Montfort Associação Cultural

26 de janeiro de 2005

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Comentário de uma resposta-conselho de um padre

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marcos
  • Idade: 44
  • Localizaçao: Curitiba – PR – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Religião: Católica

Muito prezado Professor Orlando

Ao questionar um padre católico sobre as várias dificuldades encontradas hoje nos ambientes de trabalho (salários baixos, ociosidade, desânimo, negativismo), eu comentei com o padre que a Fé Cristã poderia ajudar muito na amenização dessas “pesadas cargas” que estão sendo verificadas, nesses ambientes.

Veja, abaixo, a resposta que obtive do padre. Apreciaria muito se o senhor pudesse comentá-la.

Cordiais saudações,

Marcos

“Como lhe disse, pouco adianta pedir soluções a Deus, porque já as forneceu todas e mais algumas ainda. Os problemas no trabalho são de ordem política e econômica, e não teológica, e são originados pela corrupção e falhas humanas, que são opções livres, por mais idiotas que sejam. Sendo que a esperança é a última que morre, continuemos esperando, mesmo que seja sentados, mas não de braços cruzados. É preciso fazer nossa parte, refletir, oferecer sugestões, propostas e iniciativas. Não é fácil, mas não é impossível. O importante é não permitir que o negativismo se torne em derrotismo e provoque gastrites, úlceras estomacais, prisão de ventre e o diabo a quatro, enfim somatizações. Apesar de tudo, a vida continua maravilhosa e nós somos privilegiados em comparação com tantos bilhões de outros nossos irmãos .”

Muito prezado Marcos, salve Maria!

Você me pede que comente a resposta-conselho que um padre lhe deu sobre problemas comuns à vida profissional.

A resposta desse sacerdote poderia ser a de um pagão. Não há, nas palavras desse padre nada de sobrenatural, nada nem mesmo de elevado.

A reposta dele é a de um naturalista sem fé nenhuma.

Cristo Deus nos disse:

“Sem Mim, nada podeis fazer” ( Jo.XV, 5).

Sem a graça de Deus não podemos fazer nada. Mesmo os mais simples problemas, se Deus não nos assiste com a sua graça, continuamente, nada podemos fazer. Para esse padre, porém, tudo se resume a atuar bem, para evitar “somatizações”.

E a glória de Deus está bem longe de suas vistas.

Para ele, haveria uma separação completa entre a vida econômica e profissional e a vida sobrenatural. Esse pobre sacerdote é um laicista completo. E até, se se levar a fundo a separação que ele coloca entre as atividades mundanas e a Fé, se poderia dizer, com Bonifácio VIII, que ele admite dois princípios opostos e separados: o do bem, o divino, e outro natural, sem relação um com o outro. Portanto, ele admitindo dois princípios no governo do mundo, ele seria, no fundo, um dualista maniqueu, pelo menos, prático.

E ele afirma com o maior caradurismo do mundo, que “pouco adianta pedir soluções a Deus, porque já as forneceu todas e mais algumas ainda”.

Como esse Padre reza, então, o Pai Nosso, todo o dia, em sua Missa?

Cristo nos ensinou a rezar o Pai Nosso, pedindo a Deus tudo o que necessitamos.

Se “pouco adianta pedir soluções a Deus”, para que existem os Padres?

Para que existe esse homem, como sacerdote?

O que ele afirma é a negação do próprio motivo de ser sacerdote.

É a existência de Padres desse tipo, hoje, que explica o colapso da Fé entre os católicos de nosso tempo.

Desgraçadamente.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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