Montfort Associação Cultural

27 de dezembro de 2011

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Bento XVI: Santo Estevão “fechava a boca aos inimigos da verdade”

No dia em que conhecemos a notícia dos sangrentos atentados na Nigéria – onde trinta católicos foram mortos à saída da Missa de Natal – o Santo Padre lembra Santo Estevão, o primeiro mártir a dar a vida por Cristo, Nosso Senhor.

Palavras do Santo Padre Bento XVI na recitação do Angelus de 26 de dezembro de 2011

Caros irmãos e irmãs!

 

Após a solene liturgia do Natal do Senhor, hoje celebramos a festa de Santo Estevão, diácono e primeiro mártir da Igreja. O historiador Eusébio de Cesaréia o define como o “mártir perfeito”  (Die Kirchengeschichte V,2,5: GCS II,1, Lipsia 1903, 430), porque está escrito nos Atos dos Apóstolos: “Estêvão, cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo” (6, 8). São Gregorio de Nissa comenta: “Era um homem honesto e cheio do Espírito Santo: com a bondade de ânimo cumpria o encargo de alimentar os pobres e com a liberdade da palavra e a força do Espírito Santo fechava a boca aos inimigos da verdade” (Sermo in Sanctum Stephanum II: GNO X,1, Leiden 1990, 98). Homem de oração e de evangelização, Estevão, cujo nome significa “coroa”, recebeu de Deus o dom do martírio. De fato, ele “cheio do Espírito Santo, … viu a glória de Deus” (Atos 7, 55) e enquanto era lapidado orava: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito.” (Atos 7, 59). Depois, caído de joelhos, suplicava de Deus o perdão para seus acusadores: “Senhor, não lhes leves em conta este pecado”.(Atos 7,60). Por isso a Igreja Oriental canta nos hinos: “As pedras tornaram-se para ti degraus e escada para a celeste subida… e te aproximastes alegre da festiva reunião dos anjos”. (MHNAIA t. II, Roma 1889, 694.695)

 

 Depois da geração dos Apóstolos, os mártires adquiriram um lugar de primeiro plano na consideração da Comunidade cristã. Nos tempos da maior perseguição, seu elogio alivia o cansativo caminho dos fiéis e encoraja quem está em busca da verdade a converter-se ao Senhor. Por isso a Igreja, por divina disposição, venera as relíquias dos mártires e os honra com os títulos de “mestres de vida”, “testemunhas vivas”, “colunas animadas”, “silenciosos mensageiros” (Gregorio Nazianzeno, Oratio 43, 5: PG 36, 500 C)

 

Caros amigos, a verdadeira imitação de Cristo é o amor, que alguns escritores cristãos definiram como o “martírio secreto”. A tal propósito, São Clemente de Alexandria escreve: “Aqueles que põem em prática os mandamentos do Senhor dão testemunho dEle em todas as ações, pois fazem o que Ele quer e fielmente invocam o nome do Senhor”. (Stromatum IV, 7,43,4: SC 463, Paris 2001, 130) Assim como na Antiguidade, ainda hoje a sincera adesão ao Evangelho pode requerer o sacrifício da vida e muitos cristãos em várias partes do mundo estão expostos a perseguições e muitas vezes ao martírio. Mas, como nos lembra o Senhor: “aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mateus 10, 22).

 

A Maria Santíssima, Rainha dos Mártires, enderecemos nossas súplicas para que mantenha íntegra a vontade do bem, sobretudo para com aqueles que se opõe a nós. Em particular, confiemos à misericórdia divina, hoje, os diáconos da Igreja, a fim de que, iluminados pelo exemplo de Santo Estevão, colaborem, segundo a missão que lhes é própria, no empenho de evangelização (cfr Esort. ap. postsin. Verbum Domini, 94).

 

(Destaques nossos)

 

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