram a conhecer, li inclusive os “Missais Romanos” da minha avó, que trazem a liturgia antiga, a missa como era celebrada antes. Isto foi o máximo que conheci, porque aqui em BH, nunca ouvi falar sobre celebração da missa em latim, parece que Dom Valmor não autorizou, ou então , nenhum padre quer celebrá-la, se o sr. souber de uma igreja aqui que a celebre por favor me informe.

Mas gostaria de perguntar o seguinte, quando o papa João XXIII convocou o Concílio, o senhor tinha uma expectativa diferente, achava que o Concílio seria uma coisa boa para a Igreja, ou sempre soube dos males que ele traria?

Houve no Concílio uma ala de Bispos e Cardeais que não aceitou as mudanças que eu sei, inclusive Dom Lefévre. Eles queriam mudar os rumos do Concilio ou encerrá-lo antes que o mal se instalasse?

Poderia ter sido outro e desfecho do Vaticano II?

Poderia ele ter definido o dogma da Virgem Maria – Medianeira de todas as Graças, por exemplo?

Por que não aconteceu este dogma?

Espero que o senhor me responda, mesmo eu sabendo que a História não volta atrás, ainda que o sr. creia que o papa Bento esteja promovendo uma revisão do Concílio, com a revogação de algumas decisões dele, o que, sinceramente, não percebo, ou então, são os padres que ignoram.

Respeitosamente.

Marco Antônio.

 

Muito prezado Marco Antônio,
Salve Maria.
 
     Será um prazer responder uma carta como a sua tão bem escrita.
 
     Permita-me corrigir uma coisa que você disse. Não é a Igreja Católica que, hoje, se parece cada vez mais ao protestantismo, são os padres modernistas que dominaram o clero e que hoje montaram uma igreja nova conciliar, inimiga da Igreja Católica. Esta continua existindo sob o Papa Bento XVI, e fora dela não há salvação.
     Fui aluno dos maristas e fiquei chocado e dolorido pela sua informaçao de que os maristas de Belo Horizonte têm agora uma casa de shows. Que traição a Deus eles cometem. Que traição a seus votos e ao Padre Champagnat que fundou os maristas para ensinar o Catecismo católico. E mais uma coisa a lhe corrigir: o lugar próprio e conveniente para o Padre Fabio de Melo nunca foi a Igreja. Há pouco soube que ele foi dar um show numa escola de samba do Rio. Do que deduzi a decadência… das escolas de samba. A que ponto chegaram as escolas de samba: convidar o padre Fábio de Melo a se exibir nelas.
 
     Passo a responder sua pergunta principal sobre o Concílio Vaticano II.
 
     Quando ele foi convocado por João XXIII, eu era ainda muito jovem e fazia pouco que me convertera. Nada sabia do Modernismo e da História da Igreja no século XX.
     Conhecia Dom Mayer, dom Sigaud e conheci Dom Lefebvre, e posso lhe dizer que eles também pouco sabiam quem era João XXIII e o que podia fazer o Concílio. Eles foram ao Vaticano II completamente despreparados para os debates. Só receberam uns pacotões enormes e numerosos dos esquemas do Concílio, preparados por Roma, pouco tempo antes do início do Concílio. Estava tudo em latim e me lembro de Dom Myer, desacorçoado, lendo as numerosas pilhas de documentos que cobria um grande espaço numa mesa bem grande, exclamar: “E como ter tempo, agora, para estudar tudo isso?”    
     E no Concílio, eles não entendiam a linguagem fenomenológica que era empregada. Uma linguagem esotérica… Padre John Kobler, teólogo, fenomenologista favorável ao Concílio, escreveu que a missão atual dos teólogos consiste em explicar o que significa, o que diz o Concílio Vaticano II.
     Logo me decepcionei com o Concílio.
     Logo se percebeu o desastre. Se bem que não se via ainda que tamanho era o tsunami conciliar. O terremoto do Haiti é pequeno se comparado com o terremoto do Vaticano II. A mortandade de almas que o Vaticano II causou é imensamente maior do que mostram as fotos do Haiti onde a Catedral ruiu mas o crucifixo continuou de pé. Igualzinho ao que aconteceu em Nagasaki, onde a Catedral desmoronou e o crucifixo se manteve intacto. Vi as fotos. Como assisti a desintegração nuclear das ordens religiosas, dos conventos das congregações, dos seminários e da vida católica. Com aplauso da CNBB e dos padres modernistas, que logo tiraram a batina e se descamisaram. Logo puseram o calção de praia e arranjaram sogra… E até pior. Conheço caso de padres que… Que blasfemam contra Nossa Senhora dando aulas num seminário aqui perto de minha casa…
 
     Você me pergunta: “Poderia ter sido outro e desfecho do Vaticano II?”
     NÃO!!!
     Tudo estava minado. Tudo estava carcomido. Tudo estava empesteado pelo modernismo que se infiltrara nos seminários há décadas, desde a morte súbita e tão rápida e um tanto misteriosa de São Pio X.
     S
ua pergunta seria: O terremoto do Haiti poderia ter sido evitado?
     
Pior ainda: os horrores após o terremoto do Haiti poderiam ter sido evitados?
     
Como evitar esses efeitos num país sem coleta de lixo, sem bombeiros, sem autoridade, sem disciplina, sem cultura, mas com Constituição moderna e um estado moderno?
     Como evitar tal desastre num país que teve o papa Doc como ditador e o Padre Aristide da Teologia da Libertação?
     Como evitar o desastre do Vaticano II com os modernistas Congar, De Lubac e Danielou nomeados cardeais e o padre Rahner como principal teólogo conciliar? Rahner que durante o concílio escrevia cartas de amor para sua amante?
 
     Indo a Belo Horizonte, darei uma palestra sobre a História do Vaticano nos anos anteriores ao Concílio Vaticano II para que você conheça e compreenda o que eu não conhecia e muitos Bispos não compreendiam.
     Será um prazer fazê-lo conhecer e compreender. Inclusive porque muitos Bispos mineiros não atendem plenamente o Motu Propio Summorum Pontificum de Bento XVI.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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