Montfort Associação Cultural

19 de novembro de 2004

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Ateísmo, conseqüência natural do Evolucionismo

Autor: Fábio Vanini

  • Consulente: Pedro
  • Idade: 29
  • Localizaçao: – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída

Prezadissimo Fabio,

Humor e ironia são sempre bem-vindos, ademais se acompanhados das devidas explicações. Vi o primeiro no seu texto, mas não o segundo.

Faço minhas as palavras de “Dri”, que você fez questão de colocar entre aspas antes de utilizar de um certo (abro aspas) “menosprezo” à pessoa que questionou. Ataque à pessoa que propõe a questão não é produtivo e é costume em “diálogos” entre a ciência e a religião utilizar-se deste péssimo recurso. Gostaria de manter a argumentação no nível teórico evitando ataques pessoais desnecessários pouco produtivos e elucidativos, além de servir apenas para a dificuldade de estabelecer dialogo. Erro dela agravado pelo seu, por se tratar de simples repetição infantil. Não importa se ela utilizou termos imprórpios para sua colocação, e, aliás, nem importa o como se referiu a ela, se, no fim das contas, a argumentação permanece correta. Evitemos ataques que são desnecessários e nos concentremos na argumentação.

Pois bem, a colocação da Dri, apesar de em absoluto tira a principal questão que é a de argumentar no “Por Quê acreditar no criacionismo”.

Suas argumentações pouco passaram de ataques à teoria, mas em nada acrescentaram para a elucidação do caso. Vamos por partes:

Você diz “Não há comprovação” . Sinto lhe informar, mas evidências existem aos montes. Vamos a algumas delas:

Pprimeiramente há o fato inegável de terem sido encontrados fósseis de milhares de anos atrás o que, além de indicar a existência de espécies que já não existem (“extintas”) as demonstra como sendo de milhões ou bilhões (como seres unicelulares) a vida na terra.

A Geologia confirma esta hipótese ao demonstrar com inúmeras pesquisas e escavações as diferentes camadas geológicas.

As contas de alguns chamados “cientistas cristãos” de poucos milhares de anos a vida na terra é absolutamente descartada, então, o que nos leva a ver os escritos na Bíblia não com olhos fundamentalistas, mas a entende-la como figura de metáfora a ser entendida como aproximação, no máximo, do que teria ocorrido. Com isso quero apenas dizer que a Bíblia pode ser lida de diversas formas, por exemp0lo um livro inspirador para alguns, ou histórico, para outros, mas não mais, pelo que conhecemos e sabemos, a verdade nua e crua.

Além disso outras deduções científicas se complementam dando um quadro não-paradoxal do universo. Sabe-se que ele “nasceu” Há uns 13 bilhoes de anos na chamada “Big Bang” pois está em expansão. Sabe-se que a terra gira em torno do Sol, que está em uma galáxia (3000 anos, pelo menos, de observações do céu foram capazes de nos levar a estas conclusões)

Estima-se a idade da Terra em torno de 5 bilhoes de anos. Sabe-se, por experiências comprovadas e repetidas de laboratório, que algumas moléculas podem se perpetuar por mais tempo que outras e se “copiar (química/física)

Sabemops da existência de algo chamado “gene”, que tem nossas informações passadas de pai para filho (mendeleyev já havia comprovado isso, antes até de Darwin). Também sabemos que o DNA existe em todos os seres vivos, e que sofre mutações regulares ao se reproduzir (o que pode justificar com facilidade as modificaçõe e o surgimento de novas espécies).

Sabemos que o corpo não é perfeito (como se tivesse sido criado por um relojoeiro), mas que tende a ser o mais funcional possível, e que aquilo que funciona bem tende a se manter vivo por mais tempo. Enxergar bem nos permite evitar acidentes e chegar vivo em casa, ter relações com nossa esposa e engravida-la, tendo filhos que enxergarão bem. SABEMOS, isso não é “teoria” mais, é dedução mais que comprovada (ou você acredita que a gravidade também é simples teoria?).

Imaginemos um professor de português de magistério com uma boa didática e com o objetivo de que a maior parte das pessoas fale um bom português no futuro. Este professor, ao ensinar seus alunos de forma empolgante, vai garantir que alguns deles se tornem professores “seguindo o exemplo de seu mestre”). Alguns destes alunos podem até gostar de matemática, mas em virtude do bom professor de Português, ao escolherem suas atividades resolvem lecionar a língua que utilizamos (na realidade precisa-se cursar uma faculdade de letras ou de matemática para isso, mas como exemplo simplificado acredito que me torno claro). Resolve ser “professor de Português”. Para um professor de matemática manter seu emprego e continuar tendo alunos, além de promover o conhecimento de matemática precisa melhorar sua didática. Dificilmente um ou outro será absoluto na preferência dos alunos, mas quanto mais e melhor cada um fizer sua função, mais facilmente marca pontos com a diretoria, melhor garante seus objetivos, etc.

A “didática” de cada um são suas “estratégias de sobrevivência” em termos biológicos. Sua faculdade ou formação, seu “código genético” e a sorte de ter mais ou menos alunos interessados, o acaso existente na natureza (ou pela matemática do Caos, completaria o professor de matemática).

Vamos supor que um aluno de português resolve que, como tem muitos professores de português na escola, mas não sabe dar aulas de matemática. O que fazer? Ele tem uma idéia e cria uma disciplina de literatura! Pronto, tem emprego e se especializou no assunto.

Ser melhor caçador, voar mais alto, mais rápido, mais resistente, criar venenos, ser mais esperto, inteligente, etc, são o memso em termos evolucionários, com a diferença que os animais não “criam” estratégias, mas elas vão lentamente sendo estabelecidas através de mudanças ao longo do tempo (e acredite, milhões e bilhões de anos é muito, muito tempo para isso).

Um argumento recorrente é que o “Olho” é complexo demais para ter “evoluído”.

Não é verdade, novamente.

Imagine um peixe que tinha células foto-sensíveis (a luz causa alteração em algumas membranas, como deve saber). Um dia ele percebe uma alteração na claridade e se contrai de volta para sua toca no oceano, sem saber escapando por pouco de um predador que tinha farejado a ele. Este peixe vive mais um dia e deixa descendentes, também com as tais células. Os filhos que melhor percebiam a luz, com o tempo, deixavam mais filhos, que com o tempo passaram a enxergar luz e sombras com grande complexiadade. Destes, alguns usavam esta habilidade para caçar pois enxergavam comida de longe. Menos fome, mais possibilidade de deixar mais filhos, nova complexidade evolucionária. Milhões de anos depois, os animais que melhor enxergam entre as águias por exemplo, são melhores caçadores e passam menos fome. Os ratos que melhor enxergam também tem mais chance de escapar das águias.

O olho evoluiu de forma independente em inúmeras espécies, como o olho de répteis/mamíferos e aves contra o olho de polvos, por exemplo, igualmente úteis. Não são o mesmo tipo de mecanismos, mas tem a mesma função.

Daí alguns argumentariam “Puxa e uma coisa complexa assim não teria de ter um criador, um arquiteto?” e a resposta é “se fosse assim, este arquiteto teria de ser tão complexo que sua existência só se explicaria por outro arquiteto” (ou no caso um super-deus criador de Deues, e um Super-Super Deus criador do Super Deus, ad eternidade. Ou seja Não, não precisaria, é ilógico e muito mais complexo pensar assim.

Alguns teóricos defendem outra idéia: A de que Deus teria criado o universo perfeito não ao cria-lo estagnado (requerindo inúmeras intervenções e ajustes, tal qual um relojoeiro e seu relógio), mas um universo auto-ajustavel e auto-adaptável. Criaria as leis de física e deixaria a complexidade se formar de maneira bela e interessante, tal como um artista que deixa a obra se “escrever” por si mesma. Gosto desta idéia, apesar de não ter nenhuma crença. No entanto acho que ela pode lhes ser interessante pois não contraria suas idéias básicas, mas as torna menos paradoxais.

Sabemos, portanto, sim, e temos provas, que ocorreu o surgimento de várias espécies e que as que conseguiram se manter melhor permanerecaram e deixaram mais descendentes. Quanto mais e melhores descendentes, melhor aquela espécie em termos evolucionários.

Sabemos da existência de espécies que desapareceram e de outras que surgiram gradualmente. Fosseis de peixes com pés, por exemplo, ou de coicidências genéticas de algo entre 95 e 98% entre nós e os chipanzés. Somos parentes, não dá para negar.

Aparentemente, também, acusa pessoas defensoras do “evolucionismo” de pouco conhecedoras da ciência. (alias, o termo “relojoeiro” é criação de criacionistas, não de Daawkins”, ele apenas demonstra como não parece haver propósito em um projeto “perfeito” teoricamente gastar energia excessiva em ações contraditórias). Um bom administrador não faria isso.

Volto agora à questão dos fósseis, pois acredito que sua argumentação não é coerente. Fósseis são achados raros na natureza, raríssimos, alias, mas eles indicam, sim, através de estruturas ósseas e exames bio-quimicos relação, parentesco e, portanto um ancestral em comum. Para chegar no ponto que você traz seria necessário encontrarmos TODOS os fósseis de nossos ancestrais para poder acreditar. E a lógica nos diz ser possível deduzir. Se precisarmos ser tão específicos, nossas gigantescas maquinas de pensar e compreender o mundo seriam inúteis.

E não, o acaso não tem finalidade. Ele apenas existe. Assim como nós, por mais difícil que seja nos sabermos assim. Mas, já que estamos concientes, aproveitemos o que tem de bom em estar vivo e na agradável companhia de outras pessoas e espécies.

Em termos de contradições, a idéia de um Deus Absoluto é mais contraditória que qualquer idéia ou conceito científico,ç. Sua argumentação, como você disse “simples” de que o universo existe desde uma origem e , portanto, alguém o criou, além de falha no sentido lógico da coisa (já explico, com relatva simplicidade) é complicada pela argumentação do “poderia Deus Criar uma pedra Tão pesada que nem ele pudesse levantar”? Ou seja, ou Deus não é absoluto, a não ser em nossos desejos que ele seja, por não poder criar pedra tão pesada, ou não é absoluto e inipotente por poder existir algo que não possa fazer. ISSO é contradição. Ademais a bíblia tem trocentas idéias contraditórias, como o Deus hora vingativo (matou Onan por se recusar a ter relações com a cunhada x alega a importânciua de a tudo perdoar, por exemplo, mas tem lugares na internet que vc acha essa e outras fácil fácil).

Uma interessante teoria (esta ainda não comprovada empiricamente, por razões claras) sugere que o universo é fruto da flutuação quântica entre matéria e anti-matéria. SEM um criador. Pelo que já se sabe de física quântica, altamente provável.

E Michael Behe foi refutado inúmeras vezes nas experiências que mostram que é possível se fazer modelos moleculares em laboratórios estáveis. Isso foi conseguido dezenas e centenas de vezes em cem anos. Imagine na terra inteira com uns 1.000.000.000 de anos ao dispor e ela inteirnha para isso ocorrer. E como católico deveria saber que o Papa já aceita Darwin.

Assim, gostaria de re-afirmar a inexistência de bons argumentos para “acreditar” em criacionismo em oposição aos bons motivos para se “deduzir” o evolucionismo.

Grato pela atenção.

Caro Pedro, salve Maria,

Não tive a intenção de menosprezar a consulente citada colocando o apelido “Dri” entre aspas, mas o fiz pois esse não é seu nome verdadeiro. Como não sei como ela se chama, e certamente não é “Dri”, tratei-a assim pois apelidos costumam ser usados entre velhos conhecidos. Como não a conheço, ao menos assim posso tornar mais sério o tratamento.

Aliás, quem nos menosprezou foi ela e se respondi duramente, respondi como merecia o tratamento que nos foi dado primeiramente, com todo direito de resposta que me cabe.

Mas deixemos esse caso de lado e falemos dos seus ataques – em primeiro lugar a Deus e, também, a mim. Se escrever ironicamente da maneira que fiz pode ser considerado ataque pessoal, então repare em sua carta, pois agiu da mesma maneira.

Mas isso também não importa. O que importa é que a honra de Deus está em questão. Nesse caso, então, os ataques a Ele devem ser rebatidos. Ainda bem que os seus ataques a Deus sejam tão velhos quanto vazios Tratemos primeiramente da Evolução.

Se fiz ataques a teoria Evolucionista, é por que a pergunta “Por que acreditar no criacionismo?” Seria respondida por: “Porque, de outro modo, teria que acreditar no Evolucionismo”. De maneira que desmentir o evolucionismo é uma maneira de mostrar como a única maneira de se explicar a existência do Universo é pela sua criação divina.

O problema é que Deus nos traz obrigações e o Evolucionismo é somente cômodo. O darwinismo justifica qualquer erro, pessoal ou coletivo. Daí a ciência querer tanto provar que algumas mutações, normalmente deletérias, podem transformar o macaco num homem.

Você nos diz que há muitas evidências a favor da Evolução. E dá como exemplo os fósseis, o Big Bang, a idade da Terra, o gene, a imperfeição dos seres, um professor de português e outro de matemática. Onde está a evidência?

Caro Pedro, evidência é um fato visível, que não necessita ser provado. Está na raiz da palavra (videre: ver; do latim). Se vejo um fóssil, vejo um molde positivo ou negativo de um ser morto. Não vejo um ser se transformando em outro. Também não há como provar que uma espécie tenha derivado de outra por vestígios fósseis. Poderiam ser feitas, no máximo, inferências e especulações, porém intestáveis. Não há um só caso na literatura de mudança indubitável de espécie, o que seria sim uma evidência.

Os fósseis (que não são tão raros assim, eu mesmo tenho um braço de mesossaurídeo em casa, que peguei em uma pedreira em Rio Claro) são normalmente achados em camadas geológicas, de um mesmo período, com indivíduos tão semelhantes entre si que podem ser agrupados facilmente em espécies.

O problema é que não são encontrados os intermediários entre as espécies. Essa é a crítica principal ao registro fóssil da evolução. Pelas previsões darwinianas, deveriam ser encontrados muitos intermediários entre espécies. Os tais intermediários não existem. Nem eles, nem as comparações bioquímicas que você alude, entre fósseis. É difícil se extrair DNA de ossos recentemente mortos, que dirá de fósseis de milhões de anos…

Ademais é bem conhecido que evolucionistas falsificaram fósseis para provar a origem simiesca do homem. E uma das falsificações mais escandalosas foi a do Homem de Piltdown, cuja fraude foi atribuída pelo próprio Jay Gould ao padre Teillhard de Chardin. Aliás, esse padre gnóstico esteve envolvido também na fraude do Homem de Pekim.

E se o evolucionismo recorreu — e por várias vezes — até à fraude para comprovar sua teoria, é sinal claro de que confessava não ter provas reais do que afirmava.

Que a Terra tem bilhões de anos, isso em nada vai contra as Sagradas escrituras. Os cálculos que costuma ser encontrados em certos livros criacionistas (feitos por cientistas “cristãos”), normalmente de origem protestante, são baseados nas idades dos patriarcas, descritas no livro do Gênesis. Porém, esses são homens que tiveram maior importância histórica, o que não exclui a existência de gerações entre eles. Portanto, esses são cálculos errôneos.

Contudo, prezado Pedro, se aceita um conselho, não acredite muito nos métodos de datação geológicos. São extremamente imprecisos, ou, muitas vezes fundados em tautologias. Utiliza-se a idade de um fóssil encontrado em uma camada geológica para datá-la e o fóssil é datado conforme a idade daquela camada geológica. Por isso as grandes diferenças encontradas nas suposições dos cientistas. Mas negar que a Terra tenha milhões ou bilhões de anos é querer aceitar apenas a “letra” das Sagradas Escrituras, conforme a usual exegese protestante.

Além disso, os dias da criação, descritos nos primeiros capítulos do Gênesis, não podem ser dias com 24 horas. Como poderiam existir os três primeiros dias se o Sol foi criado apenas no quarto dia? É claro que o uso da unidade “dia” é simbólico, e representa um período, um momento da criação, uma era. Podem ser até mesmo bilhões de anos, pois “um dia, diante do Senhor, são como mil anos, e mil anos como um dia” (II Ped. 3,8). Porém, a seqüência de fatos descritos no Gênesis é verdadeira. O livro do Gênesis não é meramente simbólico, embora não se deva encará-lo como um livro de biologia.

Também nos conta esse livro da Escritura que a Luz foi feita no primeiro dia (Gen. I, 3), antes dos planetas, astros, etc. Ora, atualmente se supõe que o Big Bang foi uma explosão com uma liberação imensa de energia luminosa.

O que importa é que o universo teve um começo. E seria um absurdo a matéria ter existência sem causa. Todo efeito tem uma causa. Logo a matéria tem que ter causa. Isso é científico. Dizer que o Universo é eterno, além de física e metafisicamente ser absurdo, é atribuir a matéria uma qualidade divina. O eterno tem, obrigatoriamente, que ser imutável e o Universo é mutável.

Mas eis que encontro em seu texto uma pérola, quando diz que a hipótese da flutuação quântica não pode ser comprovada empiricamente. E o evolucionismo, pode? Não vê você que o Evolucionismo é uma teoria que não permite falseabilidade, não permite ser testada? Portanto, não pode ser tomada como parâmetro para experimentos com intenção de reforçá-la.

É exatamente assim que são feitas todas as comparações genéticas, de proteínas, etc. Utiliza-se, para se chegar a um parentesco provável entre espécies, um ancestral como parâmetro. E se “deduz” que houve evolução, pois se partiu dela mesma para se chegar nela. É a famosa “continha de chegar”. Se isso é a “dedução” que você fala…

Quanto às mutações, sabe-se muito bem que são quase sempre deletérias. A própria corrente darwinista reconhece que as mutações normalmente são prejudiciais aos seres vivos. Sabe-se que há uma taxa de um erro de base nitrogenada a cada 109 eventos e uma substituição de aminoácido a cada 200.000 anos! (Alberts, Molecular Biology of Cell, 1994, p.243, autor evolucionista!). Não podemos nos esquecer, o que é bem comum, dos eficientíssimos mecanismos de reparo da célula, contra as mutações. Ainda assim, as mutações são a única fonte de novidades. É esta escassa fonte que permitirá ao indivíduo novas e melhores estratégias de sobrevivência, conforme prega a doutrina darwinista. E o pior é que deveria estar ocorrendo o tempo todo. Mas não é bem assim que as coisas acontecem. Daí apareceu a corrente neutralista, para substituir a superestimada seleção natural, promovida pelos entusiásticos documentários da National Geographic.

O ponto é que não há mudança de espécie, nem evidenciada, nem deduzida, nem comprovada, apenas “cozinhada”. Uma espécie “descendente” não pode ser mais complexa, enquanto efeito, que sua espécie “ancestral”, causa mais simples. O menos não pode gerar o mais. Ainda mais em se tratando de ordem interna do ser. Você mesmo admite que espécies desapareceram e outras surgirão ao longo do tempo. O “gradualmente”, como você escreve, caiu de pára-quedas na frase, pois não é isso que nos mostra a paleontologia.

E é exatamente essa a argumentação de Michael Behe. Quando você diz que ele foi refutado várias vezes, gostaria de saber quais as referências que tem disso, pois criar um modelo molecular em laboratório não é a crítica desse autor. Aproveito para perguntar exatamente o que quis dizer com isso, pois “modelos moleculares” é muito vago. O centro do livro se refere à improbabilidade de haver alteração em um frágil complexo bioquímico natural sem comprometê-lo e à impossibilidade de aparecer ao acaso um complexo inteiro, inter-relacionado a outros também de aparecimento espontâneo.

Repito o que escrevi à “Dri”: espécies são entidades reais na natureza (Sober, E.; Philosophy of Biology, 1993), e são descontínuas, isto é, não há uma matiz tênue entre duas espécies. Isso só é possível se elas tiverem mecanismos, ou estratégias, que as impeçam de se misturar com outras, gerando novas espécies. E isso é uma complicação para a teoria da Evolução, que necessita de elos entre as espécies. No Gênesis lê-se por dez vezes que Deus criou os seres que geravam descendentes segundo sua espécie, e não outras. Logo, o criacionismo tem mais um ponto a seu favor.

Você nos conta uma historinha (dos professores), do tipo “Richard Dawkins”, para nos explicar o neo-darwinismo. É comum, ao se explicar o darwinismo, tomarem-se exemplos humanos. Passa-se então para uma situação hipotética na natureza, onde não há intenção individual. Ora, onde foi parar a intenção? Se algum organismo tem valor adaptativo ou fitness, há um critério. E não pode haver um critério funcional sem finalidade. É óbvio que há uma finalidade na natureza. É como uma flecha em direção ao alvo. Há uma finalidade: o alvo. Mas a flecha, em si, é cega. O mesmo se dá na natureza. Portanto, tem que existir um atirador intencionado. A visão dos seres apenas como máquinas funcionais (“bête machines”) é de Descartes, que vê o mundo mecanisticamente, e os homens seriam animais de trabalho como um carro. O evolucionismo vai cair no mesmo erro.

Os evolucionistas confiam puramente no acaso, e dizem, como você, que devemos aproveitar “o que tem de bom em estar vivo”. Ora, a bondade exige uma finalidade. Só é bom o que tem finalidade. Logo, a vida tem que ter uma finalidade. E é você quem diz…

Quanto à sua historinha, os professores continuam sendo homens. Houve apenas um progresso individual, e não evolução. Meu caro Pedro, seu exemplo é Lamarckista! Os evolucionistas confundem erroneamente progresso com evolução.

Quanto ao olho, que você diz que é possível aparecer ao acaso pela evolução, imagine que ao olho estão ligadas complexas ramificações nervosas, um nervo ótico, partes do cérebro com codificação de imagens, reações físicas e emocionais, músculos delicadíssimos, músculos que reagirão com a fuga, ligados a articulação óssea, etc. Imagine a probabilidade de tudo isso aparecer lentamente por mutações aleatórias ao longo de muitos milhares de anos. A estatística está contra os evolucionistas (lembre-se, um aminoácido a cada 200.000 anos…).

E Deus deu dois de graça para você, sem que ao menos os pedisse. Pena que você os use mal.

Além disso, a “convergência evolutiva” dos olhos em diferentes grupos é, na verdade, um problema para teoria da evolução. Como explicar que um órgão tão complexo, de mesma função, apareceu em tempos diversos e em locais diversos, com estruturas semelhantes, mecanismos, resultados semelhantes e eficientes? Ainda mais com as probabilidades baixíssimas de que dispõem a evolução.

A Seleção Natural, conforme notou Darwin, é brutalmente intolerante com os seres “incompletos”, que necessariamente deveriam aparecer durante a evolução de uma espécie. E, no entanto, são os seres “incompletos” que transmitiriam as informações genéticas (e não código genético, como você erroneamente usou) para os descendentes evoluídos, e não os que estariam já completos e fixos.

As provas que você me dá, ou não podem ser classificadas como prova, ou não desaprovam em nada o criacionismo. Dizer que há entre 5% e 2% de diferenças genéticas entre homens e macacos é uma evidência da existência da alma. Será que seria simplesmente genética a diferença entre cutucar um cupinzeiro com uma varinha e uma catedral gótica ou descrever a lei da gravidade?

Aliás, o tal referido peixe com pés é o Celacanto? Pois se for, saiba que ele é pescado vivo no litoral de Madagascar, idêntico aos fósseis de centenas de milhares de anos. Também se vê por filmagens especiais que ele usa os tais “pés” como nadadeiras, como outro peixe qualquer. E pode acreditar: mesmo não sendo muito mais antigo do que o homem, ele ainda não anda, por aí, de sapatos.

Quanto a ser parentes de macacos, você costuma dizer isso publicamente nas reuniões de família?

Sobre a perfeição dos seres, erra-se quando se diz que são imperfeitos. Perfeito quer dizer acabado. O homem é acabado quando tem em si tudo o que é necessário para ser homem. Se ele tem língua comprida, cegueira, mudez, doenças, uma perna a menos, pouca inteligência, continua sendo homem. Esse é um argumento muito fraco.

O problema para os evolucionistas é explicar as proporções na natureza. Já os egípcios mediram a natureza e viram que toda ela é feita em função de uma proporção: o número de ouro (1,618). Todas as medidas do homem têm, em média, essa proporção e esse número se repete em toda a criação, como um critério que permite ao homem compreender inclusive a beleza da criação. E isso o acaso não explica. E “Deus tudo fez com medida, número e peso” (Sab. XI, 21).

Para encerrar, passarei rapidamente pelos bem fracos argumentos contra a existência de Deus (não é ataque pessoal a você, pois não foi você quem os inventou, mas é coisa de “livres-pensadores”. “Livre-pensador” é aquele que pode pensar o que quiser, desde que esteja de acordo com o que a associação dos livre-pensadores determina. Em primeiro lugar, elas determinam que tudo deve ser pensado contra a Religião Católica).

Dizer que há necessidade de um Deus criador de Deus é uma bobagem. Segundo Sócrates, Deus é a causa das causas não causada. Isso porque tudo que existe tem existência pois a recebeu de um ser que a tinha anteriormente. Ora, ou essa seqüência é infinita, o que é absurdo (leia a explicação nas provas da existência de Deus), ou tem que haver uma causa inicial, que é um ser necessário, isto é, que tem a existência como elemento de sua essência. Dizer que há um Super-Deus superior a Deus é dizer que há um infinito maior que outro. Isso é um non sense.

O mesmo se diz da segunda “prova” que nos dá. Dizer que Deus não pode cria uma pedra que não pode carregar é um sofisma barato. É como dizer que Deus pode fazer uma coisa que ele não pode fazer, pensar uma coisa que ele não pode pensar. Uma frase com duas negações é nula. Deus não pode fazer o absurdo, como, por exemplo, um triângulo quadrado. Onipotência é a capacidade de fazer tudo o que é possível. Esse argumento se anula a si mesmo, como se colocássemos +1 e –1 numa soma qualquer.

Caro Pedro, repare que o criacionismo clama por ser difundido, pois a intenção não pode ser outra senão converter as pessoas para Deus. O evolucionismo só tem razão para ser difundido se for para acabar com Deus e o Catolicismo, tornando-se um culto apenas ao ultimo produto da Evolução: o homem. É só uma maneira a mais de adorar o homem como deus, julgando curvar-se a seu cume, a razão. E, no entanto, se perde em sofismas, contradições e acusações baratas contra Deus e as Sagradas Escrituras, sem ao menos buscar uma explicação mais profunda para o que a cegueira acusa como contradição.

Sugiro que leia as outras cartas e artigos do site da Associação Cultural Montfort, antes de repetir esses argumentos que algum “livre-pensador moderno e racional” impôs como verdade.

E para finalizar, como Católico digo que um Congresso realizado em Roma, contando com cientistas americanos, europeus, entre outubro e novembro deste ano – notícia, portanto, fresquinha -, afirmou que o Darwinismo não passa de um mito, sem provas nem fatos. Segundo os resultados do Congresso, promovido pelo Centro Kolbe de Estudos da Criação, destinado a todos, principalmente aos católicos, as mutações, por exemplo, geram mudanças, mas não geram nunca espécies. Portanto, é mais do que legítimo para um católico defender Deus e sua criação.

In corde Iesu et Maria,
Fabio Vanini

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