Montfort Associação Cultural

8 de outubro de 2005

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Bibliografia para estudo da Inquisição

Autor: Ronaldo Mota

  • Consulente: Diogo da Silva Lins Oliveira
  • Localizaçao: Brasília – DF – Brasil
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Religião: Católica

Caro Prof. Orlando Fedeli,
Gostaria de pedir-lhe por favor, que me desse uma bibliografia (boa) de livros sobre a Inquisição. Pois sou coordenador de um grupo de acólitos, e esse é um dos temas.
Logo pénsei no senhor para me ajudar com esse tipo de material.
agradeço desde já

do seu aluno
Diogo Lins

Prezado Diogo, Salve Maria!
 
    Alegra-nos saber que vocês querem estudar para defender a verdade e a Igreja.
    Antes de indicar-lhe os livros, gostaria de dar-lhe algumas indicações sobre o estudo de Inquisição, tema que também temos estudado.
    Antes de tudo, devo dizer que o livro “A Inquisição em seu Mundo”, de João Bernardino G. Gonzaga, seria uma boa introdução. Essa obra procura evitar os preconceitos e estudar a Inquisição dentro de seu devido contexto histórico; faz também uma ótima comparação entre o Direito Comum e o Direito Canônico, demonstrando como a Inquisição suavizou e melhorou o próprio direito da época.
    Após essa pequena introdução, seria importante estudar as heresias medievais, visto que foram elas e os distúrbios causados por elas que levaram ao surgimento da Inquisição. Como nota J. B. G. Gonzaga:
 
    “No caso da Inquisição, quem a exigiu e impôs, antes da Igreja, foram os governantes e o povo, que viam, nos hereges, rebeldes perigosos e perturbadores. A História mostra que, muitas vezes, os populares se antecipavam às autoridades e se encarregavam de puni-los, levando-os à fogueira.” (João B. G. Gonzaga. A Inquisição em seu mundo. São Paulo, ed. Saraiva, 1993, p. 114).
 
    Poderia ainda citar Nachman Falbel, que em sua obra “Heresias Medievais”, também afirma que era o povo que primeiramente reagia vigorosamente contra a heresia (Nachman Falbel. Heresias Medievais. São Paulo, Ed. Perspectiva S. A., 1977, p. 15).
    Depois de ter analisado as heresias, acima de tudo o catarismo, deve-se estudar a reação do Estado contra as heresias e depois a reação da Igreja. Numa carta tão curta, certamente não fica claro o perigo que o catarismo representou para a Cristandade medieval. Cito-lhe, portanto, um texto de um inimigo da Igreja Católica, que ao analisar o catarismo afirmou:
 
    “Essa era a crença cuja rápida difusão na Europa encheu a Igreja de um terror plenamente justificado. Por mais horror que nos possam inspirar os meios empregados para combatê-la, por mais piedade que devamos sentir por aqueles que morreram vítimas de suas convicções, reconhecemos sem hesitar que, nas circunstâncias, a causa da ortodoxia era a da civilização e do progresso. Se o catarismo se houvesse tornado dominante, ou pelo menos igual ao catolicismo, não há dúvida de que sua influência teria sido desastrosa” (H. C. Lea. Histoire de l’Inquisition au Moyen-Age. vol. I. Paris, 1986-1988, p. 121 apud J. B. Gonzaga. op. cit. p. 111).
 
    Para não me estender mais, cito-lhe logo alguns livros:
 
AYLLÓN, Fernando. El Tribunal de la Inquisición; De la leyenda a la historia. Lima, Fondo Editorial  Del Congreso Del Perú, 1997.
 
WALSH, William T. Personajes de la Inquisición. Madrid, Espasa-Calpe, S. A., 1963.
 
FALBEL, Nachman. Heresias Medievais. São Paulo, Ed. Perspectiva S. A., 1977.
 
MAISONNEUVE, Henri. L’Inquisition. Paris, ed. Desclée, 1989.
 
    Como você pode perceber, obras boas em português sobre esse tema são raríssimas. Certamente você encontrará outras já citadas no site Montfort, mas infelizmente não em português.
    Esperando tê-lo ajudado, despeço-me
 
Ad Majorem Dei Gloriam        
Ronaldo Mota

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