Montfort Associação Cultural

21 de janeiro de 2005

Download PDF

Como explicar por fundamentos o criacionismo??

Autor: Fábio Vanini

  • Consulente: Dri
  • Idade: 22
  • Localizaçao: Curitiba – PR – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído

Religião: hummmm…Não!!!

Creio eu que para se opor a algo, é necessário criar explicações para tal fato…Vcs. não acreditam no evolucionismo, e tornam o criacionismo uma verdade absoluta, mas não vejo explicação para isso…não há como explicar o criacionismo, nem que se faça o maximo de esforço!

Agora, o que vcs. dizem sobre o evolucionismo, é pura embramação, falam, falam, e não dizem nada…se vcs. não conseguem entender, melhor não criticar!!!Um abraço, se cuidem, e deixem de menosprezar oque deve ser muito complexo para mente de vocês!!

Dri

Prezada “Dri”,

Agradeço sua imparcial e científica colaboração. Seus irrefutáveis argumentos serão registrados e somados às outras brilhantes missivas que recebemos todos os dias, inclusive de pessoas não tão esclarecidas na ciência como você.

Agora, antes de começar a responder sua profunda carta, permita-me fazer uma pergunta: é dessa maneira que você exerce as ciências biológicas?

Você nos pergunta como explicar por fundamentos o criacionismo. Exatamente naquilo que você chama de “embramação” está a crítica aos fundamentos do evolucionismo. Uma teoria improvável, com falhas de princípios e sem evidências é, realmente – concordando com seu diagnóstico – complexa para entendermos.

Porém, sua mente deve realmente ser brilhante, pois o evolucionismo é mais simples para você do que para outros grandes cientistas, como Richard Lewontin, que afirmou:

“Nós ficamos do lado da ciência, apesar do patente absurdo de algumas de suas construções, apesar de seu fracasso para cumprir muitas de suas extravagantes promessas em relação à saúde e à vida, apesar da tolerância da comunidade científica em prol de teorias certamente não comprovadas, porque nós temos um compromisso prévio, um compromisso com o materialismo. Não é que os métodos e instituições da ciência de algum modo compelem-nos a aceitar uma explicação material dos fenômenos do mundo, mas, ao contrário, somos forçados por nossa prévia adesão à concepção materialista do universo a criar um aparato de investigação e um conjunto de conceitos que produzam explicações materialistas, não importa quão contraditórias, quão enganosas e quão mitificadas para os não iniciados. Além disso, para nós o materialismo é absoluto; não podemos permitir que o “Pé Divino” entre por nossa porta.” (New York Reviews of Books, maio de 1987).

Quais seriam essas contradições e construções absurdas? Talvez sua mente esclarecida deva saber, mas a contradição ou o absurdo é algo muito complexo para nós católicos. Preferimos ficar com a velha e eterna verdade simples e una, mesmo…

Mas vamos um pouco e resumidamente ao que interessa: O Universo, que não foi comprado numa loja de R$1,99, nem sempre existiu. O Universo não é eterno, como provam o Big-bang e a lei da entropia. Houve um tempo em que não existia. Logo, por uma relação simples (perdoe nossa simplicidade!) óbvia e inequívoca de causa-efeito, recebeu existência de outro ser. Esse ser, necessariamente tem que ser absoluto, imutável, eterno e, obviamente, não criado (veja mais sobre esse assunto nas Provas da Existência de Deus, no site www. montfort.org.br).

É evidente que o Universo é ordenado. E que começou. Logo, é de se supor que essa ordenação venha de um ser anterior ao Universo, pois as leis estão no Universo como um motor está num carro: foi colocado por alguém. E se há ordem, há um ordenador inteligente.

Alguns evolucionistas esclarecidos argumentam que não há ordem, que ela não existe. Mas a própria defesa de leis evolucionistas os põe em contradição, pois leis implicam legisladores.

Escorrega-se então para argumentação a la Richard Dawkins, baseada num tal relojoeiro cego. Permita-me explicar para mim mesmo, pois sei que você já entendeu: as leis existem, mas são cegas, ou seja, não intencionais, atuam sempre do mesmo modo, deterministicamente. Assim, não se poderia afirmar que uma flor que mimetiza um inseto, com formato, cor e odor, o faz para ser polinizada. O acaso não tem finalidades. É claro que o inseto e flor não têm a intenção de agir, própria de um ser inteligente e livre, mas a intenção existe. E se existe intenção, existe finalidade. E se uma flecha é apontada para um alvo, alguém apontou. Como afirma Jaques Monod: , “a teleologia – raciocínio através das causas finais – é como uma mulher sem a qual o biólogo não consegue viver, mas com quem tem vergonha de ser visto em público” (O acaso e a Necessidade apud Atlan, H.; Entre o cristal e a fumaça: ensaio sobre a organização do ser vivo, 1992 ).

E as espécies? Espécies são entidades reais na natureza (Sober, E.; Philosophy of Biology, 1993). Deus diz, por dez vezes, no Gênesis, que as criaturas darão descendentes segundo suas espécies. Como explica-las? Dobzhansky se pergunta como um processo contínuo (evolução e especiação) pode gerar produtos descontínuos (espécies) (Genetics and the origin of species, 1937). Mesmo que o equilíbrio pontuado tente resolver esse dilema, e se proponha uns dez conceitos diferentes, cada um para se adequar a uma ideologia, o evolucionismo se atrapalha em entendê-las (embora alguns — como você — consigam entender claramente…).

O fato é que os seres são idênticos a si mesmos e este, que é o primeiro princípio metafísico do ser, o princípio de identidade, é uma verdade inegável. Negá-lo seria cair na contradição dialética. Essa identidade do ser, nos seres vivos, é a espécie, que determina a forma de cada ser. Pato é pato, grama é grama, Macaco é macaco, e assim vai (precisaria você de mais algum exemplo?). As mudanças que ocorrem nos seres, sejam meramente fenotípicas ou mais profundamente genotípicas, são sempre acidentais. Isto é, só ocorrem modificações que não alteram a forma ou essência daquela espécie. E todos os casos de mutações ou alterações conhecidas se aplicam perfeitamente ao que é acidental naquele ser, como os tentilhões de Darwin, a famosa pata do cavalo, entre outros casos. Especiação, ou seja, derivação de novas espécies nunca foi realmente observada e registrada na literatura. Há até prêmios em dinheiro na Internet para quem comprovar um caso de especiação.

Essa espécie, que é idêntica a si mesma, não pode ser uma coisa e outra, ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. Esse é o segundo princípio, chamado de não contradição. Assim, ave nunca foi réptil (imagine uma tartaruga alada…), que nunca foi peixe, que nunca foi verme, que nunca foi esponja, que nunca foi planta, que nunca foi alga, que nunca foi bactéria, que nunca foi vírus, que nunca foi pedra! Para a teoria da especiação, a contradição, na espécie, é necessária.

Supor que do mineral possa surgir vida, vegetal, animal ou humana, é contra a lei da causa e efeito. Um organismo mais simples, como um vegetal, não pode gerar um mais complexo, como um animal, com vida e movimento. (Olhe a simplicidade novamente…) Poderia entrar em fatos e fatos que mostram a ordem molecular nos seres vivos, como a bioquímica, por exemplo. Ordem essa que só pode ocorrer no estado existente, ou um sistema bioquímico determinado não funcionaria. É a argumentação de Michael Behe (a Caixa Preta de Darwin, 1996). Mas sistemas bioquímicos são complexos, e nós não entendemos o que é complexo, só o que é simples…

Quanto a paleontologia e ao registro fóssil, é só verificarmos a inexistência de qualquer fóssil intermediário entre duas espécies, para concluirmos que ninguém pode fundamentar o evolucionismo neles.

Para um breve comentário sobre sua carta, está a presente de bom tamanho. Só espero que não sejamos simples demais para as mentes brilhantes da ciência. Mentes brilhantes que propõem teorias brilhantes. Teorias profundas e intangíveis para nós medíocres. Teorias como a da Origem Endossimbiótica (aquela que diz que cloroplastos e mitocôndrias eram seres isolados das células); a incrível teoria da Coevolução; ou a Hipótese da Rainha Vermelha; e a Hipótese Gaia; ou ainda o Eugenismo; e a origem do mimetismo em cobras corais? Mas, a campeã é a linda hipótese do Gene Egoísta, do reverendo Dawkins! Quem sabe você compreenda profundamente essas teorias e possa me explicar um dia.

Perdoe-nos por menosprezar o que é complexo demais. Realmente não devemos diminuir a grande quantidade de contradições e absurdos do evolucionismo.

No mais, como católico, espero ter ajudado e poder ajudar sempre que minha simplicidade puder alcançá-la, prezada “Dri”. E desejo-lhe que possa aproveitar minha breve resposta para pensar um pouco sobre os fundamentos da sua hummmm…religião!

Que Deus cuide de você, com correção e zelo, na simplicidade dEle,

Fábio Vanini

TAGS

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais