Montfort Associação Cultural

17 de agosto de 2005

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Bento XVI e a separação entre Igreja e Estado

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Jorge Lugano
  • Idade: 30
  • Localizaçao: Porto Alegre – RS – Brasil
  • Religião: Católica

Prezado Sr. Orlando Fedeli,

Tenho visto que o Sr. e a Montfort têm elogiado muito a atuação do atual papa Bento XVI. Mas será que há motivos para tantos elogios?

Estive relendo a bula Unam Sanctam de Bonifácio XIII e lá ele diz claramente que o estado deve estar subordinado à Igreja. Já Bento XVI, há dois meses atrás, declarou que a separação entre Igreja e Estado é legítima.

Eu gostaria de saber se os católicos devem defender a união entre Igreja e Estado. Isso é algo de fé para nós, ou essa orientação pode ser mudada assim por outro papa?

Gostaria também se for possível, que o sr. comentasse mais detalhadamente a atuação desse papa até agora e o que esperar dele para o futuro.

Outra questão é que um conhecido meu, que tem contatos com os padres tradicionalistas de Campos no Rio de Janeiro, contou-me que o papa Bento XVI já teria decidido liberar a Missa Tridentina a toda a Igreja, e faria isso provavelmente no Sínodo de outubro. O sr. tem alguma informação a respeito disso?

Obrigado pela atenção,
Jorge Ricardo Matos Lugano

Muito prezado Jorge,
Salve Maria!
 
    A união entre a Igreja e o Estado é tese de doutrina católica, definida pelo Syllabus. Afirmar a separação da Igreja e do Estado é tese liberal contrária à doutrina católica.
    Se num pronunciamento — não ex cathedra, não infalível – o Papa Bento XVI defendeu isso, ele contrariou, nesse ponto, a doutrina tradicional.
    O Papa Bento XVI foi, no passado, um teólogo ligado aos modernistas. Foi ele que no Vaticano II, levou ao Cardeal Frings do qual era perito, a sugestão de usar a fórmula do subsistit, que tanto mal fez à Igreja.
    Depois do Concílio, ele foi mudando paulatinamente, abandonado as doutrinas que defendera, e criticando os abusos que o Vaticano II proporcionou. Nos últimos anos, ele passou a ter uma posição cada vez mais conservadora, e até aproximando-se das posições tradicionais da Igreja.
    Foi o Cardeal Ratzinger que assinou as declaraçãoes contra a Maçonaria em 1981 e 1984.
    Foi ele também que esteve na raiz da condenação da Teologia da Libertação e do ex Frei Boff.
    Foi o Cardeal Ratzinger quem redigiu e assinou, com o Papa João Paulo II, a Declaração Dominus Jesus.
    Foi o Cardeal Ratzinger que, cada vez mais, foi criticando os erros e abusos da Missa Nova de Paulo VI.
    Foi o Cardeal Ratzinger quem apoiou — alguns dizem quem inspirou — os documentos mais firmes em defesa da Eucaristia, assinados por João Paulo II.
    No discurso de abertura do Conclave, ele fez um verdadeiro desafio aos Modernistas, sem temer afrontá-los, sem querer agradar a ninguém para buscar votos.
    Atualmente, ele enfrenta os modernsitas mais radicais, a ponto de que eles pensem, e discutam, se devem ou não se rebelar contra a autoridade pontifícia de Bento XVI.
    É o Papa Bento XVI que vai receber dia 29 próximo a Dom Féllay, Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, com possível liberação da Missa de São Pio V, se não já, para logo mais.
    É Bento XVI que é, hoje, o alvo de todos os ódios dos Modernistas, que sabem quais são os objetivos que Bento XVI visa.
    No Terceiro Segredo de Fátima, se vê um Papa vacilante e cambaleante que se encaminha da Cidade arruinada — a Igreja — para um monte encimado pela Cruz — o Calvário, a Missa. E esse papa será martirizado junto com muitos Cardeais, Bispos, padres e povo. Será Bento XVI esse papa que vai vacilante e cambalenate ao marttírio?
    Rezo que Deus dê a Bento XVI — como ele pediu, ao assumir o sólio Papal — a coragem para enfrentar os lobos modernistas até o martírio. Um católico deve sempre ter devoção ao Papa, qualquer que ele seja. Mais ainda, quando o Papa se aproxima da Cruz, enfrentando o mundo e os hereges.
    É o que vemos, hoje, em Bento XVI, outrora Cardeal Ratzinger.
    Por isso, rezo para Deus que santifique o Papa Bento XVI, e lhe dê a coragem de chegar, se preciso for, até o martírio.
    Viva o Papa!
       
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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