Montfort Associação Cultural

4 de outubro de 2010

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Como educar os filhos?

Autor: Lucia Zucchi

  • Consulente: Anônimo
  • Localizaçao: Joinville – SC – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

Bom dia Sra. Lucia
Estava lendo a última carta enviada ao site Monfort em que o assunto tratado são filhos. Pois bem, sou casada à quase 9 anos, casei e usei comprimido somente no primeiro mês de casamento. Tive três gravidez – sendo uma gemilar -, das quais houve dois abortos espontâneos, e o nascimento do X, hoje, com 3 anos e 8 meses e o da Beatriz, hoje, com 1 ano e 3 meses. Quando a Y nasceu nós decidimos que eu deixaria o emprego e o X o jardim para que pudéssemos educá-los segundo os princípios católicos. Pois bem, já estou em casa a 1 ano e três meses e não me arrependo. Amo ser dona de casa, amo passar o dia com eles. Sei que a vontade divina é de uma família numerosa, a minha vontade, em partes, também. Todos acham loucura estar com dois filhos pequenos e já imaginando o nome do próximo, Mas o que me aflige o coração é a educação moral deles, pois com a situação financeira não me preocupo, creio que o feijão com arroz nunca vai faltar.
Eu moro em Santa Catarina, onde não há Missa Tridentina, não conheço ninguém que tenha pensamentos muito menos atitudes de autênticos católicos, os que se dizem assim são membros da RCC e os demais protestantes de outras denominações. Acham que sou exagerada quando digo que para ensinar as crianças a terem pudor devemos vesti-las com roupas discretas. Como pode? Digo para meu filho que é feio mulher andar com roupa que expõe o corpo e, quando ele sai na rua logo diz: mãe que feio, mulher pelada. Digo para ele que é necessário preservar o seu corpinho de modo que os outros não o vejam nú, e quando vejo tem alguém dizendo para ele que isso é normal, não tem nada há ver é coisa de criança. Não o deixo brincar com brincadeiras violentas como arminhas, lutas, nem assistir desenhos desses programas infantis da Globo, SBT e companhia, mas os filhos de nossos parentes e dos poucos colegas que temos, o fazem. Nas escolas estão distribuindo camisinhas, na catequese não se ensina nada, mas ao final do ano a turma que tiver maior freqüência na catequese (confirmada na caderneta que é assinada após a missa dominical celebrada pelo pároco que em mais de uma homília afirmou que Gandhi é melhor que muitos católicos por conta de sua caridade) ganha uma viagem para o Beto Carreiro Word .
O X é uma criança carinhosa que aprende fácil sabe rezar com “perfeição” (Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai, Santo Anjo e Anjo da Guarda, usa o escapulário e algumas vezes ao dia, por iniciativa própria, o beija e faz a jaculatória a Nossa Senhora do Carmo), porém é teimoso e parece que esta desaprendendo algumas coisas, ficando desobediente e precisando apanhar algumas vezes, além de ser muito medroso e pouco caridoso, com a irmã apesar de um pouco ciumento é muito cuidadoso. Já a Y é muito geniosa, é impulsiva e possessiva. Como explicitado acima tenho vontade de ter outros filhos, mas não tenho coragem. Vejo o mundo aí fora e percebo que meu filho esta longe de estar bem educado na tradição católica, sei que a criança forma sua personalidade entre o 6º e o 7º ano de idade, por isso as preocupações. Sinto que não o estou educando direito, que estou perdendo tempo precioso e que isso pode prejudicá-lo muito. Eu realmente não sei. Minha mãe diz que sou severa demais e que exijo muito dele. Eu nem sei o que eu devo exigir dele nessa idade (dentro da educação tradicional). Acho que dentre todas as responsabilidades do matrimônio esta é a mais difícil. Antes de dormir fico pensando como eram os santos nessa idade, como seus pais os tratavam. Tenho medo de ter outros filhos e de não ser capaz de educá-lo de modo á levá-los a ganhar o céu. Fico pensando nos filhos dos integrantes da Montfort, como será que se comportam nesta idade em que estão os meus filhos. O que seus pais mais prezam na educação, em que ficam mais atentos, o que não é admissível. Meu DEUS é muita pergunta chega a dar dor de cabeça de tanto pensar. Peço sempre a Virgem Maria que me ajude, mas parece que eu não consigo ver a ajuda.

Abri mão de muitas coisas ( graças a Deus); RCC, Pastoral do Batismo praia, roupas impróprias entre outras coisinhas que não acho convenientes para um bom católico. É uma luta diária para tentar superar os meus defeitos, o meu orgulho que tantas vezes deixo transparecer para meus filhos, e então? como contornar um ato feito? Fazem só 3 anos que conheço um pouquinho da verdade, não sei quase nada, como vou ensiná-los o que não vivi e muitas vezes ainda não vivo. Se pelo menos, na minha juventude tivesse ouvido algumas homilias sinceras, mas isso nunca aconteceu, nem sabia que existia a Missa Tridentina. Não teria medo de colocar filhos no mundo se tivesse conhecimento de toda verdade, mas não tenho e sofro por pensar que os meus filhos podem não respeitar a Deus como Nosso Senhor merece.

Estou sendo extremamente sincera e estou disposta a mudar ao meu máximo, mas as vezes preciso de orientações e não tenho a quem recorrer, somente ao site Montfort e site Capela, os quais freqüento assiduamente.
É difícil quando se está aparentemente sozinha, pois nós, meu esposo e eu, estamos.

Obs: Fui até o Bispo para pedir que nos desse o direito de participar de uma Missa Tridentina, mas foi em vão. Pensou que se tratava de uma Missa que se cebrava durante 30 dias, então quando lembrado, usou estas palavras ao se referir a comunhão na boca: “Isso me dava um nojo”

Prezada YY,
Salve Maria!
 
     Você deve ter lido, em uma antiga carta minha, que eu tenho seis filhos. Eles já estão grandes, o menor tem dez anos e a maior 22. O terceiro está no segundo ano do seminário do IBP na França e o segundo, com 20 anos, vai se juntar a ele, dentro de 15 dias.
     Passamos dias de tormenta na educação deles, apesar de, aparentemente, termos tudo o que você não tem aí em Joinville. Um grupo de amigos muito grande e coeso, uma escola católica, missa tradicional constamentemente, nos últimos 30 anos… 
     Um pensamento sempre me consolou, em meio às dificuldades. Foi obedecendo a Deus que nós e as outras famílias da Montfort decidimos ter uma família numerosa. Foi Cristo Nosso Senhor quem disse:
 
olhai os lírios do campo, eles não fiam nem tecem e, no entanto, nem Salomão, em toda sua magnificência se vestiu como eles
 
Nem uma ave cai do céu sem que Meu Pai permita. Ora, vós valeis bem mais do que os passarinhos
 
     Ora, todo o trabalho e as preocupações da infância não são nada perto da dificuldade em educar um jovem e conduzi-lo a uma vida católica. Mas, por outro lado, se há algo em que nós não podemos depender senão de Deus, no mundo em que vivemos, é sem dúvida na educação de um filho. 
     Por isso, concluo minha “argumentação” assim: Deus nos mandou que tivéssemos filhos, muitos filhos. Não é agora, no momento de maior dificuldade, que Ele vai deixar de mostrar seu poder… e sua bondade.
     Portanto, cara YY, muita confiança em Deus. É o principal e mais necessário. Façamos generosamente a Sua Santíssima vontade, sem nos incomodar com o que pensa o mundo. Ele não deixará sem pagamento um copo d`água dado a um pequenino por causa dEle, quanto mais a muitos pequeninos…
     Escreva-nos sempre. E venha nos ver em São Paulo.
 
In Jesu et Mariae,
Lucia Zucchi

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