Montfort Associação Cultural

8 de março de 2005

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Cientista envia carta de indignação à Folha, sobre células-tronco embrionárias

Publicado no Painel do Leitor da Folha de São Paulo

Prezados,

Retornei recentemente ao Brasil após dois anos de tarbalho junto a um renomado grupo de pesquisa em células-tronco no Canadá. Ao chegar, deparei-me com um clima de euforia incomum em relação às promessas atribuídas às células-tronco embrionárias.

Deu-me profunda pena assistir ontem o noticiário e constatar que inúmeras famílias e deficientes físicos (presentes na Câmara
durante a votação da Lei de Biossegurança) estão mergulhados e iludidos com o euforismo sem fundamento e sem base científica que justifique o uso de células-tronco embrionárias humanas.

Como uma das pouquíssimas pesquisadoras que estudam o potencial de células-tronco no tratamento de doenças neurodegenerativas no Brasil, acredito fortemente no potencial de células- tronco maduras, tendo obtido evidências de que estas células são, de fato, as mais promissoras, as únicas até hoje empregadas em terapias já em fase clínica. As células-tronco derivadas do embrião, até hoje, geraram tumores e são rejeitadas pelo organismo transplantado.

O lobby, feito por um pequeno grupo, confunde claramente as pessoas leigas no assunto, isto é, a grande maioria presente durante a votação de ontem em plenário. Basta citar a frase da Sra. Ana Cavalcanti: “Já sabemos que a utilização em pacientes auto-imunes de células-tronco adultas retiradas do sangue do cordão umbelical dos bebês não têm uma resposta tão boa”.

Onde esta senhora ouviu isto? Todas as terapias testadas no Brasil e no mundo até hoje foram feitas apenas com células maduras e só estas alcançaram resultados promissores! Certamente os conceitos se embaralham e geram slogans do tipo “Projeto salvador de vidas”; Até hoje, quais vidas?

Claudia M. C. Batista, PhD
Professora Adjunta
Universidade Federal do Rio de Janeiro Dept Histologia e Embriologia
Instituto de Ciencias BiomedicasCentro de Ciencias da Saude

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