Montfort Associação Cultural

6 de janeiro de 2005

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Caminho Neo-Catecumenas e o Motu Proprio

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Luiz Machado
  • Localizaçao: – Brasil

Sr. Orlando fedeli, a Paz e a Alegria de Cristo !

Gostaria que o Sr. retificasse no seu site algo a respeito do Caminho Neocatecumenal.

No último motu proprio sobre o sacramento da confissão, o Santo Padre quer restringir o uso abusivo das ABSOLVIÇÕES coletivas ( algo que era para ser exceção estava se tornando a REGRA em algumas dioceses do mundo, me parece que sobretudo nos EUA e em outros lugares), que são feitas em detrimento da confissão auricular e individual.

Ora, nas comunidades neocatecumenais NUNCA se dão absolvições coletivas: as confissões são SEMPRE INDIVIDUAIS – o fiel sozinho com o sacerdote. A Celebração é comunitária, isto é, ouvem-se leituras bíblicas, canta-se, e depois, INDIVIDUALMENTE o fiel se dirige ao Sacerdote para confessar-se, recebendo a ABSOLVIÇÃO INDIVIDUALMENTE; claro está que o Sacerdote só dará a Absolvição se julgar que deve dá-la ( se o fiel estiver arrependido e realmente quiser sair do pecado), caso contrário o sacerdote lhe dará uma simples benção.

Olhe, estou há 20 anos no Caminho Neocatecumenal e sei do que estou falando, até porque já morei na Colombia, Alemanha, Italia e Africa, e neste lugares sempre freqüentei as comunidades neocatecumenais .

Repito, as celebrações são comunitárias, mas a Confissão e a Absolvição são individuais, ninguém fica sabendo o que o fiel confessou ao Padre ( só o Padre, claro ! ). Só se confessam as pessoas que o desejam, ninguém é obrigado a se confessar claro !, mas se recomenda vivamente que as pessoas se confessem. Aliás, é uma orientação do iniciaidor do Caminho, Kiko, que se faça pelo menos uma celebração Penitencial por mês nas comunidades ( esta orientação é de 1983 ) – claro está que quem necessitar se confessar antes ou depois da Celebração Penitencial da Comunidade, pode procurar um Padre em qualquer paróqui e se confessar. Aliás, sempre ouviu os catequistas dizerem que se alguém cometeu um pecado grave ( mortal ) , se possível vá se confessar naquele mesmo dia. “Se você cair, arrependa-se, peça perdão a Deus de joelhos de todo coração e procure no mesmo dia um sacerdote para se confessar, não espere o outro dia “.

Sim, nas celebrações comunitárias, o que é comunitário é a escuta da Palavra de Deus, os cantos, etc. a confissão íntegra dos pecados mortais e a absolvição são individuais.

Portanto, a carta do Santo Padre, não diz respeito diretamente à prática das comunidades neo-catecumenais.

É verdade, porém, que nessas Celebrações não se recomenda a utilização do confessionário com a grade, coisa que o santo Padre recomenda vivamente no Motu Proprio ( mas me parece que não o impõe! – não estou aqui com o texto em minhas mãos). Neste campo, provavelmente as comunidades deverão rever a sua prática. A orientação do Caminho era para que os sacerdotes realizassem a confissão de forma que a comunidade reunida visse o fato ( não ouvisse, é claro! De fato, os cantos que se cantam na hora do Sacramento é justamente para evitar que se ouça algo, e também para favorecer um clima de oração e racolhimento – quem canta reza duas vezes ): O Ritual do sacramento da Penitência recomenda a imposição das mãos ( não o impõe, mas o recomenda ). Ora, este gesto quer ser valorizado pelo Caminho. A Grade não permite este gesto. Ou seja, nas comunidades quer privilegiar-se o fator visivo: ver que o fiel vai se confessar arrependido, o Sacerdote, de pé, o acolhe, o fiel faz a sua confissão individualmente ao Sacerdote, sem que ninguém mais o ouça, o fiel também fica em pé, depois de ouvir algum conselho do sacerdote para seu caminho espiritual e receber a penitência, o fiel se põe de joelhos enquanto que o sacerdote de Pé faz a oração longa prevista no Ritual da penitência, estende as mãos sobre o fiel que está de joelhos, impondo-lhe as mãos ( como recomenda o Ritual ) e dá a Absolvição segundo a fómula prevista por Paulo VI traçando o sinal da Cruz ( bem grande ! ), o fiel então se levanta, ajudado pelo sacerdote, dão-se um abraço fraterno de paz enquanto ouve do sacredote: Vai em Paz, os teus pecados estão perdoados. o fiel feliz como nunca retorna ao seu lugar, mas em vez de se sentar, de joelhos faz a penitência imposta pelo sacerdote ( aliás, mesmo que o sacerdote tenha-lhe prescrito algo diferente como penitência que não uma oração, recomenda-se pôr-se de joelhos e rezar pelo menos um pai-nosso e uma ave-maria e agradecer ao Senhor pelo Perdão recebido).

Sim, é verdade que se pede às pessoas para não procurarem direção espiritual neste momento, visto que normalmente há muitas pessoas para se confessarem. Entao pede-se às pessoas que procurem, na medida do possivel, se limitar a confessar seus pecados, e, em outro momento mais tranquilo, procurem o sacerdote para tirar suas duvidas, etc.( direção espiritual ). Sabe-se que a Igreja não obriga a que a confissão seja unida à Direção Espiritual, mesmo se na prática dá-se quase sempre assim. Mas isto se deve ao fator tempo e à quantidade de pessoas que precisam se confessar. Mas se alguem quer tirar uma duvida com o sacerdote, ou expor algum problema de consciência espinhoso, no momento em que está se confessando, claro que PODE fazê-lo!

Até aqui, uma celebração comunitária do CAminho Neo-Catecumenal, que em quase todas as partes do mundo faz-se todo mês.

O que se acusa , injustamente aliás, ao Caminho são o que pessoas de fora chamam “confissão pública”, que de confissão pública não tem nada! OU seja, depois que a comunidade é formada, as pessoas começam a se reunir, cerca de 30 a 40 pessoas, duas vezes por semana. É normal que depois de 5, 10, 15, 20 anos de Caminho, as pessoas no interior da Comunidade vão adquirindo uma certa intimidade, uma fraternidade, uma confiança nos irmãos da comunidade ( afinal não são meses que se conhecem, falo de anos ). Então, pode acontecer, que, em uma Convivência mensal, ou ouvindo uma leitura bíblica em uma celebração da Palavra semanal, alguém conte aos irmão algum fato triste da sua vida passada que o amargurou , uma situação dificil pela qual passou no passado ou está passando no momento, ou até mesmo um pecado que cometeu na sua vida passada. Claro que ninguém está obrigado a isso. Os catequistas sempre dizem: na comunidade você não está obrigado a contar nada, mas você pode se abrir se você quiser. Ora, com isto não se entende confissão de pecados. A confissão ao Sacerdote é em vista da absolvição e precisa ser íntegra. AQui não se trata nada disto! Se trata apenas de recordações ou se abrir, como alguém que confidencia algo a um amigo e lhe pede um conselho. Já S. Francisco de Assis recomendava seus frades que contassem uns aos outros seus pecados ( está nos seus escritos ), sobretudo se naquele momento não havia um sacerdote; creio eu que assim o dizia para que a pessoa pudesse ser ajudada pelo irmão, claro está que depois, assim que pudesse se confessar, o frade deveria se confessar com um sacerdote. Este contar a um outro frade o pecado, não se tratava da confissão sacramental claro! A mesma coisa, santa Catarina de Sena, se não me engano, uma vez em que era tentada pela soberba, saiu para a janela de seu quarto e começou a contar bem alto seus pecados para que todos pudessem ouvir. Não quero dizer com isso que devamos imitar S. Catarina, nem quero dizer nas comunidades existam S. Franciscos ou santas Catarinas ( oxalá os haja – só Deus sabe ! ), quero somente dizer que a Igreja, que eu saiba, não proíbe o fato de alguem querer contar a um amigo um pecado cometido – desde que com isso não pense que esteja sendo perdoado, claro ! O perdão virá com a absolviçaõ sacramental de um sacerdote licitamente ordenado.

Espero que eu tenha sido claro, porque escrevi sem preparar bem este e-mail. Perdoe meus erros de português. Gostaria só que o Sr. retificasse no seu site a relação que faz do Camnho Neocatecumenal com o Motu proprio, aliás belíssimo , de João Paulo II, Pedra visível da Igreja, nosso queridíssimo Papa, Bispo de Roma- a Igreja que preside na Caridade (S. Inácio de Antioquia) -, SUcessor do Apóstolo Pedro, que nos confirma na fé.

Prezado Luis Machado, salve Maria.

Agradeço sua carta e o tom que nela você tomou, procurando tratar o assunto em pauta sem agressões pessoais, como infelizmente tem sido feito por outros membros do Neo Catecumenato.

Vejo por sua missiva que você tem um bom nível cultural e experiência de vida no Neo Catecumenato, que você freqüenta há muitos anos. Infelizmente, você não deixou claro se é um catequista. Gostaria de saber isso, para aquilatar seu grau de entrosamento nesse movimento. Como no Neo Catecumenato se recomenda não contar tudo aos outros, você poderia não estar a par de certas coisas…

Você me pede que eu retifique algo que eu teria dito sobre o caminho Neo Catecumenal, mas não explicita o que deseja que eu retifique.

Peço-lhe que explicite claramente qual a frase, ou ponto, que eu deveria retificar.

Toda a sua carta visa provar que no Neo catecumenato não há confissões comunitárias, mas apenas confissões individuais. Com isto, acaba-se a leitura de sua carta com a impressão de que eu teria dito que, no Neo Catecumenato, não se pratica a confissão individual mas apenas a confissão comunitária.

Ora, eu não disse isso. O que afirmei foi que, se Carmem defende a confissão comunitária, seria natural e lógico que se a praticasse, pelo menos em certos círculos mais entrosados do Neo Catecumenato.

Eis o que escrevi: “Conseqüência fatal desses raciocínios e afirmações seria a confissão pública dos pecados à comunidade, como se tornou moda em certos círculos carismáticos, e, ao que se diz, no neocatecumenato. Pois se o pecado não é contra Deus, mas contra a comunidade, é a ela que se deve fazer a confissão e dela receber o perdão pelo abraço da paz”.

De fato, tive relatos pessoais de algumas pessoas que me afirmaram isso.

Você me garante o oposto.

Como no Neo Catecumenato nem tudo se faz e se diz para todos, suponho que em algum grupo se tenha feito a confissão comunitária, mas nunca em sua presença. Porque dos textos de Carmem para os catequistas se depreende o maior desprezo pela confissão individual e a defesa pelo menos doutrinária, a defesa pelo menos teórica da confissão comunitária.

Depois de tudo o que ela disse contra a confissão individual e a favor da confissão comunitária, seria espantosamente ilógico que Carmem não quisesse que a confissão comunitária fosse praticada.

Seria absolutamente lógico que ela levasse, pelo menos os maiores iniciados no Neo Catecumenato, a praticar esse tipo de confissão comunitária, que ela louva tanto.

Seria absolutamente contraditório e ilógico que Carmem desejasse, de todo o coração, que fosse praticada a confissão individual, que ela tanto critica, e mesmo ridiculariza.

Disse que você tratou do tema em pauta sem apelar para ofensas, pelo que lhe agradeço a caridade.

Mas você não tratou do que eu disse com a seriedade devida. Pois não basta afirmar que no Neo Catecumenato não existem confissões comunitárias.

Teria sido preciso que você explicasse as afirmações de Carmem tão contrárias à doutrina católica e ao que ensinou João Paulo II no Motu Próprio Misericordia Dei.

E você não fez isso. Infelizmente, você não disse uma palavra sobre a doutrina exposta nas Apostilas sobre a confissão individual e a confissão comunitária: limitou-se a negar que a confissão comunitária seja praticada nos círculos dirigidos por Kiko.

Você concorda com a doutrina exposta por Carmem sobre a Confissão?

Você não explicitou esse ponto. Que pena!

Poderia pedir-lhe que relesse meu artigo e o refutasse, ponto por ponto, e não que simplesmente me pedisse para retificar algo que você não diz precisamente qual seja?

Para facilitar sua refutação, coloco-lhe em apêndice, nesta carta, algumas das citações que fiz do texto de Carmem e Kiko, nas Apostilas do Neo Catecumenato.

Espero de sua honestidade, que reconheça que a posição doutrinária de Carmem e de Kiko — portanto, do Neo Catecumenato — é contrária ao que a Igreja sempre ensinou, e ao que o Papa João Paulo II determinou no Motu Proprio Misericordia Dei.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli


Apêndice:

Citações de Carmem e Kiko retiradas da Apostila do Neo Catecumenato (“Orientações às Equipes de Catequistas para a Fase de Conversão” — Anotações tiradas das gravações dos encontros realizados por Kiko e Carmem, para orientarem as equipes de Catequistas de Madrid, em fevereiro de 1972 — Jundiaí SP — janeiro de 1987 (quando citarmos esse documento produzido por Carmem Hernandes, daremos, entre parênteses, a página da citação feita).

“A concepção do Sacramento da Penitência evoluirá de acordo com o que as pessoas vão vendo nele” (p. 124).

“E assim dizemos que a Igreja primitiva não teve a confissão como a temos hoje, mas que houve a essência do Sacramento da Penitência que é a conversão, o perdão dos pecados” ( p. 126).

Kiko vai debochar das pessoas simples, dizendo: “(..) as pessoas pensam que mesmo o confessionário foi inventado por Jesus Cristo”( p. 143).

“Na Igreja primitiva, com este conceito de pecado, era muito difícil que os batizados entrassem novamente em pecado; por isso a Igreja primitiva não tem nenhuma explicitação do Sacramento da Penitência que não seja o Batismo” (p. 128).

“Vocês devem explicar um pouco como com Constantino entraram na Igreja as massas, perdendo-se nela um pouco o sentido a comunidade. Não se vê mais uma comunidade que caminha em constante conversão pelos impulsos do Espírito Santo. Vemos, sim, pessoas que pecam individualmente, que são absolvidas individualmente, e, em seguida, vão comungar… Mas toda uma comunidade em conversão, que se reconhece pecadora, não a vemos“ (p. 145).

“Depois, com coisas muito graves como o homicídio e, o adultério público, que eram considerados de morte — [pecados mortais] — quando a Igreja se institucionaliza um pouco, aparece a instituição penitencial”(p. 128-129).

“Na igreja primitiva, a primeira explicitação daquilo eu podemos chamar de Sacramento da Penitência para os batizados que, depois de terem seguido o Caminho o abandonam, é a excomunhão, porque a Igreja não é uma coisa jurídica, mas sacramental. Não se pode compreender a Penitência sem uma noção sacramental da Igreja. Se passarmos para uma visão jurídica da Igreja, como acontecerá depois, a penitência adquirirá, também ela uma dimensão jurídica” (p. 129).

Antes do monacato e da institucionalização da Igreja, diz Carmem, “a Penitência era tão rigorosa porque respondia a uma conversão e a um Batismo como aquele da Igreja primitiva; mas com a igreja de massa, com pessoas pouco convertidas –idéia do modernista Bouyer que Carmem repete — com o aparecimento dos monges, surgiu também uma forma nova de penitência. Os monges desejavam levar a conversão, de qualquer maneira, a essas pessoas (porque como as pessoas pecavam mutíssimo, havia necessidade de perdoar-lhes de qualquer maneira; algo mais fácil de fazer) Nessa época entrou também a mentalidade do direito germânico, e o pecado começou a ser uma coisa legalista, uma falta a uma série de preceitos. Assim, agora o perdão dos pecados não acontecia mais através de um caminho de conversão, mas por uma expiação. Começaram a aparecer listas de pecados com as expiações correspondentes” (p. 131).

Segundo Carmem, foi só no século VI que “apareceu a confissão”.

Diz ela: “O primeiro penitencial (o mais antigo) é do século VI. Nessa época, começou a ser necessário dizer os pecados: apareceu a confissão dos pecados. Naquele tempo, porém, a confissão dos pecados não era ainda o essencial, era somente um meio para a expiação porque, se não falassem os pecados ao monge, este não saberia qual a expiação que deveria ser aplicada. O essencial era a expiação (…) Aquilo que interessava era a salvação pessoal, e, para obtê-la, devia-se expiar muito”( p. 132 O sublinhado é da autora).

“Da mesma maneira, começaram as missas particulares dos monges, ao descobrir-se o grande poder expiatório da Missa. A missa se transformando num meio valiosíssimo para expiar. Aos poucos o abuso aumentou tanto, que um rico podia pagar a própria salvação pessoal mandando dizer missas em expiação dos próprios pecados “( p.132).

“Aos poucos a expiação perdeu o seu caráter essencial, porque apareceram uma série de abusos, podendo ser compensada com esmolas, com missas e jejuns. A expiação degenerou e perdeu o seu valor. Apareceu então, como expiação maior, o fato de confessar os pecados. A confissão dos pecados, pela humilhação que comporta e pela vergonha que se experimenta ao fazê-la, começou a tomar um sentido de expiação. Assim entramos num período em que a confissão dos pecados era o centro da Penitência” (p. 133).

“Os franciscanos e os dominicanos propagaram, em todo o lugar, a confissão particular como uma devoção. Apareceu a confissão muito freqüente, ao contrário da Igreja primitiva” ( p. 133).

“Como tudo isso era insustentável, voltou-se às confissões privadas e se fez da confissão uma devoção para a santificação pessoal, e isto durou assim até nossos dias”(p. 133).

“Assim, a confissão se transformou em algo de tão privado que não se via a comunidade de lado nenhum. O sacramento não era mais a expressão da comunidade eclesial, mas uma devoção privada, pessoal. Todas as degenerações nasceram com a perda do sentido comunitário da Igreja como Sacramento. Então a Igreja ficou somente como um centro jurídico, onde as pessoas se salvam. A Penitência, uma vez perdida a coluna da comunidade, transformou-se em confissão individual” (p. 134. O negrito e o sublinhado são meus) “Agora vocês compreendem que muita coisa que dizia Lutero tinha um fundamento” (p. 135. Negrito e sublinhado são meus).

“Assim, chegamos ao Concílio de Trento. Com este Concílio, do século XVI até o século XX tudo permanece bloqueado. Aparecem os confessionários; as “casinhas” são bem recentes. A Necessidade do confessionário nasceu quando se começou a generalizar a forma da confissão privada, medicinal e de devoção, trazida pelos monges. Não riam, porque a vivemos nós também. A confissão como meio de santificação pessoal, assim como a direção espiritual, tudo faz parte do caminho da perfeição. Quem colocou confessionários em todo o lugar foi São Carlos Borromeu. Com detalhes que se referem até à rede…” (p. 134).

“Mas, em Trento, viu-se tudo à luz das essências, da eficácia e se perdeu de vista o valor sacramental do sinal. Por isso, tanto faz que a comunhão seja com o pão ou com a hóstia, que não parece mais pão e, sim, papel; que o vinho o beba um só ou que bebam todos, porque o sacramento se realiza do mesmo modo. Encarou-se, portanto, muito a eficácia do Sacramento da Penitência para perdoar os pecados, e a absolvição se torna um absoluto. A confissão, assim, adquiriu um sentido mágico, e que a absolvição por si mesma é suficiente para perdoar os pecados. A absolvição perdoa os pecados e você fica tranqüilo” (p. 135. O sublinhado é da autora) “A Igreja é uma comunidade penitencial; uma comunidade penitencial que não se converte de uma vez para sempre(…) A Igreja , reconhecendo os próprios pecados e as próprias fraquezas, mostrará a força de Deus, eu se comunica através dela.“. ”Esta conclusão se refere ao fato de que a Igreja é uma comunidade em contínua metanóia, em conversão, em marcha” (p. 146).

“Por que a Igreja deve se apresentar como uma comunidade em conversão, assim como era a Igreja primitiva, onde as pessoas não se acreditavam já chegadas ou perfeitas, isso nasce do legalismo, com uma maneira diferente de ver o padre e a Igreja” (…).

“Em segundo lugar, recupera a Assembléia, a Igreja que se confessa pecadora. Em terceiro, recuperar o sentido do Presbítero, como chefe desta Igreja. Enfim, a importância da paz: uma pessoa se sente perdoada no seu profundo, quando se sente em comunhão com os irmãos. Por isso é importante o abraço da paz Por isso verão que quando não estiverem em paz, é porque o seu pecado, mesmo bem escondido, não os faz sentirem-se em comunhão com os irmãos, porque o pecado é comunitário. Recuperar a comunhão com os irmãos é o sinal maior do perdão, do fato que, verdadeiramente, você encontrou a reconciliação,” (p. 136. O negrito é meu. Os sublinhados são do texto da autora).

Kiko coloca esta pergunta: “Até que ponto, para você, o Presbítero que o absolve representa a comunidade?“ “As pessoas dizem que nunca tinham pensado nisso. Acreditam que o Presbítero representa a Jesus Cristo e a Deus somente. Mas , a comunidade? … Qual comunidade ? “(p. 143).

E mais adiante Kiko explicita seu pensamento: “Vejam como o presbítero não representa somente Jesus Cristo, porque Jesus Cristo é representado por todo o corpo que é a Igreja. O bispo e o presbítero representam não só a Jesus Cristo, e sim, a Igreja toda, a comunidade. Por isso, é o Bispo quem, em nome de da Igreja acolhe quem entra. Isso não se vê muito como sinal hoje “(p.145).

“Porque existe um tipo de cristianismo — eu mesmo já pertenci a ele — em que a pessoa se acredita cristão convertido, um São Luíz de Gonzaga para sempre. E então vem aquela atitude: “Antes morrer do que pecar…”E coisas deste tipo, que não são entendidas em seu justo sentido. É um tipo de cristianismo em que o fundamental é estar na graça de Deus em sentido estático, e procurar não perder essa graça, perseverar. A graça se entende como uma coisa que não se sabe muito bem o que seja, mas que é algo que o sujeito tem dentro e que precisa morrer com ela, nunca mais perdê-la”.

“Mas tarde, compreendi, que viver em graça é viver da gratuidade de Deus, com seu Amor, é acreditar nesse perdão e nesse amor constante de Deus” (p. 146-147).

Criticando uma mentalidade como a de São Luiz de Gonzaga, Kiko vai afirmar a defesa da crença luterana “pecar, mas tendo fé no perdão”: “Aquele tipo de cristianismo marca muito, porque nós nos apresentamos como perfeitos; o contrário do cristianismo, porque os cristãos não são perfeitos, e, sim, iluminados sobre a própria realidade profunda, sabem que são pecadores de verdade e experimentam, neste pecado, a misericórdia de Deus que perdoa e dá uma vida nova, fruto de sua graça” (p. 147. Sublinhado e negritos são meus).

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