Montfort Associação Cultural

25 de agosto de 2004

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Capitalismo aceitável?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Wagner
  • Idade: 23
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

Gostaria de esclarecer uma pequena duvida; Estou fazendo faculdade de Serviço Social e tenho aprendido tudo sobre Capitalismo e Socialismo e segundo veriquei nas respostas desse site, um Socialista nao poderá ser um Catolicista de coração (já verifiquei e concordo também), isso quer dizer que um Capitalista poderá ser ?? Eu sei que Capistalismo é “menos pior” que Socialismo, mas só por que é menos pior, isso faz com que seja aceitavel?

Então quer dizer que se amanhã surgir outro regime social melhor que Capistalismo, Não poderá ser Catolicista de coração, nem o Capistalista e nem o Socialista ??

Muito prezado Wagner, salve Maria !

É claro que a Igreja condenou a mentalidade moderna, desde que ela deu seus primeiros uivos, no fim da Idade Média, que foi também o fim de muitas coisas santas e boas, enquanto o Renascimento trouxe de volta o paganismo, a escravidão e a busca da vantagem pessoal acima de tudo.

E uma das coisas más que nasceram da morte da Idade Média foi o Mercantlismo e seu desejo de viver para o ouro.

Com efeito, o Mercantilismo colocou o fim do homem no ouro. O capitalismo é filho do mercantilismo e da Reforma protestante, especialmente de Calvino, como foi demonstrado por estudiosos do tema.

Para o capitalismo, “time is money”. Traduzindo isso, dever-se-ia melhor dizer que, para o capitalismo, “life is money”. A vida, não o tempo, é dinheiro.

Com o capitalismo, vive-se para ter dinheiro.

E dessa mentalidade capitalista se originou, como aborto monstruoso, o marxismo, ensinando que se a vida é para ter riquezas, “o homem é um animal que trabalha“, na estúpida definição de homem, feita por Engels, definição que, muitos anos atrás, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, dirigida então por um católico esquerdista e socialistóide, impôs — graças sempre à liberdade de pensamento e de consciência — aos professores de História de todos os colégios do Estado.

E se os homens são animais que trabalham — as formigas, já que elas são animais que trabalham, as formigas seriam então humanas? — Os homens poderiam então ser tratados como animais de carga?

Foi o que fez Lenin. Foi o que fez Mao. É o que faz Fidel Castro, o tirano comunista de Cuba, que acaba de cumprimentar o nosso Presidente pela Reforma Agrária que está realizando no Brasil.

Por que será que o comunista Fidel Castro está contente com a reforma agrária de FHC, Dona Ruth, Jungman e Lula realizada com a pressão “externa” do MST?

O comunismo e socialismo tratam os homens como animais, pois são materialistas por princípio (e não venham a falar em socialismo “cristão”).

Hoje, e aqui, limito-me a citar um texto de Pio XI na encíclica Quadragesimo Anno:

“Católico e socialista são termos antitéticos.(…) Socialismo religioso, socialismo cristão, são termos contraditórios. Ninguém pode ser, ao mesmo tempo, bom católico e verdadeiro socialista” (Pio XI, Quadragesimo Anno, Denzinger, 2270).

Erram então os que pensam que a Igreja apóia o socialismo, em que pesem as idéias heréticas de Frei Betto e do ex Frei Boff.

Erram os que pensam também que a Igreja apóia o capitalismo sem nenhuma restrição.

Se a Igreja condenou o comunismo ao ensinar que “Intrinsecamente mau é o comunismo” (Pio XI, encíclica Divini Redemptoris), ela também sempre fez críticas ao capitalismo.

Muitos pensam, erradamente, que o capitalismo se opõe ao comunismo.

Isso só é verdade em parte, porque o comunismo leva ao extremo o que deseja o capitalismo: a igualdade social e econômica. Repito: o capitalismo é o pai do comunismo. A oposição entre eles é apenas de grau, mas a doença, os princípios deles, são os mesmos.

É o que explica que tantos “milionários” capitalistas e tantos “”burgueses” abastados apóiem o comunismo.

Veja como sempre os Estados Unidos apoiaram, desde o princípio, “os grandes acontecimentos que se deram na Rússia”, em 1917, como disse um presidente capitalista dos “States”… Repare a política seguida por Roosevelt, na Segunda Guerra Mundial…

Aqui mesmo, no Brasil, temos um senador infeliz que tem um nome de família milionária, e — na medida em que ele pensa — é marxistóide. E sua ex esposa, idem…

O capitalismo é o liberalismo na economia. Portanto, assim como o liberalismo político gera o comunismo, assim o capitalismo gera o socialismo na economia.

O liberalismo econômico mantém ainda alguns valores que o socialismo vai destruir, como o direito à propriedade particular, que, como explica Leão XIII, é um direito natural, e o direito natural à livre iniciativa, cada um trabalhando no que quiser, como quiser e quanto quiser. Por isso, no capitalismo, a Igreja aprova o reconhecimento do direito natural a ter propriedade particular, assim como o direito de livre iniciativa, contra o coletivismo e o dirigismo socialista.

Entretanto, a Igreja condena, e sempre condenou, no capitalismo, a separação entre economia e moral, típico principio liberal, como condena também a livre concorrência absoluta e sem freio, que, de fato, acaba com a própria concorrência, criando monopólios preparadores da socialização da economia.

O capitalismo — como todo liberalismo — tem o grave erro de separar a economia da moral objetiva e natural. O lucro passa a ser um fim a ser obtido de qualquer forma. Assim como o liberalismo separou o Estado da Igreja, assim também o capitalismo –aplicação do liberalismo à política — separou a economia da moral. Isto é o que produz todas as injustiças do capitalismo que os marxistas, a CNBB sovietizada, e os demagogos políticos exploram para propulsionar o socialismo.

O segundo ponto negativo do capitalismo liberal, a que aludi mais acima, é a livre concorrência absoluta, que, ao final, elimina toda concorrência, criando oligopólios controladores totais do mercado.O que facilita, afinal, o triunfo do socialismo.

O socialismo tem a mesma filosofia materialista e evolucionista do comunismo: o materialismo histórico de Karl Marx.

O socialismo pretende, como o comunismo, estabelecer a igualdade econômica e social. Enquanto o comunismo pretende apressar a evolução para a igualdade econômica e social por meios violentos — (greves, guerrilha, revolução, guerras internacionais) — o socialismo afirma que a revolução, sendo um processo natural, não pode ser apressada pela violência, não pode saltar etapas de seu processo. O socialismo só pretende facilitar a evolução para a igualdade econômica e social, por meio de reformas legais. As leis igualitárias seriam as parteiras da revolução.

A Igreja Católica sempre condenou tanto o socialismo e o comunismo. Ela afirma que a igualdade é condenável (Peço-lhe que leia meu trabalho sobre igualdade e desigualdade de direitos, no qual mostro como o bom senso, São Tomás, a Revelação, o próprio Jesus Cristo, e o ensinamento de todos os Papas são contrários à igualdade enquanto tal).

Desculpe-me a brevidade desta resposta. Os problemas que você me colocou exigiriam muito maior explanação. É claro que, sendo o tema tão vasto, haveria muito mais a dizer. Creio porém que, nos limites de um e-mail — que não pretende ser um tratado de economia política — já é suficiente para atender sua dúvida, ademais que a exigüidade de meu tempo me obriga a ser bem sucinto. Infelizmente.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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