Montfort Associação Cultural

1 de setembro de 2011

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Bento XVI “tradicionaliza” a JMJ

 

Entrevista concedida a Joël Prieur

Lido em Metablog

A JMJ 2011 na Espanha ficarão como uma das realizações mais características do pontificado de Bento XVI: liturgia solene, muito freqüentemente em latim; exigência espiritual e silêncio. Está-se muito longe da primeira implementação do Concílio Vaticano II. Sob o impulso do Papa, os fiéis voltam às suas raízes. Qual será o impacto de tal renovação espiritual? Ainda é cedo demais para dizer:

 

Minute: Christophe Mahieu, o senhor é o enviado especial do jornal “Mundo & Vida” a essa Jornada Mundial da Juventude. O que mais o marcou nesse longo fim de semana durante o qual foi possível ver o papa Bento XVI como “avô espiritual” em Madrid, tendo, à sua volta, até dois milhões de jovens?

Christophe Mahieu: Eu guardarei três imagens dessa imensa manifestação, três imagens que dizem bem o que foi a Jornada Mundial da Juventude este ano. Primeiro, os 200 confessionários colocados no Parque do Retiro (análogo do Jardin du Luxembourg francês), com confissões ininterruptas, mesmo depois que as instalações muito design, triangulares com pontas arredondadas, tinham sido desmontadas. Toda essa organização em torno do sacramento da penitência traz uma mensagem clara: não, a confissão não é antiquada! Sim, isso ainda existe!

 Segunda imagem: a vigília de oração, sábado à noite. Houve primeiro as intempéries da natureza: trovões, chuvas, ventos. O papa abreviou muito seu discurso. Os jovens reagiram com entusiasmo. E depois, se fez silêncio, a pedido dos organizadores, o silêncio total de um milhão e meio de jovens. É uma coisa única! E nesse silêncio, um grande maquinário sai da terra. A hóstia consagrada se eleva aos olhos de todos no célebre ostensório de Arfe, obra prima de ourivesaria em ouro e prata, com 260 estatuetas. Essa obra prima, que remonta ao começo do século XVI, provem da catedral de Toledo.

 O poder visual desse momento deve ser sublinhado. A Igreja esqueceu a timidez pós-conciliar e o despojamento voluntário do qual ela quis se cercar nos anos 1970.

 Durante a JMJ, observou-se um retorno às fontes barrocas da contra-reforma. Como para confirmar essa intuição, uma voz gritou em todas as línguas, mas primeiro em espanhol: “Eis o Rei dos reis” (“El Rei de los reyes”)… Em volta de mim, os jornalistas se puseram de joelhos… Cantos latinos ressoaram: Ave Verum, Tantum Ergo… Onde  estou eu?

 Terceira imagem: a missa de domingo, diante de dois milhões de pessoas, essencialmente jovens, na sua maioria espanhóis, mas também italianos, alemães, poloneses e franceses. Lá ainda, como nota nosso colega Jean-Maria Guénois em seu blog, o que impressiona é o silêncio, é a piedade: os jovens ficam em ação de graças quinze minutos depois da missa. Diz-se que o JMJ fez voltar “la fiesta” na Igreja. Não foi o que eu vi!

 A maioria dos cantos eram em latim: Kyrie, Gloria, Sanctus… e o Christus Vincit no fim. Havia, em espanhol, o canto do JMJ: “Confirma-me na fé…” Já fizeram coisa mais revolucionária em matéria de cântico. E para acolher o Papa, ou saudá-lo, o slogan: “Esta es la Juventud del Papa”, traduzindo, “Eis a Juventude do Papa”.

 

Qual foi a mensagem do Papa na Espanha?

Sobretudo, um apelo à conversão prática. Eu quero insistir no fato de que na Espanha, essa visita teve um impacto que não se imagina na França. A televisão transmitiu integralmente as cerimônias.

Entre os 4.900 jornalistas presentes, mais ou menos a metade era de espanhóis. É preciso assinalar também o pronunciamento do Cardeal Rouco, Arcebispo de Madrid, admirável de presença e presteza e reinvidicando a identidade católica da Espanha na Praça das Cibeles diante 500.000 pessoas, ao acolher o papa.

A Espanha está em crise, ainda mais do que a França, como mostra a demissão anunciada do primeiro ministro Zapatero. Essa jornada ressoou no país como um ato de fé coletivo.

 

Pode-se dizer que houve uma mudança entre as JMJ segundo João Paulo II e as JMJ segundo Bento XVI?

O jornal diário espanhol “El Pais” exprimiu bem as coisas, ao escrever, numa manchete: “João Paulo II escreveu a melodia; Bento XVI está escrevendo a letra”. Eu me lembro da JMJ de Paris, em 1997. Existia, incontestavelmente, um lado “fiesta”. Eu não encontrei absolutamente isso em Madrid esse ano. Pode-se dizer que Bento XVI “tradicionalizou” o JMJ.

 

Qual foi o impacto das polêmicas em torno dessa viagem?

As polêmicas sobre o preço da viagem foram ridículas. Elas são rituais, agora. Cada vez que o Papa vai a algum lugar, acusam-no do dinheiro que custa. Lembrem-se da viagem à Inglaterra em 2010, durante a qual Bento XVI foi recebido em Westminster Hall. Fez-se grande caso das polêmicas antes da chegada do Papa à Londres e elas desapareceram como por encanto.

 É a mesma coisa na Espanha. É também preciso lembrar que em um ambiente de crise, a viagem do Papa levou dinheiro a Madrid, que não é uma cidade normalmente muito turística. No fundo, os racionalistas militantes e os ateus declarados não suportam o sucesso de um Papa, do qual eles não podem nem mesmo alegar que é midiático.

 

Publicado por Minute em 24.08.11

Destaques de Marcelo Fedeli

Tradução Montfort

 

 

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