Montfort Associação Cultural

19 de setembro de 2006

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Comentário do Papa Bento XVI sobre o Islã

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Carlos Felipe dos Santos E Silva
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Caros amigos da Montfort,

Envio-vos um e-mail que preparei para enviar aos meus conhecidos sobre esta falácia envolvendo o Santo Padre e seu discurso na Universidade de Ratisbonne. Espero que algo possa ser aproveitado para publicação neste site.

Com estimas e tendo-os em minhas orações,
Carlos Felipe

——-

Mais uma vez vemos a imprensa falando da Igreja e do Papa – mal, para variar.

Esta imprensa tão carente de assunto e conteúdo segue mais uma vez o conselho de Voltaire para se conseguir sucesso rápido.

Nestes tempos de homofobia, fico pensando em criar uma ONG para as vítimas da eclesiofobia, que cada vez mais toma conta do mundo ocidental. Aliás, era sobre este assunto que o Santo Padre estava falando em seu discurso na Universidade de Ratisbonne:

“As culturas profundamente religiosas do mundo vêem na exclusão do divino da universalidade da razão um ataque a suas convicções mais arraigadas. Uma razão que frente ao divino é surda e relega a religião ao âmbito de uma cultura de segundo grau é incapaz de inserir-se no diálogo das culturas”

Como então, nós católicos estamos novamente em destaques, é bom sabermos dentro do contexto o que aconteceu antes de acreditarmos em qualquer besteira que escutemos por aí, além de estar preparados para defender a Santa Igreja e o Papa, pois como disse São Pedro, devemos estar sempre prontos para “dar a razão da nossa esperança a todo aquele nos pede” (Pd 3,15).

Para quem tem fluência em inglês, o discurso do Santo Padre pode ser encontrado na íntegra aqui.

Seu ponto de partida é o comentário de um colega seu, dos tempos em que era professor na Universidade de Bonn:

“This profound sense of coherence within the universe of reason was not troubled, even when it was once reported that a colleague had said there was something odd about our university: it had two faculties devoted to something that did not exist: God”.

Então, diante de tão radical ceticismo, o Santo Padre acha conveniente levantar a questão da existência de Deus através do uso da razão. Cita então um livro que lera, escrito pelo professor Theodore Khoury a respeito de uma conversa entre o Imperador Manuel II Paleologus e um persa sobre o Cristianismo e o Islamismo. Tal conversa percorre as estruturas da fé contidas na Bíblia e no Corão e o problema da fé e da razão:

“I was reminded of all this recently, when I read the edition by Professor Theodore Khoury (Münster) of part of the dialogue carried on – perhaps in 1391 in the winter barracks near Ankara – by the erudite Byzantine emperor Manuel II Paleologus and an educated Persian on the subject of Christianity and Islam, and the truth of both. It was presumably the emperor himself who set down this dialogue, during the siege of Constantinople between 1394 and 1402; and this would explain why his arguments are given in greater detail than those of his Persian interlocutor. The dialogue ranges widely over the structures of faith contained in the Bible and in the Qur”an, and deals especially with the image of God and of man, while necessarily returning repeatedly to the relationship between – as they were called – three “Laws” or “rules of life”: the Old Testament, the New Testament and the Qur”an. It is not my intention to discuss this question in the present lecture; here I would like to discuss only one point – itself rather marginal to the dialogue as a whole – which, in the context of the issue of “faith and reason”, I found interesting and which can serve as the starting-point for my reflections on this issue”.

Chegamos então no ponto polêmico e colocado fora do contexto:

O Imperador fala ao seu interlocutor que no Corão, na sura 2,256, está escrito que a religião não pode ser imposta. Contudo, mais tarde, será acrescentado ao Corão a Jihad, a guerra “santa”. O imperador então questiona o seu interlocutor: 

“Show me just what Mohammed brought that was new, and there you will find things only evil and inhuman, such as his command to spread by the sword the faith he preached” (Mostre-me o que Maomé trouxe de novo, e lá você só encontrará maldade e desumanidade, como o seu comando de espalhar a fé através da espada) . 

A partir deste ponto o Imperador Bizantino irá explicar que propagar a religião através da violência é algo irracional, pois a violência não é compatível com a natureza de Deus e da alma humana. E agir de forma irracional não é compatível com a natureza de Deus.

O ponto decisivo da discussão é: agir de forma irracional é ser contra a natureza de Deus, na visão do Imperador Bizantino. Mas para os muçulmanos, Deus é totalmente transcendente e sua natureza não está ligado a nada que é humano.

O discurso do Santo Padre Bento XVI prossegue, mas creio que até aqui seja sufiiciente para que entendamos o que aconteceu, dentro do seu contexto. Note que em nenhum momento se desejou ofender os muçulmanos, como quer nos fazer acreditar a grande imprensa.

A declaração oficial do Vaticano sobre os comentários da imprensa pode ser lido aqui.

Permaneçamos firmes em nossas orações pelo Santo Padre.

Com estimas,

Felipe.

“Cognoscetis veritatem et veritas liberabit vos” (Jo 8,32)

Muito prezado Felipe,
Salve Maria.

     Muito obrigado por seu comentário que pode ajudar a muitos.
     Gostaria de citar um outro versículo do Corão, e da mesma surata 2 — “AL BÁCARA (A VACA) – onde está dito que se devem matar os inimigos do islam:

Combatei pela causa de Deus àqueles que vos combatem: porém não os provoqueis, porque Deus não estima os agressores“. (Sur, II, 190).
Combatei-os onde quer que os encontreis e expulsai-os de onde vos expulsaram, porque a intriga é mais grave que o homicídio” (Sur II, 191)
 
     Esse memo versículo, na versão em francês diz: Matai-os onde quer que se encontrem etc.”
     E na mesma Surata 2, na versão francesa se lê: 

Vos é prescrito o combate, ainda que vos seja odioso” (Sur. II, 212).

 
     E se argumentarem que é legítima a guerra defensiva, foi exatamente isso que fizeram as Cruzadas para defender os peregrinos cristão perseguidos pelos maometanos na Palestina.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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