Montfort Associação Cultural

22 de novembro de 2004

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Batismo

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: R.
  • Localizaçao: – Brasil
  • Religião: Católica

Salve Maria!

Retorno-lhe a escrever para tirar-me uma dúvida sobre batismo…

Minha dúvida começou com a realização de um batizado, o qual o frei afirmou que “antigamente, se achava que quem não era batizado não era filho de Deus, mas hoje, sabemos que isso não é verdade; sabemos que, independentemente da religião, somos todos filhos de deus. O batismo é a apresentação do batizado à comunidade, que agora poderá lhe puxar as orelhas…”

Não consegui engolir essas palavras

Como é que o batismo pôde ser reduzido a isso?

Depois da missa, procurei rever o catecismo e tudo o que eu sabia sobre o batismo.

Cito assim duas partes do catecismo:

1 ) 1265 – “… mas também faz do neófito ‘uma criatura nova’, um filho adotivo de Deus que se tornou ‘participante da natureza divina’, membro de Cristo….”

2 ) 1270 – “‘Tornados filhos de Deus pela regeneração [batismal], (os batizados) são obrigados a professar diante dos homens a fé que pela Igreja receberam de Deus’…”

Fica evidente que existe uma transformação… uma mudança! Saímos da condição de criaturas para filhos de Deus ao sermos batizados.

Cristo nos ensina a chamar Deus de pai, pois é essa a intimidade que Ele quer que tenhamos.

Dessa forma, potencialmente, todos podemos ser filhos de Deus… e isso nos dá a certeza de que Deus sempre estará de braços abertos para nós, para voltarmos para Ele ( parábola do filho pródigo).

Em Hb 12,5-6 diz: “Irmãos, já esquecestes as palavras de encorajamento que vos foram dirigidas como a filhos: ‘ Meu filho, não desprezes a educação do Senhor, não desanimes qdo ele te repreende; pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho’.”

Embora isso seja falado para batizados, Paulo nos mostra que Deus trata de maneira diferente seus “filhos adotivos” de acordo com a intimidade que esses se encontram para com Ele.

Além disso, sabemos que Deus é Eterno e Imutável e por isso toda a decisão d’Ele não mudará…

Considerando todas essas informações…concluí que Deus tem todos os homens, independente da religião, como filhos.

Consegui visualizar isso pensando em um termo de contrato. Geralmente, é a contratante que lança os termos garantindo os direitos e deveres da parte contratada. Ao assinarmos o contrato, estamos garantido que iremos cumprir nossas obrigações.

Assim, somos nós que as vezes não temos Deus como pai… e por isso ele não nos trata como filhos dignos de receber os castigos.

Dessa forma, o batismo seria como nosso primeiro contrato para considerarmos Deus como pai e por isso esse contrato é essencial e necessário para nossa salvação… e aqueles que não querem se batizar sabendo disso, negam a paternidade de Deus… e acabam por se condenar… pois “viver no céu é ‘estar com Cristo’” e por isso devemos obedecer seus mandamentos para nos tornarmos íntimos de Deus.

Sem dúvida a submissão às leis de Deus é a nossa resposta de querermos nos tornar filhos d’Ele… pois só depende de nossa vontade nos tornamos… pois ele já nos tem como filhos…

O erro do frei estava em achar que esse contrato é unilateral e por isso acabou por desvalorizar o significado do batismo.

Essa conclusão que tive pode conter erros, pois ainda sou muito ignorante em muitas coisas da Santa Madre Igreja.

Sei que desconsiderei muitas coisas do que o frei disse… mas a parte que me chamou mais a atenção foi essa.

Por isso, peço que não publiquem essa carta, pois quero contribuir para o crescimento da fé católica, e caso essa conclusão esteja errada, ou o caminho escolhido para se chegar a ela esteja, desejo que me corrijam e me mostrem os argumentos que não considerei.

Desde já agradeço

Abraços

Muito prezado R., salve Maria.

O que esse frei disse está completamente errado.

Todos os homens são criaturas de Deus, mas a condição de filhos adotivos de Deus só se recebe através do Batismo.

A condição de Filho adotivo de Deus consiste em que Deus, pelo batismo, aplicando os méritos infinitos de Cristo, nos dá a graça santificante que é a própria vida de Deus em nós. Isso não se pode obter naturalmente. É algo que pertence à ordem sobrenatural. E Deus nos eleva à vida sobenatural por uma graça especial.

É falso então dizer que todos os homens — por serem criaturas de Deus — sejam também, apenas por isso, filhos adotivos de Deus.

Sendo assim, a sua comparação com o caso de contratantes não é correta.

Também é errado o que disse o Padre quando afirmou que o Batismo nos apresenta à Comunidade.

O Batismo nos faz membros da Igreja. A tal “comunidade” nada tem a ver com isso. Essa é uma doutrina nova que está sendo ensinada e que, como consequência, apresenta o pecado como sendo uma ofensa à comunidade e não a Deus, o que é herético. Daí se dizer erradamente, hoje, que os pecados são “sociais”. O pecado é sempre, e antes de tudo, uma ofensa a Deus.

Restando-lhe alguma dúvida, escreva-me de novo, para que lhe fique bem clara a doutrina católica sobre esse tema.

In Corde Iesu, semper
Orlando Fedeli

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