Montfort Associação Cultural

25 de janeiro de 2010

Download PDF

Como entender a tragédia do Haiti?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Fabricio Matias
  • Localizaçao: Iguatu – CE – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Religião: Católica

Querido Prof Orlando Fedeli
Salve Maria, Mãe do Meu Senhor,

Professor, acompanho sempre o nosso querido site, Montfort, participo do Projeto Legado Montfort , peço a Deus que lhe der muita saúde e muitos anos de vida para que o sr, posso continuar defendendo a nossa fé por muitos e muitos anos! Escrevi uma vez para o site mas ainda não obtive respostas sobre umas dúvidas (acusações) que recebemos por defender Cristo e sua única Igreja, acredito que ainda não foi possível devido a grande quantidade de cartas que o sr recebe, enfim escrevo novamente, para refletir com o sr sobre um assunto mais atual, gostaria de lhe perguntar professor, como diante de uma tragédia tão grande, tão avassaladora como esta, que ocorreu no Haiti, como entender de um ponto de vista espiritual, religioso ?
Que DEUS Pai, tenha piedade de todos nós e que conforte o povo sofrido do Haiti.

In Corde Jesu, semper,
Fabrício Matias

Muito prezado Fabrício,
Salve Maria.
 
     Muito lhe agradeço suas palavras e sua cooperação generosa com o site Montfort e com o Legado. Deus lhe pague.
 
     E dizendo isso, já inicio a resposta de sua pergunta atual. Porque, se uma boa obra é recompensada, as más ações dos homens são punidas ou já nesta vida, ou na outra. A punição de Deus a um homem em particular, nesta vida, visa semore seu bem, a sua conversão. Por isso, está dito na Sagrada Escritura: “A quem Deus ama, Ele castiga”.
     Por outro lado, se um homem mau tem vida terrena ditosa e rica, isto é porque Deus, vendo que não poderá recompensá-lo, após a morte, por alguma ação naturalmente boa que ele possa ter feito, Deus, por justiça, lhe dá bens neste mundo. É por isso que se vêem tantos homans maldosos, com grandes riquezas, saúde, títulos, prestígio, condecorações… Deles diz Deus: “Eles já receberam a sua recompensa”.
     
Com as Nações, diz Santo Agostinho, dá-se coisa semelhante. Como as Nações, enquanto Nações, não vão nem para o céu e nem para o inferno, então Deus é obrigado a premiá-las ou castigá-las já na sua história terrena. Por isso, nas derrotas, humilhações e nos cataclismas das nações age a Justiça divina. E nos castigos coletivos Deus pune os homens maus, mas permite que também os bons sofram. Uns sofrem a pena justa de seus crimes. Os bons sofrem como Cristo: inocentes, ganhando méritos para si e para os outros. Não conhecemos quem sofre como culpado, e quem sofre como inocente. Por isso, a ninguém podemos julgar pessoalmente.
     
A causa desses castigos nos é, pois, muitas vezes desconhecida. Resta-nos ter pena das pessoas que sofrem sem culpa. Resta-nos ainda analisar a História buscando as razões da Justiça divina. Em todos os casos, devemos ter pena dos que sofrem, e rogar que Deus se apiade de todos, concedendo o céu aos bons e o arrependimento e a salvação para os que pecaram. Deus tenha pena de todos.
     
     Deixando então de lado, então, o julgamento das pessoas, é lícito buscar os motivos possíveis de um castigo nacional.
     A sabedoria popular tem um ditado que diz: “Quem semeia ventos, colhe tempestades”.
     Aplicando esse provérbio à História das nações, poder-se-ia dizer que os povos sofrem peos erros que praticaram, (sempre deixando o Juízo particular a Deus).
     Vários jornalistas observaram que o terremoto do Haiti foi acrescido por uma série de falhas humanas. Assim, a mortandade não pode ser amenizada, e até ela foi aumentada pela falência completa do Estado.
     
No Haiti não havia Corpo de Bombeiros, não havia serviços médicos à altura, não havia coleta de lixo, e nem sistema de fornecimento de água ao mínimo do suficiente. Não havia e não há nem mesmo uma organização capaz de receber os recursos da ajuda internacional. A falta de educação geral, a falta de policiamento, a falta de civilização levaram ao saque dos mortos e das casas arruinadas, ao assalto de supermercados destruídos, e à desordem geral, assim como a crimes pela disputa da pilhagem.
     
Isso tudo faz perguntar quais as razões históricas de tanta falta de cultura, de civilização, de educação e, sobretudo, de tanta falta de caridade.
     O Haiti, colônia roubada pela França aos espanhóis, nasceu de uma revolta de escravos manipulada pelos agentes da Revolução Francesa, desde a França e Nova York. Desejava-se implantar uma república segundo as idéias românticas de Rousseau, pois se acreditava na bondade natural do homem, que seria corrompido pela civilização. O Haiti nasceu da admiração pelo homem vivendo em estado selvagem, e pela desconfiança e ojeriza contra a civilização. O resultado nós o vemos hoje nos fatos pós terremoto.
     O Haiti permaneceu em seu isolamento anti colonial e anti europeu o que o prejudicou muito, pois que o isolamento racial facilmente degenera em racismo, sempre condenável, qualquer que seja ele.
     
O liberalismo nacionalista exacerbou o racismo anti civilização, o que facilitou a difusão de práticas selvagens do voudou, e do zumbinismo. 
     A influência do turismo americano e da american way of life, permitiu um desejo de consumismo sem ter o que consumir, gerando inveja e revolta. No século XX, a ditadura sanguinária do médico Duvalier, chamado de Papa Doc, como os seus famigerados Tonton Makoute, tornou o Haiti vítima da Teologia da Libertação que deu o poder a um novo tirano: o Padre Aristide. De tirania em tirania, os males congênitos de uma república fundada nas idéas de Rousseau de que o homem natural, sem civilização é inocente e bom levaram o Haiti ao cáos.
     
Aí chegou o terremoto.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

TAGS

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais