Montfort Associação Cultural

18 de março de 2010

Download PDF

Catequistas modernos: um atentado contra a Fé

Autor: Guilherme Chenta

  • Consulente: Nelson Sato
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Religião: Católica

Prezado professor Orlando e equipe do site Montfort! Que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e o amor de Maria estejam convosco.

Primeiramente, gostaria de parabenizá-los pelo excelente trabalho que vocês desenvolvem! Precisamos, neste mundo cada vez mais afastado de Deus, de pessoas que defendam a sã doutrina da Igreja de Cristo.

Minha carta tem um intuito de desabafo. Sou catequista e tive uma formação religiosa extremamente rígida. Confesso que me entristeço ao ver a qualidade dos catequistas modernistas. Contaminados pelo modernismo e pelas idéias ambíguas do Concílio Vaticano II, toleram heresias e são a favor do uso da camisinha e de pílulas. Muitos, infelizmente, não ensinam o CATECISMO, ou seja, a Doutrina da Igreja.

Vejo que as salas de catequese de nossas paróquias estão sob a neblina do protestantismo, que para o mundo moderno, parece ser “mais amena, mais tolerante”. Prega-se um Deus tolerante demais para os pecados, para as heresias, o que a meu ver, incentiva as pessoas a viverem sob o livre-arbítrio, naquela sofisma de “Ah, eu peco, mas Deus me perdoa, porque tenho fé.” Não podemos cair na idéia herege da Sola Fide, ou seja, sou justificado pela fé.

Como cristão-católico que sou acredito (perdoe-me e corrija-me se eu estiver equivocado), que, com certeza, Deus é misericordioso para conosco, DESDE QUE, nos arrependamos de nossos erros. E a meu ver, o arrependimento EXIGE mudanças comportamentais. É como um ladrão que rouba e se diz arrependido, mas ao voltar para sociedade rouba novamente. Onde está o arrependimento deste indivíduo? Atualmente, por causa da contaminação modernista, abusa-se da misericórdia de Deus. É por isso que vemos um mundo cada vez mais herege, afastado de Deus e imoral. Cristo nos disse:

“Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus”. (Mt 7,21)

A nossa fé precisa ser refletida em nossas ATITUDES., senão ela é uma fé morta.

“Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta”. (Tg 2,26)

Dizem ter fé e amar a Deus, mas pouco se importam em guardar e por em prática a doutrina cristã:

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele”. (Jo 14,21)

“Aquele que diz conhecê-lo e não guarda os seus mandamentos é mentiroso e a verdade não está nele”. (1Jo 2,4)

Nossas ações, boas ou más, refletem-se de algum modo na sociedade como um todo:

“Há de se notar que um indivíduo, vivendo em sociedade, constitui de certo modo uma parte ou um membro desta sociedade. Por isso, aquele que faz algo para o bem ou para o mal de um de seus membros atinge, com isso, a toda a sociedade” (Santo Tomás de Aquino, “Summa Theologiae”, I-II, q. 21, a. 3).

Catequistas modernistas tendem a destruir toda a doutrina que Cristo nos deixou e que é ensinada através da Igreja. Não devemos aceitar a modernização doutrinária. Sobre isto, disse o Papa Pio X:

“Assim, pois, temos o caminho aberto à íntima evolução do dogma. Eis aí um acervo de sofismas, que subvertem e destroem toda a religião! Ousadamente afirmam os modernistas, e isto mesmo se conclui das suas doutrinas, que os dogmas não somente podem, mas positivamente devem evoluir e mudar-se” (Encíclica Pascendi Dominici Gregis, 1907).

Fica aqui o meu desabafo e a minha tristeza diante de toda essa modernização e tolerância para as coisas anticristãs.

Fiquem a vontade para me corrigirem caso eu tenha me equivocado em algum ponto, afinal quero ser um defensor da fé cada vez mais sábio e conhecedor da doutrina católica.

Em Cristo!

São Paulo, 18 de março de 2010
 
Prezado Nelson, salve Maria!
 
Você tem toda a razão em suas palavras: a má doutrina leva ao descaso pela verdadeira prática católica. E digo mais: a má doutrina, que atualmente infesta os meios católicos, acarreta uma substituição da verdadeira prática católica por um adestramento coletivo a modismos politicamente corretos.
 
Particularmente, estou farto das dezenas de cartinhas carismáticas que nos chegam todos os dias, dogmatizando o indogmatizável, isto é, aquilo que eles entendem por respeito, amor, abertura, perdão, tolerância, evangelização, etc.
 
Para eles, nenhum ataque tem razão de ser!
 
Mas, sem perceberem a contradição de seus atos, nos criticam por sermos polêmicos. E polemizam conosco sobre a urgência de se por fim às polêmicas!
 
Será que mesmo diante dessa contradição flagrante não enxergam uma incompatibilidade insuperável entre eles e nós?
 
Será que não percebem que, se um está certo, o outro está necessariamente errado, pois a verdade é uma só?
 
Como será que eles entendem as violentas críticas do Papa Bento XVI – que dizem seguir – ao relativismo? Como admitem eles – especialmente esse tipo de catequistas que você cita – que a Igreja pode ter ensinado no passado uma moral que hoje não vale mais?
 
Sua carta, caro Nelson, me aborrece num ponto, no entanto: no fato de ela ser apenas um desabafo. Mais que desabafar, precisamos lutar! Vamos unir nossos esforços para que, unidos ao Papa, contribuamos com o pouco que podemos na “varrição” dos católicos relativistas da Igreja, sejam eles leigos ou padres.
 
O Legado Montfort é uma ótima oportunidade para passarmos do discurso à ação.
 
Forte abraço,
Guilherme

TAGS

Publicações relacionadas

Curso de Catecismo Romano IV – A Oração - Ivone Fedeli

Cartas: Padre e Pai - Orlando Fedeli

Cartas: Substituição do vinho por suco de uva na celebração da missa - Orlando Fedeli

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais