Montfort Associação Cultural

12 de novembro de 2004

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Autenticidade do Santo Sudário

  • Consulente: Diogo
  • Localizaçao: Passo Fundo – RS – Brasil

Em resposta a um dos leitores, foi afirmado que uma das provas da ressurreição do Cristo seria o Santo Sudário de Turim.

Existem dúvidas sobre a autenticidade deste artefato, podendo ser fruto apenas de um falso profeta do seculo Xlll desesperado em busca de seguidores.

Diante disso, frustra-se também a teoria da ressurreição???

Prezado Sr Diogo, Salve Maria!

Mesmo que um dia viesse a se provar que o Santo Sudário não é o verdadeiro pano que foi usado para envolver Nosso Senhor após sua morte, mesmo assim teríamos certeza de Sua Ressurreição, pelas provas testemunhais registradas escritas e faladas que nos chegam até hoje, pela Igreja.

Mas felizmente, Deus misericordioso nos deixou também essa prova material. E essa é uma prova que só se pôde certificar cientificamente de modo plenamente satisfatório com a tecnologia de nossa época, sendo que podemos afirmar com segurança que o Santo Sudário é a relíquia mais certificada em sua autenticidade na história.

Aliás, até mais do que qualquer objeto pertencente a algum personagem histórico guardado em museu, pois duvido que se tenha criado tantas dúvidas contra a autenticidade de um objeto na história, e se tenha estudado (e comprovado) tanto.

E isso comprova o que disse na antiguidade S. Bráulio, Bispo de Saragoza: “O Sudário foi guardado pelos Apóstolos para os tempos futuros”.

Pois fique tranqüilo Sr Diogo, que o Sudário também é uma prova da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Provavelmente, o que lhe suscitou dúvidas foi uma “reportagem” de um programa de televisão de grande audiência, e cujo teor temos a informação.

Tratá-se da divulgação das recentes opiniões do físico Gian Marco Rinaldi, que afirmou: “Alguns homens da Idade Média não economizavam esforços para demonstrar sua fé. Eram mestres na arte de falsificar relíquias”.

Essa conclusão de Rinaldi se baseia, segundo a reportagem, principalmente em:

1- a análise do teste do C14 feita em 1988, que apontava a origem do linho para a Idade Média.

2- que o falsário teria coberto o corpo de um cadáver com o pano, para obter as figuras.

3- que as gotas de sangue da cabeça são muito nítidas, e que o normal é que o sangue se misturaria com o cabelo, não manchando o linho .

4- que as conclusões quanto às marcas de sangue são divergentes

5- que o falsário pode ter misturado tinta com sangue 6- que o físico russo Dimitri Kusnetshov não provou que o teste de C14 de 1988 foi errado, pois ele, Dimitri, teria falsificado sua experiências que comprovam que os incêndios pelos quais o Sudário passou afetam o resultado do C14, além de não responder a essas acusações.

O órgão da mídia televisiva que apresentou isso, costumeiramente parcial e fraca em qualquer tipo de reportagem, fez questão de não tocar nas verdadeiras provas da autenticidade do Sudário.

Vamos mesmo assim, analisar os pontos acima:

1- a análise do teste do C14 feita em 1988, que apontava a origem do linho para a Idade Média:

Apesar de:

- um dos Laboratórios (Zurique) ter errado em datação de múmias em mais de 1000 anos antes do teste com amostras do Sudário,

- e que na Arqueologia não se usa o C14 para datação em tecidos como prova, enquanto houver qualquer outro tipo de teste a ser feito (polens, por exemplo), devido à extrema facilidade de contaminação, consideramos que um dos maiores argumentos contra o teste de C14 no Sudário é o revestimento bio plástico nas fibras do linho, descoberto pelo Dr Leôncio A. Garza -Valdes em amostras do Sudário em 1993, provocados por bactérias. O Dr Valdes criou a disciplina arqueomicrobiologia da Universidade do Texas.

O próprio inventor do processo de datação por C14 usado em 1988, Harry Gove, declarou em 27 de Janeiro de 1995: “A técnica que se usou em 88 para a datação do Sudário de Turim, por meio de C14 foi inventada em meu Laboratório, na Universidade de Rochester, em 1977. Depois dessa datação, estive convencido desse resultado durante anos. Recentemente, porém, o Dr Garza-Valdez apresentou provas consistentes a respeito de um tipo de contaminação… não removível, que pode fazer com que a data fornecida pelos três laboratórios seja mais recente”. Só este fato já aponta que não se pode dar o menor crédito ao teste radiocarbonico de 1988, fora outros fatos importantes relacionados a condutas estranhas tomadas na época, e sem mencionar ainda a contestação de A. Kouznetsov.

2- que o falsário teria coberto o corpo de um cadáver com o pano, para obter as figuras.

Se um cadáver fosse coberto por um pano, não imprimiria sua figura em projeção ortogonal à superfície do mesmo, como está no Sudário. Essa teoria de Rinaldi é para justificar a tridimensionalidade da figura, descoberta pela equipe da STURP (ou PPST – Projeto de Pesquisa do Sudário de Turim – Laboratório de Jato Propulsão – EUA) nas pesquisas de 1978.

O efeito da Ressurreição foi perpendicular a superfície do Sudário, e uma pessoa envolvida totalmente no mesmo, se apresentasse alguma impressão por mero contato, como se fosse um carimbo, seria em todas as direções, e não só na ortogonal.

Ou seja, envolver com um lençol um cadáver com tinta no corpo, como “ingenuamente” insinua Rinaldi, nunca causaria esse efeito.

3- que as gotas de sangue da cabeça são muito nítidas, e que o normal é que o sangue se misturaria com o cabelo, não manchando o linho.

A coroa de espinhos foi na verdade, um capacete de espinhos, e é muito sangue mesmo que caiu.

A preocupação de Rinaldi é negar que havia sangue no pano. Mas a região onde mais há sangue no Sudário é na mão (pulso).

Mas o mais difícil vai ser explicar como é que foi separado o sangue do soro, com pincel, como está no Sudário. O falsificador teria então um conhecimento que até hoje ninguém tem.

O falsificador teria também um conhecimento perfeito de medicina, pois colocou sangue arterial e venoso (na Idade Média não se conhecia isto) em perfeita correspondência com a anatomia.

4- que as conclusões quanto às marcas de sangue são divergentes

Um reverendo episcopaliano chamado Dr. Sox afirmou que as manchas de sangue na verdade são de tinta. A equipe da STURP, após os estudos de 1978, afirma que é sangue, e que não há sinais de corantes ou tintas, nem marcas de pincel ou direcionalidade.

Se for esse nível de divergência a qual Rinaldi se refere, não me preocupo.

5- que o falsário pode ter misturado tinta com sangue

A equipe da STURP, como disse acima, não achou nenhum vestígio de tinta ou corante, em 1978.

6- que o físico russo Dimitri Kusnetshov não provou que o teste de C14 de 1988 foi errado, pois ele, Dimitri, teria falsificado sua experiências que comprovam que os incêndios pelos quais o Sudário passou afetam o resultado do C14, além de não responder a essas acusações.

E a reportagem ainda diz: “Procurei a instituição em que ele teria feito um experimento e não a encontrei. Os museus também não existem. Apurei que nenhum laboratório da Rússia seria capaz de fazer a datação com o método que Kusnetshov afirma ter empregado”, acusa Rinaldi.

Só que, mesmo um brasileiro insignificante como eu, já leu que as comprovações do teste de Kusnetsov foram feitas na Universidade de Tucson, Arizona.

Até aqui respondi com que eu sabia, as acusações contra a autenticidade do Sudário.

Mas quais são as maiores provas de que o Sudário é o legítimo pano mortuário de Nosso Senhor?

- os estudos dos polens grudados ao Sudário, que são os registros mais eloqüentes de datas e locais por onde passou o Sudário. Max Frei, palinólogo e criminologista professor da universidade de Zurique, fundador e diretor do laboratório científico da polícia suíça, declarou em 8 de março de 1976 após anos de estudo dos polens do Sudário, pesquisando nos locais da Palestina:

“…A presença de polens pertencentes a não menos de seis espécies de plantas da Palestina, uma da Turquia, e oito espécies Mediterrâneas, nos autoriza, desde já, mesmo antes de chegarmos à identificação completa de todos os fósseis e microfósseis, a chegar à seguinte conclusão definitiva: O Santo Sudário não pode ser uma falsificação.”

Após isso, ele ainda identificou do Sudário, dezenas de polens e fósseis de polens de plantas extintas da Palestina, do séc I.

- os resíduos minerais, que mostram o local onde o corpo de Nosso Senhor foi envolvido pelo Sudário.

- as características “pós-morte” extremamente verossímil para ser imaginada por um artista em uma época antiga.

- as pinturas antigas pintadas com muita semelhança à figura do Sudário.

- Registros históricos contando sua passagem na Antiguidade: Edessa e Constantinopla: o Codex Vossianus Latinus Q69, do séc X, conta uma narrativa do séc. VIII, que se refere ao Santo Sudário claramente.

Portanto, caro Sr Diogo, temos um dilema: se o Sudário não for autêntico, sua falsificação na Idade Média, como querem alguns, também seria um milagre.

Saudações
Sidney Gozzani

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