Montfort Associação Cultural

19 de setembro de 2005

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Como ousa dizer que o Beato João XXIII era herege?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Frei Rodrigo Marcondes Martins Moraes
  • Idade: 24
  • Localizaçao: Santo André – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Estudante de teologia
  • Religião: Católica

Paz e Bem!
Caro Orlando,
Como você ousa dizer que um papa e um beato da Igreja Católica era um herege?
Ainda mais sabendo que sua beatificação aconteceu no pontificado do grande João Paulo II; sendo prefeito da Congregação para doutrina da fé, o Cardeal Ratzinger, atual papa Bento XVI.
O senhor deve saber que para alguém ser declarado “beato” tem que passar por provas de ortodoxia e ele foi aprovado!
deve saber, ademais, que falar mal ou denegrir a imagem moral dos santos e beatos da Igreja Católica é pecado, contido aliás no segundo mandamento. Tenha mais respeito com os santos e beatos, mesmo que pensem diferente de você, e tenha respeito com a autoridade católica que proclamou beato a João XXIII (cujo corpo está incorrupto) e o propôs como modelo de seguimento a Jesus Cristo.
Lave a boca, e retrate-se publicamente, seu insolente orgulhoso, disfarçado de humilde servo da Igreja!

Beato João XXIII, rogai por nós!

no restante, aprecio o seu site e sua argumentação e isso não é elogio, apenas reconhecimento!

o Senhor te conceda paz e juízo!
Frei Rodrigo, OFM Conv.

Muito reverendo Frei Rodrigo,
salve Maria!
 
    Antes de tudo, devo lhe agradecer suas palavras reconhecendo o valor da argumentação que usamos, e seu apreço em ler o site Montfort. Deus lhe pague, Frei, por esse ato de justiça, insuspeito porque vem de quem me critica asperamente.
    Agradeço-o, e ainda mais, por suas críticas bastante violentas contra minha pessoa. Elas me deram alegria.
    Sim, alegria, porque foram críticas feitas de modo bem pouco franciscano e claramente injusto. Daí, minha alegria, pois ser maltratado por um frade injustamente me faz pagar, um tanto, meus muitos pecados. Não foi exatamente isso que nos ensinou São Francisco sobre a perfeita alegria, falando com Frei Leão, ovelhinha de Deus?
    O senhor deve conhecer esse caso de São Francisco..
 
    O senhor me escreve:
 
    “Lave a boca, e retrate-se publicamente, seu insolente orgulhoso, disfarçado de humilde servo da Igreja!”
 
    Isso tudo porque contei fatos históricos a respeito de João XXIII, fatos que constam de qualquer biografia séria a respeito dele, e até do Diário de João XXIII.
     Antes de tudo, devo dizer-lhe que jamais me retratei como humilde, pelo contrário: “Eu pecador me confesso...”.
    E me confesso tal também ao senhor, Frei Rodrigo, que deve ter virtudes próprias de um filho de São Francisco, especialmente a doçura.
    Quanto ao núcleo central de sua carta, seu erro inicial é imaginar que a proclamação de alguém como Beato implica necessariamente na infalibilidade desse julgamento. Ora, tal não é verdade. O processo de beatificação não é infalível. Mais ainda, no novo processo em que o exame de não-culto é somente “de visu“, isto é, a olho, e o exame “De scriptis” se limita ao que foi publicado de modo impresso, não se examinando manuscritos. No novo processo foi abolido também o chamado “advogado do diabo“, isto é, o acusador, de modo que o novo processo se faz examinando uma biografia positiva do Servo de Deus, cuja causa está em exame.
    Frei, o senhor me acusa de ter cometido pecado ao contar fatos a respeito de João XXIII, pois me escreveu:
 
    “falar mal ou denegrir a imagem moral dos santos e beatos da Igreja Católica é pecado, contido aliás no segundo mandamento”.
 
    Curioso…
    Hoje, se afirma que a Igreja é Santa e pecadora, mas não se podem contar fatos históricos a respeito de quem defendeu o modernismo. A Igreja pode ser denegrida e até se pede perdão por supostos pecados dela. Mas de João XXIII não se podem contar fatos…
    Hoje, se contestam os milagres de Cristo e a sua Ressurreição — por exemplo, o Cardeal Kasper — mas não se podem contar fatos históricos sobre João XXIII. Nos seminários do Brasil — e o senhor estuda num seminário — se ensina normalmente que o Gênesis relata mitos sobre Adão, e que os fatos narrados na Bíblia foram mitificados. Ensina-se nos seminários que a pessoa de Cristo foi mitificada, e quase nada do que se atribui a Ele, nos Evangelhos, é verdadeiro.
    Entretanto, o senhor me exige que mitifique a figura de João XXIII, ocultando fatos reais que ele praticou.
    Eu não o conheço Frei, mas é muito possível que o senhor acredite, como a grande maioria dos seminaristas que a criação de Adão, tal como a conta a Sagrada Escritura, é um mito. Seria um milagre que o senhor, sendo seminarista, fosse defensor da Inquisição, e das Cruzadas.
    O senhor me diz que é pecado falar mal de quem foi canonizado pela Igreja.
    O senhor defende São Pedro Arbuès que foi Inquisidor? Que acha o senhor de São Luís Rei, que mandou queimar a língua de um blasfemador com ferro em brasa, ou que mandou executar na Sexta-Feira Santa um culpado para vingar a pena de morte infinitamente mal aplicada a Cristo nesse dia?
    Que acha o senhor da frase de São Bernardo que, pregando a Segunda Cruzada em Vezélay, citou a Sagrada Escritura dizendo: “Maldito aquele que não ensangüentar a sua espada” (Jer. XVII, 5).
    Haveria tanto a lhe dizer…
    O senhor me garante como prova da santidade de João XXIII, que o corpo dele está incorrupto.
    É verdade, o corpo dele está incorrupto e exposto debaixo de um altar na Basílica de São Pedro, em Roma.
    Como o corpo de São Pio X. Só que o corpo de São Pio X  permaneceu incorrupto por milagre enquanto o corpo de João XXIII permanece sem corrupção quimicamente!!!
    Quimicamente, sim!!!
    Pio XII foi embalsamado pelo seu médico oficial — um oculista homeopata — o Dr. Galleazzi-Lizzi, que vendeu por 400.000 dólares fotos escandalosas do Papa moribundo e o diário de sua doença fatal, violando o segredo médico, ao contar as misérias humanas próprias de um agonizante, .
    O método de embalsamamento usado em Pio XII se revelou à altura desse homeopata inescrupuloso: o cadáver de Pio XII explodiu ao ser levado de Castel Gandolfo para Roma.
    É o que conta o escritor Antonio Spinola em seu livro Pio XII, l´ultimo Papa, Mondadori, Milano, 1992, (página 372). Lá diz ele:
 
    “O carro fúnebre que percorreu a Via Appia Nuova, estava já para ultrapassar as abóbadas da Porta de São João, quando se ouviu junto ao féretro um grande estouro. O cadáver, inabilmente embalsamado, havia explodido no caixão, de modo que, apenas chegado a São Pedro, foi necessário submetê-lo secretamente e à toda pressa durante a noite aos tradicionais experimentados métodos de embalsamamento, para consertar, do melhor modo possível, os estragos provocados pelas experimentações do inábil Arquiatra. Alguns guardas nobres desmaiaram pelos miasmas que se desprendiam do cadáver”  (A. Spinola , Pio XII, l´ultimo Papa, Mondadori, Milano, 1992, p. 372).
 
    João XXIII temia que com seu cadáver ocorresse o mesmo, e, por isso, deixou, instruções e ordens para que seu cadáver fosse embalsamado com todas as garantias.
    A Rádio Vaticana publicou um documento sobre isso. Veja, Frei Rodrigo, como seu engano sobre o milagre da conservação do corpo de João XXIII é desfeito:
 


 

DOCUMENTOS ANEXOS SOBRE A CONSERVAÇÃO QUÍMICA DO CORPO DE JOÃO XXIII
Rádio Vaticano
http://www.vaticanradio.org/portuguese/brasarchi/2001/RV22/01_22_58.htm
 
POR QUE O CORPO DO PAPA JOÃO XXIII CONSERVA-SE INTACTO 38 ANOS APÓS A SUA MORTE?
 
    Cidade do Vaticano, 03 jun (RV) – Se o corpo do Papa João XXIII permanece incorrupto 38 anos depois de sua morte, não se trata de um milagre, nem tampouco obra de uma embalsamação bem feita(Sic!). Que não se trate de um milagre, foi o próprio Arcipreste da Basílica Vaticana, Cardeal Virgilio Noè, a confirmá-lo, ao anunciar o rito de trasladação dos restos mortais do Pontífice e sua exposição aos fiéis.
E a excluir que se trate de embalsamação _ pelo menos no sentido clássico do termo _ foi o Prof. Gennaro Goglia, de 78 anos de idade, numa entrevista concedida ao semanário Família Cristã, em sua edição italiana.
Foi o Prof. Gennaro que, na noite de 3 de junho de 1963, recebeu o encargo por parte da Santa Sé, de tratar do corpo do Pontífice falecido. Ele submeteu o corpo do Papa João XXIII a um tratamento à base de formalina, para preservá-lo de uma inevitável decomposição. Mas não se tratou de uma embalsamação.
O médico revelou que naquela noite, colocou em prática, no corpo do falecido Pontífice, um método de conservação estudado em Lausanne, Suíça, juntamente com o Prof. Winkler, uma autoridade nesse campo.
“A técnica _ explica o Prof. Goglia _ consistia na inserção, no corpo, de um líquido especial cuja fórmula eu criei, sem deixar sair nem mesmo uma gota de sangue.” Os 10 litros foram preparados no Instituto de Anatomia. Foram colocados num galão de plástico com uma pequena torneira, dotada de um longo tubo com uma agulha na extremidade.
Quando o Prof. Goglia iniciou o tratamento, o rosto do “Papa Bom” ainda continha resíduos do óleo utilizado pelo escultor que modelou sua máscara mortuária. O óleo é utilizado a fim de que o material de modelagem não grude na pele.
    “Erguermos o galão sobre o tripé _ explica ainda o Prof. Goglia _ fizemos uma pequena incisão no pulso esquerdo do Papa e inserimos a agulha. Meu medo é que saísse sangue, ou que a pele se rompesse. Eu temia derramar o sangue de um Papa que já então era considerado um santo. Mas tudo correu bem e às 5h00 da manhã de 4 de junho a operação estava concluída.
    “O líquido _ acrescenta o médico _ havia preenchido todos os capilares, bloqueando o processo de degeneração. Injetamos o líquido também no abdome do Papa, praticamente destruído pelo câncer, para eliminar todas as bactérias, e assim concluímos o tratamento.”
    Nos dias sucessivos, o Prof. Goglia retornou ao Vaticano para controlar o estado de conservação do corpo, no curso das diversas trasladações que sofreu. Eis porque, 38 anos depois, os restos mortais do “Papa Bom” cuja santidade já era conhecida ainda em vida, se conservam intactos. (AF)
 


 
Segunda-feira, 4 de Junho de 2001
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/internacional/2001/06/03/jorint20010603006.html
 
João XXIII volta à Basílica
 
Corpo intacto após 38 anos é milagre de um médico.
 
Cidade do Vaticano – AFP
 
CIDADE DO VATICANO – Em cerimônia que um repórter classificou de “”surrealista”", o corpo exumado e restaurado do papa João XXIII, morto em 1963, foi transportado ontem num caixão de vidro para nova sepultura na Basílica de São Pedro, onde poderá sempre ser visto pelos fiéis.
(…)
Líquido – Quando o corpo de João XXIII, beatificado no ano passado, foi exumado em janeiro, em estado quase perfeito de conservação, falou-se muito em milagre. Na verdade, tudo se deve ao competente trabalho do professor Gennaro Goglia, o médico que embalsamou secretamente o cadáver com um líquido especial.
Goglia, então especialista em anatomia na Universidade Católica de Roma, agora com 78 anos, se lembra perfeitamente: um carro do Vaticano o apanhou em casa na noite de 3 de junho de 1963, horas depois que o papa morrera de câncer no estômago. Nem à família ele disse aonde ia.
Nos aposentos papais do Palácio Apostólico, Goglia teve de esperar uma hora, enquanto o escultor italiano Giacomo Manzu fazia uma máscara de bronze do morto. Depois, embalsamou o corpo, injetando um líquido desenvolvido por ele e cuja fórmula ainda tem: são nove ingredientes, entre os quais álcool etílico, formalina, sulfato de sódio e azotato de potássio.
 


 

Esposta la salma di Papa Giovanni
http://www.ilnuovo.it/nuovo/foglia/0,1007,52717,00.html
 
Domenica a San Pietro sarà esposto il corpo del Papa buono. Per proteggerlo un”urna in bronzo con vetri antisfondamento del pesodi 450 chili. La salma fu trovata intatta per una sostanza iniettata subito dopo la morte.
di Paolo Emiliano
ROMA – Un”urna in bronzo e cristalli anti-proiettile e anti-sfondamento del peso di 450 chili proteggerà la salma di Giovanni XXII, che domenica sarà esposta a San Pietro. Il corpo del “Papa buono” è stato riesumato e trovato intatto, grazie a uno speciale liquido con cui fu trattata la salma subito dopo l”accertamento della morte. Dunque nessun miracolo.
E a 38 anni esatti da quel momento il Santo Padre ha voluto rendere omaggio alla memoria di Roncalli, richiamando i fedeli per il 3 giugno sul sagrato della basilica vaticana, proprio per venerare il corpo di Giovanni XXIII.
La salma sarà esposta per tutto il pomeriggio e poi posta sotto l”altare di san Girolamo, dentro la basilica, come è avvenuto per altri successori di san Pietro. Dunque tutto è pronto in Vaticano per accogliere le migliaia di pellegrini, si dice circa 50 mila, che arriveranno a Roma, soprattutto dalla provincia di Bergamo dove Roncalli nacque.
La cerimonia avrà inizio alle 9,30 a san Pietro con la processione dell”urna dalla Porta della preghiera alla quale parteciperà tutto il clero della basilica vaticana. Passaggio dall”Arco delle campane, attraversamento della piazza fino all”obelisco, arrivo all”altare papale sul sagrato della basilica dove avrà inizio la Messa per la solennità di Pentecoste celebrata da Giovanni Paolo II.
Il cardinale Noè, arciprete della basilica vaticana nei giorni scorsi è tornato a sottolineare che non può essere considerato “”un fatto miracoloso”" legato alla santità riconosciuta dalla Chiesa a Roncalli (beatificato lo scorso 3 settembre) il fatto che la salma sia stata trovata intatta. “”Anche il corpo di Bonifacio VIII – ha detto il porporato – dopo 300 anni venne trovato intatto, ma nessuno pensava neanche lontanamente che fosse santo… e d”altra parte passati 100 anni di lui non restava più nulla. E” semplicemente un fatto legato al modo in cui il corpo è stato conservato”".
Nel caso di Roncalli, ha precisato Noè, tutto è stato predisposto in modo che anche nell”urna delle valvole di azoto possano preservare la salma anche in futuro da eventuali infiltrazioni d”aria o dall”azione della luce e il corpo è stato trattato “”con gli interventi essenziali, per evitare complicazioni naturali”" ma senza alcun intervento straordinario. La salma di Giovanni XXIII è rimasta intatta grazie a un liquido speciale inventato dal medico Gennaro Goglia, all”epoca in forza all”istituto di anatomia del Gemelli ed esperto nel trattamento dei cadaveri.
Goglia ha raccontato a “Famiglia Cristiana” come usò il liquido, che aveva messo a punto personalmente e aveva  sperimentato nei due anni precedenti. Giunto in Vaticano con un  “”bidone di plastica con un rubinetto all”estremità, un lungo tubicino e un ago”", il giovane medico trovò  il volto di papa Giovanni ancora unto dall”olio usato da Manzù per impedire che la creta per il calco funebre aderisse alla  pelle. “”Issammo il bidone con liquido su un trespolo – racconta  Goglia – praticammo un piccolo taglio nel polso destro e infilammo l”ago. Avevo paura che potesse uscire il sangue, che  il liquido potesse provocare rotture nella pelle: pensavo con  terrore dove avremmo potuto gettare il sangue di un papa che era già considerato santo. Ma tutto procedette bene”.
(1 GIUGNO 2001; ORE 13:45)
 


 
O POVO – JORNAL DO CEARÁ
IGREJA
Corpo de João XXIII vai ser exposto domingo
http://www.noolhar.com/opovo/internacional/42041.html
 
O corpo embalsamado do papa João XXIII será exposto domingo na Praça de São Pedro, na Cidade do Vaticano, na missa que João Paulo II celebrará ante milhares de devotos do falecido papa, proclamado beato no ano passado, informou ontem o cardeal Virgilio NoŠ.
 
O corpo de João XIII, protegido por um féretro de vidro antibalas, será exposto depois da cerimônia, sob o altar de São Gerônimo, na basílica de São Pedro. O cardeal Noé confirmou ontem que o rosto de João XXIII está intacto, 38 anos depois de suas morte. Assinalou que não se trata de um milagre e que o corpo foi preparado para ser conservado.
 
O médico Gennaro Goglia, que embalsamou o corpo, contou os detalhes da operação. João XXIII deixou instruções precisas sobre a questão, para evitar que se repetisse o que aconteceu com seu predecessor, Pio XII, cujo corpo, mal embalsamado, começou a se decompor antes das exéquias solenes na Basílica de São Pedro. A última vez que um papa foi exposto ante os fiéis foi há meio século, quando o corpo de São Pio X foi transportado para Veneza, cidade de que foi patriarca até sua eleição, em 1903.
 
João XXIII, o 261º papa da história e cujo nome era Angelo Giuseppe Roncalli, nasceu em 1881 e morreu em 1963, quatro anos e meio depois de sua eleição ao trono de São Pedro. O Concílio Vaticano II, convocado por João XXIII em 1962 e concluído em 1965 sob o reinado de Paulo VI, marcou a história da Igreja católica do século XX.
 


 
REVISTA ÉPOCA
http://epoca.globo.com/edic/20010611/soci_4a.htm
 
Edição 160 11/06/2001
 
RELIGIÃO
Mito em plena forma
Legista italiano revela a técnica adotada para manter intacto, 38 anos depois da morte, o corpo de João XXIII
            Alberto Pizzoli/AFP
             
O cadáver de João XXIII foi preparado com substâncias químicas antes do funeral (à esq.). O corpo está preservado até hoje (à dir.)
Quarenta mil fiéis reconheceram o semblante sereno, celebrizado em fotos, num desfile no Vaticano na manhã do domingo 3. O corpo embalsamado do papa João XXIII cruzou a Praça São Pedro no esquife de vidro, emocionando a multidão que comemorava o dia de Pentecostes. Vestido com túnica branca, capa e gorro vermelhos, o cadáver confirmou o extraordinário relato dos legistas que o exumaram. A história veio à tona há dois meses. Imune ao tempo, João XXIII preserva a aparência do octogenário bonachão. Seu papado durou quatro anos e sete meses (1958-1963), o suficiente para o pontífice aproximar a Igreja do povo. Convocou o Concílio Vaticano II, que, entre outras mudanças, aboliu o latim nas missas e permitiu o uso de idiomas locais.
Responsável pela conservação do corpo, o médico italiano Gennaro Goglia, de 78 anos, perfilava-se na multidão da praça. Goglia decidiu revelar na semana passada a técnica de embalsamamento que utilizou. Injetou no corpo 5 litros de um coquetel de substâncias conservantes, entre as quais álcool, sulfato de sódio e nitrato de potássio. “Devo admitir: aquele trabalho foi um pouco macabro”, diz o professor de anatomia da Universidade Católica de Roma. O legista optou por não retirar o sangue. “Poderia cair em mãos erradas e ser vendido como relíquia”, afirma. O cadáver foi enterrado num caixão lacrado. Isso ajudou a deter a decomposição. Com a exumação, recebeu nova preparação química, e o rosto, escurecido, ganhou uma camada de cera. De acordo com Goglia, o próprio chefe da Igreja, pouco antes de morrer, pediu-lhe que cuidasse do funeral. Ficara impressionado com as exéquias do antecessor, Pio XII, cujo corpo começou a exalar mau cheiro durante o velório de cinco dias”.
 


 
    Portanto, caro Frei Rodrigo, o cadáver de João XXII não permaneceu incorrupto por santidade, mas por ajuda da Química moderna. Apresentar seu corpo intacto, sem informação de que foi preservado quimicamente, induz as pessoas ingênuas a pensar que lá se deu um milagre, o que é falso.
    Isso não é correto.
    Há outros pontos que poderiam ser tratados, por exemplo, os elogios de João XXIII a Benito Mussolini, o Duce do fascismo.
    João XXIII, quando ainda era Arcebispo, embora apenas em carta particular à sua família, elogiou o Duce e o governo de Mussolini, considerando-o guiado por Deus — o que não é pouco — embora, depois, se tenha se mostrado contrário ao fascismo.
 
    “Benditos nós na Itália. Desta vez é preciso mesmo dizê-lo: há uma mão que guia o Duce pelo bem dos italianos. Eu creio que Deus queira recompensar governantes e súditos pela paz feita com a Igreja (…) E é preciso que sejamos reconhecidos a Mussolini. Quantos homens de Estado houve na Itália antes dele ! Os Papas sempre estiveram dispostos à conciliação, mas sempre faltou o homem capaz de corresponder a eles da parte do Estado” (Mons. Roncalli — João XXIII, Carta à família, em 25-XII-39, apud Hebblethwaite, Giovanni XXIII, Rusconi Milano, 1989, p. 230).
 
    E comentou o historiador, o ex padre Peter Hebblethwaite:
 
    “Certamente [Roncalli] não foi jamais assim filo facista (…) nesta data, porém, não é mais um antifascista tão nítidamente como antes. ( …) aceita o fascismo, porque é difícil realisticamente se pensarem outras soluções” (Hebblethwaite, Giovanni XXIII, Rusconi Milano, 1989, p. 227).
 
    Veja você, prezado Frei Rodrigo, que surpresa: João XXIII apoiando o Duce fascista, elogiando Benito Mussolini !
    João XXIII então apresentou Mussolini como homem guiado por Deus!
    Suponho que o senhor seja democrata, não é Frei Rodrigo? Que tal saber então que o beato João XXIII elogiou o Duce fascista? Creio que sua devoção joanina não esperava por essa.
    Quanto ao Modernismo de João XXIII, isso é mais do que conhecido.
    Ele foi extremamente ligado ao líder dos Modernistas italianos, o Padre Ernesto Buonaiutti, desde os tempos em que ambos eram seminaristas. Buonaiutti foi padrinho de Roncalli em sua ordenação. Como ele foi também amigo do modernista Padre Lambert Beauduin, e do grão mestre da maçonaria Barão Yves Marsaudon, a quem o então Cardeal Roncalli aconselhou permanecer na Maçonaria.
    Por fim, foi João XXIII que fez o acordo de Metz com a URSS, e convocou e incentivou o Concílio Vaticano II cujos resultados são patentes. Por exemplo, nos seminários franciscanos onde se ensina, por vezes, a Teologia da Libertação.
    De modo que, Frei Rodrigo, como católico, e como professor de História, sou obrigado a contar a verdade. E a verdade não suja a boca de ninguém. A verdade liberta, disse-nos nosso Divino mestre.
    Mas, Frei, a heresia modernista suja as almas, ofende a Deus e chama a Igreja de pecadora.
    Espero que este não seja o seu caso.
    Poderia lhe dar muitas outras provas sobre erros de João XXIII e de seu envolvimento com os modernistas, inclusive do processo que ele sofreu acusado de Modernismo em 1914. Mas por hoje, chega, que estou respondendo somente à sua carta, e não escrevendo uma biografia de João XXIII.
    Que Deus o esclareça, e pois que o mundo precisa de bons sacerdotes, que Nossa Senhora alcance para o senhor as graças mais necessárias para ser um frade santo. Sem ilusões e sem mitos.
  
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli  

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