Montfort Associação Cultural

19 de janeiro de 2007

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Bula Inter Coetera

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Ricardo Ribeiro da Costa
  • Localizaçao: Maringá – PR – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Auxiliar de Informática
  • Religião: Católica

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO!!!!

Tudo bem Profº Orlando Fedeli, mais uma vez este camponês vem humildemente pedir a um cruzado da fé que lhe tire uma dúvida. Em seu artigo na seção “Veritas” chamado “Vocação do Brasil“ eu li heroica história do povo ibérico em nome da fé, que lhes deu muita riqueza, porém a riqueza destruiu sua fé. Mas para não me alongar muito eu gostaria de saber sobre a bula Inter-Coetera. Pelo que os livros de história contam parece que o Papa foi malicioso em dividir o mundo entre Espanha e Portugal alegando um testamento de Adão, mas, livro nenhum mostrou a Parte da bula onde se diz tal coisa. Aguardando anciosamente um resposta “lavadora de alma”.
Fiquem com DEUS e Feliz Ano Novo.

Fiquem com JESUS CRISTO

Muito prezado Ricardo,
Salve Maria.
 
     A Bula Inter Coetera procurou harmonizar os direitos de Portugal e de Espanha nas novas terras descobertas no Atântico.
Durante muitos anos, Portugal navegou para oeste e nunca revelou o que descobrira no meio do Atlântico. Quando Colombo declarou que chegara a um comntinete novo a oeste, e tomou posse dele em nome da Espanha, Portugal reclamou, dizendo que as terras eram dele, porque as descobrira antes (quem descobre algo que não é de ninguém, torna-se dono da coisa achada).
     A Espanha aceitou a alegação de Portugal, – portanto Portugal deve ter dado alguma prova do que alegava – mas argumentou, com razão, que Portugal deveria ter declarado publicamente a sua descoberta, coisa que Portugal não fizera porque sabia que a América era imensa, e Portugal não teria meios de guardar militarmente essa descoberta em sua posse.
    Espanha e Portugal aceitaram O Papa como juiz de seu litígio. 
    O Papa, inicialmenete, colocou como limite das terras entre Portugal e Espanha um meridiano que passaria a 100 léguas a oeste de Cabo Verde. Portugal não aceitou, dizendo que nesse caso só receberia águas.
    Como sabia dessa verdade Portugal?
    Só poderia saber disso, se conhecesse realmente onde começavam as terras do novo continente descoberto.
    O Papa, então, marcou o limite a 360 léguas a oeste de Cabo Verde.
    Aí Portugal aceitou, porque sabia que receberia terras. O curioso é porque foi o limite posto a 360 léguas e não a 300 ou a 400. Por que a 360 léguas?
    Esse limite faria passar o meridiano de separação de terras lusas e castelhanas, onde hoje estão Belém do Pará e Laguna, em Santa Catarina.
    Portugal sabia que recebendo a foz amazônica, toda a bacia do Amazonas acabaria por ser sua, visto que os rios são as melhores estradas para penetrar num continente desconhecido. Tanto é assim, que toda a bacia mazônica ficou, de fato, lusitana apesar de estar em território dado à Espanha pelo Tratado de Tordesilhas. 
    Portugal errou no cáculo, ao sul, pois pensava que o meridiano de Tordesilhas passaria na foz do Prata, caindo também toda a bacia do Prata em seu poder. E isso não aconteceu pois o meridiano de Tordesilhas passaria em Santa Catarina e não no Prata.
Por causa desse erro é que se explica que logo em 1501 e 1503 os lusos tentaram chegar no Prata e fundar lá colônias para garantirem a boca da bacia platina que lhes daria, no futuro toda a bacia do Prata, com todas a terras banhadas pelos rios Paraná, Paraguai e Uruguai.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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