Montfort Associação Cultural

31 de janeiro de 2005

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Carta a "Bof" se for o Boff

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Leonardo Boff
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Religião: Católica

            E-mail:  leo@bof.org



Salve irmãos

Descobri este site por acaso e fiquei impressionado. Quanto amor distorcido, quanta fé mal direcionada, Deus tenha piedade…
Quando me sentei naquele mesmo banco que Galileu se sentou, lá no Vaticano, pensei: que bom não vivermos mais no período das trevas
Li seus elogios rasgados aos Templários, irmão Fedeli. Conte aos seus discíplulos que os Templários, apesar de disciplinados cristãos (tão disciplinados que venciam rapidamente seus “inimigos” – a Bíblia alterada inúmeras vezes, sobre conceitos judaicos e depois romanos já diz que um cristão “comerá na mesa com seus inimigos”, ou seja, para ser cristão temos, obrigatoriamente, que ter inimigos) eram nada mais que cavaleiros cristianizados, uma classe (estamento) feudal. Viviam do saque e da exploração dospovos que venciam (ou matavam) e daí exploravam. Quando perderam contato com cidades comerciais da Itália, que financiavam seu colonialismo (ensaio) agpnizaram e se dispersaram, pois, ali, ninguém trabalhava, só parasitavam. Isso é modelo de fé? Eu não creio.
Eis um artigo meu onde mostro um pouco de bondade neste teu obscuro e escuro site. Abraços fraternos.



Parteiras de um povo

Leonardo Boff
novembro de 2002.

Via de regra, a propagação do cristianismo se fez pela palavra do evangelho no quadro de um projeto civilizatório e de uma forma de ser Igreja que implantou edifícios religiosos e escolas. É o evangelho do poder. Mas, nunca faltou na história outra tendência, vivida outrora por Francisco de Assis e por Bartolomé de las Casas, de acercar-se dos outros por uma convivência pacífica, sem palavras, fraterna e amorosa. 

No mundo contemporâneo foi testemunhada pelo Irmão Carlos de Foucauld que nos inícios do século XX foi ao meio dos muçulmanos no deserto da Algéria, não para anunciar, mas para conviver com eles e acolher a diferença de sua cultura e de sua religião. E nos dias atuais está sendo vivida exemplarmente pelas seguidoras do Irmão Carlos, as Irmãzinhas de Jesus, entre os índios Tapirapé, no noroeste do Mato Grosso, próximo ao rio Araguaia. É o poder do evangelho.

No domingo passado, dia 17, assisti a celebração do cinqüentenário da presença delas junto aos Tapirapé. Lá estava ainda a pioneira, a Irmãzinha Genoveva que em outubro de 1952 começou sua convivência com a tribo. De manhã, com o bispo Pedro Casaldáliga, advogado e defensor dos índios, se lançou um livro de extraordinário valor: O renascer do povo Tapirapé, diário das Irmãzinhas de Jesus de Charles de Foucauld, 1952-1953 (Editora Salesiana, SP, 2002), belissimamente ilustrado para estar à altura da refinada estética dos Tapirapé.

Como elas chegaram lá? As Irmãzinhas souberam através dos frades dominicanos franceses que missionavam em terras do Araguaia, que os Tapirapé estavam em extinção. Dos 1500 de antigamente foram reduzidos a 47 por causa das incursões dos Kayapó, das enfermidades dos brancos e da falta de mulheres. No espírito do Irmão Carlos, de ir para conviver e não para converter, decidiram unir-se à agonia de um povo. À sua chegada, a Irmãzinha Genoveva ouviu do cacique Marcos: “Os Tapirapé vão desaparecer. Os brancos vão acabar conosco. Terra vale, caça vale, peixe vale. Só índio não vale nada”. E eles haviam internalizado que não valiam nada mesmo e que estavam condenados inexoravelmente a desaparecer. Elas foram junto a eles e pediram hospedagem. Começaram viver com eles o evangelho da fraternidade na roça, na luta pela mandioca de cada dia, no aprendizado da língua e no incentivo a tudo o que era deles, inclusive a religião, num percurso solidário e sem retorno.

Com o tempo, foram incorporadas como membros da tribo. A auto-estima deles voltou. Graças à mediação delas, conseguiram que mulheres Karajá se casassem com homens Tapirapé e assim garantissem a multiplicação do povo. De 47 passaram hoje a 520. Em 50 anos, elas não converteram sequer um membro da tribo. Mas conseguiram muito mais: fizeram-se parteiras de um povo, à luz daquele que entendeu sua missão de “trazer vida e vida em abundância”. Quando vi o rosto de uma índia Tapirapé e o rosto envelhecido da Irmãzinha Genoveva, notei: se tivesse tingido de tucum os cabelos brancos, ela seria tida por uma perfeita mulher Tapirapé. Realizou, de fato, a profecia da Fundadora: “As Irmãzinhas se farão Tapirapé, para daqui, irem aos outros e amá-los, mas serão sempre Tapirapé”. Não é por aí que deverá seguir o Cristianismo, se quiser ter futuro num mundo globalizado? O evangelho sem poder?

Senhor Leonardo… “Bof” — (ou Boff ???) 

    Depois de ler e analisar a missiva eletrônica que o senhor me enviou, ficaram-me dúvidas sobre a sua assinatura.
    O e-mail do emissário não existe.
    Despertou-se-me, por isso, a suspeita de que seu nome é outro, e que o senhor colocou o nome do tristemente famoso ex frade marxista, apenas para provocar artificialmente um debate, e rir-se de minha ingenuidade.
    É verdade que os grosseiros erros históricos que o senhor comete poderiam ser provas da autenticidade da assinatura de sua carta: Boff conhece muito pouco de História, e não hesita em dizer coisas estapafúrdias sobre fatos históricos, sabendo que o culto da Mídia e o de seus fanáticos seguidores comunistas nem se preocupará em conferir os dados que ele atrevidamente apresenta como reais, e que freqüentemente são potocas dignas de um ignorante estudante ginasiano.
    Por exemplo, em sua missiva há uma confusão estranha entre Templários e cruzados, como se todos os cruzados tivessem sido templários, ou como se apenas os templários tivessem sido cruzados. O que é um “pérola” digna de um estudante de vestibular.
    Em todo caso, seja a assinatura de sua carta falsa ou autêntica, eu a responderei como se o próprio Boff ma tivesse enviado.         Isso servirá, pelo menos, para dizer algumas verdades sobre os erros de um líder da Teologia da Libertação, e para corrigir alguns dos erros que Boff poderia muito bem ter dito, já que ele fez ouvir coisas bem piores, através de suas vozes da heresia.
    Vou então responder à carta fictícia  — ou real ? –do ex Frei Boff, que o senhor me enviou, tal como se tivesse sido enviada pelo próprio Boff com dois efes.   
    Se ele me tivesse escrito as frases que o senhor me enviou, responderia a ele deste modo:

    Senhor “Genésio Boff”, ( ou ex frei Leonardo Boff), meus pêsames sinceros.

    O senhor se afirma impressionado com o site Montfort, e com nosso amor, que o senhor qualifica de distorcido.
     E depois me diz que o site Montfort é obscuro e escuro.
    Rimou.
    Mas com rima pobre e quase redundante.
    Sua apreciação negativa do site Montfort nos honra muito, e lhe agradeço a sua crítica.
    O que nos ofenderia seria ter sido elogiados pelo senhor.
    O senhor injuria o Papa e calunia a Igreja. Se o senhor nos elogiasse, deveríamos ser péssimos católicos.
    Quer o senhor um exemplo de seus ataques brutais, injuriosos e caluniosos à Igreja e ao Papa? 
    Tenho aqui, em mãos, a revista Caros Amigos , ano I, número  3,  de Junho de 1997, que em sua capa imprimiu uma injúria sua à Santa Igreja, injúria que é também uma heresia : 

“Leonard Boff: “A Igreja mente, é corrupta, cruel e sem piedade”.
 
    Claro que se alguém dissesse as mesmas coisas de Boff , o senhor se consideraria injuriado.
    Nessa entrevista escandalosa, a pretexto de contar algo sobre a senhora sua mãe, o senhor aproveita para injuriar o Papa João Paulo II, contando que sua mãe disse dele: 

“O Papa não vale nada, é um bobalhão”
(Leonardo Boff, entrevista em Caros Amigos , ano I, número 3, de Junho de 1997, p. 27).
 
    De um ex frade que insulta assim o Papa, prefiro receber críticas e ofensas. Nunca elogios. Seus elogios nos seriam insultos.
    O senhor me escreve, aludindo a seu depoimento diante das autoridades do Vaticano:  
“Quando me sentei naquele mesmo banco que Galileu se sentou, lá no Vaticano, pensei: que bom não vivermos mais no período das trevas”.

    O senhor se orgulha de ser acusado como Galileu — esse pseudo mártir da Ciência — que negava a presença real de Cristo na Eucaristia, e que morreu suavemente na própria cama. E não venha me contar as fábulas que a máfia anti católica tem espalhado sobre esse pseudo mártir.
    O senhor faz alusão à  ”Idade das Trevas”, qualificação caluniosa que os morcegos da História costumam dar à Idade Média, e me fala de Galileu, como se o homem que olhava o céu através da luneta tivesse vivido na Idade Média. 
    Essa é uma alusão cronológica e infantilmente errada. Galileu viveu na Idade Moderna, quando as trevas da heresia, em que o senhor é mestre, haviam começado a dominar o mundo.
    Esse erro grosseiro de História me faz desconfiar, disse-o já, que o autor da carta que recebi  seja mesmo o próprio ex frei Leonardo Boff, que, ao falar de História, costumeiramente dá o que os estudantes chamam de “chute”, e que de fato, são asneiras incríveis num autor famoso.
    Quer o senhor provas de “chutes” históricos do ex  Frei Boff ? 
    Pois aí lhe dou uma prova. 
    No Prefácio do livro Directorium Inquisitorum, — Manual dos Inquisidores de Nicolau Eymerich — edição Rosa dos Tempos, Brasília , 1993, o ex frei Boff escreveu algumas batatadas históricas dignas de vestibulandos chutadores: 
“O Papa Gregório IX, temendo as ambições politico-religiosas do imperador, reivindicou para si essa tarefa [ de perseguir os hereges] e instituiu inquisidores papais. Esses foram recrutados entre os membros da ordem dos dominicanos (a partir de 1233), seja por sua rigorosa formação teológica (eram tomistas), seja também pelo fato de serem mendicantes, e por isso presumivelmente desapegados de interesses mundanos” (Leonardo Boff — Prefácio ao Directorium Inquisitorum, — Manual dos Inquisidores de Nicolau Eymerich — edição Rosa dos Tempos, Brasília, 1993, p. 13. O negrito e o sublinhado são meus).
 
    Ora, são Tomás morreu em 1274 com 49 anos. Portanto, nasceu em 1223.
    Como era possível haver dominicanos tomistas, na data em que São Tomás tinha apenas 10 anos?
    Em 1233, nem São Tomás era tomista. 
    Costuma-se dizer que o ódio cega. O ódio do ex frei Boff ao tomismo é que o fez afirmar que os dominicanos eram tomistas ainda antes de São Tomás ser frade, e muito antes de ele ter escrito qualquer obra.
    Se o ódio cega, a mentira tem perna curta.        
    Nesse Prefácio o ex frei Boff, cego e manco, escreveu essa tolice — esse chute — em História.
    E num autor famoso tal chute é inacreditável.
    Na página seguinte, o senhor Boff comete um equívoco tipográfico — um escorregão histórico – sem muita importância, mas que revela sua despreocupação com a verdade, quando ataca a Igreja.  
    Aí vale tudo.
    Escreveu descuidadamente esse doutor em heresias e em chutes históricos:
 
“Mas foi em 1371 [que Nicolau Eymerich] com o convite de ser o capelão do Papa Gregório IX (o criador da Inquisição) quando ainda estava no exílio em Avinhão e depois em Roma” (Leonardo Boff — Prefácio ao Directorium Inquisitorum, — Manual dos Inquisidores de Nicolau Eymerich– edição Rosa dos Tempos, Brasília, 1993, p. 14).
 
    Se Gregório IX fundou a Inquisição em 1232 — como Boff diz, na pagina 13 desse livro, — e se ele vivia ainda em 1371, conclui-se que o Papa Gregório IX teve um pontificado realmente imenso, pois de 1232 a 1371 passaram-se 141 anos.
    Claro que isso foi apenas um erro tipográfico. O senhor apenas bolostrocou Gregório XI por Gregório IX. Parece que o nome do fundador da Inquisição não lhe saía da cabeça . Daí o seu equívoco.   
    Diz ainda o senhor com o espírito de ex fraticello comunista da famigerada Teologia da Libertação:

[Na Idade Média] O medo da heresia era tanto que implicava a violação das comezinhas regras do sentido do direito universal e também a estupidificação dos leigos, que jamais podiam se ocupar de teologia. A fé devia ser aceita, jamais pensada. A reflexão religiosa era monopólio exclusivo da hierarquia. Quem pensasse a fé, e pensar a fé significa discutir questões teológicas, era já suspeito de heresia,, objeto de repressão” (Leonardo Boff — Prefácio ao Directorium Inquisitorum, — Manual dos Inquisidores de Nicolau Eymerich– edição Rosa dos Tempos, Brasília, 1993, pp. 19-20).
 
    Por acaso, o senhor pensa — como tantos ignorantes, ou pior, como tantos deturpadores da verdade histórica – que a Idade Média foi tão ignara quanto os seminaristas aos quais o senhor impingiu os seus livros, como se fossem de alta teologia, ou como os jornalistas marxistóides que o entrevistam?
    O que o senhor diz nessa citação acima é absolutamente falso, e só pode ser impresso numa época que  odeia a Igreja, e por quem não sabe nada de História.
    Pois ignora o senhor que a Suma Teológica de São Tomás é uma obra  em que se discute, com argumentos e não com baboseiras marxistóides, as principais verdades da Fé ?
    Ignora o senhor que, na Idade Média, multidões iam assistir ao debate de São Bernardo com Abelardo, em Sens?
    Será que o senhor pensa que eram os medievais  que iam assistir o Maguila levar e dar murros em Mike Tyson?
    Uma época como a nossa, que faz de esmurradores ídolos, de “cantores” como Yoko Ono artistas, e de hereges como Leonardo Boff e do semi frei Betto, pensadores, essa época sim é que é uma Idade das trevas!
    Ou o senhor julga que o senhor seria teólogo na Idade Média? 
    Na Idade Média, no máximo, o senhor seria um sequaz de Fra Dolcino. 
    Naquela época não existiam a Vozes, nem Fidel, e nem Arns ou Lorscheiders para dar-lhe impulso, nem amigos caros para dar -lhe cobertura e criar-lhe fama.
    Na Idade Média, todo o povo sabia bem o Catecismo, coisa que o senhor sabe mal, e que, ao saber, nega.
    O que não se permitia, na Idade Média, era propagar heresias, calúnias contra a Igreja, ou negar sofisticamente a Fé.
    Pois que assim como não se permite liberdade aos vírus, na Idade Média não se permitia que vozes de heresia difundissem tolices e heresias.
    E estas autênticas batatadas históricas boffentas são indicio da autenticidade da carta cujo autor identifica templários e cruzados.
    O senhor se alegra por viver nesta época que “iluminou” o mundo com o incêndio de guerras mundiais e que construiu o muro de Berlim e o paredón de Cuba com cimento e sangue. O senhor se alegra por viver num mundo que vegeta à “luz” do fogo fátuo da mídia, que dá cobertura aos seus erros e às suas heresias, a seus disparates e a seus ataques brutais e caluniosos à Igreja.
    Nessa mesma entrevista sua que citei acima, o senhor fez uma narrativa evidentemente fantasiosa de seu interrogatório no Vaticano, descrevendo os fatos ocorridos como se a Congregação para a Doutrina da Fé fosse uma delegacia política cubana de seu amigo Fidel Castro:

Passamos num portal enorme (do Palácio do Vaticano) e o carro parou para que aquilo se abrisse e eu disse: “É aqui o local de tortura?” E aquele oficial me deu uma cotovelada sabe, com toda a violência”. (Leonardo Boff, entrevista em Caros Amigos, ano I, número  3,  de Junho de 1997, p.30).
 
    Como se alguém fosse torturado no Vaticano. Isso é uma calúnia.
    E não pense que alguém que pense seriamente acredita nas patacoadas fantasiosas que o senhor contou em sua entrevista escandalosa à revista Caros Amigos, onde o senhor diz:
 
“Eles vieram com um carro, eu estava me despedindo do superior, dos cardeais, dois oficiais do Santo Ofício me agarram, me empurram carro adentro, porque me haviam dito que eu devia chagar às 9 horas em ponto. Três para as 9 estavam ali e literalmente me agarraram, empurraram carro adentro”.
– “Marina Amaral: ” A guarda suíça?
– Leonardo Boff- “Dois guardas suíços mais um oficial do Santo Ofício que vinha junto para dizer: “É aquele” 
(Leonardo Boff, entrevista em Caros Amigos, ano I, número 3, de Junho de 1997, p. 30).
 
    É evidente aí sua tentativa de fazer um paralelo de seu caso com a prisão de Cristo.
    O senhor, nessa cena, se arrogou o papel de Jesus.Quer se fazer passar por vítima, e faz da terrível Guarda Suíça, com suas alabardas de aparato, uma KGB papal. Isso também é uma calúnia.
    E a contradição de sua descrição é patente até no número e na qualificação dos personagens que o senhor aponta. 
    Quem é mesmo que tem pernas curtas? 
    Goebbles, não é?
    Era Goebbles, o sacristão do lúcifer nazista, que tinha uma perna mais curta, e que dizia, como Voltaire: “Menti, menti sempre, alguma coisa vai ficar”.
    E o senhor é recheado de contradições. Ora chama os cardeais genericamente de lobos, ora se refugia atrás de suas garras bondosas  e elogia os seus dentes.
    Quer ver? Quer ler?
    Pois até parece que o senhor não revisa o que escreve, tanto se contradiz. Pois nessa escandalosa entrevista a seus bem Caros Amigos, o senhor diz a certa altura:

“Como um lobo não come outro lobo, um cardeal não ataca outro cardeal” (Leonardo Boff, entrevista em Caros Amigos , ano I, número  3,  de Junho de 1997, p.29).
 
    Mas, então, quando o Cardeal Arns o protege, seria também ele, — ele que é um cardeal –  seria ele para o senhor, um lobo  protegendo uma ovelha?
    Ou seria ele — segundo sua definição de cardeal — um lobo protegendo outro lobo?
    Então lhe pergunto ainda: quando o Cardeal Arns escreve cartinhas amigas a seu  ”Queridíssimo Fidel”, ele não é um lobo protegendo outro lobo, e um bom pastor guardando uma ovelhinha amada e tresmalhada?
    Será que Fidel é mesmo mansa ovelhinha?
    Será que Fidel Castro não é um lobo?     
    Senhor Boff, sua classificação de lobos e ovelhas é bem confusa e contraditória.  
    Tão confusa como a daqueles que confundem luz e trevas. 
    Todo o mundo sabe que Fidel é um lobo. Sei que o senhor, como todo o mundo, sabe que Fidel Castro não é cardeal. Mas todo o mundo reconhece Fidel como um lobo sanguinário e assassino. 
    Todo o mundo sabe que bom pastor dos comunistas foi Dom Arns, o grande protetor dos direitos humanos dos criminosos, que a vida inteira  só chorou com o olho esquerdo, enquanto seu olho direito jamais teve uma lágrima pelos assassinados e pelas vítimas de todos os tiranos e bandidos. Mas, o senhor chama mui genericamente de lobos apenas os cardeais da Cúria que foram contra o senhor. 
    Sua classificação luporina é bofesca.
    Quer outra contradição sua que clama ao céu ?
    Pois lha dou imediatamente.
    Nessa mesma entrevista a seus amigos caros, possivelmente tomando uns pobres chopes, o senhor, que fez voto de pobreza, escreveu que apostrofou um dos cardeais que o senhor julga  ”lobo”, o Cardeal Hamer, dizendo:

“Eu não quero mais falar com o senhor, porque eu falo com cristãos, não com ateus” (Leonardo Boff, entrevista em Caros Amigos, ano I, número 3, de Junho de 1997, p. 29).
 
    Que ousadia !
    Como o senhor se atreve dizer uma inverdade desse porte?
    Toda a sua vida foi um diálogo namoriquento com ateus e com hereges. O senhor só não fala amigavelmente com os católicos.
    Portanto, injúrias à Igreja e ao Papa, heresias escandalosas, contradições clamorosas, fantasias e inverdades históricas afirmadas com a maior cara dura, tudo isso faz com que nos honre a sua critica.
    Se o senhor considera, pois, o site Montfort continuador da Fé e da mentalidade medieval, isso nos é motivo de glória.
    Se o senhor considera que nós da Montfort perpetuamos a mesma Fé dos cruzados e dos santos da Idade Média, com  a mesma mentalidade medieval, o senhor nos faz um elogio extraordinário.
    Se algum moderno fraticello nos tem como cruzados, isso é o reconhecimento de nossa ortodoxia.
    Sempre os hereges são solidários na heresia e no ódio à Fé.
    Lobo não come lobo. Lobo devora ovelhas.
    Morcego voa com morcegos. Águias voam com águias.
    Pássaros noturnos detestam o dia.
    Trevas, obscuridade, luz…
    Há quem troque luz por trevas, e trevas por luz.
    O senhor se afirma convencido de que a luz da Idade Média  é treva, e que a treva comunista é luminosa.
    O senhor deve saber também que, para os morcegos, a treva é luz, e a luz é treva. E o senhor deveria saber também que na Sagrada Escritura se lê:

“Ái de vós, os que ao mal chamais bem, e ao bem, mal; que tomais as trevas por luz, e a luz por trevas; que tendes o amargo por doce, e o doce por amargo”
( Is, V, 20).
 
    Afinal, em matéria de amor a Deus e à Fé,– a luz da Verdade revelada — o senhor não é propriamente um modelo de visão.
Quem é o senhor para criticar os cruzados?
    Quem é o senhor para se contrapor aos santos que fizeram as cruzadas,  exatamente o senhor que elogiou Fidel Castro, e que elogiou a União Soviética pouco antes do desmoronamento do império bolchevista deixar sem disfarce e a nu seus crimes e sua miséria?
    Quem é o senhor, senão um louvador dos piores tiranos que a História conheceu?
    Quem é o senhor para criticar o que fizeram os santos?
    Não sabe o senhor que São Luís foi um cruzado?
    Não sabe o senhor que a Igreja Católica elevou aos altares São Luis, cruzado, e São Bernardo pregador de cruzada?
    O senhor sabe isso, sim.
    Mas o que senhor detesta é a Igreja que canonizou os santos cruzados, e que anatematizou o comunismo e todos os que apóiam essa iniqüidade. É a ela, a essa Igreja que o senhor acusa de mentirosa, de corrupta e de cruel.
    Afinal, o senhor pensa que os católicos não conhecem suas heresias e seu infeliz exemplo?
    Pensa o senhor, apesar dos aplausos da mídia, pensa o senhor que não se sabe que o senhor deixou de ser franciscano por preferir ser um acólito de Lenin e Fidel?
     Vejo que sua crítica às cruzadas não difere da análise de marxistas autores de compêndios escolares.
     Sua análise marxista das cruzadas vale tanto quanto o marxismo: exatamente zerO.
     E o senhor aproveita a oportunidade para me mandar um infeliz artigo de sua lavra  — Parteiras da Fé — no qual o senhor contraditoriamente prova que as suas “Parteiras da Fé” recusaram fazer uma conversão sequer à Fé entre os índios com
os quais foram viver.
    Que parteiras da Fé são essas que recusam fazer nascer a verdade da Fé nas almas dos pobres idólatras ?
    O senhor, nesse seu artigo absurdo, afirma o contrario do que Cristo mandou.
    Jesus ordenou: 

“Ide, pois, ensinai  todas as gentes –  [inclusive aos índios Tapirapés] — batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-as a observar todas as coisas que eu vos mandei”. ( Mt. XXVIII, 19-20).

     Aquelas que o senhor chama absurdamente de “Parteiras da Fé” o senhor confessa que elas aceitaram tudo dos índios: 

“Começaram viver com eles o evangelho da fraternidade na roça, na luta pela mandioca de cada dia, no aprendizado da língua e no incentivo a tudo o que era deles, inclusive a religião, num percurso solidário e sem retorno”
(o negrito é meu).
     Mas então o senhor confessa que elas abandonaram a própria Fé, e aceitaram o a religião dos índios pagãos e idólatras.
     E o senhor tem a audácia de afirmar dessas pobres religiosas, de fé completamente destruída: 

“Em 50 anos, elas não converteram sequer um membro da tribo”. (SIC!!!)

 
    E o senhor considera isso um motivo de glória !!!
    Mas o senhor inverteu tudo.
    O senhor não anuncia o Evangelho de Cristo.
    Genésio Boff se tornou arauto de um evangelho oposto a de Cristo: o de um evangelho do Anticristo.
    O senhor nos chama de irmãos. Mas como o senhor, ao repudiar a Fé Católica, repudiou a  filiação divina –que o senhor recebeu em seu Batismo — o senhor, nessas condições, deixou então de ser nosso irmão.
    Entretanto, para demonstrar que creio na misericórdia infinita de Deus, entretanto, e apesar de tudo, coloco-me à sua disposição, para um diálogo particular, caso o senhor se converta, um dia, e então queira voltar à Igreja Católica Apostólica Romana que o senhor infelizmente abandonou. E Deus queira que esse dia venha muito em breve, para que a luz de Cristo renasça em sua pobre alma, para sermos então, de fato ed e verdade realmente irmãos.
    Nesses termos me subscrevo, mesmo para o senhor, in Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

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