Montfort Associação Cultural

22 de novembro de 2004

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Catolicismo e Ortodoxia

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Rodrigo
  • Idade: 24
  • Localizaçao: Campo Grande – Brasil
  • Religião: Católica

Saudacoes a todos da equipe Montfort pelo trabalho de divulgacao e de defesa da Fe Catolica e uma saudacao especial ao professor Orlando Fedelli.

Antes de iniciar o meu questionamento, gostaria de pedir desculpas pela minha grafia, onde as teclas do computador nao estao permitindo escrever corretamente. Espero que nao leve a mal essa falha.

Pois bem, eu me chamo Rodrigo, tenho 23 anos e sou das comunidades neocatecumenais.

Houve por um longo tempo discussoes a respeito desse carisma dentro da Igreja. A minha consulta nada tem haver com o “Movimento”, mas eu acho oportuno dizer de onde eu participo para ter mais transparencia. Sei da sua posicao e respeito ela.

Desde que eu iniciei a minha faculdade de jornalismo (eu estou no meu ultimo ano), comecei a ter contato com um universo que antes nao havia tido contato: com os escritos dos Padres da Igrejas, documentos e livros que relatam a historia da Igreja. A minha faculdade e catolica e por esta razao encontro muitas coisas com facilidade.

E um universo apaixonante que nao me canso de pesquisar. Ja os conhecia atraves de meus catequistas do caminho, talvez por isso tenha despertado ainda mais o interesse.

Depois dessa contextualizacao, parto para as minhas duvidas a respeito do catolicismo e da ortodoxia.

Todos nos sabemos quais apostolos fundaram as respectivas Ses apostolicas (Marcos em Alexandria, Tiago em Jerusalem, Andre na Asia etc etc)num total de cinco patriarcado. Em meio as pesquisas algo me chamou a atencao, a Se de Antioquia foi fundada tambem por Pedro e Paulo, anterior a Roma (talvez a caminho de Roma) e tambem ha uma linha de sucessao apostolica. Eu como catolico, acredito nas promessas de Cristo a Pedro, quando fundamentou sua Igreja sobre Pedro, do qual em Roma esta a continuidade apostolica.

Gostaria de ter um esclarecimento a respeito disso.

Apos ter conhecimento dos escritos e historico da igreja acabei tendo curiosidade pelos diversos Ritos das igrejas orientais ligadas a Roma e das igrejas ortodoxas. Quanta beleza nos gestos e nos significados. Fiquei muito encantado ao participar de uma missa (Santa liturgia de S. Joao Crisostomo). Muitos podem vos chamar de “Antiquadro” ou de “Museu” pelo fato de defender a volta das missas em latim e de todo o rito antigo. Eu compreendo e concordo, pois faz parte da Tradicao apostolica. E um perda lastimavel para nos catolicos.

Desse relato sai tres outras duvidas:

Por que ha ministras da Eucaristia? Aos olhos das igrejas orientais isso e errado.

Por que em nossas missas optaram pelo latim e nao pelo grego como nos outros patriarcados?

Explica-me melhor a dificil situacao entre os ortodoxos russos e os catolicos. Mais especificamente sobre a Igreja da Ucrania.

Por enquanto e so isso, aguardo na esperanca de enriquecer a minha bagagem cultural com suas respostas.

Despeco-me rezando por vos.

Muito prezado Rodrigo, salve Maria.

Muito lhe agradeço suas palavras de apoio a nosso trabalho. Esse agradeço muito, muito mais as aprecio pela lealdade inteira que você demonstrou em sua mensagem. Que Deus conserve sua alma nessa transparência católica, nada ocultando nem fingindo.

Gostaria de ter um amigo em você, e espero que esta primeira troca de mensagens seja o início de uma longa amizade (embora eu esteja bem velho…mas a esperança de viver não cessa. Como minha esperança de continuar lutando por Deus e por sua Igreja).

Alegrou-me também a sua sede de conhecimento da doutrina da Igreja e sua ânsia de estudar os documentos dos Padres da Igreja.

Passo agora a responder as suas perguntas.

A existência das chamadas “ministras da Eucaristia” foi um verdadeiro abuso. Graças a Deus esse abuso vai ser coibido na próxima encíclica do Papa que foi anunciada pelo Vaticano. Essa encíclica já foi assinada pelo Papa há mais de ano, e não se consegue a publicar. Ela virá junto com dois decretos; um da Congregação da Doutrina da Fé, e outro da Congregação dos Ritos. Muita coisa vai mudar… Graças a Deus. Resta saber se ela vai ser obedecida. Do que duvido.

Na Missa de rito romano, há palavras em latim (grande maioria, a Missa é em latim), mas também há palavras em grego (Kyrie eleison) e em hebraico, (aleluia, Sabaoth, Amen, Hosana). O uso de palavras e nessas três línguas — latim, grego e hebraico — é porque a Missa é a renovação do sacrifício do Calvário, e a sentença de Pilatos foi escrita nessas três línguas; Jesu Nazareno, Rei dos Judeus.

No Oriente, a língua geral era o grego e, por isso, essa língua se tornou a da liturgia oriental. No Ocidente, a língua comum era o latim , dai o rito romano ter adotado essa língua.

As Igrejas orientais se separaram de Roma e do papa no século XI, caindo em cisma e depois em heresia. Graças a Deus os ucranianos liderados por São Joasfat retornaram à obediência papal.

Costumamos ver os Orientais como um bloco, o que é falso. Eles estão profundamente divididos, porque onde falta o Papa já não permanece a unidade da Fé. Os Patriarcados Orientais não tem nenhuma unidade. O patriarca de Moscou detesta o de Constantinopla e vice versa, só para dar um exemplo.

Dentro de cada Patriarcado as divisões sectária são inúmeras. Ainda agora tive ocasião de ler algo sobre a Teologia de Bulgakov, um sacerdote russo, completamente gnóstico, condenado pelo patriarca de Moscou, mas que tem muito seguidores entre os orientais.

Os católicos ucranianos, chamados de uniatas, foram perseguidos violentamente pelos cismáticos orientais, ainda no século XX, e durante o domínio soviético.

Infelizmente não tenho conhecimento maior da questão oriental, de modo que posso ajudá-lo bem pouco nesse tema.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

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