Montfort Associação Cultural

12 de janeiro de 2005

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Coações externas e liberalismo

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Leonardo
  • Localizaçao: SP – Brasil

Li o texto que condena o liberalismo do herege D. Lefebvre.

Surpreendeu-me o fato de ele dizer tolerar as minorias não-católicas num Estado católico. Mas para negar o Liberalismo, o direito de livre associação deles e a divulgação livre, impressa, oral da fé deles deve ser negado. Como é que há tolerância??? Se eles violarem essas leis, serão perseguidos pela polícia e reprimidos.

Como Lefebvre pensa conseguir a paz pública, a duras penas conseguida pelo liberalismo entre as religiões, num sistema como esse???

Como a adesão à fé será livre??? se há uma coação externa de todo ambiente, impedindo as pessoas de ser funcionário público, de ascender socialmente e se desenvolver se não se disser católico???? Vai é insuflar o numero de hereges dentro da Igreja e de católicos nominais , como era na Colombia, até uns 15 anos.

Por fim, que sistema a montfort sugere que seja implantado no lugar do liberalismo????

Vcs reclamam que perseguem os cristãos, mas quer perseguir os outros, quer coagir os outros pelas estruturas sociais a aderir a fé católica

Muito prezado Leonardo, salve Maria.

Vejo que você defende o Liberalismo e a tolerância. E acredita até que o liberalismo com sua intolerante tolerância trouxe a paz pública entre as religiões.

Historicamente, isso é uma mentira, que lhe foi impingida pelos livros liberais.

A Revolução Francesa, que instituiu o Liberalismo, com ele, instituiu a guilhotina, que foi usada com tolerância muito especial contra os católicos. E instituiu a Lei dos Suspeitos — lei muito liberal que era — punia com a morte, não só quem agisse contra a Revolução, mas também quem fosse acusado apenas de suspeição de ser contra a Revolução.

Foram as épocas do domínio do liberalismo que viram nascer as ditaduras totalitárias, que, — TODAS ELAS — se instauraram em nome do povo. Os ditadores totalitários — Hitler, Mussolini, Stalin, Mao, Fidel e Pol Pot — sempre disseram agir em nome do povo, e suas leis genocidas foram muitas vezes aprovadas em plebiscito popular. E os tiranos liberais diziam governar em nome do povo. Toda a violência de nossos tempos — guerras mundiais, campos de concentração, criminalidade jamais vista igual na História, impunidade generalizada — vieram do Liberalismo.

Sua defesa da tolerância em matéria religiosa começa intolerantemente a proscrever a intolerância.

Meu caro Leo, seu erro consiste em não admitir que existe a verdade objetiva, e, em seguida, em não ver que a mentira tem efeitos ainda mais nefastos que um vírus letal.

Permitir a liberdade de propaganda do erro é admitir que, uma mentira com relação a Deus e à Fé não tenha conseqüências letais para o povo.

Assim como um vírus maligno, a mentira não tem direito à liberdade. Quem ensina isso é Santo Agostinho, doutrina essa confirmada por todos os Papas.

Consulte, lhe peço a encíclica Mirari Vos de Gregório XVI, o Syllabus de Pio IX e a Libertas de Leão XIII.

Por outro lado, você supõe que a instauração de um regime católico, em que o Estado reconheça a Igreja Católica como única verdadeira, obrigaria aos hereges se tornarem católicos. Isso é falso.

É pecado obrigar alguém, pela força ou por coação política, a ficar católico. Batizar à força só cria hereges disfarçados, e nisso você tem razão.

A Montfort não tem nada a sugerir. Quem tem tudo a ensinar é a Igreja Católica, e não a Montfort que só quer repetir o que a Igreja Católica, Mestra infalível da verdade que jamais muda, ensina.

E o que a Igreja e o bom senso ensinam é que todas as coisas foram criadas por Deus, e que todas elas devem, a seu modo, obedecer a Ele. Por isso, o Estado, criatura de Deus, tem a obrigação de reconhecer a Igreja Católica como a verdadeira e única Igreja de Cristo, prestar-lhe homenagem, e obedecer às suas leis, auxiliando a Igreja a difundir verdade, proibindo a propaganda organizada da heresia e da mentira, que são calúnias contra Deus.

Note bem: o que deve ser proibida é a propaganda organizada da heresia, e não que alguém, particularmente, caso queira, adote uma religião falsa.

Nisso consiste a união entre Igreja e Estado.

E se toda calúnia pessoal é crime, quanto mais a calúnia contra Deus e contra sua Igreja.

E falando em calúnia, você calunia Dom Lefevre ao dizer que ele foi um herege. Eu acusei os lefevristas de terem caído em cisma, mas não em heresia. Jamais a Igreja disse que Dom Lefevre era herege. Essa calúnia é invenção liberal sua Sua calúnia, porém, revela que vocë é de religião católica, pois, se você não fosse católico, você não recorreria a essa acusação caluniosa contra Dom Lefevre.

Você é, então, um católico liberal, disfarçado em democrata liberal. E, sendo você um católico liberal, você é que é herege, pois o Liberalismo é heresia.

Desejando que neste próximo Natal você se converta ao Catolicismo de verdade, despeço-me, rezando por você,

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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