Montfort Associação Cultural

26 de junho de 2011

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Compromisso materialista da ciência moderna

Autor: Fábio Vanini

  • Consulente: Luís Fernando
  • Localizaçao: Natal – RN – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Professor
  • Religião: Católica

Olá caros amigos da Montfort, Salve Maria!

Primeiramente obrigado pela resposta de minha carta anterior, foi de muita ajuda! Agora a pergunta que eu gostaria de fazer no momento pode parecer um pouco boba, mas fiquei curioso em saber o que poderiam me responder.

Os senhores, assim como eu, acreditam que Adão e Eva não são uma poesia, invenção ou metáfora, nem tampouco seria seus filhos. Eu estava pensando cá com meus botões: os seres humanos começaram sua história como caçadores/coletores e viviam no nomadismo (ao menos de acordo com as evidencias arqueologicas) e somente foram descobrir a agricultura milênios mais tarde. O fato é que o filho de Adão e Eva, Caim, já fazia uso da agricultura como bem sabemos no gênesis. Aí eu pergunto, quem está errado? A bíblia que cita um fato ahistórico? a arqueologia dando datações imprecisas? ou eu fazendo perguntas sem nexo cuja resposta é outra muito diferente?

Aguardo a resposta dos senhores!
Fiquem com Deus

Prezado Luís Fernando, salve Maria!

     Não é verdade que os seres humanos começaram sua história como agricultores, pois Adão e Eva, enquanto viviam no paraíso, eram coletores. Foi-lhes necessário trabalhar, cultivar o campo e criar animais para o próprio sustento quando foram expulsos do paraíso e Deus lhes mandou, como castigo, trabalhos penosos: ”Comeras o pão com o suor do teu rosto”.
     É verdade, porém, que Caim era lavrador e Abel era pastor. São as Sagradas Escrituras quem nos contam.
     A questão é a mesma de sempre: em quem crer? Na ciência ou na religião. Esse dilema nos é imposto, como se uma fosse diametralmente oposta à outra. Porém, a fé não é oposta à verdade, nem mesmo num nível material cientifico.
     O fato é que a ciência moderna é ateia e tem um compromisso com o materialismo, como afirma o biólogo evolucionista Richard Lewontin:

“Nós ficamos do lado da ciência, apesar do patente absurdo de algumas de suas construções, apesar de seu fracasso para cumprir muitas de suas extravagantes promessas em relação à saúde e vida, apesar da tolerância da comunidade científica em prol de teorias certamente não comprovadas, porque nós temos um compromisso prévio, um compromisso com o materialismo. Não que os métodos e instituições da ciência de algum modo compelem-nos a aceitar uma explicação material dos fenômenos do mundo, mas, ao contrario, somos forçados por nossa prévia adesão ao conceito materialista do universo a criar um aparato de investigação e um conjunto de conceitos que produzam explicações materialistas, não importa quão contraditórias, quão enganosas e quão mitificadas para os não iniciados. Além disso, para nós o materialismo é absoluto; não podemos permitir que o “Pé Divino” entre por nossa porta.” (New York Reviews of Books, maio de 1987 – negritos nossos). 

    Por isso, é de se esperar que defendam sempre algo que seja contrario à religião e à fé, antes mesmo que seja uma verdade factual, pois isso é um principio ateu. Se um fato cientifico dá suporte à fé, melhor revê-lo, não publicar, publicá-lo de forma parcial ou com interpretações distorcidas, pois fé é contra a ciência, conforme nos obrigam a crer os militantes modernos desta.
     Um dos ramos da ciência em que isso fica mais evidente é a arqueologia. Para a arqueologia moderna, é necessário que os primeiros homens fossem coletores e caçadores. A arqueologia moderna é, por ideologia, evolucionista e não suportaria que os primeiros homens fossem lavradores e inteligentes como… homens. Teriam que ser o mais próximo possível dos animais irracionais. Como macacos são coletores e caçadores, também o seriam os primeiros homens.
     Isso posto, resta corroborar esse “dogma universal” da ciência com evidências fósseis, que parecem pulular em qualquer sitio arqueológico do velho mundo.
     Conhecido esse compromisso com o materialismo, publicamos mais uma confissão do importante evolucionista Richard Lewontin, bastante reveladora. Reveladora pois, ao mesmo tempo em que divulgou as bases desse compromisso, esviscerou sua enorme fragilidade.     
     Em todos os livros de ciência de ginásio e até mesmo nos livros universitários, afirma-se que os fósseis hominídeos e macacóides possuem claríssimo e indiscutível parentesco. Isso é ponto pacifico para a ciência moderna e anátema seja que a isso se opuser.
     Entretanto, em 1995, Richard Lewontin afirmara:

Quando nós consideramos o passado remoto, antes da origem da espécie verdadeira do Homo sapiens, nós nos deparamos com um registro fóssil fragmentário e desconectado. Apesar das afirmações alvoroçadas e otimistas que têm sido feitas por alguns paleontólogos, nenhum fóssil de espécies hominídeas pode ser estabelecido como nosso ancestral direto.” (LEWONTIN, Richard C., Human Diversity, Scientific American Library, New York, 1995, p.163. Grifos nosso)

    Portanto, quando se opõe a autoridade das Sagradas Escrituras à da ciência, devemos considerar que estamos confrontando argumentos de inspiração divina com uma ciência compromissada em combater à fé, pois é, de antemão, materialista, e ao mesmo tempo, frágil como a condição humana..
     Resta saber se os fósseis de caçadores e coletores – se é que se pode afirmar isso com segurança – eram homens ou macacos. De qualquer modo, é certo que os primeiros homens eram também coletores e caçadores, pois é natural que ao verem uma bela perdiz ou uma árvore carregada de pêssegos maduros, iriam capturar e coletar para o próprio sustento.
     Alguém poderia objetar, alegando então que a fé está de acordo com os descobertos arqueológicos, pois Adão seria estritamente coletor, ainda que não fosse caçador. O fato é isso durou pouco e apenas no paraíso, de onde foi expulso e ninguém mais voltou, nem mesmo os mais renomados paleontólogos.

No Coração de Maria Santíssima,
Fabio Vanini

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