Montfort Associação Cultural

25 de setembro de 2009

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Arte, namoro e sexualidade

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Anônimo
  • Localizaçao: – Portugal
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Estudante
  • Religião: Católica

Caríssimo pessoal da Montfort,
Salve Maria!

Estou a escrever-vos em grande inquietude pois tenho várias dúvidas que me atormentam o espírito e não me deixam em paz. Queria também dar-vos os parabéns pelo vosso trabalho. Por favor, enviem-me a resposta a este e-mail para o meu endereço. Agradecia imenso. Vamos então às dúvidas:

1- Li algumas partes dos vossos trabalhos sobre arte e cultura mas há algo que não percebo. E por isso pergunto: É lícito a um Católico escutar música, apreciar escultura, pintura, enfim, apreciar a arte e cultura pagãs? Pagã no sentido em que não fale de Deus nem da nossa Religião, antes fale de assuntos comuns e quotidianos sem referências religiosas. É lícito a um Católico apreciar e produzir arte sem assunto religioso mas que não vá contra a Moral e a Verdade? Ou seja, para uma obra de arte (música, pintura, escultura, poema, livro) ser lícita e válida para os Católicos é necessário que ela fale de Deus, Jesus, enfim, da nossa Religião, mesmo que não vá contra a Moral e a Verdade? Ou para ela ser moral e verdadeira tem que falar de Deus ou de Religião? Isto não consegui discernir nas vossas explicações. Quando digo arte quero dizer também outras manifestações culturais. (Provavelmente uma obra de arte lícita não tem obrigatoriamente de falar de Deus ou Jesus, ou de algum tema religioso, pois vocês já recomendaram numa carta todos os oratórios de Haendel e entre eles existem alguns sobre mitologia. E algumas cantigas medievais como as de Amor e Amigo também não falam necessariamente de Deus ou são religiosas. Vocês poderão pensar que eu já tenho a resposta nesses factos e que estou a troçar de vocês com esta pergunta mas não é o caso. A questão é que sou muito inseguro e gosto de respostas muito directas). No caso de podermos ouvir música sem assunto religioso poderemos ouvir, por exemplo, cantigas de Escárnio e Maldizer? Claro que não devemos ouvir as que contêm palavrões. É lícito ao Católico música, escrita ou pintura, em que ele ou outra pessoa, apenas desabafe sobre a sua vida, sobre si e sobre os seus sentimentos? Na nossa vida quotidiana temos que fazer constantes referências a Deus e à Religião sob pena de sermos imorais?

2- Outra dúvida é sobre o comportamento de um casal de namorados ou noivos antes do casamento. A D. Lúcia respondeu a uma leitora dizendo que como a Igreja não reconhece aos namorados ou noivos nenhum estatuto em especial eles não têm direito a comportar-se de modo diferente ao de amigos próximos e parentes. Há alguma declaração ou documento da Santa Igreja em que isso seja afirmado? E quanto à sexualidade vivida dentro do casamento?Hà algum escrito de algum Santo, ou da Santa Igreja em que seja explicitado o modo como um casal Católico deve viver a sua sexualidade?? Já ouvi dizer que a Igreja permite aos casais relações sexuais durante a gravidez, lactação e também em casos de infertilidade. Estas e outras afirmações sobre a sexualidade em que documentos e declarações da Igreja podem ser encontradas?

3- O Tango assim como a Valsa foram censurados pela Igreja. Foi por causa das suas danças lascivas ou também por causa da música propriamente dita? Isso está escrito em algum documento ou declaração? Qual?

4- Em S. Mateus 5,28, Nosso Senhor afirma que já comete adultério quem olha para uma mulher, ou uma mulher que olhe para um homem, com luxúria no coração. Por esse meio, só há adultério se um dos intervenientes for casado, certo?

Peço perdão se as dúvidas vos parecem já esclarecidas no site porém sinto-me muito inseguro com a informação que obti e gostaria que me esclarecessem estas questões. Agradecia do fundo do coração que me respondessem o mais breve que conseguirem a estas dúvidas. Admiro-vos muito e peço aqui ao Divino Menino Jesus de Praga que, pelos méritos da Sua Santa Infância, vos abençoe e guie. Muito obrigado e um abraço muito especial a todos.

Salve Maria!
X

P.S. Tenho uma sugestão. Porque não editam aqui no vosso site as Maravilhosas promessas de Nosso Senhor a Santa Brígida da Suécia e as respectivas orações (dos Sete Pai-Nossos e Sete Avé-Marias) que são de imenso proveito para as almas?

Muito prezado X,
Salve Maria.
 
    Muito obrigado por suas boas palavras.
    A arte, disse Pio XII, abre uma janela para o infinito, isto é, para Deus.
    O universo inteiro canta a glória de Deus. Todas as coisas nos falam de Deus, pois em todas há vestígios, ou imagens, ou enfim, semelhança com Ele. (Peço-lhe qiue consulte no site Montfort, o que escrevi sobre Vestígios, Imagens e Semelhança de Deus nas criaturas). Portanto, é possível retratar algo de Deus até numa pedra.
    Deus é Bondade, Verdade e Beleza. E Ele criou o mundo à sua imagem e semelhança. Portanto, o bem, a verdade, e a beleza das criaturas são um reflexo de Deus infinito.
    Essa é a missão da Arte.
    Nesse sentido, toda arte é religiosa mesmo quando tenha por objeto temas e coisas não própria e diretamente religiosos. Como os pagãos podiam ser tocados pela razão natural, eles também podiam fazer coisas retas na arte. A coluna dórica, o arco romano, etc são frutos dessa reta visão do universo, ainda que não diretamente católica. Os pagãos podiam seguir a lei natural, e quando faziam isso, agiam bem.
    Por isso, São Luis de Montfort pegava canções profanas de seu tempo — algumas com letras más — e trocava suas letras, colocando temas religiosos numa música profana de boa melodia.
    O Espírito Santo sopra onde quer. Portanto podia soprar também entre os pagãos. Mas quando o Espírito Santo soprava entre eles, soprava em direção à Igreja, como bem me ensinou um bom padre colombiano, Padre Rafael Navas Ortiz.
    Concluindo: é lícito apreciar arte profana que obedeça as leis da moral e as leis que Deus colocou na estética.

    Antigamente, os que iam ficar noivos — os “promessi sposi” — podiam receber uma bênção especial.
    Os noivos tem obrigação de se amar, querendo bem um ao outro, porém sem se permitir nenhuma familiaridade ou carinho que possa ofender a lei de Deus.
    Sobre o relacionamento conjugal, recomendo-lhe que leia a encíclica Casti Connubii de Pio XI,.Também lhe recomendo um livro do Padre Noel Barbara — Catechèse Catholique du Mariage, edição Fort dans la Foi.
    A relação conjugal é sempre permitida, mesmo entre esposos estéreis, como evidentemente acontecia com Santa Isabel e Zacarias. O que é pecado é evitar a gravidez propositadamente.

    As canções em ritmo moderno — tango, samba, bolero, fox etc — são de nível artístico muito baixo e vulgar. Ademais, elas propiciam danças lascivas. Que eu saiba, mas não tenho o documento, houve uma condenação da valsa, enquanto dançada. O tango é grosseirissimo.

    O adultério por pensamento, desejo ou olhar, só ocorre quando a pessoa que age assim é casada, ou quando a pessoa visada já é casada.

    Agradeço-lhe seus bons desejos e orações, e rogo-lhe três coisas:
    1 – que nos mande essas promessas de Deus a Santa Brigida, que não as tenho;
    2 - que nos escreva sempre, pois o queremos como amigo da Montfort
    3 – o o pedido amis importante: que reze por nós. 

    Um abraço bem amigo 

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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