Montfort Associação Cultural

27 de janeiro de 2005

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Comentários de argumentos contra o Pe. Jonas Abib

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Juliano
  • Localizaçao: – Brasil

Breve comentário. (O que está em itálico foram os comentários que fiz ao seu email que comenta os escritos do querido Padre Jonas Abib). A chamada RCC é um movimento pentecostal que teve origem entre os protestantes. É lógico, então, que a RCC – como a senhora diz — não respeite, e, até pratique abusos contra a Missa. Ignorava eu que houvesse abusos desse porte. Mas acredito em sua palavra, porque quem diz que já tem o Espírito Santo na alma, porque razão daria importância à Missa, à Igreja e ao Clero?

Olha, sinceramente eu não sei de onde você tira essas coisas…! A RCC foi o movimento que mais deu valor e fez renascer na alma dos católicos o respeito pela Santa Missa e a sua importância. A RCC também ama profundamente a Igreja, o Clero e a Hierarquia. Os movimentos heréticos sempre afirmam que a Igreja, em um certo momento de sua História, errou e abandonou a doutrina de Cristo, e que, por isso, é necessário retornar à Igreja primitiva. Esse erro supõe que o Espírito Santo abandonou a Igreja, em certo momento, negando portanto que Cristo cumpriu sua promessa de estar com a Igreja todos os dias, até o fim dos tempos.

Não sei até que ponto se afirma, na RCC, que é preciso retornar ao que a Igreja era, a princípio, mas de qualquer forma essa é uma formulação errada.

Sei porém que o fundador da Canção Nova, Padre Jonas Abib, afirma em um de seus livros uma tese inaceitável sobre essa questão: “Em 1975, no Congresso Internacional da Renovação Carismática Católica, em Roma, surgiu uma palavra de profecia. Essa palavra orientou os rumos da Renovação naquele momento, e agora, mais do que nunca, se mostra atual.

“Veja bem a data: estávamos em 1975. Fazia apenas oito anos que Deus começara a derramar o seu Espírito de maneira nova sobre a Igreja Católica” (Padre Jonas Abib, A Bíblia no meu dia-a-dia, p. 14. O negrito é meu).

Como a senhora vê, Irmã, segundo o Padre Abib, Deus só começou a derramar o Espírito Santo e seus dons sobre a Igreja – de maneira nova — na década de 1960, isto é, após o Vaticano II.

E até essa data, como Deus deixara a Igreja?

Que heresia há em crer que Deus derrama seu Espírito de maneira nova sobre a Igreja? A própria história confirma a existência de um chamado “século de ouro” em que os cristãos viveram uma experiência com o Espírito Santo totalmente nova, foi a época dos Santos Padres… foi o século em que foi declarada a divindade do Espírito Santo… (Li isso recentemente num livro de Frei Raniero Cantalamessa, pregador oficial da Casa Pontifícia há 18 anos). Não há heresia nem erro em dizer que Deus está derramando seu Espírito de maneira nova sobre a Igreja. Padre Jonas não afirma que o Espírito não estava animando a Igreja, mas que agora o Espírito está agindo de modo novo… como aconteceu no chamado “século de ouro”. O Espírito é livre, e sopra onde quer. Também é falso que a Igreja deva adaptar-se aos homens de hoje, aos tempos, ou à modernidade. Deus instituiu a Igreja para que ela evangelizasse, formasse os homens, e os corrigisse. Não é a Igreja que deve adaptar-se, e sim o contrário: são os homens e os tempos que devem se submeter ao que ensina Cristo através da Igreja Católica, Mãe e Mestra da humanidade.

Cristo não fundou uma Igreja “adaptável”. Ele ordenou a Pedro — e a seus sucessores — que apascentassem suas ovelhas, e não que as seguissem e se adaptassem a elas. Não existe, nos Evangelhos, a frase: “Adaptai-vos”. Antes o contrário, pois a Escritura, por São Paulo, nos recomenda: “Não vos conformeis a este mundo” (Rom. XII, 2).

E se é verdade que a Igreja deva falar de modo a ser entendida, essa preocupação didática ou “pastoral” não pode significar que a Igreja mude o conteúdo do que Ela sempre ensinou, ou que aceite a filosofia moderna. Como comentou recentemente o Cardeal Biffi — falando do Vaticano II — a Igreja só pode falar aos homens de seu tempo. E perguntava ironicamente o atual Cardeal de Bolonha: “Por acaso, seria possível falar, hoje, aos assírios e caldeus?”
Foi mais ou menos isso que o Padre Jonas quis dizer com uma maneira nova de agir do Espírito Santo. Na época apostólica haviam muitos milagres para que a Igreja crescesse rapidamente e muitos cressem e que depois foram ficando escassos. Num mundo materialista como vivemos hoje Deus pode muito bem reavivar esse modo de agir que o Espírito suscitava no primeiro século, abundância de milagres e etc. Não há contradição alguma. A senhora tem toda razão em estranhar essa exigência de sermos “batizados” no Espírito Santo. Essa necessidade é falsa e contém um erro grave contra a Fé.

Afirmar que “somos obrigados a ser batizados no Espírito Santo” eqüivale a dizer que, no batismo de Cristo, nós não recebemos os dons do Espírito Santo. A RCC, dizendo isso, estabelece um oitavo sacramento, e nega ou o sacramento do Batismo, ou seus efeitos próprios. Ela estabelece um novo sacramento. Ora, o Concílio de Trento excomungou quem dissesse que havia mais, ou menos, do que sete sacramentos.

A própria CNBB, em 1994, num documento oficial dirigido especialmente aos movimentos chamados carismáticos, fez reparos e críticas a essa tendência de alguns elementos da RCC de exigir um “Batismo do Espírito Santo”. A CNBB recomendou mesmo que não se usasse a expressão “Batismo no Espírito Santo”. (Cfr. Orientações Pastorais sobre a Renovação Carismática Católica, 34.a Reunião Ordinária do Conselho Permanente 94, Brasília, DF, 22 a 25 de novembro de 1994, ed. Paulinas, São Paulo, 1994, n.o 53). Temos esse documento em nosso site, enviado por um leitor (www.montfort.org.br/perguntas/rccecnbb-anexo.html) Cito-lhe trechos desse Documento da CNBB que interessam nessa questão: “54 – “A palavra “Batismo” significa tradicionalmente o sacramento da iniciação cristã. Por isso, será melhor evitar o uso da expressão “Batismo no Espírito”, ambígua, por sugerir uma espécie de sacramento. Poderão ser usados termos como “efusão do Espírito Santo”, “derramamento do Espírito Santo”. Do mesmo modo, não se utilize o termo “confirmação” para não confundir com o sacramento da crisma (Cf. Comissão Episcopal de Doutrina, Comunicado Mensal, Dez. de 1993, 2217)”.

O senhor mesmo respondeu. O termo Batismo no Espírito Santo não designa na RCC um novo sacramento,e nunca o fez. De prima, então, não tem sentido dizer que a RCC renega o Batisma ou prega que são mais ou menos que sete. Padre Jonas acatou essa orientação, e passou a usar o termo efusão, mas ele já explicou muitas vezes que nao há problema em usar o termo batismo no Espírito entre aqueles que conhecem o significado e a doutrina católica, pois sabem muito bem do que realidade se está referindo quando se usa esse termo. O problema aqui é só de terminologia, não de realidades. Facilmente contornável. Nenhuma heresia. Claro que desvalorizar ou desprezar um dom do Espírito Santo é pecado. O problema é saber se o que se chama hoje “dom de línguas” é, de fato, o dom de línguas de que fala São Paulo. Um “dom” de línguas incompreensíveis de nada adiantaria. Seria inútil, e Deus nada faz de inútil.

Não repreendo você por estar tentando discernir se o chamado hoje “dom de línguas” é o mesmo que fala São Paulo. Ora, mas o juízo final cabe tão somente aos pastores da Igreja, e enquanto não há nenhum juízo por parte dos pastores, a consciência fica livre: “in dubita, libertas”. Veja, Irmã Luana, o que escreveu São Paulo tratando dessa questão: “E, se a trombeta der um som confuso, quem se preparará para a batalha? Assim também vós, se, falando uma língua, não fizerdes um discurso bem inteligível, como se entenderá o que dizeis? Falareis ao vento(…) Por isso, o que fala uma língua desconhecida, peça o dom de a interpretar. Se eu orar numa língua desconhecida, o meu espírito ora, mas o meu entendimento fica sem fruto(…) Dou graças ao meu Deus, porque falo as línguas que todos vós falais. Mas na Igreja eu antes quero dizer cinco palavras, de modo a ser compreendido para instruir também os outros, do que dez mil palavras em língua estranha(…) Se, pois, toda a Igreja se reunir em assembléia, e todos falarem línguas diversas, e entrarem então pessoas ignorantes ou infiéis, não dirão que estais loucos? (…) Se não houver intérpretes, estejam calados na Igreja e não falem, senão consigo e com Deus” (I Cor. XIV, 8-9; 13-14; 18-20; 23; 28).

Sobre este assunto, recomendo-lhe, Irmã, que leia o livro de F. Prat “La Théologie de Saint Paul” (Beauchêsne éditeur, Paris 1913).

Certamente a Senhora, Irmã Luana, se lembra que, quando os Apóstolos receberam, no Pentecostes, os dons do Espírito Santo, eles saíram a pregar o evangelho e que todos entendiam o que eles diziam em suas línguas. Sobre este fato diz Prat: “Trata-se de falar à multidão, Pedro fala em nome de todos e, não podendo falar senão uma língua por vez, é natural que ele falasse na sua língua própria. Se houve milagre, foi nos ouvintes que ele se realizou e não em Pedro. [Pois cada um entendeu o que Pedro dizia na sua própria língua] (F. Prat, op. cit. p. 175).

Também quando São Francisco Xavier falava em sua língua própria, no Oriente, cada um que o ouvia o entendia em sua língua materna.

E comenta ainda Prat sobre o dom de línguas: “Mas o que a glossolália [o dom de línguas] tinha de prodigioso devia impressionar vivamente as imaginações e fazê-la ser desejada avidamente pelos neófitos ainda imperfeitos e inexperientes. [São] Paulo se levanta com força esta estima excessiva [do dom de línguas], e ele recomenda ao contrário o dom da profecia do qual parecia que se fazia pouco caso demais”. (F. Prat, op. cit. p. 176). O negrito é meu).

E ainda: “Em seu desejo de ostentar dons espirituais, os Coríntios perdiam demais a visão de que os carismas não acrescentam nem supõem um átomo de mérito naquele que os possui, e que eles lhes são dados mais para o bem geral da Igreja do que para proveito particular. Ostentá-los com complacência é uma infantilidade. Especialmente o dom das línguas que é um dos menores, porque ele precisa ser completado pelo dom da intrepretação” (F. Prat, op. cit., p. 178. O negrito é meu).

Como seria necessário que os carismáticos atuais compreendessem a repreensão de São Paulo contra os que infantilmente ostentam, hoje, possuir “dons” do Espírito Santo!

Há pessoas e pessoas. Não dá para dizer que “os carismáticos” ostentam infaltilmente seus dons. Existem carismáticos que o fazem, sem dúvida, como existem cardeais no inferno. Mas dizer que a RCC faz isso é falso, pois ela conhece bem essas passagens das Escrituras. A RCC tem muitas publicações, é só ler. De preferência as oficiais do movimento. Do Padre Jonas Abib eu já havia lido, como disse, um opúsculo denominado “A Bíblia foi escrita para você” (Loyola São Paulo, 1994), reeditado em parte e completado noutra edição sob o título “A Bíblia no meu dia-a-dia” (Loyola, São Paulo, 1994) no qual ele surpreendentemente defende doutrinas praticamente luteranas: 1) que devemos crer que já estamos salvos (e o padre Jonas faz uma ressalva à leitura ao livro do Eclesiástico, exatamente porque, nesse livro da Escritura, se diz que ninguém sabe se está ou não na graça, e no amor de Deus); 2) deixa entender que basta a fé para nos salvarmos. Além disso, nesse livreto, o Padre Jonas não cita uma vez sequer que se deve seguir o Papa, nem fala da necessidade de pertencer à Igreja Católica.

Nesse livro ele não cita isso, mas ele o fale em inúmeras fitas de pregação. Por exemplo, uma chamada “Igreja Católica,a única Igreja. Por quê?” na qual ele ensina didaticamente a doutrina da DOMINUS IESUS. E muitas outras como “Obedecer: uma urgência” sobre a necessidade de obedecer ao Santo Padre. Tomar um livro, e por ele julgar a pessoa é reducionismo , no mínimo, para não crer que é má-fé. A prova de que Padre Jonas ensina isso lhe dou agora: “A primeira necessidade de um cristão é ter a certeza da sua salvação. É saber que Deus o ama e o escolheu. Gratuitamente, sem nenhum merecimento seu. Deus o pôs na lista daqueles que quer salvar. Foi uma escolha gratuita! Amorosa! Sem merecimento. Saber disso nos dá a certeza da salvação” (Pe. Jonas Abib, A Bíblia no meu Dia-a-Dia, p. 26).

E logo depois diz o Padre Jonas: “Se tivéssemos de esperar até sermos suficientemente “bons” para nos “tornar dignos” da salvação, nós nunca o seríamos. Muitos continuam pensando que Deus nos salva em vista da nossa bondade, dos nossos méritos, das nossa boas obras.” (Idem p. 27).

Essa formulação é, no mínimo, muito imprecisa, pois faz entender que não é necessário praticar boas obras, o que é tese de Lutero, condenada pela Igreja. Quero crer que o Padre Jonas Abib escreveu apressadamente, ou que, por ignorância, tenha escrito tais teses erradas e contrárias à Fé.

Creio que há um mal-entendido, não uma heresia, pois conheço muito bem o padre Jonas e sei no que ele crê, e sei que ele crê na Igreja, mais do que nele. Quanto à salvação pela fé e não pelas obras isso é indubitável, as obras são consequência da fé e o modo como a fé opera para não ser morta. Sem as obras ninguém se salva, mas ninguém se salva por elas. Padre Jonas ensina isso, como a Igreja o ensina. O problema é o padre não escreve para doutos, e sim para gente simples, e não é fácil explicar tudo detalhadinho, seria necessário o Catecismo mesmo da Igreja e até mais. Não que ele deva descuidar do que escreve, só porque é gente simples quem o lê, ao contrário, mas ele não se preocupa tanto em deixar tudo explícito, porque sua intenção é a de levar as pessoas a crerem e às obras, não expor a doutrina da Igreja sistematicamente. A missão de padre Jonas é mais específica, nem melhor nem pior, mas diferente. Pois a Igreja anatematizou a tese protestante de que o homem deve crer que já está salvo, e que não há necessidade de praticar boas obras: “Se alguém disser que o homem é absolvido de seus pecados e justificado pelo fato de crer que com certeza que está absolvido e justificado, ou que ninguém está verdadeiramente justificado senão aquele que crê que está justificado, e que por esta única fé se realiza a absolvição e a justificação, seja anátema. (Concílio de Trento, Denzinger, 824).

Ora, infelizmente, é exatamente isso que escreveu o Padre Jonas em seu opúsculo citado. “Se alguém disser que o homem renascido e justificado está obrigado a crer de fé que está certamente no número dos predestinados, seja anátema” (Concílio de Trento, Denzinger, 825).

De novo, a tese cai como luva no que afirmou Padre Jonas em seu livro.

Veja, Irmã, mais esta citação: “Deus faz a parte dele. Basta que você faça a sua. E a sua parte é dedicar-se. E essa dedicação terá o seu prêmio.

1.o Ela o tornará um cristão mais forte, 2.o Ela dará a você a certeza da salvação.

(…) 4o. Ela lhe dará a certeza do perdão de Deus
(Padre Jonas Abib, A Bíblia foi Escrita para Você, p. 5. O negrito é meu).

É difícil não ver que os anátemas do Concílio de Trento atingem o que escreveu Padre Jonas, que — repito — julgo que escreveu tais erros por ignorância ou por pressa, e não por má fé. Mas tais teses devem ser repelidas e condenadas.

Veja bem. O próprio Catecismo nos ensina que devemos estar certos do perdão de Deus se nosso arrependimento é sincero. Padre Jonas não ensina heresias, nem está entre os anátemas que o Concílio de Trento disse, está apenas em outro plano. Padre Jonas fala de certeza moral. Essa certeza a Igreja mesma nos dá. Ele conhece bem a doutrina da Santa Igreja, e se um dia escorregar tenho certeza que ele mesmo se acusará em público, pois é um homem grandemente humilde. O senhor, infelizmente, está “puxando sardinha para o seu lado”, e fazendo as coisas dramáticas demais. Santo Ignácio de Loyola diz que quando alguém nos diz algo que nos parece errado, devemos sempre crer que não entendemos bem o sentido das palavras ou que ele usou mal as palavras. Coisa que apesar de suas palavras de “tomara que ele esteja agindo por ignorância” ou coisa assim o senhor parece não estar fazendo, pois nem sequer pensou na possibilidade do padre estar se referindo à “certeza moral” para “absolver” os escritos do Padre Jonas, mas já o levou ao tribunal da Inquisição, imaginando o pior. Prudência. O que agrava mais a situação é o fato de que Padre Jonas, em seu livro “A Bíblia foi escrita para Você” previne que se deve ler com cuidado o Eclesiastes: “Releia Provérbios e Eclasiástico — Jó e Eclesiastes, tomando cuidado com a índole própria desses livros” (Padre Jonas Abib, A Bíblia foi escrita para Você, Loyola, São Paulo, 1994, p. 22).

E por que ter esse cuidado? Não seria porque no Eclesiastes se pode ler: “Há justos e sábios, e as suas obras estão na mão de Deus, e contudo o homem não sabe se é digno de amor ou de ódio” (Ecle. IX, 1), frase essa que contradiz o que ensina padre Jonas.

A necessidade de praticar boas obras para salvar-se está explicita nos textos da Sagrada Escritura. Está escrito no Evangelho: “O Filho do Homem há de vir na glória de seu pai com os seus anjos; e então dará a cada um a paga segundo as suas obras (Mt. XVI, 27).

Confirmando o que Deus disse no Antigo Testamento por meio dos Profetas e nos livros sapienciais: “Eu lhes tornarei segundo as suas obras e segundo os feitos de suas mãos” (Jer. XXV, 14).

E no Apocalipse, Cristo disse: “Eu sou Aquele que sonda os rins e os corações; e retribuirei a cada um de vós segundo as suas obras” (Apoc. II, 23).

“Ele retribuirá ao homem segundo as suas obras”(Prov. XXIV, 12).

O senhor percebeu? Tomou a parte pelo todo, e por quê? Porque com certeza o senhor não conhece outros livros em que o padre fala explicitamente o que aqui ele deixa apenas implícito, como a necessidade das boas obras, e etc. Não digo que ele não use termos que podem dar margem à outra interpretação. Se pegarmos textos isoladamente dele podemos chegar a afirmar o que o Padre Jonas nunca disse nem tencionou dizer. Fazendo uma comparação – desproporcionada sem dúvida – seus livros são como a Bíblia, só entende bem a mensagem quem os ler em conjunto ou conhecer o Padre e suas pregações, etc. Não é lendo um livro dele apenas que saberemos quem ele é e o que ele pensa na sua totalidade, e o que ele ensina. Nesse mesmo opúsculo, Padre Jonas nunca cita as palavras Igreja, Papa, Nossa Senhora, e Sacramentos. Quem lê, tem a impressão de estar lendo um livro de um pastor protestante. Tanto mais que Padre Jonas escreve a respeito da Bíblia: “A Palavra de Deus irá se esclarecendo por si mesma. A Bíblia explica a Bíblia. É certo” (Padre Jonas Abib, op. cit., p. 4 e p. 15).

Já conhecendo o que poderia esperar dos escritos desse sacerdote, fiz comprar o livro do Padre Jonas que a senhora me indicou, pedindo-me minha opinião sobre ele. Eu o li neste fim de semana, e fiquei, de novo, estarrecido pela pobreza doutrinária desse opúsculo e pelo subjetivismo em que se fundamenta, lançando os leitores numa aventura pentecostal, que pretende distinguir dons do Espírito Santo de enganos diabólicos pelo que eles “sentirem”. Cito-lhe um texto, em que Padre Jonas Abib trata do “dom da profecia”: “Na palavra de profecia, o próprio Deus nos fala, às vezes consolando, às vezes exortando, noutras repreendendo. E é interessante notar que o efeito da palavra de profecia sobre a assembléia é muito positivo. A palavra de profecia muda o ambiente do grupo de oração. O efeito da palavra de profecia faz diferença dentro de nós. Quando há palavras que não são de profecia, o ambiente fica pesado, monótono, o que prejudica a oração. Com a palavra de profecia não é assim: nós a recebemos e sentimos “aquela sensação gostosa”. Mesmo quando é severa, percebemos que vem de Deus, e isso eleva o grupo todo, eleva a oração. Há mais unção, mais força, mais espontaneidade” (Padre Jonas Abib, Aspirai aos Dons Espirituais, Loyola, São Paulo, 1995, p. 85. Os negritos são meus).

Veja, Irmã, que os critérios estabelecidos pelo Padre Jonas para reconhecer o “dom de profecia” são completamente subjetivistas e sentimentais. Ele chega ao cúmulo de colocar como critério o sentir “aquela sensação gostosa”! (???).

Numa matéria tão grave, confiar nos sentimentos e em “sensações gostosas” é sumamente imprudente e errado.

De novo, quem é o senhor para julgar com acerto os critérios para a profecia? Santo Ignácio de Loyola para discernir a vontade de Deus também se utiliza quase puramente de critérios subjetivos (dado que dependem também do “sentir” do homem: paz (ou sensação gostosa), agitação de espíritos, luta interior (sinal de que há vida, e não há “ambiente pesado, monótono, etc. Não estou é claro preocupado em definir essas sensações agora, estou só citando, para fazê-lo pensar. Por isso não se detenha na minha “letra” mas vá ao “espírito”, ao que quis expressar. Não consegui me expressar bem, mas como inteligente que o senhor é, creio que me entendeu) Tanto mais que o próprio Padre Jonas, previne, duas páginas depois, que existe a chamada “falsa profecia”: “Além da palavra de profecia, existe a chamada “falsa profecia”! Não quero assustar ninguém, porque a falsa profecia é muito rara. Mas já a encontrei algumas vezes!

“Quando acontece a falsa profecia?

“Na falsa profecia, não é Deus quem fala: é o espírito do mal que abusivamente procura falar” (Padre Jonas Abib, op. cit. p. 87. o negrito é meu).

Portanto, Padre Jonas reconhece que — pelo menos raras vezes, mas acontece — que o espírito do mal, o demônio, –”puisqu” il faut l’appeller par son nom”–, o demônio procura enganar os fiéis, simulando dons do Espírito Santo.

Se é assim, todo o cuidado então é pouco, sendo imprudente confiar “naquela sensação gostosa”, já que o diabo pode nos iludir também com “sensações gostosas”.

Veja, o diabo pode induzir sim a sensações gostosas, mas não como as que o espírito bom produz. Dizer o contrário é negar de modo total todo a contribuição que Santo Ignácio deu ao discernimento dos espíritos e que a Igreja endossou. E com o dom de línguas … estranhas não poderia acontecer o mesmo, como aliás acontece em sessões espíritas, em que o demônio fala em línguas desconhecidas através do médium, como a Igreja sempre preveniu?

Quanto ao dom de línguas, Padre Jonas nos diz outras coisas muito surpreendentes.

Por exemplo, ele afirma que o dom de línguas “revela o mundo sobrenatural” .

“O dom de línguas revela o mundo sobrenatural; ele é como uma chave que nos abre o mundo espiritual. É como se deixássemos a dimensão natural para ingressar na dimensão sobrenatural” (Padre Jonas Abib, op. cit. p. 65).

Essas afirmações são inaceitáveis.

Ingressamos na ordem sobrenatural pelo Batismo e não pelo que Padre Jonas Abib denomina “dom de línguas”. A afirmação dele implica numa negação do efeito próprio do Batismo que nos faz filhos adotivos de Deus pela recepção da Graça santificante, que é a vida de Deus na alma.

Na mesma página, Padre Jonas, confirmando seu erro, nos garante que “Quando oramos e cantamos em línguas, promovemos uma maravilhosa união entre a terra e o céu, entramos na Comunhão dos Santos” (P. Jonas Abib, op. cit.p.65. O negrito é meu).

Isso é contrário à doutrina católica: entramos na comunhão dos santos ao sermos batizados. De novo, nota-se nas palavras do Padre Jonas Abib uma desvalorização, senão a negação, pelo menos implícita, dos efeitos próprios do Batismo. Essa negação implícita dos efeitos próprios do batismo explica porque ele dá — com a RCC — tanta ênfase ao que ele chama de “batismo do Espírito Santo”.

Padre Jonas Abib parece que ou não leu, ou não deu importância ao que a CNBB escreveu, em 1994, quer sobre o chamado “batismo no Espírito Santo”, quer sobre os carismas, assim como sobre a temeridade de pedi-los e a presunção de tê-los, pois Padre Jonas, em seus livros, não só incita temerariamente a pedi-los, mas deixa claro que presume possui-los, e que muitos outros membros da Canção Nova os receberam.

Sim, o padre Jonas incita a pedir os dons do Espírito, como diz Paulo “aspirai aos dons espirituais”. Porém não se pode dizê-lo que ele o faz temerariamente, seria necessário conhecê-lo melhor para dizer algo assim, e com certeza, ele é muito prudente. Quanto à presunção que o senhor diz que ele possui, olha, o Padre Jonas faz uns 30 anos que ele vive esse nova experiência no Espírito Santo, claramente um carisma seu, e não é lícito dizer que 30 anos de oração e direção espiritual o façam presumir afoitamente… Sinceramente… Eis o que disse a CNBB, a esse respeito: “55. Dons e Carismas: O grande dom, que deve ser por todos desejado, é o da caridade: “Aspirai aos dons mais altos. Aliás, passo a indicar-vos um caminho que ultrapassa a todos…” (1 Cor 12, 31-13,13). “A caridade é o primeiro dom e o mais necessário, pelo qual amamos a Deus acima de tudo e o próximo por causa dele” (LG, 42).

“56. “O Espírito Santo unifica a Igreja na comunhão e no ministério. Dota-a e dirige-a mediante os diversos dons hierárquicos e carismáticos” (LG, 4). O Espírito opera “pelas múltiplas graças especiais, chamadas de carismas, através das quais torna os fiéis aptos e prontos a tomarem sobre si os vários trabalhos e ofícios que contribuem para a renovação e maior incremento da Igreja” (Catecismo da Igreja Católica, 798). Os carismas devem ser recebidos com gratidão e consolação. E não devem ser temerariamente pedidos nem se ter a presunção de possui-los (cf. LG, 12).

“57. Haja muito discernimento na identificação de carismas e dons extraordinários. Diante das pessoas que teriam carismas especiais, o juízo sobre sua autenticidade e seu ordenado exercício compete aos pastores da Igreja. A eles em especial cabe não extinguir o Espírito, mas provar as coisas para ficar com o que é bom (cfr. 1 Tes 5,12.19.21). Assim, também no que se refere aos carismas, a RCC se atenha rigorosamente às orientações do Bispo Diocesano” (CNBB, Documento com Orientações Pastorais sobre a Renovação Carismática Católica, elaborado na Assembléia Geral da CNBB em novembro de 1994. Os negritos são nossos).

A CNBB recomendou que “haja discernimento na identificação dos carismas”. Padre Jonas os reconhece por “aquela sensação gostosa”

Isso é reducionismo. Padre Jonas “os reconhece”. Você diz que o Padre usa como critério para a identificação dos carismas todos “aquela sensação gostosa”. Bem, ele só disse isso com respeito à palavra de profecia, não a todos os carismas portanto, e em sentido estrito, “nos grupos de oração” etc… Sinceramente eu repito o que eu disse, o senhor não percebe que é muito reducionista? Que toma a parte pelo todo? Quase sempre em suas respostas e artigos tem sido assim. Eu admiro pelo empenho em manter um site e tudo, mas pelo conteúdo não admiro tanto, pelo motivo supracitado. O que mais estranhei nesse opúsculo escrito sem nenhuma referência bibliográfica por Padre Jonas — portanto, sem base doutrinária nenhuma — foi a composição do ser humano.

É incrível que uma pessoa que foi ordenada sacerdote, e que — supõe-se — estudou três anos de Filosofia e quatro de Teologia, escreva disparates sobre a constituição do homem.

Diz Padre Jonas: “O homem é corpo, alma e espírito, três coisas distintas umas das outras. Corpo é corpo (sic!). Alma são as nossas faculdades interiores — pensamentos, sentimentos e emoções –, e o nosso espírito é algo mais; é a própria vida de Deus em nós (SIC!!!!!); é a vida divina nos fazendo participantes da natureza Senhor” (Padre Jonas Abib, Aspirai aos Dons Espirituais, p. 59. O negrito é meu.).

É inacreditável !!!

Se não tivesse o livro do padre Jonas Abib aberto diante de mim, não acreditaria que um Padre dissesse uma coisa que contraria o que devia ter aprendido em qualquer pequeno catecismo para crianças.

Padre Jonas chama de “espírito” do homem, o que a Igreja define como graça santificante. Se o espírito do homem fosse “a vida de Deus em nós”– como escreve padre Jonas Abib — nós seríamos naturalmente deuses! Todos os homens têm espírito. Logo, todos seriam naturalmente deuses.

Isso é a negação da distinção entre a ordem natural e a ordem sobrenatural.

Nunca pensei encontrar uma tal ousadia: a de por em letra de forma coisa que indica tanto desconhecimento doutrinário. E isto feito por um sacerdote que estudou Teologia. E digo ignorância, porque não quero supor coisa pior.

Por força de verdade sou forçado a admitir que o padre esteja equivocado aqui. É notório. Mas nem por isso, seu livro todo é rejeitável. Outra coisa inacreditável é que esse livreco tenha sido editado por uma editora católica, em 1995,– depois da advertência da CNBB -, tenha circulado pelas mãos de muitos, e que nenhuma autoridade o tenha criticado. Isso indica a confusão doutrinária em que os católicos estão abandonados, hoje. Vale dizer qualquer coisa. Vale escrever qualquer doutrina, por mais estapafúrdia que seja.

E Padre Jonas Abib admite essa confusão que ele veladamente denomina de “ausência de pastores”: “Não é assim que está o povo de Deus? Ovelha sem pastor.” (Padre Jonas Abib, op. cit. p. 131) Reparando que, de fato, ele está fazendo uma crítica por demais violenta às autoridades da Igreja — já que João Paulo II está vivo e é nosso Papa — Padre Jonas recua um tanto, dizendo: “Não estou criticando ninguém, mas a verdade é que o povo só tem seguido por caminhos errados; tem sido enganado; com sede, tem bebido em cisternas de águas pútridas; é um povo como a ovelha, sarnenta, cheia de carrapatos” (Padre Jonas Abib, op. cit. p. 131-132).

Se, pelo menos, Padre Jonas tivesse atendido a advertência que a CNBB fizera aos carismáticos um ano antes da publicação desse seu livro, ele teria evitado ajudar a encarrapatar as ovelhas abandonadas.

Pois estou convencido de que os livros de Padre Jonas Abib têm contribuído — e bastante– para encarrapatar as ovelhas com as doutrinas estranhas de sua “Canção Nova”, que contraria a canção que a Igreja sempre cantou. E que, ademais, é uma canção nova bem desafinada do ensinamento de Pedro.

Perdoe-me, Irmã, minha digressão, causada pela indignação diante de tantos disparates teológicos .Volto a analisar a constituição do homem segundo Padre Jonas Abib que citei acima.

Passo por cima da afirmação sensacional de que “corpo é corpo”.

Ninguém sabia disso. Foi talvez o dom da sabedoria que inspirou Padre Jonas a afirmar coisa tão extraordinária!

Veja, como disse, Padre Jonas é bem simples e direto, dizer que “corpo é corpo” é do feitio dele, seus livros tem linguagem corrente que ele usa, não definições teológicas. Ele costuma muito dizer isso para deixar claro, e isso não merece a ironia que o senhor expressou. Talvez dizendo as coisas de modo até simples demais como dizer “corpo é corpo” ele se faz entender melhor que dizer que corpo é o soma, ou coisa assim. Mas não posso deixar passar a afirmação errônea de que nossa “Alma são as nossas faculdades interiores — pensamentos, sentimentos e emoções”. Essa, não! É demais! É violar muito grotescamente, não só a Teologia, mas até o bom senso.

Viola a Teologia porque ensinou São Tomás que a alma humana não são as suas potências (São Tomás, Suma Teológica, I, Q 77, a.1: “Se a essência da alma são as suas potências”).

Toda a exposição de idéias de Padre Jonas indica, disse eu, uma grande falta de conhecimento doutrinário. Parece evidente que ele nunca estudou São Tomás. Prova disso é ele dizer que a alma humana, em sua concepção, nem vontade possui. O pobre padre se esqueceu de que o homem tem vontade livre, tanto estava preocupado em salientar as emoções, sentimentos, e… “sensações gostosas”.

Para finalizar, quero afirmar que nesta missiva coloquei minha simples opinião de leigo que estudou o catecismo, e um pouco de São Tomás, sem pretensão de enunciar um juízo teológico que não me compete. O senhor reconhece que são “simples opinião”. Fico feliz com isso: sabe que o juízo depende dos legítimos pastores. Mas isso não o excusa de procurar conhecer melhor para escrever com menos inexatidão. Graças a Deus esse juízo também não me compete, pois não tenho “gabarito” para tanto. Pode-se notar pelo nível rude das respostas que dei nesse e-mail, mas não o fiz com a intenção de “elaborar um juízo doutrinariamente qualificado”, mas apenas de fazê-lo pensar melhor antes de escrever, pois podem haver aspectos que o senhor ainda não explorou antes de responder os emails. Como por exemplo o caso que citei do discernimento dos espíritos de S. Ignácio. Estou pronto a aceitar um juízo doutrinariamente qualificativo e corretamente fundamentado, elaborado por pessoa mais abalizada que eu, sobre essas questões.

Oxalá as autoridades competentes tomem alguma providência para evitar que tais erros e tais livros circulem entre os católicos!

Recomendando-me às suas orações, e rezando a Deus que ilumine Padre Jonas Abib, subscrevo-me in Corde Jesu, semper, Orlando Fedeli Rezem também por mim para que eu tenha a graça de ver com mais clareza a vontade do Senhor, e discernir com mais exatidão sua Santa Vontade, Um servo inútil de Nosso Senhor

Muito prezado Juliano, salve Maria!

Li com atenção os seus comentários sobre minhas críticas aos livros do Padre Jonas Abib.

Se você sinceramente não sabe de onde tirei o que digo, é porque não conhece a doutrina e a História da Igreja. Pois é delas que tirei o que disse.

Por exemplo, houve já muitas seitas que afirmaram terem tido um novo pentecostes, igual ao que ocorreu no Cenáculo, e isso é impossível. Só por analogia –e não literalmente — poder-se-ia dizer isso. Literalmente seria herético. Por isso é preciso muito cuidado e esclarecer bem o que se diz, para não se cair em erro ou não induzir em erro.

Cuidado no escrever, todos devemos ter. Muito mais um Padre, cuja palavra tem autoridade.

Um padre – que se supõe-se ter estudado e conhecer Teologia — não pode dizer as coisas de modo tão impreciso e errado, como o fez, por escrito, em livros, o Padre Jonas Abib.

Você mesmo reconhece que ele errou num ponto gravíssimo, como confundir a vida da graça com o próprio espírito do homem, pois você me escreveu:

Por força de verdade sou forçado a admitir que o padre esteja equivocado aqui. É notório. Mas nem por isso, seu livro todo é rejeitável.”

Ora, um erro desse porte, que faz dos homens Deus, é gravíssimo. Apesar disso, você me diz que o resto do livro seria aceitável. Isso é um liberalismo absurdo. Um livro que tem uma heresia tão grave é condenável, ainda que contenha partes boas. A Igreja condenou todas as obras de um autor, porque havia nelas uma só tese herética. E Santo Inácio, que você gosta de citar, afirma que não se devem ler nem mesmo as obras boas de um autor se depois ele foi condenado por uma só obra má, ou por uma só heresia.

Será então que você chamará também Santo Inácio de reducionista?

Você procura salvar seu amigo e conhecido Padre Jonas porque ele é seu amigo e porque você o conhece. O povo conhece os livros dele, nos quais há erros graves.

Você admitiu um. Gravíssimo. Depois me chama de “reducionista”.

Meu caro, experimente chamar de reducionisa o médico que diz que uma pessoa é cancerosa porque tem um só câncer no cérebro, esquecendo que todos os seus demais órgãos são bons.

Chamar de reducionista um adversário, só porque ele provou que há erros nos livros de um amigo, é usar um slogan.

Não vá também dizer que eu não tenho senso de “partilha”, que não aceito o “diálogo”, que não “exerço a cidadania”, que não “participo”, que não compreendo o “Amor”, e outros chavões postos em voga na mídia, nos sermões, nas lojas e mercados, como se esses slogans fossem a essência da mensagem do Evangelho.

Meu caro, não seja reducionista, reduzindo a doutrina de Cristo a palavras vagas e equívocas, quando não erradas.

E você confessa ainda, a par de desculpar o Padre Jonas:

“Veja, como disse, Padre Jonas é bem simples e direto, dizer que “corpo é corpo” é do feitio dele, seus livros tem linguagem corrente que ele usa, não definições teológicas”. “Não digo que ele não use termos que podem dar margem à outra interpretação. Tomar um livro, e por ele julgar a pessoa é reducionismo , no mínimo, para não crer que é má-fé.”

Opa! Você que é tão compreensivo e desculpador dos amigos, logo me acusa de ter má fé? Mas que caridoso você é! E como você julga com ponderação!

Você, por acaso, já leu todos os meus escritos ?

Você não acha que está caindo em reducionismo a meu respeito ?

Por outro lado, quando mostro que os textos de Padre Jonas, postos em letra de forma, em livros publicados, contrariam o que foi estabelecido solenemente em Concílios infalíveis, você me argumenta com um trunfo “pessoal “: “Creio que há um mal-entendido, não uma heresia, pois conheço muito bem o padre Jonas e sei no que ele crê, e sei que ele crê na Igreja, mais do que nele”. Meu caro, sua crença pessoal sobre Padre Jonas não está em discussão, e sim o que ele escreveu. Nem eu discuto o valor pessoal dele. Critiquei o que ele escreveu. Só isso. Não seja agora “expansionista”, alargando por demais minha crítica, para compensar o seu reducionismo em outras partes.

Depois, você me vem com outra desculpa:

“O problema é o padre não escreve para doutos, e sim para gente simples, e não é fácil explicar tudo detalhadinho, seria necessário o Catecismo mesmo da Igreja e até mais. Não que ele deva descuidar do que escreve, só porque é gente simples quem o lê, ao contrário, mas ele não se preocupa tanto em deixar tudo explícito, porque sua intenção é a de levar as pessoas a crerem e às obras, não expor a doutrina da Igreja sistematicamente.”

Quando se escreve para gente simples, o cuidado deve ser redobrado. Imagine um médico que receite um remédio que é perigoso se for tomado em excesso, e que vendo que o seu paciente é pessoa simples, não lhe explica ainda com mais cuidado como deve ser tomado o remédio e o que deve ser evitado. Se Padre Jonas escreve para pessoas simples, os livros dele fazem mal ainda maior.

Você percebeu que sua defesa de Padre Jonas o compromete mais ainda?

E você admite que Padre Jonas, de fato, escreve de modo tal que permite mal entendidos. Que, portanto é um mau autor: “O senhor percebeu? Tomou a parte pelo todo, e por quê? Porque com certeza o senhor não conhece outros livros em que o padre fala explicitamente o que aqui ele deixa apenas implícito, como a necessidade das boas obras, e etc. Não digo que ele não use termos que podem dar margem à outra interpretação” Sua defesa de Padre Jonas é uma confissão de que tenho razão.

Quando alguém escreve algo errado, a verdade manda que a pessoa admita o erro. E se for um erro impresso num livro, a honestidade e a moral mandam que se admita o erro, se retire o livro de circulação e se escreva o oposto, alertando os leitores contra os erros escritos anteriormente.

É o que faz qualquer laboratório, quando constata que um remédio lançado pode prejudicar a saúde: retira o produto e adverte os usuários. E, se o remédio, causou danos físicos, indeniza os prejudicados.

De Padre Jonas o que se esperaria é a retirada de seus livros com erros e a publicação leal e sincera da admissão desses erros, com a publicação de livros que ensinem a verdade que aqueles erros haviam negado.

Rezarei, sim, como você me pede, por você, para que Deus o faça colocar a verdade acima da amizade. E reze por mim, para que eu não seja nem reducionista, nem expansionista, mas que defenda só a verdade

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

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