Montfort Associação Cultural

19 de novembro de 2004

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Comentário a respeito da Teoria da Evolução

Autor: Fábio Vanini

  • Consulente: Giovani
  • Idade: 19
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Ateu

Caro Sr. Fedeli

Estive lendo seu site, por indicação de um amigo. Ainda não cheguei a ver tudo, porém daquilo que li, de um modo geral não concordei com sua opinião. Mas, em especial, a respeito da questão do evolucionismo, não resisti a deixar um comentário ligado à pergunta do Big Bang, localizada neste atalho:

http://www.montfort.org.br/perguntas/bigbang.html

Ali o Sr. afirma:

“Foi Deus quem criou o homem. Não houve e não há evolução.”

Eu gostaria de questionar essa afirmação. Vou partir do seguinte: O ser humano é incompleto. Todos vivemos numa busca a respeito de quem sou, para onde vou, de onde vim. É normal, e de nossa natureza como seres humanos. Na tentativa de responder a essas perguntas, buscamos todo o tipo de resposta: alguns acreditam nas respostas de certa religião, outros nas da ciência, outros em certa linha filosófica, e assim por diante. Na realidade, ainda não há, comprovadamente, uma teoria final,definitiva e irrefutável a respeito do assunto. Mas como essa busca não acaba, a cada dia a humanidade vai tentando melhorar suas soluções. Na minha opinião, a melhor solução que possuímos é a da teoria evolucionista. É óbvio que não é uma teoria final, definitiva e perfeita a respeito do assunto. Mas ela é logicamente coerente e tem sido comprovada como viável em diversos experimentos ao longo das décadas. Então, na minha opinião, é a melhor explicação até o momento. Na sua opinião, a solução es!

tá em Deus. Mas como comprovar que não houve e não há evolução, e sim que Deus fez a humanidade e pronto? Quais as evidências disso? Se por um lado a explicação evolucionista não é perfeita e não responde a tudo, por outro lado ela tem demonstrado ser viável em muitos casos. Em contrapartida, a explicação de que “Deus criou tudo” não tem nenhuma comprovação experimental. É uma conclusão baseada totalmente em um raciocínio lógico que não é ligado à experimentação. Se em algum momento houver uma prova irrefutável de que Deus exista, neste caso iremos repensar nossas soluções. Mas até lá, afirmar com esta certeza de que foi Deus quem criou o homem e ponto final, me parece muito precipitado. Não há certeza nenhuma de que Deus criou o homem, ou de que Deus exista. Tampouco existe alguma evidência. Embora a teoria da evolução não seja completa ainda, ela possui evidências experimentais de que está, no mínimo, parcialmente correta. E a teoria de que Deus criou tudo não tem ainda ne!

m mesmo evidências de acerto. Logo estou ficando com a que acredito explicar melhor o mundo: A teoria da evolução.

Caro Sr. Giovani, salve Maria,

Tomo a liberdade de responder sua carta, em nome do Sr. Orlando Fedeli, a quem foi endereçada, por conhecer um pouco sobre o tema tratado.

Em primeiro lugar, para podermos tratar de questões cientificas, da forma objetiva como requer o assunto, é preciso que abandonemos nossas opiniões. Se nos fundamentássemos meramente em nossas opiniões, qualquer discussão seria inútil, vã, e não mudaria numa vírgula o conhecimento acerca da verdade sobre o Universo. Na Ciência não há terreno para opiniões. Muito menos na Filosofia. Menos ainda na Religião. O que importa é o que a realidade nos mostra.

Portanto, se segundo a “sua opinião” a Teoria da Evolução explica tudo e, segundo a nossa, a Teoria da Criação também explica tudo, alguma das duas obrigatoriamente tem que estar errada. Conforme o senhor escreve, a Teoria da Evolução é “logicamente coerente” e o Criacionismo é “uma conclusão baseada totalmente em um raciocínio lógico”. E essas duas preposições se contradizem.

Para condenar assim o Criacionismo, seria necessário um conhecimento profundo – longe de palpites – acerca dos princípios filosóficos e metafísicos que o regem, bem como dos fenômenos naturais – que não o desaprovam. E isso a ciência moderna e sua mídia ocultam, para que estudantes e cientistas permaneçam na obscuridade.

Mas, por enquanto, seria mais adequado tratarmos imparcialmente da raiz do problema. É assim que um cientista sincero deve agir. E o problema fundamental é a existência de Deus. Pois, como o senhor mesmo admite “se em algum momento houver uma prova irrefutável que Deus exista, neste caso iremos repensar nossas soluções”. E se Deus existisse mesmo, você abandonaria as teorias contrárias a Ele? E por que aceita tão amorosamente o Evolucionismo, se sua explicação “não é perfeita e não responde a tudo” (sic)?

Recomendo, portanto que leia, neste mesmo site, as provas da existência de Deus (http://www.montfort.org.br/cadernos/existencia.html). São provas (não teorias) de que um ser criador, inteligente, superior e transcendente ao Universo é absolutamente necessário, e dessa necessidade, nem mesmo o Evolucionismo escapa. Pois é óbvio que o Universo nem sempre existiu. Houve um tempo em que ele não existia. Os que negam isso, transferem obrigatoriamente as qualidades de Deus para o Universo, e caem rapidamente numa espécie de panteísmo. O evolucionismo é uma tentativa de explicar o Universo causado, sem causa.

Quanto ao fato de que o Evolucionismo é “logicamente coerente”, se realmente o fosse, não seriam seus princípios tão amplamente discutidos e modificados desde sua proposta por Darwin e Wallace. O Evolucionismo quer demonstrar um Universo sem Deus, mas utilizando-se de certos sofismas, buracos (se é que é possível valer-se deles, para uma explicação científica) e distorções da análise dos fatos. Não podemos nos esquecer das distorções dos próprios fatos, isto é, das fraudes (como as do famoso Homem de Piltdown e do Homem de Java). Os evolucionistas adaptam os fatos uma teoria amarrada com barbante. O Evolucionismo é uma ideologia. Ou ainda, o Evolucionismo é uma tese metafísica. Mais ainda: o Evolucionismo é um sistema teosófico, com dogmas e tudo! É por isso que o senhor escreve – ingenuamente – logo no começo de sua carta que o homem é incompleto!

Tratemos, pois, da incompletude do homem. Embora o senhor a tenha colocado como sua opinião – o que vale tanto quanto a nossa, isto é, nada! – tal é exatamente a tese dos filósofos e teólogos gnósticos e panteístas. O homem é um ser em formação, pois, na verdade, um deus imanente ao mundo estaria em formação. E, no momento, sua expressão mais “evoluída” é a consciência humana. E por que será que não se fala, nas academias de ciência, ou nos tão importantes periódicos científicos, do que há de suceder o homem? Por que a evolução teria parado em nós?

Alguns tentaram acelerar esse processo, buscando uma raça “mais evoluída”, superior. Na Alemanha, esse movimento de aplicação do Evolucionismo chamou-se Nazismo (em busca do super-homem). Na Inglaterra, por exemplo, chamava-se Eugenismo, cujas cabeças principais propuseram, ao mesmo tempo, fórmulas matemáticas em genética de populações – para a corrente clássica selecionista – e a esterilização de doentes físicos e mentais! E nessas ações se vê a aplicação de um sistema doutrinário, com direito a dogmas, sacerdotes e tudo!

E a “lógica coerente” do Evolucionismo? Enquanto todo o Universo tende ao caos, o Evolucionismo propõem uma inversão dessa lei. Os organismos tenderiam naturalmente a se organizar, e em sistemas cada vez mais complexos. Os efeitos seriam maiores do que suas causas. E como bom físico, o senhor deve saber que isto é fisicamente impossível. Não é à toa que as diversas experiências em torno da “geração espontânea” da vida fracassaram ou foram fraudadas (ver Klaus Dose, 1988 – The Origin of Life: More questions than answers. In Interdisciplinary Science Reviews, vol. 13, no. 4). Contudo, continuam sendo ensinadas e tidas como comprovações da viabilidade da teoria.

Outro grande problema da teoria, que seria suficiente para eliminar a corrente darwinista, é a famosa tautologia da seleção do mais apto. Segundo Darwin, a seleção natural atuaria, selecionando o indivíduo mais apto. Ora, e quem é o mais apto? Resposta: o que foi selecionado. É um típico pensamento cíclico de princípios mal fundamentados. É um dogma darwinista.

A Evolução, segundo a corrente clássica, Darwinista, ocorreria gradualmente, ao longo de uma escala temporal geológica. E seria um processo contínuo. A partir deste princípio, pergunta Dobzhansky (Genetics and the Origin of Life, 1941): como pode um processo contínuo gerar produtos descontínuos? Produtos descontínuos seriam as espécies, que, como reconhece o importante geneticista, são categorias reais, e não convencionais (como ensina a filosofia escolástica medieval).

Este mesmo princípio, isto é, da contínua e gradual mudança dos seres vivos, ao longo de milhões de anos, deveria levar a uma evidência obrigatória: o registro fóssil. Ora, exatamente o que mais intriga os biólogos evolucionistas são os fósseis. Eles aparecem de repente em camadas geológicas e somem, sem mostrar mudanças. E a obra de Stephen Jey Gould está aí para descrever este fenômeno. Não é à toa que ele propôs a teoria do equilíbrio pontuado, em que a evolução ocorreria em saltos… e os evolucionistas vão saltando as contradições!

O senhor acerta em um ponto, quando afirma que a teoria da Evolução está “parcialmente correta”. Pois não há um falso sistema sem algumas verdades, para poderem sustentar as outras mentiras. Uma mentira é tanto mais bem feita, quanto mais se esconde sob verdades. E quais seriam essas verdades?

Uma coisa é certa: muitas coisas mudam. As gerações de indivíduos são muito diferentes entre si. A freqüência gênica muda ao longo do tempo. Isso é uma evidência e um fato testável. A este fato, os evolucionistas atribuem erroneamente o nome de micro-evolução. É um nome equivocado, pois Evolução, micro ou macro, implica em mudança de forma. E isso não há.

A essa mudança de forma (leia-se mudança de espécie), chama-se, em biologia evolutiva, macro-evolução. Macro, pois deveria ser visível, porém não é, nem experimentalmente. E isso seria fundamental para a evidenciação da teoria, antes de tudo.

A partir do fato de que a macro-evolução não é nem nunca será vista, medida ou registrada, transcrevo-lhe a conclusão acerca disto, de Dobzhansky (Genetics and the Origin of Life, 1941):

“Por esta razão estamos obrigados, ao presente nível de conhecimento, relutantemente a colocar um sinal de igualdade entre mecanismos de macro-evolução e micro-evolução, e, procedendo nesta premissa, empurrar nossas investigações tão longe quanto esta hipótese de trabalho nos permitir”.

Eis um sofisma! Eis outro dogma! Eis a confissão de um cientista de peso sobre a submissão a uma ideologia anti-criacionista e anti-Deus, a qualquer custo. Essa famosa declaração foi Publicada em 1941, mas apoiada numa revisão recente feita por Gould. E é o que se assume em qualquer trabalho e pesquisa em Evolução. As experiências que o senhor faz menção (mas não cita nenhuma, como os cientistas e estudantes em geral), se baseiam em mudanças pequenas e sem implicações formais. Essas pequenas mudanças (mendelianas), medidas pelos cientistas, são extrapoladas para se coroar uma teoria em crise. Essa distância entre o que se mede e a teoria da Evolução, Lewontin classifica como “paradoxo epistemológico” (1974, in The Genetics Basis of the Evolutionary Changes). E é só mais um paradoxo.

Recomendo que leia “A Caixa-Preta de Darwin”, de Michael Behe, que trata dos sistemas bioquímicos. Nesse livro se vê que a complexidade dos seres vivos, do ponto de vista bioquímico, não é possível de ser alcançada estocasticamente. Um só elemento que falte a um sistema, e este se torna inútil. E com ele, todo o indivíduo. Portanto, as mudanças e mutações não podem ultrapassar um limite de viabilidade do indivíduo. E para a Evolução acontecer, a probabilidade de surgirem novos sistemas complexos completos e viáveis se torna no mínimo caótica.

Enfim, os seres não mudam de forma. São o que são (primeiro e fundamental princípio da metafísica, de identidade). Minhoca é minhoca, melancia é melancia. Cada ser dando descendentes “segundo a sua espécie” (Dez vezes repetidas no primeiro capítulo do Gênesis). Pois as coisas que existem são semelhantes a sua causa. E Deus, que é o que é, fez as coisas idênticas a si mesmas, e semelhantes a Ele. E as fez boas e perfeitas, isto é acabadas. E fez tudo com ordem, de maneira a estarem necessariamente relacionadas. A ordem natural reflete a inteligência do ordenador. É contraditório assumir que a ordem vista na natureza seja um efeito estocástico e organizador ao mesmo tempo.

Portanto, Sr. Giovani, a teoria da Evolução é, antes de tudo, uma teoria imposta, que esconde suas contradições internas sob uma máscara de ciência imparcial e natural. E que obriga, sob pena de vergonha e desprezo, os estudantes e cientistas a defende-la a todo custo, imparcialmente contra Deus, mesmo que ela não seja “final, definida e irrefutável”.

In corde Iesu et Maria,
Fabio Vanini

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