Montfort Associação Cultural

24 de janeiro de 2005

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Ave estudada por Darwin sofre mudanças evolutivas em 30 anos

Autor: Fábio Vanini

  • Consulente: Adolfo
  • Localizaçao: – Brasil

Ave estudada por Darwin sofre mudanças evolutivas em 30 anos

RICARDO BONALUME NETO
da Folha de S.Paulo

Um estudo de trinta anos de alguns dos pássaros mais famosos da biologia revelou que a evolução é algo imprevisível. A pesquisa, feito com os clássicos tentilhões de Darwin das ilhas Galápagos, pôde flagrar a seleção natural agindo em duas espécies de ave.

O naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882) desenvolveu uma teoria da evolução biológica cujo “motor” é o fenômeno chamado “seleção natural” -isto é, o processo pelo qual os organismos mais adaptados ao seu ambiente tendem a sobreviver e deixar descendentes, transmitindo as suas características genéticas.

Darwin, na sua viagem de circunavegação a bordo do veleiro HMS Beagle, passou pelas ilhas Galápagos, pertencentes ao Equador, durante seis semanas em 1835. Entre os animais que coletou e depois descreveu estavam os tentilhões, que têm uma grande variação em tamanho, forma do bico e hábitos alimentares.

Entre esses pássaros existem os que têm bicos que lembram alicates, capazes de esmagar as sementes mais duras. Outros comem insetos, outros são vegetarianos e um deles, o “tentilhão vampiro”, dá bicadas para chupar o sangue de aves marinhas.

O casal Peter Grant e Rosemary Grant, da Universidade de Princeton, EUA, começou em 1973 a estudar a população de duas espécies de uma pequena ilha, a Daphne Maior. Eles contaram as populações e mediram certos traços do tentilhão terrestre de bico médio (Geospiza fortis) e do tentilhão dos cactos (Geospiza scandens). Os traços básicos eram tamanho do corpo e tamanho e forma do bico. Esses pássaros pesam, em média, 20 gramas.

Eles notaram uma forte correlação dessas medidas com eventos naturais pelos quais a ilha passou. Ao fazer o estudo de longo prazo, foi possível medir o impacto nos tentilhões de momentos de seca intensa ou de chuvas torrenciais -como a provocada pelo fenômeno climático El Niño em 1983.

No caso do G. fortis, por exemplo, notou-se que o tamanho médio do bico aumentava nos anos de seca, quando apenas sementes maiores e duras estavam disponíveis. Em tempos mais úmidos, bicos menores eram mais comuns.

Desde o começo do estudo em 1973 até o ano passado, as médias de tamanho do corpo e formato do bico das duas espécies eram “marcadamente diferentes”, escreveram os autores em artigo na última edição da revista “Science” (www.sciencemag.org).

Houve uma diminuição, depois um aumento abrupto, e depois uma queda mais lenta das medidas de tamanho e bico do tentilhão terrestre de bico médio. 

“Se nós tivéssemos parado a amostragem depois de dez anos, nossas conclusões seriam diferentes”, dizem os dois. Naquele momento, a única diferença notável seria o tamanho do bico da ave.

Ao persistir em pesquisar por quase 30 anos, eles puderam testemunhar um evento de seleção natural que afetava também a forma do bico no G. fortis.

As Galápagos são um “laboratório” ideal para pesquisar a evolução. Como estão distantes do continente, o isolamento permitiu a evolução de espécies próprias.

Caro Sr. Adolfo, salve Maria,

Provavelmente o senhor nos tenha consultado para que comentássemos tal reportagem publicada na Folha de S. Paulo.

Por ser uma notícia que trata de uma possível evidência de que os famosos tentilhões de Galápagos sofreram evolução, cria-se uma confusão na cabeça daqueles que não compreendem a teoria Evolutiva, os princípios da Criação Divina e a interpretação dos fatos.

A notícia da Folha de S. Paulo apenas traduz em termos populares e simplificados – e não se sabe o grau de “imparcialidade” da transcrição – um artigo publicado na revista Science, um dos periódicos de maior circulação no meio científico.

Segundo a descrição do que foi observado com as aves, uma variação entre tamanho e forma do bico e tamanho do corpo teria sido registrada ao longo de 30 anos de medidas. Daí se conclui que as aves teriam evoluído nesse período. 

Em primeiro lugar, a notícia tem grande impacto por tratar das aves estudadas pelo próprio Darwin, autor da teoria biológica mais importante nos últimos 3 séculos, nas ilhas mais famosas no meio científico, utilizadas como campo de estudos pelo naturalista.

Além disso, o artigo original, denominado “Unpredictable Evolution in a 30-Year Study of Darwin”s Finches”, induz o leitor a aceitar a evolução e seus preceitos já em seu título, pois publicar uma notícia científica contra a Evolução é algo que não acontecerá tão cedo em revistas científicas “imparciais” e “sérias”.

Vejamos, segundo a definição padrão de Evolução, discutida por Eliot Sober (in Philosophy of Biology, Westview Press, 1993), se podemos enquadrar esse caso como uma ocorrência evolutiva.

Segundo essa definição, Evolução é toda mudança de freqüência gênica numa população, isto é, quando a proporção entre genes alelos diferentes para um mesmo tipo de caracter se alteraria, ao longo de sucessivas gerações, em uma população da mesma espécie, vivendo isolada. Supondo, por exemplo, que exista numa família que habita numa ilha distante do continente, um número de membros albinos igual ao de pessoal normais. Em algumas gerações, essa proporção desaparece, restando apenas pessoas normais. Logo, segundo essa definição absurda, houve Evolução, pois desapareceu o gene (alelo) do albinismo.

Aplicando essa definição ao caso concreto: há alguma prova de que a mudança de freqüência gênica nos tentilhões foi alterada em 30 anos? Segundo o que foi relatado, apenas uma mudança fenotípica foi registrada. Fenótipo é o conjunto de caracteres visíveis num indivíduo, e podem mudar ao longo de gerações sem alteração dos genótipos, ou seja, dos conjuntos de genes de um indivíduo. Os cientistas apenas observaram um evento óbvio: em determinadas condições ambientais, certas características visíveis da população se alteram para permitir que o indivíduo sobreviva melhor. Portanto, nem mesmo segundo a incongruente definição padrão de Evolução, se poderia concluir que houve um evento evolutivo.

Além disso, os tentilhões tiveram seus formatos alterados com as intempéries, mas retornando a formatos similares aos originais, com a volta das condições anteriores: “houve uma diminuição , depois um aumento abrupto, e depois uma queda mais lenta das medidas de tamanho e bico do tentilhão” (sic). Isso é muito comum na literatura, sendo o fenômeno conhecido como plasticidade fenotípica. Não houve nenhuma evolução. É o mesmo caso das polêmicas “mariposas de Manchester”. Aliás, os famosos e clássicos trabalhos com as mariposas inglesas já tiveram suas interpretações criticadas e os dados foram conhecidamente manipulados.

Porém, a tal família humana que supus anteriormente, em exemplo, continua sendo composta por humanos, da mesma espécie como foram há muitas gerações. Não houve nenhuma mudança de forma, embora houvesse a tal mudança de freqüência gênica.

A definição correta de Evolução seria mudança de forma, ou espécie. É isto que os cientistas evolucionistas querem ver a todo custo. E é esta mudança que nunca foi vista! Portanto, a definição moderna de evolução é absurda, sendo questionada pelos próprios evolucionistas (ver Sober, E.; Philosophy of Biology, 1993). Barata é barata há milênios, homem é homem há centenas de milênios. Bactéria é bactéria, há não se sabe quantos milhares de milênios.

Essa definição moderna de evolução é um sofisma. Sofisma mais sutil do que a definição como mudança de forma. Foi espalhada por que a mudança de forma, realmente, nunca foi registrada (há até prêmios na internet para quem a encontrar). Então muda-se a definição para que a teoria Darwinista possa continuar sendo empurrada para os estudantes e cientistas, substituindo a obra de um Deus Criador. O que não se quer permitir é Deus invadir a ciência. É isso o que querem os inimigos dEle. Por isso o evolucionismo é ensinado nas escolas e universidades como dogma, escondendo suas contradições internas, fraudes e falhas, sob uma máscara de racionalidade e liberdade científica.

In corde Jesu,
Fábio Vanini

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