Montfort Associação Cultural

12 de janeiro de 2005

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CNBB e educação sexual

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Luiz André
  • Localizaçao: Santos Dumont – MG – Brasil
  • Profissão: Advogado

Prof. Orlando Fedeli, Paz e Bem.

Agradeço muitiíssimo pela apropriada resposta a mim ofertada por V. Sa. – equilibrada e verdadeiramente católica.

Igualmente, repilo as declarações dadas ao semanário VEJA por S.

Exa. Revma. A meu juízo, lamentáveis.

Esta é uma situação constrangedora, mas nunca vi ou ouvi de uma autoridade do Vaticano posição como esta assumida por S. Exa. Revma. – presidente da CNBB!!! O uso do preservativo é tido como “intrinsecamente mau” pelo Catecismo da Igreja; como o Papa afirma na encíclica “Veritatis Splendor”, trazida a lume por V. Sa. não há exceção para o que é considerado intrinsecamente mau. Assim, não posso concordar com a posição adotada publicamente. Como se não bastasse a confusão estabelecida no meio católico nacional pela constante ausência de obediência aos mais elementares princípios da fé católica, mais esta infeliz declaração. Pobres de nós, Católicos, órfãos de toda direção espiritual lúcida, comedida e inspirada. A CNBB transformada num mero apêndice de uma organização política que gera toda a agenda católica do País. Mais uma vez, lamentável.

A solução dura, mas necessária, é o casal não viver a vida sexual se não quiser contaminar-se. É uma questão de fé e de caridade.

Esta deveria ter sido a resposta de S. Exa. Revma.

Parece-me que S. Exa. Revma., quando da entrevista, esquecera-se de que um dos requisistos da liceidade de qualquer ato conjugal é sua abertura à procriação. Não deve necessariamente gerar filhos, mas não pode por obstáculos a eles ( preservativos, diafragmas, espermicidas, injeçoes e pílulas anticoncepcionais, interrupção do coito, lavagam da vagina… ) Tal é a doutrina expressa pelo Papa Pio XI na encíclica “Casti Conubii”, reafirmada por Paulo VI na “Humanae Vitae” e várias vezes ratificada no pontificado de João Paulo II.

Repito: admiro uma afirmação semelhante vinda do presidente da CNBB. Até porque, o uso do “preservativo” seria totalmente inócuo na tentativa de barrar a passagem do HIV. Experimentos sérios apontam um índice de 33% de falhas em cada uso do preservativo. Pessoalmente, creio que a falha seja de 100%, mas isso não vem ao caso.

Alegro-me por merecer de V. Sa. esta respeitável atenção, dispondo de parte de seu tempo, decerto valioso, para atender à uma questão apresentada por mim.

Por V. Sa., reitero minha estima e respeito.

Fraternalmente, Luiz André, ofs – Advogado

Qual posição guarda V. Sa. acerca da União Sacerdotal São João Maria Vianney e da Fraternidade São Pio X ?

Muito prezado Dr Luiz André, salve Maria.

Fico-lhe muito grato por suas palavras e concordo inteiramente com sua considerações sobre as declarações do Presidente da CNBB Dom Jaime Chemello.

É incrível que um Arcebispo e Presidente da CNBB diga tais coisas contra os ensinamentos claros da Santa Igreja em matéria moral, como o sr. expôs e documentou tão claramente em sua carta.

Graças a Deus, parece que o domínio esquerdista e modernista sobre a CNBB está chegando ao fim, conforme notícias que correm a respeito da missão que o Cardeal Re veio cumprir, há poucos dias, junto à entidade episcopal brasileira .

Consta que o Cardeal Re veio proibir a CNBB de continuar dando declarações políticas, sempre esquerdizantes e socialistas.

Diz-se ainda que ele veio tratar do Novo Missal Romano — que não deve ter agradado aos modernistas da CNBB — e dos casos escandalosos sexuais do clero…

É claro que os dirigentes da CNBB se apressaram a desmentir que o Cardeal Re tenha vindo dar “um puxão de orelhas” nessa entidade episcopal brasileira.

Mas um padre socialista e modernista bem insuspeito de se opor à CNBB — o Padre Comblin — acaba de dizer o oposto, confirmando então que a orientação da CNBB desagrada ao Papa . É o que o sr. constatará na notícia que está reproduzida abaixo.

O Vaticano determinou aos Bispos americanos que entregassem os padres culpados de crimes sexuais às autoridades policiais e judiciais. Só na diocese de Concord, foram entregues à Justiça civil 40 padres.

É uma tragédia.

É um câncer.

Mas é melhor, e é necessário que esse câncer seja extirpado. E extirpado o quanto antes. E radicalmente. E é bem provável que a grossa maioria dos padres criminosos seja de simpatizantes do progressismo e do modernismo.

Foi noticiado que o Cadeal Hoyos declarou que esses padres criminosos sexuais devem ser punidos pela justiça eclesiástica e civil. Sintomaticamente, noticia-se que no Brasil, agora, foram detidos um padre em Sorocaba, um outro em Mariana — a Arquidiocese de um ex-dirigente esquerdista e progressista da CNBB, Dom Luciano Mendes de Almeida — padre que estava condenado a 11 anos de prisão por esse crime, mas que, ao que se diz, continuava livre e ativo !

Ainda hoje a Folha de São Paulo noticia a prisão de um padre, em Alagoas, que estava fumando maconha, num carro, na companhia de um rapaz que se noticiou ser um “garoto de programa”.

É uma vergonha.

Noutra madrugada, uma emissora de rádio noticiou a prisão, em Alagoas de novo, de uma religiosa que forneceu uma menina de doze anos a um “turista holandês” para tirar fotos pornográficas. Informava a emissora que a freira confessou ter feito isso já com outras meninas. Estranhamente o resto da mídia silenciou essa notícia…

Que dano esses escândalos trazem para a religião !

Graças a Deus, a política de acobertar esses casos escandalosos está mudando. Esperemos que também Dom Chemello e Dom Damasceno mudem de direcionamento e atendam as orientações do Papa, que exigiu a punição desses casos e afirmou que não há lugar na vida eclesiástica para esses padres.

Como exigir que as ovelhas os sigam, se eles não seguem o Supremo Pastor?

***

O senhor me pergunta ainda qual a minha posição face à Fraternidade São Pio X e à Fraternidade São João Maria Vianney de Campos.

Durante muitos anos apoiei os padres dessas Fraternidades.

Depois, quando elas tomaram uma posição claramente cismática, pela criação de um Tribunal “com poderes da Rota Romana”, isto é, com poderes próprios do Papa, denunciei esses Tribunais, mantendo uma polêmica com os bispos dessas Fraternidades.

Como eles não conseguiram justificar a assunção de poderes judiciais próprios do Papa, constatei documentadamente a posição cismática deles, e me separei deles, graças a Deus, para me manter fiel ao Papa.

Agora os padres tradicionalistas de Campos fizeram um acordo com Roma — eles recusam dizer que foi um acordo, dizem que foi um entendimento — o que os tirou do cisma. Acabar com o cisma foi ótimo.

Entretanto, a situação ainda não está bem clara, de modo que, alegrando-me com o fim do cisma, mantenho-me em reserva para ver o que ainda acontece, e o que foi esse entendimento ou acordo, como queiram.

Por outro lado, do ponto de vista pessoal, a experiência que tive com esses sacerdotes de Campos, não me permite ter a menor confiança neles, enquanto pessoas.

Sempre contente em receber suas missivas, subscrevo-me

in Corde Jesus, semper,

Orlando Fedeli.



“Teólogo liberacionista sostiene que CNBB perdió importancia RIO DE JANEIRO, 15 Abr. 02 (ACI).- El sacerdote belga José Comblin, uno de los últimos representantes de la Teología de la Liberación Marxista, publicó dos libros en los que sostiene que con la esperada reforma de sus estatutos, la Conferencia Nacional de Obispos de Brasil (CNBB) sólo “aplicará los decretos romanos”. Comblin ganó luz pública con el lanzamiento de su libro “El Pueblo de Dios” editado por Paulus, en el que expresa su malestar por la histórica y aplaudida Asamblea Plenaria en la que la CNBB está redefiniendo su estructura y funciones. Según el diario O Estado de Sao Paulo, Comblin, que vive en Brasil desde 1958, afirma en este texto que las conferencias episcopales como la CNBB, están perdiendo su importancia por que el Papa “no ve voces discordantes y no permite a los obispos ninguna iniciativa relevante”.Su única función consiste en aplicar los decretos romanos”, afirma Comblin. El teólogo también afirma que los episcopados “deberían tener más autonomía para decidir sobre la acción de la Iglesia en sus países. El Papa debería gobernar de forma colegiada”. Comblin acusa a la Curia Romana de “sólo escoger para los Episcopados a las personas del clero que se someten ‘incondicionalmente’ al Papa”. El belga tampoco oculta su distancia de Juan Pablo II y sostiene que espera un nuevo pontificado que “cambie los métodos de selección de los obispos” convirtiendo este proceso en una cuestión “más popular”. Asimismo, indicó que el sucesor del Santo Padre debería revisar el celibato sacerdotal y las cuestiones de comportamiento sexual.”

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