Montfort Associação Cultural

1 de março de 2005

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Caridade e Solidariedade

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Fábio
  • Localizaçao: Divinópolis – MG – Brasil
  • Religião: Católica

Prezado prof. Orlando e membros, salve Maria!

Lendo-se I cor./cap. 13, que pessoalmente acho maravilhosa essa passagem, se vê São Paulo falando sobre a caridade.Bom, todo mundo associa a caridade com solidariedade,quem nunca fez uma caridade?Quem nunca ajudou alguém? Ou, quem nunca ouviu as seguintes frases:”fulano é tão caridoso”,”hoje eu fiz uma caridade”, isso é normal de se escutar, essa associação de caridade=solidariedade.Acredito que até aqui você concorda comigo,geralmente fazemos essa associação mesmo.
Todavia, São Paulo fala o seguinte:”Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!”
Com isso, essa associação de solidariedade=caridade cai por terra, então, qual seria essa caridade que São Paulo fala-nos?
Ao olhar no “pai dos burros” como o senhor fala(rs), encontra-se, esmola, virtude teologal,mas não consegui entender.

Um abraço de seu irmão em Cristo Jesus,
Fabio.

Muito prezado Fábio,
Salve Maria!
 
    A caridade de que fala São Paulo não se confunde com o amor natural, e muito menos com a filantropia, ou mesmo com a chamada “solidariedade”, da qual tanto se fala, hoje.
    A caridade consiste em amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo, por amor de Deus.
    Portanto, o primeiro ponto essencial a considerar é que a caridade exige que se ame a Deus sobre todas as coisas.
     Isto significa que se deve amar mais a Deus do que própria vida, quer seja a nossa vida, quer seja a vida do próximo. A nossa vida devemos estar prontos a dá-la por Deus, se preciso for, para testemunhar a verdade da Fé da Igreja Católica Apostólica Romana.
    Se devemos dar até nossa vida, devemos admitir também que a vida do próximo é menos valiosa do que a glória de Deus. É o que justifica a pena de morte dada pela autoridade legítima. É o que justifica a guerra justa e a cruzada, que é a guerra mais justa que pode existir, como o prova São Bernardo.
    Portanto a vida física não é o supremo bem. A paz entre os povos não é o supremo bem. A riqueza e a saúde não são os bens mais elevados. Elas são bens relativos, que podem ser bem ou mal usados. Tudo isso está infinitamente abaixo do Bem absoluto que é Deus. Tudo isso estando abaixo do Bem absoluto deve ser amado menos do que a salvação da alma e a prática da virtude que nos leva ao céu. 
    E em primeiro lugar, devemos considerar que a virtude mais necessária, sem a qual ninguém pode se salvar, é ter a verdadeira Fé, a Fé Católica Apostólica Romana. Por isso, a caridade nos exige lutar, antes de tudo, pela maior glória de Deus, pela integridade da Fé, pela conversão dos homens á verdadeira Fé católica, e pela salvação das almas.
    Em segundo lugar há que considerar que a caridade manda que se ame o próximo, como a nós mesmos, mas por amor de Deus.
    A causa do amor de caridade não pode ser a simpatia natural por alguém, a simples amizade, ou qualquer outra razão de amor natural.
    Por isso, a caridade não é a Solidariedade.
    A Solidariedade pode ser no bem, e pode ser solidariedade no mal, a solidariedade até no pecar, que significa cumplicidade. Portanto, solidariedade é só adesão a outrem. Ela não é a caridade. Ela é neutra. Ela só será boa se for caridade, isto é “solidariedade” a outrem, querendo, antes e acima de tudo, o seu bem sobrenatural, e o seu bem natural real, por amor a Deus. Não por outra razão. Caso contrário, a  solidariedade não se distingue da filantropia maçônica, e nada vale sobrenaturalmente.
   
    A causa da caridade é o amor de outrem por amor a Deus.
   
    Que significa isso?
    Significa que devemos amar os homens pela imagem de Deus na alma deles. Todo ser humano é criado à imagem e semelhança de Deus. Em cada alma, Deus imprimiu sua imagem, de modo que cada homem é chamado a realizar em sua vida uma qualidade ou virtude de Deus, de modo absolutamente pessoal.
    Assim sendo nunca haverá dois homens iguais.
    Amar com caridade é amar o outro pela virtude que Deus o chamou a realizar e a espelhar da própria Divindade.
    O amor de caridade deseja, antes de tudo, que cada homem salve sua alma, que tenha a graça de Deus na alma, e que realize em sua vida essa imagem que Deus lhe imprimiu na alma, de modo tal, que todos possam ver Deus nele, através da alma e da sua virtude. Isso implica em desejar que o próximo, mais do que tudo, seja virtuoso e santo.
    Todos os outros bens naturais e relativos devem estar submetidos, subordinados, a esse supremo bem, que é Deus.
    Hoje em dia, infelizmente, se pensa que amar o próximo significa desejar-lhe “muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender”.   
    Isso é puro naturalismo. Isso é completo paganismo. Isso é desejar o bem natural acima do bem espiritual e da vida eterna.
    Isso é mera filantropia e jamais caridade.
    Claro que devemos desejar aos outros também bens materiais e naturais (saúde, felicidade, e bem estar) mas subordinados ao bem maior que é a sua salvação eterna. Se vemos que o dinheiro vai prejudicar a salvação eterna de nosso próximo, devemos desejar a ele pobreza e não fortuna. Se a saúde irá prejudicar a salvação eterna de alguém, podemos desejar-lhe a doença. Mesmo para nós, devemos querer a morte antes que o pecado.
    É por isso que São Paulo diz que de nada adianta dar toda a riqueza a outrem, se isso não for feito visando a salvação eterna do outro, isto é, que ele, acima de tudo, imite a Deus Nosso Senhor, sendo virtuoso e bom, como Deus é infinitamente bom.        
    Quão rara é hoje a caridade! E quão poucos amam, de fato, ao próximo com amor de caridade, isto é, por causa de Deus, para que o próximo tenha a Deus na alma e, um dia, esteja eternamente com Deus, no céu. 
    E tudo o mais, fora da caridade, é falso amor, mentira e ilusão.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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