Montfort Associação Cultural

17 de dezembro de 2010

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Como provar a veracidade dos evangelhos?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marcelo Berti
  • Localizaçao: Campinas – SP – Brasil
  • Religião: Protestante

Olá,

Meu nome é Marcelo Berti, sou estudande de Teologia e nos últmos anos tenho me dedicado a estudar com determinação o Grego do Novo Testamento.

Em meus estudos fui fascinado pela arte da Crítica Textual e decidi versar-me no assunto, muito embora não possa considerar-me um crítico ainda.

Nessa fatia de estudos teológicos conheci o autor Bart Ehrman (estudante protestante que torna-se liberal na aquisição de seu mestrado e na fase de doutorado torna-se agnóstico declarado) que dedicou grande parte de sua carreira como escritor a atacar o texto do Novo Testamento. O seu livro mais famoso é o Misquoting Jesus (O que Jesus disse? O que Jesus não disse? Quem mudou a bíblia e por que? – Ed. Prestígio 2006) cujo texto é dedicado ao público leigo. Nesse livro, sua tese é simples: O NT não é um conjunto de livros confiáveis, pois foram alterados no decorrer do tempo, portanto, se Deus não se deu ao trabalho de conservar suas palavras originais Ele certamente não as inspirou.

Entretanto, esse livro é apenas suma de sua rejeição ao texto do NT como inspirado. Na verdade, o livro que originou o Misquoting Jesus foi o The Orthodox Corruption of Scriptures, Oxford 1993 (livro não publicado em português ainda). Na introdução desse livro ele itenciona apresentar as razões pelas quais acredita na inserção de informações extra-autores do NT por razões apologéticas.

O primeiro ponto que ele ataca é o conceito tradicional de heresia e ortodoxia. Segundo ele, não é possível traçar a existência da ortodoxia antes de Constantino, argumento já ouvido em outros lugares. Ao assumir novos conceitos entre o que é herético e o que é ortodoxo ele desafia a credibilidade das escrituras e então passa a apontar variantes textuais, que segundo ele comprovam a corrupção das escrituras realizadas por “proto-ortodoxos”, como ele costuma referir-se aos Pais da Igreja e copistas que os seguiam.

Ou seja, ele redefine o conceito de correto, ortodoxo e o atribui a aqueles que denomina vencedores de uma guerra doutrinária que dizimou (até recentemente com Nag Hammadi) o cristianismo gnóstico. Para ele, Papias, Irineu, Jerônimo, Tertuliano eram apenas vozes mais fortes, mas no fundo, apenas opiniões, como aquelas encontradas nos evangelhos gnósticos.

Em um outro livro, Evangelhos Perdidos, Ed. Record 2008, ele então expande essa idéia apresentado ao público leigo o que ele chama de “variedades de cristianismos” que muitos nem chegaram a conhecer. Assim, ele estabelece uma instabilidade interpretativa da história da formação do NT, e atribui, em outras palavras, a desgraça do domínio religioso aos pais da igreja que tanto zelamos por conhecer e ensinar. Sua nova ótica de interpretação histórica o permitiu ganhar notoriedade, popularidade e ascenção acadêmica e por isso seus ideais estão se alastrando rapidamente.

Considerando toda a movimentação que ele vem criando no meio acadêmico somado a autoridade que parece ter-lhe sido atribuída (“A maior autoridade de bíblia do mundo” segundo sua editora no Brasil), como podemos defender o conceito tradicional de HERESIA E ORTODOXIA?

Como podemos defender a historicidade da tradição oral na formação dos textos do NT e sua confiabilidade, não com poder dominante, mas como verdade da parte de Deus?

Como podemos responder a Erhman como ele merece ser respondido?

Espero ter-me feito claro nessas palavras, e aguardo um posicionamento de vocês.

Grato,
Marcelo Berti

Data: 30 Set 2008



Muito prezado Marcelo,
Salve Maria.

     Se os evangelhos não são confiáveis e se neles houve infltrações humanas, toda a revelação é destruida.
     Essa tese de que nos evangelhos não há praticamente senão pouco coisa atribuível a Jesus, é a tese da heresia modernista, para a qual não há verdade e nem Deus se revelou extrinsicamente aos homens. A Sagrada Escritura passa a ser um livro totamente humano. Um romance. É toda a religião que é negada por essas ideias.

     Você me pergunta como desmontrar esse ataque ao cristianismo. Creio que o caminho de refutação deveria seguir o seguintes passos:

1 – Provar a existência de Deus e seus atributos por meios racionais como são as cinco vias de Aristóteles e São Tomás;

2 - Provar as processões divinas;

3 – Provar a possibilidade, a validade e a veracidade da Revelação (Tradição e Sagrada Escritura). Portanto, provar a completa gratuidade da negação das Escrituras, tal como faz o autor que você cita;

4 – Provar a veracidade da Encarnação do Verbo.

5 – Provar que Deus, infinitamente bom, quer nossa salvação, e para isso fundou uma única Igreja sobre Pedro.

6 – Provar que a missão dada por Cristo a Pedro exigia que lhe desse a infalibilidade em materia de fé e moral.

     Feito isso, as supostas teses desse autor ruirão como castelo da cartas submetido a uma ventania.

     E se me permite um conselho, lho dou com prazer: não leia teses como as desse autor. Se ele nega a noção de ortodoxia e de heresia, ele está, no fundo negando a existência da verdade. Então o que ensina ele? A mentira?

     E veja como ele força a realidade dos fatos históricos ao negar a existência de heresias antes de Constantino. No Apocalipse, Cristo condena os nicolaitas do século I, e São Paaulo manda não seguir mestres que ensinam fábulas. Esse autor é um dos que ensinam fábulas e sofismas coma prato “científico”. Ele se faz a fonte da verdade e condena os conceitos de ortodoxia e de heresia como falsos. Verdadeiro — ortodoxo — seria o seu ensinamento. Tudo o mais seria heresia e heterodoxia. Assim é a lógica dos hereges.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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