Montfort Associação Cultural

21 de janeiro de 2005

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Comunhão na mão

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Célio
  • Localizaçao: – Brasil

Prezados Senhores Paz da parte de Cristo Jesus.

Recebi a carta abaixo que lhes envi-o, ela fala da influência da maçonaria na introdução do costume de se comungar na mão e de pé! Gostaria de saber se essas informações são veridicas.

Um abraço a todos… Célio ….

Durante quase vinte séculos, só se conheceu um tipo de Comunhão: o da hóstia colocada sobre a língua pelo sacerdote. Mas, pelo fim do Concílio Vaticano II, surgiu uma corrente que pleiteava uma nova modalidade: a da Comunhão na mão. Na realidade, não era a primeira tentativa de introduzir esta prática. A primeira se dera no século sétimo. Considerada inaceitável pela Igreja Universal, foi condenada pelo Concílio de Rouen, em 650.

Conforme o padre canadense Paul Leonard, logo após o Vaticano II, ela foi “reintroduzida na Igreja a partir da Holanda, como um ato de desafio a legitima autoridade”. Alegava-se que essa prática estivera amplamente em voga na igreja primitiva, mas esqueciam de mencionar que levará a tantos abusos que acabará por ser condenada e suprimida ainda nos primeiros tempos.

Outra alegação era que dar a comunhão na mão significava reconhecer o estado de adulto do cristão, já que só aos bebês se põe a comida na boca.

No entanto, convém lembrar que a idéia da Comunhão na mão não provinha do mundo católico. Segundo Aldacyr Pinto Fernandes, em seu livrete Defendei a Igreja Católica do plano “cavalo de Tróia”, os grandes propugnadores dessa prática foram – pasmem os leitores! – o “mago negro” Estanislau de Guaita, poeta de satanás e fundador, em 1888, da Ordem Cabalística da Rosa-Cruz; Paulo Roca, a “eminência parda” das lojas maçônicas, ex- abade Melinge, e Gerard Encausse, conhecido por Papus, fundador, em 1890, da Ordem Martinista. As cartas trocadas entre eles encontram-se enfeixadas no Epistolário Guaita-Roca-Encausse. Numa delas, escrita por Guaita a Roca se lê: “Temos de trabalhar ativamente para conseguir que, nos templos romanos, se comungue de pé. No dia em que o conseguirmos, o nosso triunfo estará garantido”.

Na resposta, Roca se declara “totalmente de acordo”, mas acrescenta que “será conveniente passar logo a uma segunda fase, dando o pão na mão e esses antropófagos fanáticos”.

No ano seguinte, Guaita volta à carga: “Se conseguirmos estas duas coisas – comunhão de pé e na mão – o resto cairá como fruta madura, visto que a Eucaristia é apenas ágape-símbolo de filantropia universal”.

E Roca, com satânica ironia: “O presidente da assembléia colocará sobre a mesa ritual o cálice com o pão e uma jarra de vinho, a fim de que os irmãos se sirvam à vontade, pois a Eucaristia é só isto: ágape- símbolo da filantropia universal”.

Uma ocasião de colocar em prática estas sugestões se ofereceu quando uma figura altamente controvertida – mais tarde bispo Annibale Bugnini, maçon conhecido, que ingressara na seita em 23 de abril de 1963, com o codinome de Buan, e que anteriormente fora dispensado pelo papa João XXIII da cátedra da Sagrada Liturgia, por causa de sua ideologia liberal – recebeu a incumbência de coordenar a reforma litúrgica pós-conciliar e confeccionar a nova “Ordem da Missa”. Para assessora-lo, Bugnini escolheu seis protestantes, que representavam respectivamente o conselho ecumênico das Igrejas cismáticas, anglicanas, luteranas e os monges de Taizé.

Eram eles os doutores Georges, Jasper, Sephard, Konneth, Sucit e Thurian.

A nova Missa

Em outubro de 1967, a proposta do grupo sobre a nova Missa foi submetida ao Sínodo dos bispos. Dos 187 votantes, 78 se posicionaram a favor, 105 contra, e quatro se abstiveram.

Em 3 de abril de 1969, Paulo VI aprovava a nova Missa, porém em caráter experimental. Inconformados, os cardeais Alfredo Ottaviani e Antônio Bacci enviaram carta ao Papa, lembrando-lhe que, para ser aprovada, eram necessários 94 votos favoráveis. Portanto, “a aprovação da nova Missa fora feita fraudulentamente”.

Além disso, “nunca fora submetida ao júri das Conferências Episcopais”. Também advertia que, “através de uma série de equívocos, a ênfase era obsessivamente colocada no aspecto de “ceia” e “memorial”, ao invés de “renovação incruenta do Sacrifício do Calvário”. As três finalidades da Missa foram alteradas. Já não se permitia nenhuma distinção entre Sacrifício Divino e Sacrifício Humano; pão e vinho são transformados apenas “espiritualmente”, não substancialmente… A presença real de Cristo nunca é mencionada, e a crença nisto é implicitamente repudiada”. Igualmente a posição, tanto do sacerdote como do povo, é falseada, e o celebrante aparece como nada mais que um ministro protestante, enquanto a verdadeira natureza da Igreja é desacreditada.

Em resumo, o novo rito

“representa um impressionante afastamento da teologia católica da Missa, tal como foi formulada no Concílio de Trento… Nela aparecem tantas novidades por um lado, quanto, pelo outro, tantas verdades perenes são relegadas a um plano inferior, o que levanta a dúvida se verdades sempre acreditadas pelo povo cristão podem ser mudadas ou passadas em silêncio, sem que isto constitua infidelidade ao depósito sagrado da doutrina. Estas reformas levam a uma total desorientação dos fiéis, que já demonstram apreensão e uma inequívoca diminuição da própria fé. Na parte melhor do clero, isto causa uma crise de consciência torturante.”

A respeito do Cânon II – prossegue a carta – foi dito que podia ser recitado com a mais perfeita tranqüilidade de consciência por qualquer padre que não mais acredita na transubstanciação ou no caráter sacrifical da Missa, e até mesmo por um ministro protestante.

A nova liturgia – conclui a carta – fará o deleite dos vários grupos que, pairando sobre o vértice da apostasia, estão provocando um caos dentro da Igreja de Deus, envenenando seu organismo e minando inteiramente sua doutrina, culto, moral e disciplina, numa crise sem precedentes”.

Infelizmente…

Também a proposta do grupo de Bugnini de introduzir a prática da Comunhão na mão foi apresentada ao papa Paulo VI, que, por sua vez, a submeteu à apreciação dos bispos do mundo inteiro. E o resultado veio na forma de uma instrução da Congregação para o Culto Divino – Memoriale Domini – de 29 de maio de 1969, onde se esclarece que 1233 bispos reprovaram a nova modalidade; 567 a apoiaram, e 315 se manifestaram dispostos a aceita-la com algumas condições.

Das respostas dadas – diz a instrução – resulta claramente o pensamento da maioria dos bispos: a disciplina atual não deve ser mudada de forma alguma: mesmo, uma eventual mudança ofenderia tanto a sensibilidade quanto a orientação espiritual dos mesmos bispos e de muitos fiéis.

Daí, em atenção aos avisos e observações daqueles que “o Espírito Santo constituiu como bispos para governar as várias Igrejas” (At 20, 28), pela importância do assunto e o peso dos argumentos aduzidos, o Sumo Pontífice não considerou oportuno mudar a maneira tradicional de distribuir a Sagrada Comunhão aos fiéis.

Por isso, a Sé Apostólica exorta com toda a insistência aos bispos e sacerdotes e aos fiéis que observem com zelo a disciplina em vigor, agora mais uma vez confirmada; tenham todos presente o juízo da maioria do episcopado católico, a forma atualmente em uso no rito litúrgico e o bem comum da Igreja mesma” (AAS 61 (1969) 541 – 545).

Infelizmente, depois desta orientação claríssima, a instrução abre caminho às Conferências Episcopais para poderem pedir licença de introduzirem, além da Comunhão na boca, também a Comunhão na mão.

Ponto crítico

Mas, para surpresa geral, a prática da Comunhão na mão se espalhou tanto, que passou a ser adotada quase que exclusivamente pelos sacerdotes do mundo inteiro, com desagrado e desorientação de muitos fiéis. Diante do ponto crítico a que chegou a questão, numa tentativa de atenuar o escândalo e a perturbação relativos à interpretação da doutrina e à veneração deste grande sacramento, o Vaticano sentiu-se no dever de baixar algumas normas, que seguem aqui em resumo:

“- A nova modalidade da Comunhão na mão não deve ser imposta de tal maneira que fique excluída a prática tradicional.

- O rito de dar a Comunhão na mão dever ser usado discretamente, de maneira a excluir qualquer insinuação que a Igreja esteja enfraquecendo de alguma forma a sua fé na presença eucarística… E que não haja perigo de profanação, nem mesmo qualquer indício de perigo.

- A possibilidade oferecida aos fiéis de receberem o Pão Eucarístico em suas próprias mãos e coloca-lo na boca, não deve dar-lhes qualquer motivo para considera- lo como um pão comum ou alguma coisa meramente abençoada; muito pelo contrário…

- Todos devem tomar cuidado para não deixar cair algum fragmento do Pão Eucarístico…e verificar se suas mãos estão adequadamente limpas”.

Apesar da obrigatoriedade dessas normas, elas parecem “universalmente ignoradas” – constata o padre Leonard. “Eu – conta – cruzei o Canadá da costa do Atlântico à do Pacífico e ainda não vi ser tomado nenhum cuidado suficiente com os fragmentos das hóstias consagradas, quando a Comunhão é dada na mão. Esse cuidado para não deixar cair os fragmentos é uma das condições necessárias, sem a qual a nenhum ministro da Eucaristia é permitido dar a Comunhão na mão”.

E acrescenta que, “tendo exercido meu ministério sacerdotal, por muitos anos, em mais de dez países e tendo observado as condições em tais países”, conclui que a situação é a mesma.

E entre nós será diferente?

Compreende-se então porque essa prática jamais contou com a aprovação do Papa atual. Na carta apostólica Dominicae coenae (1980), lamenta: desde que tal prática foi introduzida, casos de deplorável falta de respeito foram constatados. De fato, num relatório do padre Paul Leonard, lemos: “Hóstias foram encontradas dentro de missais, em bancos de igrejas, em sacristias e estacionamentos. Também foram guardadas em bolsos e álbuns de fotografias. E o que é ainda mais chocante: hóstias consagradas foram encontradas em vasos sanitários… É de conhecimento público que hóstias consagradas são usadas nos cultos a Satanás, em terríveis missas negras”.

Há, por fim, o problema dos fragmentos que se desprendem das hóstias e, por se ter dispensado a patena e o banco da Comunhão, facilmente caem e são pisoteados.

Mas os partidários da nova modalidade de comungar não se impressionam. “Se Deus está em toda parte – nos dizem – porque não pode estar também no chão?”.

Em 18 de outubro de 1962, sete dias antes da abertura do Concílio, Nossa Senhora disse em Garabandal: “À Eucaristia dá-se cada vez menos importância”. E a profecia se realizou fielmente.

Na mesma carta, o Papa é bem enfático ao frisar: “Tocar nas sagradas espécies com as mãos é privilégio dos ordenados”, como o entendeu sempre a Igreja. Por isso, negou a Comunhão na mão à esposa do Presidente da França, Giscard D”Estaing, na viagem àquele país, em junho de 1980. O fato aconteceu na basílica de Notre Dame de Paris. Algumas conferências episcopais protestaram e fizeram o possível para coagi- lo a ceder em determinadas ocasiões. Mas nada conseguiram, sabendo ele que a autorização contraditória de comungar pelas próprias mãos foi e continua sendo a grande fraude cometida no coração da Igreja.

Pela façanha de liquidar a Missa em latim e legitimar a prática da Comunhão de pé e na mão, Bugnini foi promovido pelo cardeal Jean Villot a Secretário da Sagrada Congregação para o Culto Divino.

* O texto acima foi extraído do livro: Os Tempos do Fim, do escritor Olivo Cesca.

Para adquirir o referido livro, consulte a seção deste site: Livraria Nossa Senhora de Lourdes: www.anjo.adm.br/livros.htm

Prezado Célio.

salve Maria!

Recebemos a sua carta com o documento anexado. Você nos pergunta o que achamos desse documento. O núcleo do documento nos perece inteiramente verídico. Temos que fazer nele apenas reparos circunstanciais e de pormenor.

Nele se diz que quem fundou a Ordem Martinista foi Papus, quando essa Ordem maçônica foi fundada, no século XVIII, por Martinès de Pasqually, e reformada, pouco antes da Revolução Francesa por Louis Claude de Saint Martin. Papus foi um charlatão esotérico e pretensioso cabalista, intelectualmente de baixo nível, mas satanista, sim.

No documento anexado por você atribuído a um tal Padre Leonard, se diz também que a Missa tem três finalidades, quando, na verdade, são quatro: sacrifcio de adoração, sacrifício de impetração, sacrifício propiciatório, e sacrifício eucarístico, ou de ação de graças”.

Também devemos fazer reparo ao que se diz das aparições de Garabandal, que não estão provadas como autênticas.

Não tivemos tempo de conferir as citações apresentadas de documentos eclesiásticos e de encícclicas papais, pelas quais, então, não nos responsabilizamos. Mas, de modo geral, o que o documento do padre Leonard diz são grandes verdades.

In Corde Jesu, semper, Orlando Fedeli

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