Montfort Associação Cultural

24 de dezembro de 2010

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Causas da inquisição

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marcos Camargo
  • Idade: 37
  • Localizaçao: Guarulhos – SP – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Profissão: Advogado
  • Religião: Católica

Li a pergunta de outra pessoa e também a resposta, desculpe mas quando temos dúvidas, temos que perguntar a quem sabe mais sobre determinado assunto do que nós. E a função do mestre é justamente a de satisfazer a dúvida e não responder com outras tantas perguntas. O que aconteceu, aconteceu e não se muda mais, então só nos resta aprender com o que aconteceu para que não mais cometamos os mesmos erros.
Gostaria de saber se podem discorrer um pouco mais sobre a inquisição, o que levou a igreja a criar a inquisição, será que faz diferença quantas pessoas se mata em nome do que se acredita? Também acho que não devemos ser permissionários, mas matar por causa disso? dizer que estamos vivos graças à igreja? não foi a igreja que defendeu o mundo de hitler, mussolini e tantos outros e também não é a igreja que vai nos defender do PT e do MST e do MLST e de tantos outros movimentos armados e escondidos que estão por aí.
Quero apenas entender sobre a inquisição e o que levou realmente a igreja a queimar pessoas vivas em praça pública e saber se é certo mesmo que dentro de “parâmetros seguros”, torturar alguém?
Que Deus te dê sabedoria e te ilumine para a resposta, espero ter uma resposta sem ataques pois em momento nenhum ataco a igreja, apenas busco solução para um assunto que como vcs mesmo dizem, no Brasil há pouca literatura séria sobre o assunto.
Que a paz do senhor esteja convosco.

Data: 18 Agosto 2006


 
Muito prezado  Dr. Marcos,
Salve Maria.
 
    A Inquisição foi instituída pela Igreja para defender a Fé ameaçada pelos hereges cátaros, que eram gnósticos e maniqueus. Eles eram contra o casamento e a reprodução humana. Consideravam o casamento maldito, porque, permitindo a reprodução, obrigavam as partículas divinas que estariam, segundo eles, aprisionadas na matéria, a permanecerem presas neste mundo perpetuando as reencarnações. Para libertar o espírito divino aprisionado no homem, queriam então acabar com os nascimentos.
    Eles consideravam a mulher a fonte do mal por permitir novos nascimentos e chegavam a matar as mulheres grávidas, dizendo-as possessas.
    Quando um membro da seita chegava ao nível de ”perfeito”, por vezes chegava-se a praticar o suicídio ritual por inanição, deixando de comer, pois comer era assumir a matéria, sepulcro e calabouço do espírito divino preso nos corpos materiais.
     O
triunfo do catarismo — ele esteve a ponto de dominar todo o Ocidente — seria o fim da humanidade, pois impediria nascimentos e favoreceria o suicidio. Isso é tão verdade que até uma historiadora protestante, Lea, reconheceu que a Igreja, com a Inquisição, salvou a civilização e a humanidade.
 
     Quando o povo tinha conhecimeto de algum crime cátaro, por vezes, fazia justiça com as próprias mãos linchando os cátaros. Para evitar esses linchamentos e fazer justiça correta, a Igreja instituiu a Inquisição.
     
     A pena de morte, naquele tempo, era pelo fogo.
 
     A igreja não matava os que nela não acreditavam. Matava os hereges que haviam apostatado da Fé católica, e que, fazendo propaganda da hereisa cátara, tinham causado algum crime grave.
 
    A Inquisição, como todo tribunal, não tinha apenas a pena capital.  Ela condenava a fazer pequenas penitências, rezar Ave-Marias, fazer novenas, visitar um santuário, fazer um retiro, uma peregrinação, a multas, a prisão — com direito a sair para sustentar parentes necessitados – -ao degredo, e somente nos casos extermos, condenando à morte.
    O número de pessoas condenadas à morte pela Inquisição foi muito pequeno, não alcançando nem 3% ou 4% dos casos. Muitas sentenças à fogueira eram pós mortem, com isto, cremava-se o cadáver.
    A Igreja procurou sempre amenizar os sofrimentos dos condenados á fogueira, modo de executar geral entre os povos de origem bárbara. Inicialmente colocando palha no fogo para fazer fumaça que fazia o condenado morrer por asfixia e não queimado. Depois fez decapitar o condenado, queimando o cadáver.
 
     Teríamos muito que conversar sobre o que se diz do apoio da Igreja a regimes totalitários.
     A Igreja nunca apoiou Hitler. Houve Padres e membros da hierarquia que apoiaram Hitler e Mussolini, como os há hoje que, desgraçadamente, apoiam o PT, o MST e Fidel Castro (ex.o semi frei Betto e o ex frei Boff, ou ainda Dom Tomás Balduíno). Mas, esses maus clérigos não são a Igreja e não defendem a sua doutrina.
  
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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