Montfort Associação Cultural

16 de novembro de 2005

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Carta a um Avestruz de truz

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Leonei de Souza
  • Localizaçao: Palhoça – SC – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

Não estou conseguindo entender como após 40 anos do Concílio Ecumênico Vaticano II, alguns querem voltar atrás. Se os frutos apreO Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965) e seus frutos
• Foi um dos maiores acontecimentos da Igreja Católica. “Mandamos também e ordenamos que tudo quanto foi estabelecido conciliarmente seja observado santa e religiosamente por todos os fiéis, para a glória de Deus, honra da santa mãe Igreja…, consiga seus efeitos plenos e íntegros;…, e que deste este momento se deve ter como nulo e sem valor tudo quanto se fizer em contrário, por qualquer indivíduo ou autoridade, conscientemente ou por ignorância.” ( cf. Carta apostólica com a qual se encerra o concílio). Ele é símbolo da vitalidade da Igreja e constitui um dos pontos luminosos na história. A nova visão de Igreja como povo de Deus e serviço ao Reino como prioridade para toda a Igreja segundo as promessas de Lc 10,26; 11,23).
• Foi o maior pelo número de Padres, rico pelos temas tratados com empenho e perfeição, foi o mais oportuno, pois levou em conta as necessidades pastorais e, alimentando a chama da caridade, esforçou-se muito por atingir o afeto fraterno não só aos cristãos ainda separados da comunhão da Sé Apostólica, mas também toda a família humana;
• Deu a consciência de que toda reflexão sobre a fé tem repercussão histórica, transparecendo a autoconsciência da Igreja (visível e invisível), menos como estrutura de poder, mais como povo ungido chamado à santidade;
• Todo poder e cargo na Igreja deve ser visto como carga, como serviço ao povo, principalmente o cuidado dos empobrecidos, isso abriu expectativas para as conferências latino americanas e CNBB;
• A índole pastoral que muitos consideram inválida é o que definiu a Igreja pela sua missão (o que ela é e deve ser). Esse interesse pastoral jamais está separado do interesse religioso mais autêntico, devido à caridade que é a única a inspirá-lo (e onde está a caridade, aí está Deus).
• Consciência de que a Igreja é sempre viva e sempre jovem, que deve dialogar amigavelmente com o homem moderno e dar respostas satisfatórias aos problemas de nosso tempo, lendo os sinais dos tempos. Levou a Igreja perceber que o latim estava morto, mas a Igreja esta viva e sente o ritmo do tempo em cada século se orna de um novo esplendor e irradia novas luzes;
• A volta às fontes patrísticas e não tanto escolásticas fez a Igreja perceber o quanto é maravilhosa a unidade para a santificação de todos; pela caridade recíproca;
• Além da volta às fontes, destaca-se a valoração das pequenas comunidades, apostolado dos leigos e os horizontes missionários;
• Valorização da Doutrina social, apontando os valores e contra valores, o chamado pecado social na sociedade civil. A ordem moral e ética que evidencia os direitos e deveres de todos os seres humanos e de todas as comunidades políticas;
• Foi uma celebração solene de união com Cristo e da sua Igreja, e por isso, levam à irradiação universal da verdade, à reta direção da vida individual, doméstica e social; reforço das energias espirituais, em perene elevação para os bens verdadeiros e eternos;
• Demonstra que a Igreja não assiste indiferente ao admirável progresso das descobertas do gênero humano, doutrina aprofundada e exposta de forma a responder às exigências do nosso tempo, fundamentando-as nas fontes, por isso o uso da teologia fundamental e não mais da apologética;
• A função do Magistério é prevalentemente pastoral, ao invés de só apontar condenar erros, a esposa de Cristo prefere usar o remédio da misericórdia do que o da severidade. Os frutos das escolhas erradas já se colhem e são notórios a todos. Revela-se o rosto de uma Igreja como mãe amorosa de todos, benigna, paciente, cheia de misericórdia e bondade também com os filhos dela separados;
• São tantos os benefícios e descobertas nas constituições dogmáticas, por exemplo os da Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, onde “se atua a obra de nossa redenção”, onde proclama que Cristo está sempre presente em sua Igreja e especialmente nas ações litúrgicas, fonte da vida da Igreja;
• O uso do vernáculo que possibilita o entendimento das coisas santas e participação plena e ativa do povo nas celebrações comunitárias. Pede cerimônias que resplandeçam de nobre simplicidade, claras na brevidade e evitem repetições inúteis, acabou-se os topes e rendas, franjas e paramentos imperiais, modelados por costumes de cortes pagãs que avultavam uma disparidade indelével com as origens patrísticas da fé cristã que iniciou na mais singela pobreza evangélica. Dignidade sim, disparidade e ostentação não.
• Na liturgia especificou a centralidade do evento pascal, não celebra-se mortos, mas tão somente o Cristo ressuscitado, voltando a centralidade do evento pascal (Lv 23, 7), ordenou as prioridades do calendário santoral em seu devido lugar;
• O feliz uso dos mais variados instrumentos musicais na liturgia para valorizar as expressões culturais e locais para a edificação dos fiéis;
• Manteve, mas restringiu o número de imagens nas igrejas para a veneração, tudo isso para que não causem admiração ao povo cristão nem favoreçam devoções menos corretas, por exemplo, curvar-se diante delas e esquecer-se da presença real de Cristo Jesus no tabernáculo;
• Revogou a insistência para que os clérigos estudem arte sagra para preservar os patrimônios da igreja, se bem que o maior patrimônio é o povo. Mas alguns desorientados faziam modificações e pinturas que deflagravam a originalidade, alguns erguiam verdadeiros pavilhões e achavam estar fazendo algo digno do Senhor. Alguns até desconheciam os estilos e não se sabia mais o que era igreja romano ou protestante (igreja romana tem arco romano, com exceção dos estilos góticos…);
• As novidades da Lúmen Gentium que define a missão da Igreja, ela existe para que todos sejam santos e proclama a igualdade fundamental no sacerdócio comum dos fiéis onde todos os batizados tem igual dignidade e vocação universal á santidade;
• Definiu que “os que crêem em Cristo e foram devidamente batizados, estão em certa comunhão, embora não perfeita com a Igreja católica” (cf. Unitatis Reintegratio). Trata os ortodoxos e os protestantes como comunidades eclesiais;
• Estabeleceu que o hábito religioso seja simples e modesto, pobre e condigno, de acordo com as exigências da saúde ( muitos religiosos morreram cedo de tuberculoso pelo uso do preto em determinados ambientes), acomodados às condições de tempo e lugar e às necessidades do ministério (na idade média certas roupas eram idênticas às dos pobres e servidores, hoje mais distinguem pelo status em muitos casos). Salvo os que usam em sinal de pobreza real, não enganatória. (cf. Perfectae caritatis 17).
• As adequações sobre a inspiração divina e a interpretação da Sagrada Escritura, o fim da inerrância e opção pela Verdade sobre nossa Salvação evitou muitos conflitos com a ciência moderna, pois sobre a nossa salvação não há erros na Sagrada Escritura. A necessidade de estudo para perceber as exigências da exegese, dos gêneros literários e crítica das formas para chegar-se a verdadeira intenção dos escritores sagrados e a necessidade do sentido pleno;
• Confirmou-se a liberdade religiosa na sociedade, fim da padroado inquisidor (cf. Dignitates humanae 9);
• Destacou a natureza evangelizadora da Igreja e a missão do Espírito santo que de sua forma conduz a Cristo (Cl 2,9). Paternidade divina e Trindade reinocêntrica;
• A necessidade da fraternidade presbiteral, teologia do celibato, adesão ao bispo, respeito dos clérigos para com o espaço e liberdade de ação aos leigos;
• Papel da Igreja no mundo contemporâneo – diálogo recíproco, missão de comunicar a luz divina e elevar a dignidade da pessoa humana (cristificar-se). Suscitar obras destinadas ao serviço de todos, sobretudo dos pobres, promoção da dignidade do matrimônio e da família, cultura e construção da comunidade internacional. “Os cristãos nada podem desejar mais ardentemente do que servir sempre com maior generosidade e eficácia os homens do mundo de hoje” (Gaudium et Sps 13).
• O Magistério, desceu para dialogar com o homem; e conservando sempre a sua autoridade e sua virtude, adotou a maneira de falar acessível e amiga que é a própria caridade pastoral. Quis fazer-se ouvir e entender por todos. Por isso, exprimiu-se no modo hoje usado na conversação corrente, em que o recurso à experiência da vida e o emprego dos sentimentos cordiais dão mais força para atrair e para convencer. Isto é, falou aos homens de hoje, tais quais são, assim aprendeu-se a amar mais e a servir melhor, pois a Igreja desceu do pedestal como Saquei e declarou-se como que a escrava da humanidade;
• Não podemos negar que com as mudanças pedidas e aprofundadas pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, muitos padres desistiram do sacerdócio, sim desistiram, pois estavam acomodados em suas funções medíocres que não iam além de repetir um latim mal falado e colocar a hóstia na boca dos cristãos, e quanto faziam isso, pois muitos já nem queriam recebê-la, tamanha a ignorância populi, queriam só ver e gritavam para o padre erguer mais alto a hóstia. Desvirtuou-se o sentido da Eucaristia, também é para adorar, mas antes de tudo é comida.
• Quando acabaram as seguridades e pompas, muitos caíram no realismo cristão de realmente dar seu sangue pelo povo, isso fez muitos mornos desmerecer e partir para a comodidade. Hoje para ser um sacerdote tem que agir conjuntamente com todo o presbitério, formar uma pastoral de conjunto, fazer surgir lideranças e comprometer os leigos o máximo possível, quem está disposto a assumir essa responsabilidade? Poucos, pois poucos são os escolhidos, muitos os chamados;
• Ficou difícil para mim elencar as novidades e frutos do concílio, pois sou filho dele e não de cheguei a viver as amarras de Trento que, além de vir tarde, anatemizou os protestantes. Há quem negue o CEVaticano II, cuidado, pois a Igreja não anda para trás, ela progride na fé, na esperança e na caridade. Eu acredito piamente que ainda não colocamos em prática muitas resoluções do Concílio, pois muita coisa ainda deve ser feita, mas andar para trás, só para caranguejo.
• Alguns preferem o ostracismo e o conservadorismo de tradições que na verdade não possuem originalidade histórica fontal patrística e sim muitas vezes escolásticas e pagãs. Um exemplo: quem disse que a comunhão verdadeira era na boca? Isso é desconhecimento histórico. Mas o que se fazer, hoje há retrógradas e progressistas, isso é conseqüência dos mais variados dons concedidos à Igreja, não há mal nisso. Mas quem negue o Concílio e acredite que tudo seria melhor que ele não tivesse existido, considero isso extremamente inválido, recomendo com ardor evangelizador que por favor leiam com atenção os documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II e que deste este momento se deve ter como nulo e sem valor tudo quanto se fizer em contrário, por qualquer indivíduo ou autoridade, conscientemente ou por ignorância. Impossível enumerar todos os pontos, fiz uma breve síntese, mas teria que expor aqui toda a teologia atual. Seminarista Leonei.
sentados foram poucos, eu apresento mais alguns.

Muito prezado Seminarista Leonei,
salve Maria!
 
    Você me lembra que “andar para trás, só para caranguejo”. Deixe-me, porém, lembrar-lhe que quem anda só para a frente é burro de olaria.
    Mas não vá pensar que aplico isso a você. Longe de mim tal pensamento, pois verifico que você estudou bastante. Pena que não saiba nem ver, nem ler.
    A analogia que mais lhe cabe é a de avestruz, no sentido que se diz que avestruz mete a cabeça na areia para não ver a realidade que o ameaça. E o pior cego, disse Nosso Senhor, é aquele que não quer ver.
    Pois que você não quer ver a prova ao constatar que você considera os frutos do Vaticano II como bons, apesar das mais de 100.000 apostasias de padres, apesar do abandono da freqüência à missa, apesar do fechamento de igrejas, conventos e escolas católicas…
    Que você é cego e não sabe ler e nem sabe o que escreve, demonstra-o dizer-nos:
 
leiam com atenção os documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II e que deste este momento se deve ter como nulo e sem valor tudo quanto se fizer em contrário, por qualquer indivíduo ou autoridade, conscientemente ou por ignorância” (O destaque é meu)
 
    Para você, pobre seminarista de hoje, o Vaticano II anulou tudo o que a Igreja sempre ensinou e estabeleceu, e que nenhum indivíduo ou autoridade — portanto, nem o Papa — pode dizer o contrário do Vaticano II.
    Desse modo você confessa e acredita que o Concílio Vaticano II rompeu totalmente com a Igreja de sempre. Meu caro, você não percebe que nisso há uma apostasia?  
    Se houvesse o prêmio avestruz do ano, certamente dariam a você tal a sua incrível cegueira
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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