Montfort Associação Cultural

5 de janeiro de 2008

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Bispo de Anápolis pede a liberação do terceiro segredo de Fátima

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Dom Manoel Pestana Filho
  • Localizaçao: Anápolis – GO – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Sacerdote
  • Religião: Católica

Não achei o e-mail do Sr Orlando Fedeli

Materia entregue por Dom Manoel ao Sr. Orlando Fedeli

Obs. Correção mais continuação.


Descobrindo o segredo de Fátima?

     Com o Vaticano II, acabou-se o “Índice de Livros Proibidos” e as normas restritivas afrouxaram a olhos vivos. Somente está sob censura até hoje o 3° segredo de Fátima. Poderia ter sido revelado em 1.960, data do inicio do Concilio e João XXIII não o permitiu. Por que?
     A Mensagem referia-se à Rússia e á difusão do comunismo com o cortejo de grandes males, inclusive para a Igreja, O Papa, voltado ao oriente, e empenhado em aproximar os ortodoxos e evitar a guerra, aceitou um acôrdo em não mencionar expressamente o Comunismo no Concilio. Mas essa parte da Mensagem já havia sido divulgada. Com certeza, não bastaria para explicar a proibição.
     Paulo VI, apesar de ter ido solenemente a Fátima (Para que?) também não levantou nem uma ponta do véu do mistério. Não deixou de falar da “fumaça de Satanás” e da “auto-demolição” da Igreja. Mas o manuscrito da Irmã Lucia continuou interditado.
     João Paulo II fez da avaliação critica dos resultados do Concilio, preparada e estimulada de muitos modos, uma constante preocupação.
     Guerras, destruições, perseguições, corrupção doutrinal e moral na Igreja, tudo isto é mais do que batido e não constituiria razão para tanto sigilo. A não ser que, revelado em 1960, frustrasse expectativas universais a ponto de parecer absurdo ou, pelo menos, sem sentido.  Suponhamos que a 3ª parte do segredo anunciasse tudo aquilo como simples conseqüências do próprio Concilio, mal entendido e mal aplicado. Evidentemente, nem João XXIII que o preparava e o esperava como “a nova primavera da Igreja”, nem os “conservadores” que haviam com entusiasmo elaborado os esquemas conciliares, louvados pelo próprio Papa, nem os “progressistas” que viam no Concilio a grande oportunidade de virar a mesa, e assim, de fato, o fizerem, derrubando os esquemas prévios, ninguém, ninguém mesmo, haveria de deixar de tentar o Concilio como o grande momento da Igreja na história contemporânea.
     Ora, o que aconteceu todos sabemos. O próprio João XXIII assustou-se e começou a falar de Concilio Pastoral talvez numa tentativa de restringir-lhe o alcance.
     Paulo VI, é claro, não falaria de Fátima, pois o Concilio era, em grande parte,obra sua. Depois, lamentará penosamente a crise violenta que sacudiu a Igreja até os fundamentos.
     É curiosa, outrossim, a preocupação de João Paulo II, de um lado, em pontualizar as questões do Vaticano II, e de outro, forçar a correção das distorções. O Sínodo dos 20 anos ficou profundamente marcado por essa quase obsessão.
     Na realidade, é dos Conciliares, padres ou teólogos, que nasceu o progressismo mais avançado, visceralmente contestatário e com freqüência herético, e o tradicionalismo extremo, até a aberração sede-vacantistas.
     Publicar o segredo de Fátima – que o Papa atual tem prestigiado, ao invocar Maria como a “Senhora da Mensagem”, inclusive em seu discurso na peregrinação de 1982 – apontando o Concilio como ocasião de tantas angustias e perplexidades para a Igreja, pareceria um mea-culpa violento demais por não se ter ouvido e comunicado algo que pareceria absolutamente incompreensível e negativo no seu tempo.
     Por que não pedimos todos ao Santo Padre que acabe de uma vez com o “suspense” e nos diga a todos o que Nossa Senhora quis e não A deixaram dizer, nos já recuados 1960?

Ass.: MANOEL PESTANA FILHO
Bispo Diocesano

Informativo Diocesano
N° 88
31.03.89
Pág. 02


A PALAVRA DO BISPO

O outubro de Fátima e Moscou

     Enquanto, 68 anos depois, a revolução comunista de outubro na Rússia cada vez mais põe a nu o CAPITAL monstruoso de sangue, violência e pavor acumulados (que o digam Solzhenitzen e Sakarov, para só falar de alguns), a mensagem de Fátima, também de outubro do mesmo ano, aparece luminosa em toda a sua impressionante atualidade.
     A Senhora do Rosário já anunciara o terror vermelho na aparição de 13 de julho de 1917: “Se atenderem a meus pedidos, a Rússia converter-se-á e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados; o Santo Padre terá muito que sofrer; várias nações serão aniquiladas…”. Indubitavelmente, para muitos, o terceiro segredo refere-se, ao menos em parte, à crise interna da Igreja, minada por doutrinas corrosivas da Verdade revelada e pela contestação destruidora.      Paulo VI denunciará “a auto-demolição da Igreja”, só explicável porque, “por alguma fenda oculta, entrou a fumaça de satanás no templo”.
Talvez por se sentir atingida, muita gente nega Fátima, taxando-a de forma de alienação grosseira e desprezível. Ou tenta abafa-la no silêncio ou no esquecimento consciente, que é o pior dos ódios, como dizia Teresa de Lisieux.
     Pois as aparições põem em grande realce tantas verdades do depósito cristão, em especial as que a cegueira do mundo “colocado sob o poder do Maligno” (1 Jo 5,19) e o racionalismo protestante alemão vem negando simpática e sistematicamente. Divindade de Cristo, Maternidade Divina e Virgindade de Maria, Presença real na Eucaristia, Instituição Divina da Igreja, céu e inferno, anjos e demônios, graça e pecado, Redenção, deixa-se intacto quase nada no enorme tesouro da Revelação. Há algo de muito misterioso atrás desta sanha furibunda.
A advertência de São Paulo de que a nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra o poder das trevas, parece feita de propósito para os dias de hoje.
     Entretanto, como lembrava João Paulo II em Fulda, 1980, Fátima não pode ser, de forma alguma, um objeto de simples curiosidade. O essencial é a conversão interior, a penitência, a oração e, de modo particular, a reza do terço, que ajudam a criar o novo homem, segundo o Evangelho, capaz de enfrentar as ruínas e as injustiças do passado: e realizar o pedido cotiano do Pai Nosso: a vinda do Reino de Deus.
     Aliás, diante de tantos dilúvios: de sangue, de ódio, de lágrimas, de terrorismo, de armamentos nucleares, não há porque perder a esperança. A Fátima do quase-pânico assegura: “Por fim o meu Imaculado Coração triunfará”.

Ass.: MANOEL PESTANA FILHO
Bispo Diocesano

Informativo Diocesano
N° 85
30.00.85
Pág. 02

Ao muito prezado e Reverendíssimo Dom Pestana, Bispo Emérito de Anápolis.

Excelência Reverendíssima,
Salve Maria.

    Muito agradeço sua carta e, ainda mais, a honra que me faz, enviando-me — já digitado — o excelente artigo que Vossa Excia teve a bondade de me dar, em mãos, pessaolmente.

    Estava esperando uma oportunidade para publicá-lo. Perdoe-me a demora em fazer isso, porque estive na Europa — em Roma– e minha correspondência se atrasou. Com a gentileza em me mandar o artigo com sua carta, a oportunidade fica criada. Considero então meu atraso — culpado — providencial.

    Vossa Excelência sabe muito bem que até Santo Agostinho fala da possibilidade paradoxal de haver uma “felix culpa“. Queira pois me perdoar, e receba meu profundo agradecimento por me permitir a publicação desse artigo extarordinário, que diz verdades tão grandes e tão necessárias nestes tempos de crise apocalíptica.

    Afinal, por que só fica proibido de se ler o que Nossa Senhora disse?

    Que Deus o conserve por muitos anos caríssimo Dom Pestana, pois o mundo precisa de Bispos como o senhor.

    Rogo-lhe ainda suas orações e a sua benção episcopal.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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