Montfort Associação Cultural

3 de agosto de 2012

Download PDF

Bento XVI, com Santo Afonso: “Quem reza se salva, quem não reza se condena”

CATEQUESE
Castel Gandolfo
Quarta-feira, 1º de agosto de 2012

Caros irmãos e irmãs,

Hoje celebramos a memória litúrgica de Santo Afonso Maria de Ligório, bispo e doutor da Igreja, fundador da Congregação do Santíssimo Redentor, os Redentoristas, padroeiro dos estudiosos de teologia moral e dos confessores. Santo Afonso é um dos santos mais populares do século XVIII por seu estilo simples e direto e por sua doutrina sobre o sacramento da Penitência: em um período de grande rigor, fruto da influência do jansenismo, ele aconselhava aos confessores a que ministrassem este Sacramento manifestando o alegre abraço de Deus Pai, que na sua infinita misericórdia não se cansa de receber o filho arrependido.

O encontro de hoje nos dá a oportunidade de debruçarmos sobre os ensinamentos de Santo Afonso a respeito da oração, muito preciosos e cheios de inspiração espiritual. Volto ao ano de 1759, data de seu tratado “O grande meio da oração”, que ele considerava o mais eficaz de todos os seus escritos. Ele descreve a oração como “o meio necessário e seguro para se obter a salvação e todas as graças de que necessitamos para alcançá-la.” (Introdução) Nesta frase é sintetizado o modo alfonsiano de entender a oração.

Antes de tudo, dizendo que é um meio, ele nos lembra do fim a alcançar: Deus criou por amor, para poder nos dar vida em abundância, mas esta meta, esta vida em plenitude, por causa do pecado, está, por assim dizer, distanciada – todos sabemos – e somente a graça de Deus pode torná-la acessível. Para explicar esta verdade fundamental e  fazer entender imediatamente como é real para o homem o risco de  “perder-se”, Santo Afonso criou uma máxima famosa, muito simples, que diz: “Quem reza se salva, quem não reza se condena.” Comentando sobre esta frase lapidar, acrescentou: “Salvar-se sem oração é dificílimo, senão impossível… mas rezando o ‘salvar-se’ é algo seguro e fácil” (II, Conclusão). Ele ainda diz: “Se não oramos, para nós não há desculpa, porque a graça de rezar é dada a todos… se não nos salvarmos, toda a culpa será nossa, por não termos rezado” (ibid.). Dizendo ainda que a oração é uma condição necessária, Santo Afonso queria dar a entender que em cada situação da vida não se pode fazer menos que rezar, especialmente nos momentos de provação e dificuldade. Sempre devemos bater à porta do Senhor com confiança, sabendo que em tudo Ele cuida de seus filhos, de nós. Por isso, somos convidados a não termos medo de recorrer a Ele e de apresentar com confiança os nossos pedidos, na certeza de alcançarmos o que necessitamos.

Caros amigos, esta é a questão central: o que é realmente necessário em minha vida? Respondo com Santo Afonso: “A salvação e todas as graças que para ela necessitamos” (ibid.), é claro, ele quer dizer não só a saúde do corpo, mas acima de tudo, da alma, que Jesus nos dá. Mais do que qualquer outra coisa, precisamos de sua presença libertadora que nos torna plenamente humanos, e por isso, enche de alegria o nosso existir. E só através da oração podemos acolhê-Lo, a Sua graça, que, iluminando-nos em cada situação, faz-nos discernir o verdadeiro bem e, fortalecendo-nos, torna eficaz também a nossa vontade, torna-a capaz de implementar o bem conhecido.Muitas vezes reconhecemos o bem, mas não somos capazes de fazê-lo. Com a oração, conseguimos realizá-lo.O discípulo do Senhor sabe que está sempre exposto à tentação e não deixa de pedir ajuda a Deus em oração, para vencê-la.

Santo Afonso recorda o exemplo de São Filipe Neri – muito interessante – no qual desde o primeiro momento em que ele acordava de manhã, dizia a Deus: “Senhor, põe hoje as mãos sobre Filipe porque, senão, Filipe vai te trair”. (III, 3) Grande realista! Ele pede a Deus para manter Sua mão sobre ele. Nós também, conscientes de nossa fraqueza, devemos pedir a ajuda de Deus com humildade, confiando na riqueza da Sua misericórdia. Em outra mensagem, Santo Afonso diz: “Somos pobres de tudo, mas se pedirmos não seremos mais pobres. Se somos pobres, Deus é rico “(II, 4). E, seguindo Santo Agostinho, ele convida cada cristão a não ter medo de pedir a Deus, com a oração, aquela força que ele não tem e que lhe é necessária para se fazer o bem, na certeza de que o Senhor não nega sua ajuda àqueles que a pedem com humildade (cf. III, 3).

Caros amigos, Santo Afonso nos lembra que a ligação com Deus é essencial em nossa vida. Sem a ligação com Deus falta a relação fundamental e a relação com Deus consiste em falar com Deus na oração pessoal diária e participação nos sacramentos, assim este relacionamento pode crescer em nós, pode crescer em nós a presença divina que conduz o nosso caminho, ilumina-o e o torna seguro e sereno, mesmo no meio de dificuldades e perigos. Obrigado.

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais