Montfort Associação Cultural

2 de junho de 2005

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Clareza na Doutrina

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Andréia Alves
  • Localizaçao: Itapetinga – BA – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

Prezado Sr. Orlando Fedeli,

por acaso entrei neste site, o que me causou, num primeiro momento, uma indignação ao ler respostas aos leitores sobre o tema RCC. Também participei deste movimento por muitos anos. Porém, depois comecei a ler sobre outros assuntos, como TFP e Rock. O meu segundo sentimento foi de preocupação com nossa Igreja. Acredito que trago como frutos da minha participação na RCC um maior interesse pelas coisas da Igreja, pela oração e um desejo profundo de conhecer a Verdade. Porém, não encontro nem na RCC, nem na igreja, e quando digo igreja, me refiro aos padres, às paróquias, às missas, que são os meios que tenho acesso atualmente, uma clareza na Doutrina da Fé Católica, mas somente opiniões. Fico indignada! Cada padre que recorro em confissões me diz uma coisa; a cada vez que participo de uma paróquia diferente vejo coisas diferentes e pouco me aprofundo na caminhada de fé. O pouco que ainda me resta são valores que aprendi quando ainda estava na RCC.
Diante desta introdução, NAO QUERO QUE O SENHOR DIRECIONE O ASSUNTO À RCC, pois nao é este o meu objetivo. Minha pergunta é: Como então nos orientarmos diante de tantos “ventos de doutrina”? Sei que a Igreja não erra, mas os homens que estão à sua frente sim. E aí? Como eu que sou pobre conhecedora da Bíblia vou me orientar diante de um bispo que erra? Outra coisa que aprendi a dar valor quando estava na RCC é a oração, mas como orar, se até mesmo minha oração pode ser equivocada? Tenho sede de estudar a Bíblia, de me formar a respeito da doutrina da Igreja, mas ainda não encontrei algo, ou alguem que me orientasse. Eu ainda tenho um condições de estudar, o dia em que eu encontrar um caminho. Mas e aqueles que não têm nem condições intelectuais para tal? Será que não poderemos nem mais confiarmos nas missas, nos padres, ou na nossa oração?

Espero que eu tenha conseguido passar minha dúvida, que na verdade é um desabafo, um anseio, não sei…Não faço questão que minha dúvida seja publicada, a não ser que seja útil a outros. Apreciarei imensamente se me respondê-la. Ainda não explorei totalmente o site, mas além da dúvida, gostaria de uma orientação para um estudo bíblico e estudo da doutrina católica.

Muito prezada Andréia,
salve Maria!
 
    Antes de tudo tenho que lhe agradecer a confiança em nós depositada. Tanto mais que você sinceramente nos diz que, a princípio, ficou indignada com o site Montfort. Passar da indignação à confiança é uma grande mudança. Deus lhe pague. Rogo-lhe que não deixe de rezar por nós.
    Seu problema é o da grande maioria dos católicos, hoje.
    Nos tempos do diálogo, os padres normalmente não têm mais tempo para ensinar suas ovelhas. Eles normalmente estão ocupados fazendo reuniões sobre as águas (???), ou com diálogos e bajulações a hereges – com o blablablá ecumênico, ouvindo rock, ou assistindo a “casta” novela das oito.
    E depois, ensinar o quê?
    Se no seminário nada lhes ensinaram, o que poderão eles dizer ao povo?
    Daí eles, em geral, falarem de futebol, de política marxista, contarem piadinhas em seus “sermões”. Sermões em que quase ninguém presta atenção, tão vazios que são.
    Quando não são cheios de heresia, causando espanto, escândalo e indignação. 
    Saudades dos sermões de outrora!…
    E, enquanto isso, os padres melhores e mais fiéis, e mais sábios são desterrados para paróquias longínquas, quando não simplesmente “encostados”.
    Para os maus há holofotes, palanques, microfones e revistas à vontade, onde alguns escrevem artigos heréticos e poeminhas infantis, ridículos e sem graça. Pior: sem a graça. A de Deus.
    Ao clero posterior ao Vaticano II — ou melhor, formado à “luz” (???) do Vaticano II… que treva! — bem cabe a palavra da Escritura:
    “Coisas espantosas e estranhas se têm feito nesta terra: os profetas profetizaram a mentira, e os sacerdotes aplaudiram com as suas mãos; e o meu povo amou essas coisas. Que castigo não virá sobre essa gente, no fim de tudo isso?” (Jer V, 30-31).
     E Deus fez o profeta Isaías se queixar, fazendo uma acusação que bem cabe hoje à situação em que o clero deixa o povo:
    “Por isso é que meu povo foi levado em cativeiro, porque não teve ciência. Os seus nobres morreram de fome  e a sua multidão mirrou-se de sede” (Is V, 13).
    De fato, hoje, o povo é levado em cativeiro pelos lobos — e em certos casos eles já nem usam mais a famosa pele de ovelha: se apresentam como lobos mesmo — o povo é arrastado para as igrejolas heréticas, porque o vigário não ensina mais o catecismo. Porque o vigário muitas vezes não sabe mais nem o catecismo.
    Os sacerdotes, infelizmente, deixam os mais capazes do povo morrerem de fome, à mingua de doutrina, isto é, não lhes dando comida sólida que exige o garfo e a faca da explicação detalhada, e permitem que o povo miúdo pereça de inanição, porque não lhe dá nem a explicação mais fácil, que se pode engolir como bebida.
    Uma das grandes causas da crise atual da Igreja é o péssimo ensino dado aos seminaristas, que, de modo geral, só aprendem heresias ou balelas. Abandonando São Tomás, abandonando a verdade e a doutrina católica, aos seminaristas se dão mestres que lhes ensinam fábulas: os “teólogos” que se orgulham de causar crises de Fé em seus ouvintes. Fariseus que nem entram no céu, e nem deixam outros entrarem.
    Ai dos lobos!
    Você bem notou que em cada igreja se dá uma instrução diferente. Em quase todas — desgraçadamente — se ensinam heresias e tolices. Em quase todas se encontra a Ditadura do Relativismo, condenado pelo Cardeal Ratzinger em seu já famoso sermão da Missa de abertura do Conclave de 2005, que o elegeu Papa Bento XVI.
    Ai dos palradores que ensinam fábulas.
    Ai dos redatores de manifestos prolixos, heréticos e indigestos!
   
    Você me pergunta como rezar.
    Pois reze a oração que Jesus nos ensinou.
    Reze o Pai Nosso.
    Reze a oração que o Evangelho e a Igreja compuseram: reze a Ave Maria;
    Reze o terço que Nossa Senhora pediu em Fátima.
    Reze o terço todos os dias.
    Reze pela igreja.
    Reze pelo clero.
    Reze para que Deus nos envie santos pastores e dignos ministros. Sem bermudas e sem Rayban. Sem urrar rock e sem pandeiro. Sacerdotes penitentes e sábios, que tenham só a verdade nos lábios e o rosário nas mãos.
    Leia diariamente um pequeno trecho do Evangelho, e medite sobre o que leu. Não procure explicações em livros modernos. Procure algum livro escrito por santos, livro que explique a Sagrada Escritura.
    Leia as vidas dos santos. Procure ler a “História de uma Alma” de Santa Teresinha. Leia as obras escritas pelos santos, e não os livrecos modernos que se encontram em livrarias ditas católicas, que vendem mais livros de budismo, de psicanálise e de macumba do que livros realmente católicos.
    E se tiver sua confiança, escreva-me.
    E reze por mim.
    Que Deus a guarde dos lobos e de suas heresias
    Reze pelo Papa que está enfrentado os lobos escondidos nas sacristias e seminários.
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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