Montfort Associação Cultural

10 de janeiro de 2013

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Carta do Cardeal Piacenza às mães dos padres e seminaristas

A família católica é o ambiente natural para o surgimento das vocações sacerdotais. Únicas e especiais são as alegrias que nos proporcionam a escolha de Deus sobre um filho para ser alter Chritus. Aqueles que perdem, de certa forma, um filho para um ministério mais alto, recebem também bençãos da paternidade espiritual que fará dele o padre (pai) de uma multidão de filhos. Finalmente,  se poderá dizer deles o mesmo que de Nossa Senhora, que é Filha de Seu Filho.

Lembrando o Padre Barthe, capelão da Peregrinação Summorum Pontificum a Roma, nos meios ligados à Liturgia Tradicional surge um número extraordinário de vocações… Mitte, Domine, operarios in messem tuam; messis quidem multa, operarii autem pauci!” 

Publicado pela Congregação para o Clero

Tradução Zenit 

Comentário Lucia Zucchi

Carta às Mães dos Sacerdotes e dos Seminaristas e a todas que exercem o dom da maternidade espiritual por eles

na Solenidade de Maria Santíssima  Mãe de Deus,

no dia 1 de janeiro de 2013

 

“Causa nostrae Letitiae – Causa da nossa alegria”!

O Povo cristão sempre venerou, com profunda gratidão, a Bem-Aventurada Virgem Maria, contemplando nela a causa de toda nossa verdadeira alegria.

Na verdade, aceitando a Palavra Eterna no seu ventre imaculado, Maria Santíssima deu à luz o Sumo e Eterno Sacerdote, Jesus Cristo, único Salvador do mundo. Nele, Deus mesmo veio ao encontro do homem, tirou-o do pecado e lhe deu a vida eterna, ou seja a sua mesma vida.

De forma semelhante toda a Igreja olha, com admiração e profunda gratidão, todas as mães dos sacerdotes e daqueles que, tendo recebido essa vocação altíssima, iniciaram o caminho de formação, e é com profunda alegria que me dirijo a eles.

Os filhos, que acolheram e educaram, de fato, foram escolhidos por Cristo desde toda a eternidade, para se tornar seus “amigos prediletos” e, assim, vivo e indispensável instrumento da Sua Presença no mundo. Por meio do Sacramento da Ordem a vida dos sacerdotes é definitivamente tomada por Jesus e imersa Nele, de tal forma que, é Jesus mesmo que passa e obra entre os homens.

Este mistério é tão grande, que o sacerdote é chamado também de “alter Christus” – “um outro Cristo”. A sua pobre humanidade, de fato, elevada, pela potência do Espírito Santo, a uma nova e mais alta união com a Pessoa de Jesus, é agora lugar de encontro com o Filho de Deus, encarnado, morto e ressuscitado por nós. Quando cada sacerdote ensina a fé da Igreja, de fato, é Cristo que, nele, fala ao Povo; quando prudentemente, guia os fieis confiados ele, é Cristo que apascenta as próprias ovelhas; quando celebra os Sacramentos, de modo eminente a Santíssima Eucaristia, é Cristo mesmo, que, por meio dos seus ministros, obra a Salvação do homem e se faz realmente presente no mundo.

A vocação sacerdotal, normalmente, tem na família, no amor dos pais e na primeira educação à fé, aquele terreno fértil no qual a disponibilidade à vontade de Deus pode enraizar-se e tirar o indispensável alimento. Ao mesmo tempo, cada vocação representa, também pela mesma família na qual surge, uma novidade irredutível, que foge dos parâmetros humanos e chama a todos, sempre, para a conversão.

Nesta novidade, que Cristo obra na vida daqueles que escolheu e chamou, todos os familiares – e as pessoas mais próximas – estão envolvidas, mas é certamente única e especial a participação que é dada de viver à mãe do sacerdote. Únicas e especiais são, de fato, os consolos espirituais, que deriva disso de ter levado no ventre aquele que se tornou ministro de Cristo. Toda mãe, de fato, só pode alegrar-se ao ver a vida do próprio filho, não somente repleta, mas cheia de uma especialíssima predileção divina que abraça e transforma pela eternidade.

Se, aparentemente, em virtude da vocação e da ordenação, se produz uma “distância” inesperada, com relação à vida do filho, misteriosamente mais radical de toda outra separação natural, na realidade a experiência de dois mil anos da Igreja ensina que a mãe “recebe” o filho sacerdote de um modo totalmente novo e inesperado, tanto que foi chamada a reconhecer no fruto do próprio ventre, por vontade de Deus, um “pai” chamado a gerar e acompanhar para a vida eterna uma multidão de irmãos. Cada mãe de um sacerdote é misteriosamente “filha do seu filho”. Poderá exercer com ele uma nova “maternidade”, na discreta, mas eficaz e inestimávelmente preciosa, aproximação da oração e da oferta da própria existência pelo ministério do filho.

Esta nova “paternidade”, à qual o Seminarista se prepara, que é dada ao Sacerdote e da qual todo o Povo Santo de Deus se beneficia, tem necessidade de ser acompanhada pela oração assídua e pelo sacrifício pessoal, para que a liberdade de aderir-se à vontade divina seja continuamente renovada e fortificada, de tal forma que os Sacerdotes não se cansem jamais, na cotidiana batalha da fé e unam, sempre mais totalmente, a própria vida ao Sacrifício de Cristo Senhor.

Tal obra de autêntico apoio, sempre necessária na vida da Igreja, é muito urgente hoje, sobretudo no nosso ocidente secularizado, que espera e pede um novo e radical anúncio de Cristo, e as mães dos sacerdotes e dos seminaristas representam um verdadeiro “exército” que, da terra, eleva ao Céu orações e ofertas e, ainda mais numeroso, do Céu intercede para que toda graça seja derramada na vida dos sagrados pastores.

Por esta razão, desejo com todo o coração encorajar e agradecer especialmente todas as mães dos sacerdotes e dos seminaristas e – juntamente com elas – a todas as mulheres, consagradas e leigas, que acolheram, também por convite que elas receberam no Ano Sacerdotal, o dom da Maternidade espiritual dos chamados ao ministério sacerdotal, oferecendo a própria vida, oração e os próprios sofrimentos e lutas, como puras e verdadeiras alegrias, pela fidelidade e santificação dos ministros de Deus, tornando-se assim partícipes, de modo especial, da maternidade da Santa Igreja, que tem o seu modelo e a sua realização na divina maternidade de Maria Santíssima.

Um agradecimento especial, finalmente, seja elevado aos céus, àquelas mães, que, já chamadas desta vida, contemplam agora plenamente o esplendor do Sacerdócio de Cristo, do qual os seus filhos se tornaram partícipes, e intercedem por eles, de modo único e, misteriosamente, muito mais eficaz.

Juntamente com os melhores votos de um novo ano de graça, de coração concedo a todos e a cada um a mais carinhosa bênção, implorando por vocês, da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e dos sacerdotes, o dom de uma sempre mais radical identificação com Ele, discípula perfeita e Filha do seu Filho.

Mauro Card. Piacenza

Prefeito da Congregação para o Clero

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