Montfort Associação Cultural

16 de maio de 2005

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Como catequizar os analfabetos?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marco Antonio Cito
  • Idade: 25
  • Localizaçao: Londrina – PR – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Administrador de Empresas
  • Religião: Católica

Prof. Orlando

Em primeiro lugar quero dizer que sou membro da RCC e discordo do Senhor em alguns pontos sinalizados quanto ao movimento. Reconheço que existem muitos “extremos” assim como em outros movimentos, e podemos dizer que mesmo a ortodoxia já promoveu equívocos na defesa da mesma.

No entanto, dento do proprio movimento, procuro na qualidade de formador que sou, me ater no ensino da catequese e da doutrina católica tão necesserária na realidade de hoje, onde os jovens terminam a catequese (muito mal ensinada aliás) e somem da Igreja, e, os poucos que voltam, o fazem sem nenhum conhecimento. Quero dizer que o admiro imensamente e que seus escristos não raro, me causam sentimentos contraditórios ora a favor ora contra, mas em sua grande maioria, a favor.

Por isso escrevo esta missiva, pretendendo uma resposta á seguinte pergunta:

- O Sr. nos diz em seu site que a fé se obtém pelo conhecimento, pelo estudo, na busca equilibrada entre a fé e a razão, e encontrando pela inteligência a verdade revelada, a certeza de sermos pertencentes a Única Igreja de Cristo, onde Ele se faz presente na Eucarístia e onde através dos Sacramentos Cristo nos acompanha, do nascimento através do Santo Batismo às últimas coisas (escatologia), e devo dizer que concordo com o Senhor.
Sendo assim, gostaria de saber: Em um País de semi-analfabetos e supersticiosos, como a Evangelização se daria a partir destes somente pela razão? Se, a maioria mal sabe ler, como entender o catecismo? Me refiro aos que estão aí, da juventude à fase adulta, e não dos que ainda são crianças, porque senão a resposta ficaria fácil.

Esse pergunta talvez seja por demais simples, talvez não, mas é algo que lendo suas cartas me fez refletir…

Muito prezado Marco,
Salve Maria!
 
    Você me pergunta: 
 
Em um País de semi-analfabetos e supersticiosos, como a Evangelização se daria a partir destes somente pela razão? Se, a maioria mal sabe ler, como entender o catecismo? “
 
    Sua pergunta é bem fácil de ser respondida.
    O analfabeto tem inteligência. Ele é um ser racional, e pode ser ensinado com argumentos. Aliás todos entram na escola analfabetos, e são ensinados. Os apóstolos ensinaram Cristo crucificado e os pagãos — e muitos eram analfabetos — aprenderam e se tornaram católicos. Anchieta ensinava os índios e eles — que eram analfabetos — aprenderam e ficaram católicos. Só que Anchieta ensinava também com o exemplo de vida. Anchieta não assistia a novela das oito. Fazia jejum e penitência.
    O difícil não é ensinar religião para os analfabetos.
    Difícil é ensinar religião para os “diplomados”, que nada sabem e pensam que sabem.
    Difícil é converter uma pessoa como Frei Betto, que pensa que sabe. Difícil é ensinar os ignorantes diplomados, que, estando cheios de orgulho, neles não cabe a verdade, mas, como disse São Paulo, preferem ouvir mestres que lhes contem fábulas mentirosas, como as de Darwin, Freud e Marx.
    Difícil é ensinar quem aprendeu errado, e pensa que sabe o certo.
    Veja o seu caso.
    Você me escreve:
 
Reconheço que existem muitos “extremos” assim como em outros movimentos, e podemos dizer que mesmo a ortodoxia já promoveu equívocos na defesa da mesma”.
 
    Você diz aí duas coisas sem cabimento:
 
1o: “Reconheço que existem muitos “extremos” assim como em outros movimentos”
 
    O mal da RCC está nos princípios dela. Ela crê que se pode ter o Espírito santo in delivery. E isso é uma bobagem protestante.
    Você concorda que há pessoas na RCC que dizem coisas exageradas que você chama de extremos.
    Os exageros dessas pessoas revelam apenas o erro dos princípios, o erro das idéias fundamentais da RCC que a tornam má. A RCC vem da árvore protestante. E da árvore má nada vem de bom.
 
2o: “mesmo a ortodoxia já promoveu equívocos na defesa da mesma”.
 
    Ortodoxia quer dizer doutrina correta, verdadeira. Como pode a doutrina verdadeira produzir equívocos?  A doutrina verdadeira é a de Cristo ensinada pela Igreja, exposta pelos Papas infalivelmente. Ela só pode produzir frutos bons, porque a árvore boa plantada por Jesus Cristo só pode dar bons frutos.
    Provavelmente você quis aludir às Cruzadas, quando fala de defesa equivocada da verdade católica. Mas as Cruzadas só foram más na visão dos maometanos e dos comunistas, que querem denigrir a Igreja .
    Os Santos pregaram cruzadas ou fizeram cruzadas. São Bernardo, um dos maiores doutores da Igreja, pregou a segunda cruzada, e São Luís fez duas cruzadas. São Pio V pregou cruzada.
    Leia a História verdadeira e verá que a cruzada é legítima.
    Ou será que para seu professor de História só é legítima a “cruzada” diabólica feita pelo Chê Guevara?
    Para a mídia de hoje — ignorante e anti católica — as cruzadas foram más, mas a guerrilha do viet cong e a guerrilha do José Dirceu foram boas.
    Isso é o que se chama contradição.
    A guerra só é justa em defesa da verdade e da justiça, isto é, do bem.
    Escreva-ma sempre, para que fiquemos mais amigos e o possa orientar melhor
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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